Coleção pessoal de I004145959
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O neoliberalismo domina a subjetividade com algoritmos, transformando o sujeito em mercadoria — sem presença, sem alteridade, sem empatia.
Buscamos um outro que nos sirva sem demora, nos entenda sem censura e esteja à disposição toda hora.
Rico é libertino, não altera seu destino.
Pobre libertino é um desatino.
Sempre tem alguém que, nem bem pronunciei, já responde: eu sei.
Sempre tem alguém que nem escuta, já responde “eu também”.
Sem riqueza material, resta ao povo a moral como freio e a religião como consolação.
Ricos vivem na farra sem preocupação; pobres, na religião, buscam salvação.
Ricos gozam em devoção, pobres oram por salvação.
A moral é preocupação burguesa para afirmar-se perante o outro, diferente da realeza que nasce rica e reconhecida.
Sem berço de ouro, perdemos o tempo vigiando o outro.
Ricos vivem a extravagância sem medo e sem censura; pobres sabem que uma semana de luxúria pode custar anos de amarguras.
A ironia do momento é que as regras do relacionamento aberto são bem maiores que as da monogamia.
O amor tende a esfriar onde o conflito se estabelece e o silêncio permanece.
Amar é falar quando tudo quer calar.
Não há amor sem conflito, mas sem diálogo ele se perde no silêncio do espírito.
Conversar exige coragem: enfrentar feridas, expor dores e esperar o inesperado — e, mesmo assim, continuar amando enquanto as palavras pesam, porque o vínculo vale mais que o conflito.
O amor se nutre de revisões e conversas sinceras que conectam, sem culpas nem verdades únicas.
De revolucionária, a esquerda tornou-se comportamental, cultural e identitária.
A tecnologia voa, o costume anda.