Coleção pessoal de LEandRO_ALissON
Em grego, 'idios' quer dizer 'o mesmo'. 'Idiotes', de onde veio o nosso termo 'idiota', é o sujeito que nada enxerga além dele mesmo, que julga tudo pela sua própria pequenez.
"É preceito de sã pedagogia que o mestre ou educador, como representante do dever, incumbe envidar todos os esforços por se não mostrar a seus discípulos defeituoso modelo: se não tiver uma vida pura e ilibada, se todos os seus atos forem despidos daqueles predicados morais, únicos que podem atrair à sua pessoa a estima e o respeito; se como homem público e homem particular, como cidadão dum país livre, carecer daqueles quilates e primores que constituem o varão probo, vir probus; se como pai de família não for tido em conta de bom padrão de virtudes públicas e particulares, animando, em vez disso, a desordem no próprio lar, a incorreção, o desrespeito, o despudor e, muitas vezes, a dissolução, o desbragamento dos costumes e as mais flagrantes infrações da honestidade e do dever, como poderá ser mestre?"
Eu sou um anticomunista que se declara anticomunista. Geralmente, o anticomunista diz que não é. Mas eu sou e confesso. E por quê? Porque a experiência comunista inventou a antipessoa, o anti-homem. Conhecíamos o canalha, o mentiroso. Mas, todos os pulhas de todos os tempos e de todos os idiomas, ainda assim, homens. O comunismo, porém, inventou alguém que não é homem. Para o comunista, o que nós chamamos de dignidade é um preconceito burguês. Para o comunista, o pequeno burguês é um idiota absoluto justamente porque tem escrúpulos.
(Entrevista à VEJA em 1969)
Desde logo, os atributos de justiça e injustiça só se aplicam aos entes reais capazes de agir. Um ser humano pode agir, uma empresa pode agir, um grupo político pode agir, mas 'a sociedade', como um todo, não pode. Toda ação subentende a unidade da intenção que a determina, e nenhuma sociedade chega a ter jamais uma unidade de intenções que justifique apontá-la como sujeito concreto de uma ação determinada. A sociedade, como tal, não é um agente: é o terreno, a moldura onde as ações de milhares de agentes, movidos por intenções diversas, produzem resultados que não correspondem integralmente nem mesmo às intenções deles, quanto mais às de um ente genérico chamado 'a sociedade'!
'Sociedade justa' não é portanto um conceito descritivo. É uma figura de linguagem, uma metonímia. Por isso mesmo, tem necessariamente uma multiplicidade de sentidos que se superpõem e se mesclam numa confusão indeslindável, que basta para explicar por que os maiores crimes e injustiças do mundo foram praticados, precisamente, em nome da 'sociedade justa'. [...]
Se algum significado substantivo pode ter a expressão 'sociedade justa', é o de uma sociedade onde os diversos agentes têm meios e disposição para ajudar uns aos outros a evitar atos injustos ou a repará-los quando não puderam ser evitados. Sociedade justa, no fim das contas, significa apenas uma sociedade onde a luta pela justiça é possível. 'Meios' quer dizer: poder. Poder legal, decerto, mas não só isso: se você não tem meios econômicos, políticos e culturais de fazer valer a justiça, pouco adianta a lei estar do seu lado. [...]
Na medida em que a expressão 'sociedade justa' pode se transmutar de figura de linguagem em conceito descritivo viável, torna-se claro que uma realidade correspondente a esse conceito só pode existir como obra de um povo dotado de iniciativa e criatividade – um povo cujos atos e empreendimentos sejam variados, inéditos e criativos o bastante para que não possam ser controlados por nenhuma elite, seja de oligarcas acomodados, seja de revolucionários ávidos de poder.
Nenhum acontecimento, por mínimo que seja, pode se produzir sem que um número indefinido de acidentes faça convergir para o preciso momento e o preciso lugar em que ele se manifesta as inumeráveis linhas de causas e condições que sustentam sua manifestação.
O acontecimento assim considerado denomina-se fato concreto. Concreto vem de cum+crescior, designando o crescimento concomitante e convergente desses vários fatores causais.
Uma das tarefas essenciais da filosofia é preparar o fato concreto para exame científico, discernindo nele os vários pontos de vista possíveis e julgando-os segundo sua maior ou menor validade em função dos diversos interesses cognitivos. Sem essa depuração, sugestões mais ou menos implícitas na narrativa se filtrarão subrepticiamente para dentro enfoque científico adotado, maculando a pureza de linhas do objeto abstrato e invalidando as conclusões obtidas de seu estudo.
Toda narrativa de fato concreto é 'poética', no sentido de operar nele um primeiro recorte que não é definido por nenhum interesse cognitivo posterior mas segundo o próprio impacto imediato do acontecimento, considerado enquanto massa de informações e reações vivenciada como experiência humana real.
Seja em torno das crenças, seja dos fatos mesmos, pode acumular-se uma massa de opiniões ao menos aparentemente incompatíveis, derivadas do exame do fato desde interesses cognitivos diversos e não articulados uns com os outros. Quando a acumulação dessa massa atinge o ponto crítico, isto é, quando as diversas crenças se tornaram fatos e a acumulação desses fatos toma a forma de um conflito geral, a necessidade de articular racionalmente os diversos pontos de vista (e respectivos interesses cognitivos), para transcendê-los num ponto de vista abrangente capaz de dar conta de todos e arbitrá-los, este é precisamente o momento da entrada em cena do filósofo.
O filósofo procede ao exame dialético da massa de opiniões, mas não o faz com propósito puramente dialético (impugnar racionalmente esta ou aquela opinião), mas com o propósito de fazer dela, mediante sucessivas depurações dialéticas das crenças envolvidas, um objeto possível de demonstração científica.
"Todo professor, seja qual for sua especialidade, é, antes de tudo, um mestre de humanidade, e, por mais medíocre que seja sua consciência profissional, ele é, queira ou não, a testemunha e a garantia, para os que o ouvem, da mais alta exigência."
"As ideologias não estão preocupadas em encontrar e expressar a verdade por seu valor de verdade. O que lhes interessa é confeccionar uma verdade utilizável. Em outras palavras, ‘a verdade’ não é, para o ideólogo, senão um instrumento manipulador, um dispositivo apto a servir, funcionalmente, um interesse político determinado e um projeto de ação."
"São três as raízes da nossa cultura: a cultura ibérica, que é a cultura do privilégio; a cultura africana, que é a cultura da magia; e a cultura indígena, que é a cultura da indolência. Com esses ingredientes, o desenvolvimento econômico é uma parada..."
Hoje sei, mais do que nunca, que tudo neste mundo se desfaz em pó, inclusive os valores humanos mais nobres e sublimes, e SÓ O AMOR PERMANECE, POIS O AMOR É DEUS e aquilo que Deus amou por uma fração de segundo Ele jamais cessará de amar.
Se a alma fosse uma substância separada do corpo, seria impossível compreender qualquer coisa da psicologia de um ser humano pela sua expressão corporal.
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Corpo e alma não podem estar 'unidos', porque são apenas a mesma coisa vista em duas escalas: quando a matéria se extingue, a forma que a modelava permanece na mente de Deus. Quanto ao 'espírito', também não é uma substância distinta (só os gnósticos acreditam nisso), é apenas a faixa superior da alma.
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O dualismo está tão impregnado na cultura moderna, que a maioria das pessoas continua interpretando nesse sentido a afirmação de que 'a alma é a forma do corpo'. Entende forma no sentido de formato externo, ou no sentido da distinção entre o espacial e o inespacial. Alguém diz, por exemplo, 'A alma não tem glândulas'. É claro que tem. A alma não é o formato, é a fórmula, o algorítimo, o princípio articulador, a lei de proporcionalidade intrínseca do corpo. Nada está no corpo que não esteja antes — e depois — na alma.
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O algoritmo contém todas as mutações que a individualidade corporalizada pode sofrer ao longo da sua existência terrestre, separadas daquelas que não pode. Por exemplo, você pode ficar gordo ou magro, pode vir a ser um santo ou um genocida, mas não se transformará jamais numa vaca ou num trombone.
O que faz de um corpo animal vivente um corpo animal vivente não é o simples fato de mover-se no espaço, é ter um centro sensitivo e consciente que está em comunicação instantânea com todas as partes e ações do seu corpo e, no caso dos animais superiores, sobretudo o homem, com todo um universo de signos à sua volta. É nesse centro que reside a sua unidade, e ele é totalmente inacessível à percepção sensorial desde fora. O filósofo francês (nascido no Vietnam) Michel Henry enfatiza, com razão, que a realidade dos animais viventes está toda na sua SUBJETIVIDADE, e esta, como o Deus de Sto. Tomás de Aquino, só é cognoscível por analogia.
Se existe consciência fora do corpo, sem qualquer atividade cerebral concomitante – e está cada vez mais difícil negar que existe –, e se, por outro lado, há inumeráveis estados de consciência que são inconcebíveis sem corpo e cérebro, então é forçoso concluir que o cérebro não cria a possibilidade da consciência mas limita, enquadra e determina o seu exercício dentro das condições do espaço-tempo terrestre. TER um corpo é uma modalidade de consciência.
Se a consciência que tenho de mim mesmo — a identidade do meu “eu”– fosse um efeito da continuidade corporal, ela seria inconstante e mutável como os sucessivos estados do meu corpo, e não haveria por trás destes uma consciência constante capaz de registrar, comparar e unificar num conceito geral estável as mudanças que o meu corpo sofre. Se fosse um produto da impregnação linguística, um simulacro de identidade introjetado pelo uso repetido do nome e do pronome, como faria eu para saber que o nome pelo qual me chamam e o pronome pelo qual me designo se referem a mim? Se, por fim, fosse um resultado da abstração que por trás dos estados apreende a unidade da substância, QUEM, pergunto eu, operaria o mecanismo abstrativo? Conclusão: a identidade do meu eu é independente e transcendente em face do meu corpo, da linguagem e das operações da minha inteligência abstrativa. É uma condição prévia sem a qual não pode haver identidade corporal, nem linguagem, nem pensamento. A identidade do “eu” é a própria unidade do real que se manifesta na existência de uma substância em particular que sou eu. Nenhuma explicação causal tem o poder de reduzi-la a qualquer fator, pois é ela que unifica todos os fatores. A existência do “eu” é o inexplicável por trás de tudo o que é explicável.
Em todas as almas, os sentimentos, emoções, temores e desejos são os mesmos. Só o que difere é a sua proporção e distribuição no quadro total da personalidade. Só aquele que tem uma visão muito clara da forma integral da sua personalidade -- o que não se alcança senão na idade madura e com muito esforço -- pode enxergar a alma alheia com algum realismo. Fora disso, todas as opiniões que alguém emita sobre a personalidade de quem quer que seja -- especialmente as opiniões negativas -- não passam de 'wishful thinking' ou de compensação de algum complexo de inferioridade infanto-juvenil.
Fins e meios não são substâncias distintas e separadas como o pretendem os defensores do indefensável: numa sequência ordenada de ações, cada uma é o fim da anterior e o meio da subsequente.
A ÚNICA coisa essencial, na educação, é aprender a distinguir entre o universal e o particular, o essencial e o acessório, o divino e o humano. Mas em geral a educação ensina tudo, menos isso.
Natureza é a forma interior da espécie ou do indivíduo, o algoritmo permanente das suas mutações possíveis.
