Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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Tenho usado bastante a distinção entre 'hegemonia intelectual' e 'hegemonia cultural'. A primeira é a posse monopolística do repertório de idéias em circulação. A segunda é o domínio dos meios materiais de transmissão da cultura (publicações, instituições, hierarquias funcionais, verbas etc.). A hegemonia intelectual da esquerda está destruída e não pode ser refeita. A hegemonia cultural, no entanto, embora corroída aqui e ali, ainda se conserva ativa e influente. Em parte, a tempestade de maledicência furiosa que se viu nas últimas semanas já é o efeito de uma hegemonia cultural desprovida de hegemonia intelectual: a força bruta do aparato simulando com esgares e rosnados uma superioridade intelectual perdida para sempre.

Quando o Facebook acabar, tudo o que escrevi aqui será publicado em livro -- os meus 'Diários', três volumes de mil páginas cada um, até o momento.

(03/12/2018)

Onde se fala de um 'consenso', é precisamente porque não há uma DEMONSTRAÇÃO CANÔNICA que encerre a discussão. Ninguém diz que a lei da gravitação universal é um 'consenso', que o teorema de Gödel é um 'consenso' ou que a refutação da geração espontânea (Pasteur) é um 'consenso'.

Nenhum 'consenso' é autoridade final. Autoridade final, só a DEMONSTRAÇÃO, e mesmo esta só é final dentro dos limites epistemológicos que ela pressupõe.

De fato, o amor da verdade é tal que os que amam algo diferente querem que aquilo que amam seja a verdade. Como não admitem ser enganados, detestam ser convencidos do seu erro.

"A opção pela verdade deve ser refeita diariamente, entre as hesitações e dúvidas que constituem o preço da dignidade humana."

Só uma coisa assegura a vitória na guerra cultural: a superioridade intelectual absoluta. Sem isso, não há mais guerra cultural e sim guerra civil.
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Só a superioridade intelectual absoluta vence a guerra cultural, mas nisso o fator quantitativo não é inócuo. Como se trata essencialmente da disputa entre dois grupos de intelectuais, a diferença do número de vozes de parte a parte pode pesar na balança.

O vigor cultural de um país depende de um e um só fator: a liderança intelectual tem de pertencer aos melhores e mais capacitados, não àqueles cuja fraqueza e inépcia buscam proteção no apoio grupal, na solidariedade corporativa e na mobilização de exércitos de mexeriqueiros.

Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.

Desde que descobri que existe um treco chamado 'realidade' e que é possível conhecê-lo, descrevê-lo e até compreendê-lo, essa é a minha paixão. Nada mais me interessa

Todo mundo que segue o caminho certo começa andando sozinho.

"Para corromper o indivíduo, basta ensiná-lo a chamar 'direitos' os seus desejos pessoais, e 'abusos' os direitos alheios."

Quando você já não busca a aprovação de qualquer meio social presente, mas de Aristóteles, de Dante, de Sto. Tomás, de Shakespeare e de Leibniz, você sabe que dela não resultará provavelmente nenhum benefício exterior, mas apenas a aquisição daquela consistência íntima, daquela sinceridade profunda que lhe permitirá ser de fato 'alguém', não aos olhos dos outros, mas da comunidade supratemporal do conhecimento, ainda que ao preço de tornar-se relativamente incompreensível aos contemporâneos. A partir desse momento você está habilitado a dizer como Dom Quijote: 'Yo sé quien soy' – e a opinião dos circunstantes não pode afetar em nada aquilo que você apreendeu mediante vivência espiritual direta, solitária, sem mais testemunha ou interlocutor além da comunidade dos sábios mortos. Quando Sto. Tomás de Aquino recomendava 'Tem sempre diante de ti o olhar dos mestres', ele sabia o quanto a integração da alma no diálogo supratemporal pode custar em solidão de espírito, mas também sabia que essa solidão é o único terreno onde germina o desejo de conhecer a Deus (a não ser, é claro, que o próprio Deus decida falar com você por outros meios).

“Politicamente Correto nunca é sobre o que se fala e sempre sobre QUEM fala.”

O machismo não é um valor, é um fato. Isso quer dizer que os machos não dominam porque são melhores, mas simplesmente porque dominam. E o macho dominante é o que tem mais fêmeas. Tente modificar isso e o máximo que você consegue é entregar todo o poder ao macho que obtiver o maior apoio da platéia feminina. A sociedade feminista não elimina o machismo: apenas modifica os meios pelos quais ele se afirma.

O homem que comanda apóia-se nas mulheres que se sentem protegidas por ele. A mulher que comanda, nos homens que a protegem.
[Alexander] Kerenski, quando subiu ao poder, tentou inverter essa ordem, fazendo-se proteger por uma tropa de mulheres. O inimigo estuprou todas e o botou para correr.

O igualitarismo é o mais belo truque que já se inventou para aumentar a desigualdade.

A compreensão de todo simbolismo mitológico ou religioso depende de um certo senso das inversões. Um símbolo, por definição, não tem sentido unívoco, podendo sempre transfigurar-se em seu contrário, conforme a esfera de ser a que se aplique num contexto dado. Por isto e só por isto tem força evocativa e geradora, não cabendo aprisionar na moldura de um conceito fixo aquilo que é antes, na feliz expressão de Susanne K. Langer, uma 'matriz de intelecções possíveis'.

Ninguém é menos dotado do instinto da igualdade jurídica do que os apóstolos da igualdade econômica [isto é, os 'intelectuais de esquerda']. Só resta saber a causa profunda dessa deficiência. Segundo Joseph Gabel, é um tipo de doença mental, de esquizofrenia. Segundo Eric Voegelin, é uma sociopatia, uma enfermidade da esfera moral que não afeta a superfície do eu. Mas às vezes essa discussão se torna puramente acadêmica: na URSS, os esquizofrênicos e sociopatas tomaram de assalto o hospital e trancafiaram nele quem pretendesse diagnosticá-los. E é preciso ser ainda mais doido que eles para não perceber que estão querendo fazer a mesma coisa aqui.

Nada paralisa mais as ações necessárias do que o medo do ridículo.

“Crença é um desejo de não saber.”

'Respeitar as idéias divergentes' é pura metonímia. O que podemos respeitar é o DIREITO de discordar de nós, não o CONTEÚDO da idéia discordante. Isto é impossível, pensem bem.

Impor situações por meio do dinheiro, da intimidação e da propaganda, e depois apresentá-las como inevitabilidades históricas espontâneas, condenando como inimigos do progresso todos os refratários e recalcitrantes, é um truque tão velho que já começa a funcionar às avessas. Quem vem com essa conversa é como se ostentasse na testa o rótulo de vigarista.