Coleção pessoal de elciojosemartins
AMOR AGAPÉ : "Amor é o que o Amor Faz"
O Novo Testamento foi originalmente escrito em grego, e os gregos usavam várias palavras diferentes para descrever o multifacetado fenômeno do amor. Uma dessas palavras era eros, da qual se deriva a palavra erótico, e significa sentimentos baseados em atração sexual e desejo ardente.Outra palavra grega para amor, storgé, é afeição, especialmente com a família e entre os seus membros. Nem eros nem storgé aparecem nas escrituras do Novo Testamento. Outra palavra grega para amor era philos, ou fraternidade, amor recíproco. Uma espécie de amor condicional, do tipo, “você me faz o bem e eu faço o bem a você”. Finalmente, os gregos usavam o substantivo Agapé e o verbo correspondente agapé para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. É o amor da escolha deliberada. Tudo na vida é relacional, tanto verticalmente para Deus quanto horizontalmente para o próximo.Cada um de nós tem que fazer escolhas a respeito desses relacionamentos. Para crescer e amadurecer, os relacionamentos têm que ser cuidadosamente desenvolvidos e alimentados. Cada um de nós deve fazer suas escolhas a respeito do que acredita e do que essas crenças representam em nossa vida.Quando Jesus fala de amor no Novo Testamento, usa a palavra agapé, um amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o sentimento amor. No entanto nem sempre conseguimos controlar o que sentimos a respeito de outra pessoa, mas podemos nos controlar como nos comportamos em relação a outras pessoas. Os sentimentos variam dependendo do que aconteceu na véspera! Nosso vizinho talvez seja difícil e nós podemos não gostar muito dele, mas podemos nos comportar amorosamente. Podemos ser paciente com ele, honesto e respeitoso, embora ele opte por comportar-se mal.
Não importa os que não vieram à sua festa, valorize os que vieram, mas, aceite e entenda que cada um teve sua dificuldade e seus motivos para tal"
Não há pedras no caminho se escolhermos o caminho certo. Quem sabe aonde ir não encontra obstáculos.
É Natal...
Os três reis estão chegando,
Pela estrela vão guiando.
Caminhos difíceis hão que vencer,
Tem hora marcada para ver Jesus nascer.
É tempo de nascimento e renascimento,
É tempo de oração e sacramento.
É tempo de presentes e cumprimentos,
Com a família reunida reviver os bons momentos.
É momento de reflexão
E também de compaixão.
É hora de repartir o pão,
Com a alma e coração.
É momento de repensar o passado,
É momento de projetar o futuro.
Buscar quem precisa de agrado,
Sem grade, sem cerca e sem muro.
É momento de harmonia,
É momento de paz e solidariedade.
É momento de alegria,
De companheirismo e fraternidade.
Não importa o marketing econômico, se vai trazer alegria,
Não importa o preço, se a causa é justa. Tudo tem sua valia.
Ruas, casas e praças se enfeitam de luzes coloridas,
Famílias reinando a paz, com as mesas bem sortidas.
Nada importa quão vazias são as casas,
Se os lares são repletos e os desejos criam asas.
Não importa o tempo, se andamos sem tempo,
mas podemos fazer o tempo, pois ainda há tempo.
É Natal para afugentar o mal,
É Natal para o tempero com sal,
É Natal para agradecer o Leal.
Por intermédio do Padre, do Bispo e do Cardeal.
É Natal, dia de graça e união,
É Natal, dia de festa e oração,
É Natal, da família e do irmão,
É Natal, onde se vê com o coração.
FELIZ NATAL... Élcio José Martins
"Feliz é a Terra que tem o Sol a aquecê-la durante o dia. Mas quão grande o seu amor que descobriu na Lua uma maneira de iluminá-la durante à noite." "Quem ama verdadeiramente, sempre acha um caminho para cuidar da pessoa amada."
"Todos desejam carinho e afeto, mas nem sempre a recíploca é verdadeira. Deseja-se o mel mas alimenta-se o Fel."
A vida
A vida é passagem,
O tempo é passageiro;
O cosmo uma miragem,
O vento é o mensageiro.
O rio caminha para o mar,
Os noivos para o altar;
Os artistas fazem o Show,
A torcida vibra com o gol.
Os poetas cantam em verso,
Voam alto em céu aberto;
Fazem do amor celebração,
Alegram a alma e coração.
Élciojosé
MENSAGEM ÀS MÃES
Mulheres especiais. Mulheres com o dom divino. Mulheres sábias e sublimes.
Nunca é demais agradecê-las por tudo que recebemos gratuitamente delas, sem nenhum interesse pessoal, sem cobrança, com dedicação, zelo, compreensão, amor e afeto.
Jamais abandonará a sua cria. É nossa maior aliada em qualquer circunstância ou adversidade.
Existe no calendário um dia para rendermos nossa homenagem a esta mulher maravilhosa, o 2º domingo de maio. Mas este dia é só no calendário. As mães não podem ter apenas um dia para ser homenageadas, devem ser homenageadas a todo instante de suas vidas, nos segundos, minutos, horas, semanas, meses e anos.
Mãe: Palavra pequena, mas com um significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, renuncia a si própria, força e sabedoria. Ser mãe não é só dar à luz e sim, participar da vida de seus frutos gerados ou criados.
Devemos ajoelhar a seus pés para, humildemente, agradecê-las,
rogando aos céus todas as bênçãos a esta grande mulher.
Quem as tem na terra agradeça a Deus por isso. Algumas pessoas
nem sequer conhecem as suas. Outras já estão no céu, pois, não existe outro lugar. Mesmo assim estão olhando e amparando seus filhos.
Agradeça sempre pela mãe que tem. Ela educa, orienta, afaga e ama. Fica noites a fio a espera do filho que não chega. Não dorme quando tem alguém doente na família.
Sofre por todos. Sofre calada, não reclama. Doa seu suor e sua lágrima por amor.
Se Deus deixou alguém aqui na terra para representá-lo, para seguir com as suas obras, para doar-se como ele se doou, para fazer o bem sem nada em troca, para amar mesmo sabendo que não existe a contrapartida, para morrer e dar a vida ao seu filho podemos dizer, sem nenhum medo de errar, este alguém a chamamos de MÃE.
Peço licença para homenagear a minha querida mãe, que, tenho certeza, como todas as mães, está no céu, à direita do GADU.
Hoje a saudade bateu mais forte no meu peito. Na ânsia de lhe encontrar os meus pensamentos voaram mais alto. Voaram até o infinito do céu e lá finalmente eu lhe encontrei. Linda, majestosa! Fazendo parte daquela maravilhosa constelação de estrelas: Minha estrela maior!
Que desejo imenso do abraço carinhoso a acolhedor. Queria cobri-la de beijos! Que saudades!
Faz pouco tempo que partiu desta vida para uma vida melhor, mas parece uma eternidade.
Ao redigir estas palavras lágrimas de emoção escorreram pela minha face. Meus olhos como um rio caudaloso, se transbordaram.
Ao pressentir que sua passagem aqui na terra seria rápida, preparou os seus filhos sabiamente para que seguissem o caminho sem a sua companhia terrena. Espiritualmente, com certeza, nunca nos abandonará! O tesouro deixado foi de real valor: a fé em Deus! Graças a essa fé que encontramos forças para continuarmos a caminhada necessária.
Admitir o Erro
"Perceber e admitir o erro é uma virtude. Além de ser reconhecido pelos outros, verá crescer a auto-estima."
Élciojosé
OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO!
Esta é uma das citações mais conhecidas da Bíblia. Faz parte de um dos mais belos momentos vividos pelos discípulos na companhia de Jesus. A essência de seu discurso envolvia a questão da ansiedade das pessoas, já naquele tempo, com a sobrevivência, com o vestir, o ter, o exibir. Na sua palavra, Jesus exortava os presentes no sentido de não se angustiarem tanto com as necessidades do dia a dia. Muito sabiamente, Jesus já preparava as pessoas daquele tempo – e dos tempos atuais – a respeito da importância de preservar sua qualidade de vida, não permitindo a ocupação da mente com pesos em excesso nem com uma configuração de vida super avaliada nas coisas materiais. Aliás, Jesus também deu uma certa importância às demandas materiais de nossas vidas, deixando bem claro, porém, de que nossa preocupação com essas coisas deveria caminhar até um certo limite. A partir daí.........
As palavras de Jesus lastreiam também uma afirmação de fé. No momento em que fez essa afirmação era verão na Palestina e nos campos, rigorosamente, não havia lírio algum. Jesus tencionava, assim, puxar pela mente das pessoas, fazendo-as lembrar de que, apesar da geografia árida, seca que elas tinham diante de si, existia sempre a perspectiva de um tempo de beleza, de fartura, de provisão. Ou por outra: mesmo quando a vida está em baixa, com predominância da dor, da incerteza, da amargura, existe sempre a perspectiva de surgir o outro lado da medalha. E, através da fé, um novo tempo poderá ser alcançado. À frente de Jesus as pessoas estavam confusas. Como enxergar lírios belíssimos, de uma textura luxuriante, em meio à secura de um período de verão? Ou como enxergar uma nova realidade de vida diante da escravidão materializada na presença do senhorio romano?
“Olhai os lírios do campo!” Ao fazer tal afirmativa, Jesus queria enlarguecer nossa visão, ampliar nossos horizontes. Sabe-se que no campo existem armadilhas contra a vida. As aves de rapina, os répteis, os rigores do inverno, o calor inclemente do verão. Os predadores, os animais de grande porte, as ervas daninhas.... Apesar disso tudo, os lírios também surgem, emoldurando com sua beleza uma nova realidade. O problema é quando o campo – em síntese, na ótica de Jesus, uma alegoria da vida, do mundo – é visualizado somente através das grossas lentes do negativismo gratuito. Apesar de todas as adversidades da vida, há sempre a presença de algo belo a ser visto, focalizado, priorizado. E que, diante de um vastíssimo leque de sentimentos que a vida nos impõe, tais como o egoísmo, o individualismo, a soberba, a arrogância, há sempre a chance de cultivarmos o belo, o frutífero, o substancial, o edificante.
Ao que tudo indica, a planta que Jesus nomeou em seu discurso como lírio é hoje conhecida com o nome científico de “anemone coronária”. Tinha uma haste de uns 40 centímetros e pétalas vermelhas, púrpuras, azuis, róseas ou brancas. Como se vê, algo de uma beleza realmente estonteante em meio à aridez do solo palestino. Segundo relatos históricos era uma planta de floração comum na região, florescendo próxima ao tempo da colheita do feno. Devido à sua beleza, já era usada em larga escala na decoração dos ambientes requintados, bem como nas casas simples dos moradores do campo. Era, por assim dizer, um referencial de beleza, de nobreza, de excelência decorativa. Uma planta que realmente fazia a diferença. É nesse ponto que quero destacar o eixo sobre o qual gira o ensinamento de Jesus. Fazer a diferença. Priorizar sentimentos nobres sobre o negrume dos valores cultivados atualmente.
Há momentos na vida em que a mente se fecha. O horizonte divisado vai somente um pouco além das agruras do dia a dia. O belo da vida se perde diante da feiúra do contexto da existência. É preciso romper essa linha divisória que demarca a tristeza da alegria, a angústia da paz, o caos da ordem, da serenidade, da esperança. Quando o campo da existência está recheado de abutres, répteis e ervas daninhas, é necessário se crer que, mesmo num campo assim, a semente do lírio está lá, latente, pronta a brotar – a se fazer presente. A irradiar a vida com a variedade de suas cores, a emergir bela, firme, altaneira em meio à aridez da geografia social da atualidade. “Olhai os lírios do campo” é em sua essência uma receita inteligente de vida. Ou por outra, uma concepção ideal de vida para quem deseja enxergar a realidade atual como algo mais do que um mero passar de dias. Vai olhar?
| Públio José, Jornalista, publicitário
“Desistir de uma idéia ou renunciar a um projeto não é sinônimo de fraqueza. Somente os grandes homens são capazes de tomar tal decisão. Os fracos continuam na prática do erro e da teimosia”.
Era uma vez um BANQUINHO
Era pequeno, hoje é grande,
Era mero coadjuvante.
Nasceu e prosperou,
Cresceu e multiplicou.
Muitos por lá passaram,
Suas marcas deixaram.
De uma promessa distante,
Fizeram dele um gigante.
Na terra fértil foi semeado,
Desde cedo foi muito amado.
Colheu o fruto dourado,
Na ordenha e no roçado.
Dizem que um certo Roberto,
Com um grupo forte por perto,
Transformou o que era incerto,
Fez acontecer, deu certo.
Com a bússola do futuro,
Fez do verde, fruto maduro.
Adquiriu maioridade,
É o orgulho da cidade.
Vislumbraram naquele tempo
Que ele era a solução.
Na chuva ou no relento,
Deu vida a produção.
Mas sempre namorou
Uma moça nova apaixonou.
Do casamento que realizou
Muitos filhos com ela gerou.
Ruralcredi iniciou,
Sicoob se transformou;
Credinter se tornou,
O futuro? Já sei quem sou.
Hoje tem casa e tem morada,
Não precisa mais de mesada.
Cresceu forte com postura
Do relento à cobertura.
As cifras multiplicaram,
Dividendos somaram.
Deu luz aos que sonharam,
O que hoje conquistaram.
Hoje é realidade,
No campo e na cidade.
Deu guarida à mocidade,
Melhorando a sociedade.
Rogo aos Padres e Pastores,
Peço aos Santos protetores,
Que dê vida aos seus gestores.
Esses árduos lutadores.
Santa Bárbara abençoou,
O canoas batizou.
Pássaro da Ilha encantou,
Com as sementes que semeou.
Cresceu e fortificou,
Trabalhou e acreditou.
O que era sonho realizou,
Toda luta justificou.
O limite o céu alcança,
A todos trouxe esperança.
Desta casa de fomento,
Levar à mesa o alimento.
Nesta manhã que irradia
Cumprimento toda diretoria.
Comemorando 25 anos de história
Merece os rojões da vitória.
Parabéns!....
Élcio José Martins
ESPIRITUALIDADE
Leonardo Boff
“Leonardo Boff situa o tema da espiritualidade no contexto dramático e perigoso em que se encontra atualmente a humanidade. Sua reflexão quer captar a urgência da espiritualidade e enfatizar sua premente atualidade em face dos mitos que circulam pela cultura – mitos da exterminação da espécie, da liquidação da biosfera, da ameaça do futuro comum, da terra e da humanidade.
Em momentos assim dramáticos, o ser humano mergulha da profundidade do Ser e se coloca questões básicas: O que estamos fazendo neste mundo? Qual é nosso lugar no conjunto dos seres? Como agir para garantirmos um futuro que traga esperança para todos os seres humanos e para o planeta? O que podemos esperar além desta vida?
É neste contexto que o autor coloca a questão da espiritualidade. Ao citar o Dalai-Lama, considerado por ele como uma das pessoas mais messiânicas do nosso tempo, Leonardo Boff evidencia a distinção essencial entre a religião e a espiritualidade: a primeira associada a crenças, dogmas,rituais; a segunda relacionada às qualidades do espírito humano – compaixão, amor, tolerância, capacidade de perdoar, solidariedade -, que trazem felicidade para a própria pessoas e para os outros. E denuncia momentos e formas em que religião se torna a negação da espiritualidade.”
“A espiritualidade não é monopólio das religiões, nem dos caminhos espirituais codificados. A espiritualidade é uma dimensão de cada ser humano. Essa dimensão espiritual que cada um de nós tem se revela pela capacidade de diálogo consigo mesmo e com e com o próprio coração, se traduz pelo amor, pela sensibilidade, pela compaixão, pela escuta do outro, pela responsabilidade e pelo cuidado como atitude fundamental.”
“A espiritualidade vive da gratuidade e da disponibilidade, vive da capacidade de enternecimento e de compaixão, vive da honradez em face da realidade e da escuta da mensagem que vem permanentemente desta realidade. Quebra a relação de posse das coisas para estabelecer uma relação de comunhão com as coisas. Mais do que usar, contempla.
Há dentro de nós uma chama sagrada coberta pelas cinzas do consumismo, da busca de bens materiais, de uma vida distraída das coisas essenciais. É preciso remover tais cinzas e despertar a chama sagrada. E não irradiaremos. Seremos como
o sol.”
“Leonardo Boff descreve poeticamente as dimensões mística e política da espiritualidade de Jesus Cristo, fazenmdo também a distinção entre o Reino de Deus anunciado por Cristo e a igreja como construção humana posterior, sujeita a distorções capazes de comprometer fundamentalmente a mensagem original.
Ilumina a nossa compreensão mostrando a diferença entre os caminhos espirituais percorridos pela humanidade do Ocidente e no Oriente para concluir, à luz de uma afirmação do Dalai-Lama, que a melhor religião é a que nos faz compassivos, sensíveis, amorosos, humanitários, responsáveis. E que nenhuma religião pode invocar o monopólio dos meios para chegar a Deus.
Termina seu texto com um comovente diálogo com sua mãe, analfabeta, mas possuidora de uma sabedoria que lhe permitia ver Deus na transparência da realidade e de cada experiência concreta.
Diz Leonardo Boff “Em nossos escritórios e nos nossos gabinetes de trabalho podemos ser cínicos, podemos acreditar ou desacreditar de qualquer coisa. Mas não podemos desprezar a aurora que vem, não podemos desfazer olhar inocente de uma criança, não podemos contemplar com indiferença a profundidade do céu estralado sem cair no silêncio e na profunda reverência, nos perguntando o que se esconde atrás das estrelas, qual é o caminho da minha vida, o que posso esperar depois dela.”
São perguntas que o ser humano sempre se coloca e, ao coloca-las, revela-se como ser espiritual. Quando nos abrimos para acolher essas mensagens, para orientar nossa vida num sentido que produza leveza, irradiação, humanidade, aí deixamos aflorar a nossa dimensão espiritual.”
Leonardo Boff em uma das menções que faz sobre Dalai-Lama, comenta sua resposta sobre o que é Espiritualidade:
Dalai-Lama dá uma resposta extremamente simples: “Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior.”
Não entendo direito alguém perguntou novamente: - Mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade?
O Dalai-Lama respondeu:
- Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade.
- Acrescentou: Um cobertor que não aquece deixa de ser cobertor. Como diziam os antigos, os tempos mudam e as pessoas mudam com eles. O que ontem foi espiritualidade hoje não precisa mais ser. O que em geral se chama de espiritualidade é apenas a lembrança de antigos caminhos e métodos religiosos.
Arrematando, diz: O manto deve ser cortado para se ajustar aos homens. Não são os homens que devem ser cortados para se ajustar ao manto.
Extraído do livro Espiritualidade, de Leonardo Boff, Editora Sextante. 20-02-2003
A Lealdade
O convívio entre seres humanos é repleto de situações interessantes e às vezes parece confundir-se com o relacionamento dos animais tidos como irracionais. As atitudes são tomadas sem qualquer resquício de bom senso e racionalidade aceitáveis.
O animal irracional luta pelo domínio de um território, por sua sobrevivência, pela liderança de seu grupo, sendo que o ser humano ressalta que todos esses atos são praticados por instinto, ou seja, despidos de qualquer aspecto de raciocínio.
Não creio que os irracionais procedam apenas por instinto, pois suas ações em muitos casos são planejadas e executadas com determinada disciplina, observando-se até a observância de hierarquia, em diversas oportunidades.
Por seu turno o ser humano pensante e racional em diversas oportunidades atua de maneira semelhante aos irracionais, utilizando sua inteligência de maneira reprovável, que pode até parecer não pensada, mas que, na realidade, foi elaborada ardilosamente.
Alguns seres humanos quando se deparam com uma situação de confronto buscam os mais diversos meios para que seus objetivos sejam atingidos, valendo-se de tudo sem qualquer escrúpulo, utilizando-se do jogo de intrigas, de falsas insinuações, escondendo-se atrás dos outros, esquecendo-se que aquele a que pretende suplantar um dia já foi seu fiel defensor e por ele tudo fez para que alcançasse o sucesso que ora desfruta ou que já desfrutou.
Confie sempre naquele que só ressalta a virtude dos outros e deles fala bem, pois seu caráter é conciliador, pacificador e busca sempre o relacionamento harmonioso.
O ser humano não pode nunca titubear, deve sempre estar alerta para vencer suas paixões, submeter sua vontade, cavar masmorras ao vício, forjar algemas ao crime e construir templos à virtude.
Autor Desconhecido.
O AMBIENTE
Conta uma popular lenda do Oriente, que um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive neste lugar?
- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem? - perguntou por sua vez o ancião.
- Oh! Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz.
- Estou satisfeito por ter saído de lá.
E o velho replicou: - a mesma coisa você haverá de encontrar por aqui.
No mesmo dia um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive por aqui?
O velho respondeu com a mesma pergunta:
- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?
O rapaz respondeu:
- Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las.
- O mesmo encontrará por aqui - respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu:
- Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo. O futuro de cada um está escrito no seu próprio passado. Ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo. O ambiente, o presente e o futuro somos nós que criamos e isso só depende de nós mesmos.
[Autor desconhecido]
O desafio é uma bênção
:: Elisabeth Cavalcante ::
Quantas vezes nos questionamos acerca dos desafios que a vida nos apresenta, indagando o porquê de estarmos vivenciando tal situação?
É natural que isto aconteça, quando ainda estamos totalmente enraizados no ego, já que ele se recusa a aceitar qualquer circunstância que não traga prazer e satisfação plena de seus desejos.
A vida não se ocupa em nos apresentar problemas; ela segue seu objetivo permanente de nos fazer crescer, evoluir e ir sempre além de nossos limites.
A sensação de sacrifício e da necessidade de superar obstáculos intransponíveis é um sentimento que nasce da nossa ainda incipiente capacidade de aceitar o novo, o desconhecido, o inesperado, como uma bênção e não como um castigo.
Enquanto esta verdade não estiver plenamente amadurecida dentro de nós, cada momento desafiador será encarado como um fardo pesado, algo injustamente dirigido a nós pelo divino.
Ora, se o amor é a força que deu origem a tudo o que há, como podemos, então, encarar a existência como um pai severo, que nos pune por algo que sequer imaginamos?
Quando, ao invés de nos lamentarmos, conseguimos finalmente perceber que cada pessoa ou circunstância em nossa vida tem um papel no nosso caminho evolutivo, assim como nós também na vida daqueles que encontramos, passamos, então, a reverenciar o que nos acontece com gratidão, compreendendo que será através desta jornada que alcançaremos, finalmente, a plena consciência do Ser.
Lao-tsu disse: "aceite a situação em que você está, deve ser a situação ideal para você; é por isso que você está nela".
A existência cuida de você. Nada é dado a você sem uma razão. Não é acidental, nada é acidental. Tudo o que é a sua necessidade é dado a você. Se fosse a sua necessidade estar no Himalaia, você estaria no Himalaia. E quando surgir a necessidade, você vai achar que você quer ir para o Himalaia ou o Himalaia virá até você.
Acontece... quando o discípulo está pronto, o mestre chega. E quando o seu silêncio interior está pronto, Deus chega. E tudo que é necessário no caminho é sempre fornecido. A existência cuida.
Portanto, não se preocupe. Em vez disso, use a oportunidade. Este mundo de desafios, esta agitação constante do lado de fora, tem que ser utilizada. Você tem que ser uma testemunha disso. Aprenda como não ser afetado por ela.
Aprenda a permanecer inalterado, tocado por ela como uma folha de lótus na água. E então você será grato - porque é só por ser um observador de todo o tumulto que um dia, de repente, "os deuses estão no vale". Você vê o mercado desaparecendo longe, tornando-se um eco. Este é um crescimento real.
E se você pode ser corretamente meditativo nas ocupações comuns da vida, não há nada que não possa acontecer com você. A luz vai começar a circular, você deve apenas observar.
Medite na parte da manhã e, em seguida, permaneça perto do seu centro. Vá para o mundo, mas permaneça perto de seu centro, siga lembrando de si mesmo. Permaneça consciente do que você está fazendo.
Osho - O Segredo dos Segredos.
A lágrima chora
A lágrima da madeira,
Vira rio, desce a ladeira,
Escorre por ribanceira,
Corre mansa e vira cachoeira.
No seu leito, diariamente,
Caminha lentamente,
Beijando flores à sua margem,
Já cansou de reportagem.
Em sua caminhada, abandonado,
Sofre no presente como no passado.
Tem ganância, tem matança,
Falta lei e segurança.
A natureza não reclama,
Mesmo transformada em lama.
Com ela não se brinca,
Pois um dia ela se vinga.
A serra corta na carne, sem dó,
Tudo se esvai, não fica nem o cipó.
Poderosos, sem coração e piedade,
Aos poucos destroem a humanidade.
O verde da floresta,
Devia estar em festa.
Ao contrário é só tristeza,
A natureza esta perdendo sua beleza.
Em nome do desenvolvimento,
Tem fogo e desmatamento.
Tem pássaros em revoada,
Não tem casa, não tem morada.
É a luta do momento,
Ainda há discernimento.
Poucos lutam pra valer,
Pra não deixar o mundo morrer.
De tristeza, a lágrima chora,
De sede, a fome implora.
Vem nos salvar, Nossa Senhora,
Acabou o sonho, não tem aurora.
ESTAMOS EM VIAGEM
Estamos em viagem. Estamos no trem. Entra passageiro, sai passageiro. O maquinista é exigente. O bilheteiro é chato. O gerente é bravo e pouco cortês. A viagem continua... Novos passageiros, novos gerentes, novos instrutores. Os guardas de plantão não perdoam. A equipe ta tensa, mas a viagem tem que continuar. O preço tá alto. A comida tá cara, quem sabe vai um por fora. Tudo caro e o retorno ruim. O maquinista tá louco da mente, mente. A locomotiva falha, o trem balança, os passageiros se atormentam. Os trilhos velhos, usados, viciados, direcionam a locomotiva por caminhos tortuosos. Sem freio, caminha na direção do caos. Ninguém sabe onde vai parar. Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Será? Há luz no fim do túnel. Cadê o túnel, não está ao alcance ainda. Pode haver esperança. À frente o clima pode mudar. Ai, tudo muda, tudo pode se encaixar novamente. Ávidos da felicidade, esperamos um amanhã sem dor e sem vela. A estação pode florir novamente. A ajuda mútua se faz necessária. Com o frio há a necessidade de um aquecer o outro. No calor há a necessidade do distanciamento e da roupa fresca, do banho frio e da bebida gelada. A alegria voltará. Cantaremos novamente. Acreditaremos novamente. Voltará o direito de, quando anoitecer, curtir a beleza das estrelas, dos poemas ao luar e da poesia dos amantes. E a viagem caminha para um destino desconhecido. Que ela seja bela, doce, florida e Calorosa. Cada um viaja na estação de sua preferência. Boa viagem...
Élcio José Martins
