Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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Jeremy Bentham dividiu as ciências em 'cenoscópicas' e 'ideoscópicas'. Ajustando um pouco as definições, digo que as primeiras estudam a realidade tal como ela se apresenta à experiência comum da espécie humana, as segundas a realidade tal como aparece segundo os recortes especializados que a tornam acessível aos métodos das várias ciências.
Os que estudam a ciência política ou, em geral, as ciências sociais só pelo ângulo ideoscópico cometem erro após erro, e nunca se emendam.
Mas a preparação do intelecto para as ciências cenoscópicas nada tem a ver com a educação científica habitual e especializada. Ela passa pela impregnação imaginativa do estudioso no 'senso comum', no modo como as pessoas de carne e osso vêem as coisas na sua experiência concreta.
É toda uma disciplina da percepção, do sentimento, da imaginação, em suma: da alma.
Essa é uma das normas básicas que orientam o COF. Tê-la aprendido faz com que os meus alunos acertem em suas análises políticas cem vezes mais que os opinadores jornalísticos e acadêmicos usuais.

Vencer os comunolarápios não basta. É preciso bani-los da vida pública PARA SEMPRE. Entenderam? PARA SEMPRE. E só há um meio de fazer isso: Não deixar que a velha geração esqueça e as novas gerações ignorem o que eles fizeram. Os crimes inumeráveis que eles cometeram -- e os muitos outros que preparavam -- garantiram para eles o direito à imortalidade: a imortalidade da vergonha, do opróbrio e da desonra. Negar-lhes isso é fazer-lhes uma tremenda injustiça.

Todo o espírito da esquerda universal se condensa e se revela num único episódio exemplar: Stalin ajudando Hitler a construir o seu exército -- fazendo de um partideco provinciano um flagelo mundial -- e depois posando de heroizinho antifascista.

A beleza não é democrática. Ela se mostra mais para poucos, não para muitos, mais para os que a buscam com persistência e disciplina do que para os despreocupados.

Com certeza, os espíritos são de tal forma que, cada vez que eles abandonam as ideias verdadeiras, revestem-se das falsas, o que provoca uma turba de sensações desordenadas, que embaraça a verdadeira percepção.

Há dois modos reconhecidos de se argumentar com um Comunista; e estão ambos errados. Há também um terceiro modo, correto porém não reconhecido. Ora, entretenho uma noção que, dentro em pouco, por uma ou outra razão, tomar-nos-ão boa parte de nosso tempo argumentações com Comunistas. E eu gostaria de esboçar, muito por cima, esta minha noção sobre o modo correto de fazê-lo. [...]

Ora, o argumento verdadeiro, cabal e final contra o Comunismo é que a propriedade privada é muito mais importante do que a iniciativa privada. Um batedor de carteiras representa a iniciativa privada, mas dificilmente diríamos que ele é um defensor da propriedade privada. A propriedade privada não é um suborno que existe apenas em função da iniciativa privada. Muito pelo contrário, a iniciativa privada é tão-só uma ferramenta ou arma que pode, por vezes, mostrar-se útil para se preservar a propriedade privada. E é necessário preservar a propriedade privada; pura e simplesmente por seu outro nome ser liberdade. Por um lado, longe de ser uma mera respeitabilidade convencional, é apenas o homem possuidor de alguma propriedade e privacidade que pode viver sua própria vida livremente. Por outro lado, longe de ser uma mera licença para troca ou, pior ainda, para a trapaça, todo o ponto da propriedade é que nela apenas pode crescer, naturalmente, o sentimento de honra. Precisaríamos de algum espaço para expô-lo aqui e pode ser que precisaríamos de algum tempo para expô-lo ao Comunista. Mas o Comunista ao menos haveria de dar-lhe ouvidos por mais tempo do que a um homem a meramente vangloriar-se de sua própria retidão ou avareza.

G.K.'s Weekly, 16 de maio de 1935 (Tradução Livre)

"Um regime revolucionário deve descartar um certo número de indivíduos que o ameaçam, e não vejo outro meio para isso, a não ser a morte."

Se você quer me ofender gravemente, me diga coisas como: 'Admiro muito você e a véia dos gatos', 'Admiro muito você e o Marco Antonio Vil', 'Admiro muito você e o Arruinaldo Azevedo', 'Admiro muito você e o Rodrigo Cocô', 'Admiro muito você e o hominho dos dois dedos.'

Se você quer me ofender mais ainda, diga que o meu problema com essas pessoas é divergência de opiniões.

Dentre centenas de autores marxistas que andei lendo ao longo da vida, Georg Lukacs e Antonio Negri são os dois únicos pelos quais tenho ainda alguma admiração, embora não de ordem moral.

No Brasil, quando o sujeito aprendeu a comparar uma frase com outra frase para ver se concordam ou discordam, acha que chegou ao cume do desenvolvimento humano.
Mas eu me lembro de que o primeiro feito intelectual que me impressionou, quando eu tinha uns dezoito anos de idade, foi a similaridade que Georg Lukacs encontrou entre o gênero romance e a ordem capitalista -- uma comparação entre duas estruturas invisíveis, escondidas no fundo de um longo processo histórico. Ainda acho essa descoberta um momento de brilho incomum na história dos estudos literários.

O socioconstrutivismo foi inventado PARA bloquear a passagem normal e natural da percepção ao pensamento abstrato e substitui-la por associações de idéias forjadas por planejadores sociais. O dano afeta a pessoa FISICAMENTE e, ao contrário da ignorância gramatical, não pode ser corrigido por mero estudo. O analfabetismo funcional é uma TRAGÉDIA DE PROPORÇÕES COLOSSAIS.

Os analfabetos funcionais ajudam uns aos outros a não perceber que o são.

Repito: o analfabetismo funcional endêmico entre as classes ditas letradas é O MAIOR PROBLEMA DO BRASIL, muito acima da corrupção, do nacotráfico, da violência generalizada, da pobreza e do desemprego, pois é ele que impede que qualquer desses problemas tenha solução.

Uma pessoa perfeitamente alfabetizada pode ser ruim de gramática pelo resto da vida se parar de estudar o assunto logo na adolescência, mas o analfabeto funcional já está pronto para uma vida de burrice entre os cinco e os oito anos. A inépcia gramatical pode ser corrigida com uma simples retomada dos estudos, mas superar o analfabetismo funcional exige a realfabetização e quase uma metanóia.

A escrita literária é a arte da ambiguidade controlada -- algo eternamente inacessível às mentes viciadas no conforto fácil das correspondências biunívocas. É o mata-burros do analfabeto funcional diplomado.

O analfabeto funcional é estruturalmente incapaz de perceber que, quando apontamos nas suas idéias uma 'ignoratio elenchi", NÃO ESTAMOS contestando suas opiniões sobre o tema e sim apenas mostrando que elas não existem.

Os retóricos romanos julgavam mais fácil, para o argumentador, persuadir um inimigo feroz do que um ouvinte incapaz. Eu que o diga.

A ignorância da gramática vem junto com complexo de inferioridade e inibição social com a mesma freqúência com que o analfabetismo funcional vem acompanhado de síndrome de Dunning-Kruger.

É incrível -- para quem estuda o assunto --, mas ainda há pessoas que confundem analfabetismo funcional com escasso domínio da gramática -- dois fenômenos que frequentemente vêm juntos, mas que não são o mesmo de maneira alguma. O ignorante de gramática não tem a menor dificuldade para reconhecer sua deficiência, mas o analfabeto funcional, quase sempre, imagina que entende tudo e, quando lhe mostramos que não entende, acha que é mera diferença de opiniões ou então maldade nossa.

O Fábio Salgado de Carvalho, assim como o Raphael De Paola e mais meia dúzia, está entre os alunos mais qualificados para prosseguir o meu trabalho -- e até dar-lhe um 'upgrade' -- quando eu bater as botas ou ficar gagá.

[...] acho que com razão devem ser considerados como desonrados e infames os homens que se apresentam vestidos de mulher, a quem não sei como melhor denominar: falsas mulheres ou falsos homens. Mas sem dúvida podemos chamá-los verdadeiros farsantes e verdadeiros infames. Ou, se eles permanecem ocultos, uma vez que alguma coisa não pode ser dita infame a não ser por uma fama vergonhosa, acho que é com razão que os chamamos verdadeiros patifes.

Nos cânones muçulmanos, a renúncia ao islamismo é uma apostasia – uma ofensa capital tanto para o que é mal-encaminhado quanto para o que o desencaminha. Sobre essa questão, a lei é clara e inequívoca. Se um muçulmano renuncia ao islã, mesmo que seja um novo muçulmano voltando à sua fé anterior, a penalidade é a morte. Nos tempos modernos, o conceito e a prática de takfir, reconhecer e denunciar a apostasia, têm sido muito ampliados. Não é pouco usual em círculos extremistas e fundamentalistas decretar que determinada política, ação ou mesmo fala de um muçulmano professo equivale a uma apostasia e pronunciar uma sentença de morte contra o acusado.

Durante mais de uma década só tive, na intelectualidade, amigos entre quinze e trinta anos mais velhos, como o Paulo Mercadante, o Meira Penna, o Roberto Campos, o Romano Galeffi, o Vamireh Chacon, o Antonio Olinto, o Miguel Reale, o Paulo Francis e outros sobreviventes da época áurea da cultura brasileira. Da minha geração, só tive o Bruno Tolentino (quando voltou da Inglaterra), o José Mário Pereira, o Ângelo Monteiro e, quando mudei para o Paraná, o José Monir Nasser.

Se um filósofo não é um homem, ele é tudo menos um filósofo, ele é, acima de tudo, um pedante, isto é, uma imitação de homem.

O mais grosseiro vício de pensamento – e o efeito mais visível do analfabetismo funcional – é a 'ignoratio elenchi': a incapacidade de perceber qual o ponto em discussão. Seu sinal mais patente é a dissolução do específico no genérico. Por exemplo, se estamos discutindo a questão da Eucaristia nas doutrinas de Lutero e Calvino, o analfabeto funcional transforma isso logo num confronto geral de protestantismo e catolicismo, e dispara contra a igreja adversária todas as acusações mais disparatadas que lhe vêm à cabeça, sem notar que cada uma delas não apenas é incapaz de resolver a questão inicial, mas levanta, por si mesma, uma discussão em separado, em geral tão difícil e complicada quanto a primeira. [...] É evidente que nenhuma discussão racional sobrevive a essa operação, a qual dissolve todas as questões num confronto geral de torcidas – uma disputa 'política' no sentido de Carl Schmitt, impossível de ser arbitrada senão pelo recenseamento do número de gritos.

Uma filosofia tem de possuir em si mesma o fundamento da sua inteligibilidade. Este critério basta para jogar no lixo noventa por cento da filosofia moderna.

O individualismo, em si, não tem sentido, porque a individualidade humana não é causa sui: ela depende de um quadro cultural e político que, justamente, só as tradições podem criar. Vocês podem averiguar, historicamente, que a consciência de individualidade humana, como a conhecemos hoje, esteve ausente em toda a humanidade anterior ao cristianismo. Um primeiro vislumbre surge na Grécia, mas só entre intelectuais (é o assunto do livro maravilhoso de Bruno Snell: A Descoberta do Espírito). Solta a si mesma, a individualidade se decompõe em fragmentos cada vez menores e se dissolve atomisticamente nas forças ambientes. O máximo de liberdade aparente conduz aí à total escravização.

Por que, no Brasil, errar é um dever de humildade? Supondo-se que um cidadão acertasse sempre, isso não faria dele nem um deus, nem um gênio, apenas um bom observador da realidade.

Quando um sujeito acerta sempre, ou quase sempre, ou com muita freqüência, isso só quer dizer que ele guardou para si mesmo as opiniões erradas que lhe passaram pela cabeça.