Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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O conhecimento prova-se a si mesmo, não precisa de um diploma que o confirme. O diploma, no Brasil, é tão prezado porque dispensa o seu portador de provar conhecimento.

Para mim existe uma diferença radical e invencível entre a música autenticamente popular, ou folclórica, e a música comercial ou industrializada. Só me interesso pela primeira.

Para o isentismo, só há duas posições políticas dignas de respeito: o comunismo e a neutralidade. O anticomunismo é uma aberração extremista.

Se mil outros tronos eu tivesse, mil tronos eu perderia para por fim à escravidão!

O sistema socialista, e isto num sentido especialíssimo, está fundado não no otimismo, mas no pecado original. Propõe ele que o Estado, como a consciência da comunidade, possua todas as formas primárias de propriedade; baseando-se, obviamente, em não se poder confiar ao homem o ter ou o trocar ou o combinar ou o competir sem que ele faça mal a si próprio. Assim como um Estado poderia ter todas as armas, para que as pessoas não se baleassem umas às outras, esse Estado teria todo o ouro e as terras, para que elas não passassem a perna ou se explorassem umas às outras. A coisa parece extraordinariamente simples, e até óbvia; e de fato o é. É óbvia demais para ser verdade. Se, porém, é óbvia, a mim me parece quase inacreditável que alguém já a tenha julgado otimista.

("Eugenia e outras Desgraças")

Permaneci como socialista durante vários anos, mesmo depois da minha rejeição ao marxismo; e se houvesse algo como o socialismo combinado com a liberdade individual, eu ainda seria um socialista. Pois nada poderia ser melhor do que viver uma vida modesta, simples e livre em uma sociedade igualitária. Levou algum tempo até eu reconhecer isso como nada mais do que um belo sonho; que a liberdade é mais importante que a igualdade; que a tentativa de realizar a igualdade põe em perigo a liberdade; e que, se a liberdade for perdida, não haverá igualdade nem mesmo entre os não-livres.

A história brasileira mostra que o 31 de março de 1964 foi uma decisão soberana da sociedade brasileira. Quem colocou o presidente Castelo Branco no poder não foram os quartéis. Foi a votação no Congresso, uma instância constitucional, quando há a ausência do presidente. Era a Constituição da época e foi seguida à risca. Houve uma mudança de tipo institucional, não foi um golpe.

Não basta apreender a verdade pelo pensamento, é preciso transformá-la num hábito ou posse permanente, e que só se obtêm pela remoção das distrações e pela concentração do intelecto. A concentração, como é óbvio, intensifica a atividade do intelecto, e nunca a suprime a pretexto de desenvolver supostas ‘faculdades superiores’. O termo ‘visão interior’ utilizado por todos os místicos, refere-se ao estado de evidência permanente que é alcançado pelo intelecto, e que nunca poderia ser alcançado pelo seu mero exercício esporádico e intermitente, e sim somente pela prática voluntária e regular.

Por outro lado, a possibilidade da corrupção não decorre de alguma falha constitutiva do próprio intelecto, mas do simples fato de que pensar é simultaneamente um ato lógico (portanto ontológico) e um ato psicológico (portanto biológico), respondendo simultaneamente, de uma parte, às exigências constitutivas da verdade e, de outra parte, às contingências e demandas do corpo em sua instabilidade e flutuação cíclica. Quando o pensamento é fiel à sua missão, quando ele se atém à universalidade lógica que reflete a permanência e a universalidade do ser, ele é o ‘intelecto são’ que conduz o homem à verdade. Quando, ao contrário, ele se deixa envolver pelas funções inferiores e se torna escravo da imaginação e dos desejos, ele mergulha na obscuridade subjetiva dos impulsos biológicos, e é o ‘intelecto doente’ que encerra o homem na prisão da mentira e da ilusão.

A virtude da fé significa que o homem, uma vez tendo aprendido pela razão e pela evidência uma verdade, permanecerá fiel a ela, mesmo quando sua imaginação, seus sentimentos ou sua vontade – para não falar de fatores coercitivos meramente externos, como a opinião grupal ou a pressão das circunstâncias – o inclinarem em sentido oposto. Dentro do campo cristão, a concepção não é diferente, desde que a teologia escolástica, com Santo Tomás de Aquino à frente, declara que a fé não é uma atitude de sentimentos – e muito menos de algum impulso obscuro, inexplicável e ‘subconsciente’ – porém uma decisão do intelecto e da Vontade.

Para o homem medíocre, é inverossímil alguém agir sem estar em busca de dinheiro, poder ou coisa que o valha, sendo-lhe incompreensível que alguém paute suas condutas e enfrente prejuízo e dor-de-cabeça simplesmente por buscar o correto e o justo, e por amor ao bem e à verdade.

Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder uma questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; é preciso primeiro responder. E se é verdade, como quer Nietzsche, que um filósofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a importância dessa reposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. São evidências sensíveis ao coração, mas é preciso ir mais fundo até torná-las claras para o espírito. Se eu me pergunto por que julgo que tal questão é mais premente que tal outra, respondo que é pelas ações a que ela se compromete. Nunca vi ninguém morrer por causa do argumento ontológico. Galileu, que sustentava uma verdade científica importante, abjurou dela com a maior tranqüilidade assim que viu sua vida em perigo. Em certo sentido, fez bem. Essa verdade não valia o risco da fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol gira em redor do outro, é-nos profundamente indiferente.

O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quando o destino.

Na inveja de bens materiais resta sempre a esperança de obtê-los um dia, mas, se são bens intelectuais ou espirituais, quanto mais alguém os inveja, mais os perde, levando junto para o ralo o que possa restar de honra e moralidade. Esse tipo de inveja leva à degradação total, sem limites.

Faço afirmações históricas graves e bem documentadas, e me respondem com picuinhas, fofocas e lacrimejações de autopiedade. Discussão séria, nada.
Nunca vi antes tamanho festival de baixeza.

No dia em que eu me dirigir a esses tipinhos em tom respeitoso, terei me tornado, como escritor, indigno de todo respeito.

Sem alguma interferência do próprio Deus, não poderíamos ter sequer a idéia abstrata da eternidade.

O sofrimento é o megafone de Deus para um mundo ensurdecido.

Não importa quão dramática ou atraente uma visão particular pareça, o fato é que todos nós somos obrigados, fundamentalmente, a viver no mundo da realidade. Quando a realidade é manipulada para se encaixar numa visão particular, essa informação manipulada se torna um instrumento inapropriado para tomar decisões numa realidade que não perdoa nossas fantasias; por isso, devemos todos nos ajustar à realidade, pois ela não se ajustará a nós.

Os frankfurtianos desprezavam qualquer ideal positivo e só acreditavam na força supostamente redentora da 'crítica radical de tudo quanto existe' (expressão de Karl Marx). É o mesmo que dizer: desprezavam qualquer tentativa de fazer o bem e idolatravam a pura destruição.
Não é estranho que seus admiradores sejam, quase sempre, devotos também de Heidegger, cuja filosofia leva à mesma devastação geral de tudo.

Os frankfurtianos só pensavam em deleitar-se esteticamente com a destruição geral. É inacreditável que alguém possa lê-los por anos a fio sem perceber isso. É muita devoção hipnótica.