Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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“O verdadeiro homem é aquele que chegou até o centro da humanidade.”

Muitos homens odeiam a verdade por amor daquilo que tomaram por verdadeiro.

"Não se surpreendam, queridos amigos,
esta é a minha testa enrugada;
eu vivo em paz com os homens
e em guerra com minhas entranhas."

Valentin Tomberg, o notável místico russo que tanto impressionou ao Hans-Urs von Balthasar, diz que, como não podemos provar o nascimento virginal de Cristo, isso é matéria de fé e não de conhecimento histórico. Mas ser matéria de fé ou de conhecimento é algo que tem de ser decidido pela constituição ontológica do próprio objeto, e não pelas limitações subjetivas do conhecedor humano em tal ou qual época. Por exemplo, a promessa da salvação é matéria de fé pela sua própria natureza (não se pode conhecer como fato histórico algo que não aconteceu ainda), mas, com os meios científicos de hoje, um nascimento virginal não seria impossível de confirmar ou negar. O de Cristo é portanto um fato histórico que a ciência da época não pôde confirmar integralmente, devendo contentar-se com a prova de razoabilidade pela análise dos testemunhos. Se ele se torna 'matéria de fé' é por motivos acidentais e extrínsecos, não pela sua própria natureza.

[...] a filosofia, quando o é de verdade, não reside nos textos, nas 'obras' filosóficas, e sim no filosofema, no conteúdo essencial de uma conexão de pensamentos, intuições e outros atos cognitivos que forma o mundo e o estilo próprios de um determinado filósofo. É isto o que nos permite distinguir entre 'as obras de Aristóteles' e 'a filosofia de Aristóteles'. (Esta distinção é impossível em literatura: em que consiste a poesia de Shakespeare senão nos textos de Shakespeare?) Há filósofos sem obra — a começar do pai de todos nós: Sócrates —; há filósofos cujo pensamento nos chega por obras escritas por testemunhas ou por ajudantes (não conheceríamos o pensamento de Husserl sem a redação de Fink). Mas não há filósofo sem filosofema — e aquele que publique dezenas ou centenas de livros eruditíssimos, com opiniões de estilo filosófico sobre assuntos filosóficos, não se torna por isto um filósofo. A filosofia de um filósofo não está em seus textos, mas num certo modo de ver as coisas, que é transportável para fora deles e participável por quem quer que, saltando sobre os textos, faça seu esse modo de ver, integrando-o no seu próprio.

Todos os personagens falantes, no atual momento brasileiro, nada são fora dos seus cargos e de suas conexões políticas. Como personalidades, são de uma fraqueza deplorável, de uma miséria humana sem fim. Por isso, quando vêem uma personalidade forte, logo têm de imaginar por trás dela toda sorte de conexões políticas para torná-la verossímil.
Sou apenas um escritor, não um articulador político, exatamente como o Soljenitsin foi na URSS, mas os coitadinhos não podem enxergar nada que seja maior que eles.

Pessoas sem cultura suficiente para entrar no debate público não percebem a diferença de sentido que uma frase tem quando dita no círculo da sua profissão e no quadro maior da sociedade.
Isso, no Brasil, é uma catástrofe.

O fogo do inferno é brando, quando comparado ao ódio que os burros sentem dos inteligentes.

"Havia um tempo em que as pessoas estudavam lógica porque acreditavam que existia algo mágico na lógica, uma relação com as estruturas mais gerais possíveis da realidade e seria mesmo razoável dar uma resposta às questões mais importantes da existência através das entidades lógicas. Atualmente, o estudo da lógica é mais voltado para aplicações em computação e mesmo em matemática, e aquela antiga magia que dava à lógica todo o seu charme vai sendo aos poucos exterminada. É a vitória do rico contra o pobre. Ainda acredito na velha postura e se continuo ainda hoje a estudar lógica é porque penso que ela é capaz de nos ajudar a decifrar os mistérios mais básicos do universo e de nossas vidas."

(palestra na Universidade de Ghent, Bélgica)

As ciências matemáticas e naturais são um subproduto, uma secreção da busca da sabedoria, nada mais. Quanto mais próximo do centro espiritual e moral do ser humano, mais um assunto é exigente e sério. Para ser um filósofo, no sentido essencial e não convencional e burocrático da palavra, é preciso ser um homem maduro centrado e autoconsciente, um 'spoudaios'. Para ser um matemático ou químico, basta ser um adolescente talentoso, um 'nerd' com certo QI.

A busca da exatidão matematica é um Ersatz da seriedade intelectual.

O mais micho dos computadores tem mais exatidão matemática do que a sabedoria universal inteira.

Não espanta que Bertrand Russell, o apologista máximo da redução da filosofia à lógica matemática, tenha sido sempre um adolescente neurótico.

É verdade que em muitos trechos da sua obra ele busca atenuar os seus excessos de juventude, mas o resultado é apenas uma inconclusividade irritante – o suprassumo da imprecisão.

Quando falamos, uma subcorrente de imagens, evocações, associações e sentimentos acompanha, no fundo da nossa consciência, o fluxo verbal. É no intercâmbio entre duas subcorrentes, quando fluem em harmonia, que se dá a verdadeira conversação. O resto é papagaiada.

Com um pouco de prática, você apreende o que o seu interlocutor está vislumbrando por dentro quando vocês conversam. E aí a diferença entre a conversa substantiva e o falatório vazio aparece com uma nitidez contundente.

Só um rematado imbecil pode enxergar um movimento político-ideológico tão-somente pela lindeza dos seus ideais autoproclamados, sem articulá-los com os atos e feitos históricos reais que dão expressão visível à sua verdadeira natureza.

Só um idiota completo acredita que uma política se define pelos seus ideais proclamados e não pelos meios materiais de ação que emprega. Não é por coincidência que os maiores genocidas foram também os maiores propagandistas da democracia e da igualdade.

Como, em princípio, nenhuma filosofia tem uma interpretação perfeita e definitiva, a mais usual e prestigiosa caricatura da filosofia – que as universidades brasileiras acreditam ser a filosofia propriamente dita – é discutir eternamente miudezas de significado nas obras dos filósofos. Na USP chamam essa frescura de 'rigor'.

Se vocês querem aprender a escrever ensaios, esqueçam a produção universitária do presente e a Fôia de Sumpaulo. Leiam Otto Maria Carpeaux, Augusto Meyer, Fidelino de Figueiredo, Adolfo Casais Monteiro e similares.

Ao brilhar um relâmpago nascemos,
dura inda seu fulgor quando morremos:
tão curto é o viver!

Glória e amor por que nos consumimos
sombras de um sonho são que perseguimos:
acordar é morrer!

O amor é um sacramento, isto é, um mistério, não no sentido vago desta palavra, mas na sua acepção etimológica, que a torna significativa de uma relação singular e concreta com a verdade divina.

“A alma da mulher deve ser ampla a tudo o que é humano. Deve ser cheia de paz, porque as fracas chamas se apagam na tempestade; deve ser quente para não enregelar as pequeninas sementes; deve ser luminosa para que, nos cantos escuros, não cresçam ervas daninhas; deve ser reservada, porque as interferências externas podem pôr em perigo sua vida íntima; deve ser vazia de si para deixar amplo espaço para os outros. Deve ser, acima de tudo, dona de si e do próprio corpo para que sua personalidade esteja sempre pronta a servir em cada necessidade”.

A essência mais íntima do amor é a doação. Deus que é amor dá-se à criatura que Ele mesmo criou por amor.

“O espírito – isto é, não somente o intelecto, mas também o coração – por ocupar-se continuamente com Deus, está com Ele familiarizado; conhece-O e ama-O. Esse conhecimento e amor fazem parte de seu ser, como o relacionamento de duas pessoas que convivem há longo tempo intimamente familiarizadas. Tais pessoas não precisam mais de informações sobre a outra pessoa para se conhecerem mutuamente e convencerem-se de sua amabilidade. Quase não precisam trocar palavras. Cada nova convivência, no entanto, traz para elas novo despertar e um crescimento mais profundo de alguns traços novos. Mas isto acontece automaticamente, não precisando de maior esforço. Assim também é a convivência de uma alma com Deus, depois de longo exercício na vida espiritual. Ela não precisa mais meditar, para conhecer a Deus e aprender a amá-Lo. O caminho já está atrás dela, pois ela repousa nEle. Assim que ela começa a orar, está em Deus e permanece, pela entrega amorosa, em sua presença. O silêncio da mesma Lhe agrada mais do que muitas palavras”.