Coleção pessoal de elciojosemartins
Élcio José Martins
POEMA DE AMOR
Fazer poema sem falar de amor,
É como a praia nos dias sem calor.
Falar de amor cura no ser a dor,
Eleva a alma e destempera o rancor.
No jardim do amor,
Rega com perfume à flor.
Inspira o compositor,
Traz luz e magia ao cantor.
O amor é razão de tudo,
É luva de veludo,
É a cura do homem bruto,
É a árvore que dá bom fruto.
Sem amor não sei viver,
Melhor seria morrer.
É plantio pra ter o que colher,
É ternura em cada amanhecer.
Nasci sem pedir e sem querer,
Vim do céu ou da noite de bem-querer.
Beijo a lua ao anoitecer
Espero o sol em cada amanhecer.
Sou luz na escuridão da dor,
Sou afeto no parto encantador.
Sou a voz do animador,
Sou o caminho na construção do amor.
Na conquista sou jogador,
Faço cantigas, sou cantador.
Faço meu mundo velejador,
Trago ao meu lado meu grande amor.
No palco do desamor,
Não tem aplauso nem ouvidor.
Quem navega no mar do amor,
Vive a vida com bom humor.
É mais feliz quem ama,
Na sala, na cozinha ou na cama.
Cabeça erguida nunca reclama,
Colhe o lírio que sai da lama.
Sem amor o mundo pira,
Rasga o pano e solta a tira.
É o ato de amar que me inspira,
Se o amor é brega, sou caipira.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
MÃE 2017
Mãe 2017 é soma dez,
Dois mais zero, mais um, mais sete,
Resultado dez.
Soma vinte mais dezessete,
Resultado trinta e sete,
Que somados ficam dez.
Mãe é nota dez,
Não tem desvio e nem revés.
Cuida de sua cria com maestria,
Na escola da vida é mestra da bateria.
Mas o mundo mudou,
Cuidar só da casa no passado ficou.
Hoje é: uma, duas, três,
Família, trabalho, lazer às vezes.
Mesmo nesse mundo diferente,
A mãe tá no batente.
Nem a liberação dessa nova geração,
Tirou do peito seu amor e devoção.
Nesse mundo conturbado,
Cheio de vícios e pecados,
De gostos fritos e assados,
De pais ausentes, despreparados.
Filhos mal educados,
Na rua são formados.
Nas drogas, aliciados,
Sobra pra mãe os seus cuidados.
Mães de ferro desesperadas,
Viagem sem freio e sem estrada.
Do coração que era morada,
Chocou feio na encruzilhada.
Mãe não desiste jamais,
Por seus filhos tudo faz.
Não tem chuva, nem hora, nem sono,
Capaz de tirá-la de seu trono.
Mãe representa Deus na terra,
É nela que tudo se encerra.
Pra ela filho não tem defeito,
Como Maria, seu Jesus, sempre perfeito.
Mãe é doce e suave,
É a pena que adorna a ave.
Mãe é pluma de leveza,
É rainha de ternura e beleza.
Mãe é o alicerce e o telhado,
Dá o abraço e sempre deixa o seu recado.
Sua força e valentia são inexplicáveis,
Suas ações e seus atos irretocáveis.
Salve esse dia sagrado,
De presente, sorriso e agrado.
Na terra ou no céu fez bem feito o seu papel,
É abelha que para os seus produz o mel.
Amor de mãe é sagrado;
Amor de mãe é açúcar no melado.
Amor de mãe é puro;
É empréstimo de beijos sem cobrança de juros.
Nove meses de gestação,
À espera da emoção.
No colo ou no berço, muita dedicação,
Na saúde ou na doença, um sofrido coração.
Saudade do colo da mãe amada,
Mesmo com as marcas das palmadas.
Um sorriso e um afago na chegada,
Na partida, lágrimas de enxurrada.
Que as têm, ame e cuide,
Que as têm no céu ore e agradeça.
Quem vai ser mãe, bom parto,
A todas as mães meus Parabéns...
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O TEMPLO DO TEMPO
O templo edificado,
De luta e suor sagrado,
Extirpa nódoas do passado,
Do teatro representado.
A vida que descerra,
A bandeira branca na terra,
Corta o verde da serra,
De sangue vermelho encerra.
No teatro da ilusão,
Faz poesia o coração.
Encanto d’alma sem razão,
Do cárcere sem prisão.
Julga o júbilo ao avesso,
Sem nome e endereço.
Rasga seda de adereços,
Das vindas e recomeços.
A lua da madrugada,
Rítmica e desvairada,
De holofotes e camaradas,
Das fronteiras desarmadas.
Na construção do saber,
Reluz um amanhecer.
Anoitece no escurecer,
Vislumbra o conhecer.
Do pecado consumado,
Do delírio rebuscado,
Encanta a alma do famigerado,
Brinda o brado redobrado.
Chora o peito magoado,
Do sentimento esmagado.
Das promessas do passado,
Aspas fechadas do cérebro brindado.
Vem do sol a esperança,
Do seu brilho a confiança,
Do seu calor a temperança,
De sua beleza a perseverança.
Contrasta força e educação,
Dá namoro solução e precisão.
Enlace de poder e decisão,
Lua de mel pedem os filhos da nação.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
EM BUSCA DA PAZ
Caminhei por caminhos certos,
Obscuros e incertos,
Fui água nos desertos,
Insensatez de espertos.
O tempo é a cura,
Ou a espera de bravura.
Semente de ternura,
De aventura e desventura.
O que busco ainda não sei,
O que achei por certo conquistei.
Acho que um dia amei,
Com firmes passos, não desanimei.
Ouço boleros de saudade,
Do tempo de mocidade,
À espera da idade,
Pra encontrar felicidade.
Cada encontro, um desencontro,
Preciso entender do ponto,
Pra não deixar sabor do espanto,
Suspiro calmo, ao ritmo do canto.
O que tem atrás da curva,
Espero parreira e uva.
A mão que pede a luva,
Ara a terra e espera a chuva.
O peito tá apertado,
Da dor do corpo atropelado.
Delírios de sonhos manchados,
Desejo louco do sonho sonhado.
Ao som romântico, um recital,
De Juan Gabriel e Rocio Durcal,
Afaga a alma e adormece o mal,
Da dor que chora o emocional.
Até quando! Até Quando!
Sem rumo e sem mando,
Destempera a alça do comando,
A solidão na multidão, uma luz se apagando.
O tempo passou,
Nas alegrias por vezes trafegou,
Das fatias fatiadas, pedaço ficou.
No quarto escuro a alma chorou.
Nas desventuras da vida,
Pede-se uma nova partida,
De coragem atrevida,
Conquistar a paz distraída.
Não sei se é agrado ou desagrado,
Não sei se é leve o peso do fardo,
Que por tantas vezes carregado,
Fez escaras no coração magoado.
Chorar por dentro é água represada,
É a mentira da alegria deslavada.
A busca da conquista conquistada,
Das muitas portas abertas, uma delas está fechada.
No entardecer da vida,
Ainda há tempo e sobrevida.
A hora pede compreensão e decisão,
Mudar de vez pode agradar o coração.
O respeito não pode faltar,
É o espelho e o espelhar,
É amigo do olhar,
É o sabor que enfeita o paladar.
Reclamar de tudo,
É aparar barba de barbudo.
A mesma cara do carrancudo,
Fere aos poucos. É pedrada sem escudo.
Choro por dentro,
Choro de dentro.
Quero o alento,
Por mais um pouco não aguento.
Quero a paz no medo,
Quero o amor e o aconchego.
Subo aos céus e peço arrego,
Dê-me a paz, o caminho e o sossego.
Livre-me dos apegos do passado,
Livre-me das promessas, o pecado.
Anjos meus tragam um recado,
Escrito bem grande como AMAR E SER AMADO.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O SONHO NÃO PODE ACABAR
O templo edificado,
De luta e suor sagrado,
Extirpa nódoas do passado,
Do teatro representado.
A vida que descerra,
A bandeira branca na terra,
Corta o verde da serra,
De sangue vermelho encerra.
No teatro da ilusão,
Faz poesia o coração.
Encanto d’alma sem razão,
Do cárcere sem prisão.
Julga o júbilo ao avesso,
Sem nome e endereço.
Rasga seda de adereços,
Das vindas e recomeços.
A lua da madrugada,
Rítmica e desvairada,
De holofotes e camaradas,
Das fronteiras desarmadas.
Na construção do saber,
Reluz um amanhecer.
Anoitece no escurecer,
Vislumbra o conhecer.
Do pecado consumado,
Do delírio rebuscado,
Encanta a alma do famigerado,
Brinda o brado redobrado.
Chora o peito magoado,
Do sentimento esmagado.
Das promessas do passado,
Aspas fechadas do cérebro brindado.
Vem do sol a esperança,
Do seu brilho a confiança,
Do seu calor a temperança,
De sua beleza a perseverança.
Contrasta força e educação,
Dá namoro solução e precisão.
Enlace de poder e decisão,
Lua de mel pedem os filhos da nação.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
NÃO QUERO ESQUCER
Não quero esquecer,
Nem um pedacinho seu.
Meu coração mereceu,
Todo o amor que um dia me deu.
Esse amor foi pra valer,
Dói na alma, faz doer.
Ficou saudade sem fim,
Vermelho sangue, cor de carmim.
O amor que tu me dera,
Foi cardápio que tempera.
Uma lista sem espera,
Foi o verde de primavera.
Foi o frio de arrepio,
O peão no rodopio,
O calor do sol a pino,
Fez-me homem e também menino.
A pureza de sua beleza,
Faz o riso com destreza.
Um olhar de sobremesa,
E o filosofar da natureza.
Quero toda em pedaço,
Na algema e no laço,
Na roupagem do cangaço,
No calor que faz o aço.
Seu calor ainda me queima,
Afogado na toleima.
O ardor da paixão deu um requeima,
Frustrou a razão pelo furor da teima.
Por que insiste coração malvado?
Tira de mim esse pecado!
Leva logo o bom recado,
Desse dilema desastrado.
Nesse poema rabiscado,
Chora um peito desfolhado.
Um verso de amor decorado,
De um grande amor desmoronado.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
RASTRO DE SAUDADE
Como um raio, um rastro de saudade,
Relâmpagos de prisão e castidade,
Lua cheia de mocidade,
Estrelas coloridas pra contar a idade.
Caminhos distantes,
Amores de pedras e diamantes.
Frases dissonantes,
Crepúsculos nos beijos dos amantes.
Água límpida de beleza,
Alma de sutileza,
Postura de nobreza,
Um jardim de realeza.
Chuva de pétalas cadentes,
Olhar caliente de serpente,
O encantar sorrateiramente,
Um novo amor incipiente.
A estela brilha no céu escuro,
Olhar tênue e obscuro.
Roda a roda da vida,
Rósea, calma e atrevida.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
UMA DOCE LEMBRANÇA
A história que vou contar,
Muitos, também vão se lembrar.
Casinha na roça e laranjas no pomar,
Sombras das mangueiras e noites de luar.
Piso de chão batido ou tijolo mal cozido,
Telhado de estrelas com fissuras de vidro.
São goles e goteiras de saudade,
Portas e janelas de humildade.
Lamparina ou lampião,
Davam luz na escuridão.
Na trempe do fogão cozinhava-se o feijão,
No fumeiro, o toucinho e a linguiça à altura da mão.
Na taipa do fogão aquecia-se do frio,
Causos eram contados, davam medo de arrepio.
Para o fogo não apagar era um grande desafio,
Lenha boa fazia brasa e queimava noite a fio.
A água era da bica,
Era saudável, era rica.
O colchão era de palha,
Não existiam grades e nem muralha.
Biscoito no forno era a sensação,
Dia de pamonha tinha muita emoção.
Porco no chiqueiro ficava bem grandão,
Carne não faltava, tinha em toda refeição.
Carne na lata a gordura conservava,
Quando matava porco era alegria da criançada.
Vitaminas eram naturais e saborosas,
Colhia-se do pomar as frutas mais gostosas.
As conversas eram sempre prazerosas,
Damas habilidosas eram muito prestimosas.
Na redondeza eram famosas,
Envergonhadas, disfarçavam, não davam prosas.
O paiol o milho lotava,
Os bois e os porcos, vovô tratava.
No moinho o milho era moído,
No pilão o fubá era batido.
O cavalo arreado era para a lida e a peleja,
A carroça e o carro de bois carregavam a riqueza.
A colheita era certeza,
Era o fruto do trabalho feito com destreza.
No monjolo a farinha era preparada,
No engenho a garapa era gerada.
Da garapa fazia-se o melado,
A rapadura temperava o café do povoado.
Das galinhas eu me lembro com saudade,
Hora do trato era alegria e felicidade.
O milho espalhado pelo terreiro,
Só faltava abrir o portão do galinheiro.
Lembro-me das modas de viola,
Reunia-se a vizinhança pra fazer a cantarola.
No sábado o bailinho levantava o pó e a poeira,
Era saudável, tinha respeito e não havia bebedeira.
Cobras, sapos e lagartos. Só não tinha iguana.
A palha de arroz servia como cabana.
O prazer era subir nas árvores para apanhar os frutos mais altos,
O guerreiro marchador gostava de dar seus saltos.
Cedo as vacas encostavam. Era hora da ordenha.
Bem cedo descobri o que é uma vaca prenha.
Até hoje ainda ouço o mugir,
É bom e é gostoso a lembrança emergir.
Saudade daquele tempo. Era duro e trabalhoso,
Com certeza não tem ninguém que não se ache orgulhoso.
Não tinha luxo, não tinha vaidade,
A viagem mais longe era compras na cidade.
Calça curta com suspensório,
Sapato preto com meia branca.
Era mais que necessário,
Pra criança mostrar sua panca.
Pés descalços com espinhos e bichos de pé,
Tinha festa todo ano com barraca de sapé.
Tinham doces, quitandas e salgados,
Só não podia faltar o bule de café,
Rezava-se se o terço, pois primeiro vinha à fé.
Procissão de ramos caminhava a pé.
Os ramos que para a casa levava,
Serviam pra amansar o ruído da chuva brava.
Manga com leite era veneno,
Assombração tinha terreno.
O respeito vinha apenas de um aceno,
A punição era severa pelo gesto obsceno.
Da infância levo a saudade,
Levo o amor, o afeto e a amizade.
Faltava o alfabeto, mas muita educação,
É da roça que se ergue o sustento da nação.
Mesmo com dificuldade o pai à escola encaminhou,
Queria ver seus filhos tudo aquilo que sonhou.
Com sacrifício criou os filhos para uma vida melhor,
A estrela foi mostrada por Gaspar, Baltasar e Belchior.
Hoje é só agradecimento,
Nada de tristeza, de lamento ou sentimento.
Cada um é um vencedor, pois mudou o tom da cor,
O sacrifício da família deu aos filhos o caminho e o amor.
As pedras no caminho serviram de degrau,
Os desvios da vida fizeram distanciar do mal.
Os meandros dos sonhos fizeram um novo recital,
Do sertão para a cidade e depois pra capital.
Fez doutores e senhores de respeito,
Deu escola, deu lição, muro de arrimo e parapeito.
Nosso dicionário não existia e palavra desrespeito,
Com orgulho e gratidão encho o riso e choro o peito.
É colheita do que se plantou outrora,
Tudo somou e nada ficou de fora.
O fruto de agora,
É a luta, é o trabalho, é a fé. É a mão de Nossa Senhora.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O BOM ENCONTRO
O que seria um bom encontro,
No meio de tantos desencontros?
Tens que achar o eixo e o ponto,
De agregar tantos e tontos.
O bom encontro pede cautela,
Pede portas e janelas.
Pede cores em aquarelas,
Pede a leveza e a sapiência de Mandela.
O bom encontro é saboroso,
Tempero de um papo gostoso.
Gesto de homem generoso,
Gosto de sabor garboso.
O bom encontro é paciência,
Pede ao raivoso a sua ausência.
Pede decoro e decência,
Dispersa discursos verborrágicos sem eloquência.
O bom encontro nutre de grandeza,
Alimenta o amor na sobremesa.
Rega as flores de beleza,
Jorra fruídos, incensos de gentilezas.
O bom encontro não reclama,
É o esmero no vestir da Dama.
É o gentleman de ternura,
O cavalheiro da postura.
Para ter um bom encontro,
Exige-se estar pronto.
Afasta-te a taça do espanto,
Erga alto o troféu do doce encanto.
Se esta mal ou triste, fique em casa,
Mesmo que queime em brasa.
Treine a arte da conquista,
Faça de sua conduta o poder do alquimista.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A INCENSATEZ DO NADA
A vida atribulada,
Meio atrapalhada,
Mesmo toda governada,
Fica algo pra outra jornada.
Pra tudo falta um fim,
Tiro de festim,
Lâmpada de Aladim,
Aspirante com espadim.
Tempero sem sal,
Ego do bem e de mal.
Escada em espiral,
Lapso temporal.
Cheiro de relva seca,
Cozinha sem receita,
Febre de maleita,
À espera da colheita.
Juízo sem juízo,
Lábios, boca e sorriso,
Jardins do paraíso,
Lágrimas de sobre aviso.
Busca de algo, será o quê?
Sem resposta, qual o porquê?
Mas tudo teima em querer,
Quer um novo caminho a percorrer.
Poeira levantada,
Berros da manada,
Camisa suada,
Pedras na calçada.
Porta estreita e selada,
Desvios de encruzilhadas,
Doutrinas empilhadas,
Vestes esfarrapadas.
Honestidades descarrilhadas,
Nádegas sem palmadas,
Cócegas de risadas,
Mandatários de privadas.
O brio sem brilho,
Egos afiados no esmerilho,
Dedos firmes no gatilho,
Pátria mãe perdeu seu filho.
Águas turvas da incerteza,
Contar notas com destreza,
Cueca perdeu nobreza,
Virou baú da esperteza.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O DESCARTE DE UMA VIDA
Nasceu na fazenda Descarte.
Seus avós moraram lá.
Seus pais da Europa pra cá,
Sua esposa também se instalou lá.
Na lida do campo foi campeão,
Cultivou o alimento do patrão.
Café, cana, arroz, feijão,
Tudo teve seu amor e os calos de sua mão.
Madrugada, já estava na lida,
O orvalho molhava sua pele cuspida.
Suor e lágrimas vendidas,
Pra levar o pão à família construída.
O trabalho era pesado,
Anos e anos de um tempo apagado.
Por certo tempo ainda teve respaldo,
Valeu da força e seu suor sagrado.
Mas nem tudo é permanente,
Sol nascente e sol poente,
Sorriso sorridente,
E lágrimas descontentes.
Como um animal para o descarte,
Que o tempo apagou sem arte.
Na fileira para o abate,
Triste espera de quem o remate.
Aposentadoria de pobre,
Apesar do tempo nobre.
Vê na família o desamparo,
O máximo que pode é um três no baralho.
A demissão cortou na carne,
Perdeu a classe pelo desarme.
A tristeza nas linhas da idade,
Vê no retrovisor os rastros de maldade.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A MENTIRINHA BOA
Qual é o poder da mentirinha?
Ela é da sociedade, não é sua e nem é minha.
Ela está em todo meio,
Ninguém sabe de onde veio.
Umas são covardes e maldosas,
Outras, doces e amorosas.
Uma mata, outra cura,
Depende da cultura e da lisura.
A mentira é o contrário da fofoca,
A fofoca é verdade doente que estoca,
Faz doer, deixa encrenca pra valer,
Traz angústia, tristeza e padecer.
A verdade pode ser boa,
Mas pode não ser!
A verdade pode doer,
Mas às vezes tem que dizer.
Nem sempre a verdade é boa.
Ela pode doer muito. E à toa.
Esconder de algo insano,
É, com certeza, um ato humano.
O próprio relacionamento
É feito de mentiras e omissões.
As verdades são balas de canhões,
E as mentirinhas, balas de paixões.
Como estou? Você está linda!
Nossa! Fulano falou muito bem de você.
Mas aquela fulana tá chick hein!!!
Nem me fala! E aquele ...?
Assim é a vida.
Todos, de uma maneira ou de outra,
Escondem e se escondem,
Para que as amizades permaneçam...
A educação nada mais é do que adaptar-se.
Aprender truques e fazer meandros.
Tolerar e aceitar o outro como ele é,
Mesmo com a vontade de mandar para aquele lugar...
Contar até mil. Pensar, pensar e harmonizar,
Dizer palavras doces e meigas, amenizar.
Brigas jamais, apaziguar.
Um beijo na face para o encontro triunfar.
Existem as mentiras que trazem prejuízo,
São verdades ocultadas pelo medo do guizo.
Medo de como o outro agirá,
Melhor escondê-la porque já sabe o que virá.
Fuja das mentirinhas interesseiras,
São de pessoas delicadas, meigas e açucaradas,
Mas o interesse é uma rasteira,
São escoladas, treinadas e mascaradas.
Existem as mentiras que trazem prejuízo,
São verdades ocultadas pelo medo e juízo.
Medo de como o outro agirá,
Melhor escondê-la porque já sabe o que virá.
Se puder evitá-las, melhor será,
Se não puder evitá-las, seu coração que te dirá.
O importante é um coração contentar,
Ver um sorriso e uma face se alegrar.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A MENTIRINHA BOA
Qual é o poder da mentirinha?
Ela é da sociedade, não é sua e nem é minha.
Ela está em todo meio,
Ninguém sabe de onde veio.
Umas são covardes e maldosas,
Outras, doces e amorosas.
Uma mata, outra cura,
Depende da cultura e da lisura.
A mentira é o contrário da fofoca,
A fofoca é verdade doente que estoca,
Faz doer, deixa encrenca pra valer,
Traz angústia, tristeza e padecer.
A verdade pode ser boa,
Mas pode não ser!
A verdade pode doer,
Mas às vezes tem que dizer.
Nem sempre a verdade é boa.
Ela pode doer muito. E à toa.
Esconder de algo insano,
É, com certeza, um ato humano.
O próprio relacionamento
É feito de mentiras e omissões.
As verdades são balas de canhões,
E as mentirinhas, balas de paixões.
Como estou? Você está linda!
Nossa! Fulano falou muito bem de você.
Mas aquela fulana tá chick hein!!!
Nem me fala! E aquele ...?
Assim é a vida.
Todos, de uma maneira ou de outra,
Escondem e se escondem,
Para que as amizades permaneçam...
A educação nada mais é do que adaptar-se.
Aprender truques e fazer meandros.
Tolerar e aceitar o outro como ele é,
Mesmo com a vontade de mandar para aquele lugar...
Contar até mil. Pensar, pensar e harmonizar,
Dizer palavras doces e meigas, amenizar.
Brigas jamais, apaziguar.
Um beijo na face para o encontro triunfar.
Existem as mentiras que trazem prejuízo,
São verdades ocultadas pelo medo do guizo.
Medo de como o outro agirá,
Melhor escondê-la porque já sabe o que virá.
Fuja das mentirinhas interesseiras,
São de pessoas delicadas, meigas e açucaradas,
Mas o interesse é uma rasteira,
São escoladas, treinadas e mascaradas.
Existem as mentiras que trazem prejuízo,
São verdades ocultadas pelo medo e juízo.
Medo de como o outro agirá,
Melhor escondê-la porque já sabe o que virá.
Se puder evitá-las, melhor será,
Se não puder evitá-las, seu coração que te dirá.
O importante é um coração contentar,
Ver um sorriso e uma face se alegrar.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A INTERROGAÇÃO DA CURVA
O que tem depois da curva?
Pode ser o monstro que uiva,
Ou o santo que cuida.
É São Cristóvão que ajuda.
A interrogação persiste,
No medo que existe.
Não tem regra nem palpite,
E nem Lei que eu acredite.
O que tem de lá,
Não pode ser o que tem de cá.
De cá é o que conheço,
De lá virá o que mereço.
Rezo a reza, rezo o terço,
Vida longa que eu mereço.
Tempo de ida e recomeço,
Vejo a curva pelo avesso.
Interrogo o tempo,
Interrogo o maestro do tempo.
Perco a hora, perco o tempo,
Faço contas, quero mais tempo.
Curva leve a acentuada,
Com descida e encruzilhada.
Estrada da vida transitada,
Pelo amor e a intolerância malvada.
Pequenos automóveis na estrada,
Cruzam carretas desgovernadas.
Estradas esburacadas,
Ceifam vidas estruturadas.
Vem o medo e some o riso,
Irresponsabilidade sem juízo.
Na placa tem o aviso,
Seu freio é seu paraíso.
Mas na curva da ilusão,
Tem caminho e direção.
Afoga as mágoas da emoção,
Tem o amor que acelera o coração.
O câmbio que muda a idade,
Troca marchas de sonhos e saudades.
Quinta marcha dos Casebres de bondade,
Pede a ré os rincões da falsidade.
Mas tem a curva da fé,
Homens justos ficam de pé.
Foi Maria e foi José na manjedoura de sapé,
Que deu ao universo Jesus de Nazaré.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
AMOR À PRIMEIRA VISTA
Chegou sem dizer nada,
Não podia ser porta errada.
De mansinho conquistou,
Um coração flechou.
Duas almas de juntaram,
Dois corações se apaixonaram.
Abraços e beijos trocados,
Eternos namorados.
Das duas, uma só alma,
Sem estresse, tudo se acalma.
Dos dois, um só coração,
Sem regra, sem razão,
Só o pulsar da emoção.
É suor de malhação,
É o esfregar da dança de salão.
É o roçar de mão,
É o beijo de supetão.
E ainda mais se amaram...
Embebedaram-se do mel,
Com volúpia gargamel,
De êxtase subiram ao céu,
Pernas e braços, o escarcéu.
Com o amor e o desejo se casaram,
E desse amor louco se encontraram.
E ainda mais se amaram,
Dos desejos soltos novamente se embriagaram.
E ainda mais se amaram...
Cúmplice cama dos pecados,
Cálidos beijos molhados,
Lençóis esparramados,
Vertigem de lustres dourados.
No chão, na lareira, na esteira,
No bico da mamadeira.
Suor, corpos molhados insaciados,
Sussurros de versos inacabados.
E ainda mais se amaram...
Élcio José Martins
Um dia especial
É aniversário, um dia especial,
Tem bolos, velas e castiçal.
Pássaro da ilha o cântico entoas,
Às margens do Rio canoas.
Anos vividos com alegria,
Com muita luz e muita poesia.
Leva a batuta com maestria,
Pois nasceu pra brilhar um dia.
Seu sorriso e simpatia,
É ouro que reluz de dia.
É o centro da atenção,
Tem os amigos de prontidão.
Por todos é muito amada,
E, nesta data festejada.
Não contenta com feijoada,
Espera champanhe gelada.
Receba meus cumprimentos,
Não podia ficar de fora.
São poucos esses momentos,
De parabenizar quem a gente adora.
As mensagens que chegando,
Dos amigos que estão enviando.
Bronze e prata estão somando,
Mas o OURO está estourando.
Curta muito este dia,
Com o amado, os amigos e a titia.
Brinde e grite de alegria,
Esbanje seu sorriso de luz e melodia.
Parabéns e felicidades;
Com saúde, paz e alegria.
Pois quem cultivou amizades,
Terás sempre companhia.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O PARAÍSO ENVERGONHADO
De tanto ver seu nome no lamaçal da corrupção,
Nosso País esconde a face com vergonha de ser Nação.
As lágrimas derramadas escorrem pelas calçadas sem fama,
Lubrificam as engrenagens da justiça sob os auspícios de Dalai-Lama.
As turbulências não são passageiras não,
Viajam em nosso País desde o reinado de Dom João.
Cada dia uma nova decepção,
Cada estrume de vaca que se vira, tem alguém metendo a mão.
Políticos desonestos camuflam nas folhas da impunidade,
Fazem Leis que escancaram a desonestidade.
Não envergonham se massacram a sociedade,
São sem limites, perderam o brio e a dignidade.
Os bandidos com e sem colarinhos diferenciam-se nos ninhos,
Por necessidade ou opção seguem os desvios dos caminhos.
Os eleitos pela sociedade massacram e matam de mansinho,
Desrespeitam os cidadãos tratam todos por povinho.
Envergonhamos frente ao mundo da ética,
Pela exposição dessa classe doente e patética.
Não importam as enormes filas nos hospitais,
Não importam as crianças famintas nas capas dos jornais.
O tempero tá sem sal,
Já nem se sabe o que bem e o que é mal.
O Paraíso envergonhado pede perdão,
De fazer seu povo como escudo e paredão.
A Justiça como grãos de milho no galinheiro,
Apena um ou outro, busca agulha no palheiro.
As Leis covardes e protetoras,
Tiram o mel e o favo das classes trabalhadoras.
Com seus direitos surreais e especiais,
Surrupiam do cidadão o pão, a dignidade, seus bens materiais e emocionais.
A população ta triste, mas espera solução,
Só não sabemos quem poderá nos salvar da atual situação.
A sociedade repele a corrupção, mas comete os mesmos deslizes,
Precisa ser vigiada para não mostrar suas raízes.
Surrupiar os bens alheios saqueando o que é de outro,
Não pode ser normal numa sociedade que pede decoro
A desonestidade está alinhada ao outro, sem semelhança,
Mas o que difere é a oportunidade e a vigilância.
Não percamos a esperança, vale à pena acreditar,
Ensinar a criança é o caminho para o futuro melhorar.
O verde da floresta carioca pede respostas,
O Cristo Redentor se pudesse ficaria de costas.
Brasília nem a amarela dá aquarela,
Nossa Minas do ouro e pedras preciosas, tão bela ficou ridicurela.
O norte e nordeste do povo sofrido e esmarrido,
Sempre foi cabo eleitoral do candidato de nariz comprido.
Mas a fé em oração faz esse povo sabido, muito unido,
Não há desgraça que destrua esse amor construído
Da tapioca ao queijo mineiro,
Do arado, do jegue e do carreiro,
Das mansões, dos casebres e dos veleiros,
Não importa crenças e diferenças, ainda somos brasileiros.
Precisamos de coragem e decisão,
Levar a Bandeira verde e amarela numa só direção.
Arregaçar as mangas e gritar bem alto com a voz do coração,
Somos donos desse país e não vamos tolerar enganação.
Como brasileiro estou morrendo de vergonha,
Para o mundo somos frouxos acreditando na cegonha.
São promessas de ressacas num dia de curtição,
Somos sugados, sem dó, até sangrar o coração.
Logo chegará a hora da eleição,
Na telinha da TV pra tudo tem solução.
O discurso é o mesmo, mas com muita embromação,
Pra conquistar o voto na época de eleição,
O candidato é travestido de bondade, amor e compaixão.
Se os partidos fossem bons não seriam fatiados,
Como são partidos nunca serão inteiros e apropriados.
Ainda temos voto, a maior arma que temos,
Façamos dele o justo, o perfeito e tudo que queremos.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
DESEJO DA MULHER
Ah! Se soubesse os desejos da mulher,
Embebedaria de seu licor e comeria com colher.
Amaria todas, não sobraria uma sequer,
Daria a rosa mais bonita, não seria uma rosa qualquer.
Dom Juan não quis ensinar,
Como fez pra conquistar.
Amou as mulheres mais belas,
E como foi amado por elas!
Será que era o traje que usava?
Ou será que era o chapéu que portava?
Será que era o dinheiro na poupança?
Ou será que eram seu charme e sua elegância?
O que a mulher deseja talvez seja pouco,
Um punhado de carinho e um beijo rouco.
Um abraço apertado e um sussurro louco,
Nada é demais, que não seja tão pouco.
Presentinhos quando ela menos espera,
Elogiar sempre é a pimenta que tempera.
Ao acordar sentir o cheiro do café na cama,
Feito de forma especial por quem à ama.
Escrever nas estrelas que ela é a mais brilhante,
Que entre as pedras preciosas, ela é o diamante.
Enche-la de joias, pérolas e ouro,
Gritar ao mundo que essa mulher é o seu maior tesouro.
Magra, corpo violão,
Cortejada de montão.
Deixa babando o marmanjão,
Que não aprendeu como amar um mulherão.
Casa na praia,
Cavalo na raia,
Barco no mar,
Ainda sobra tempo para amar.
Viagem à Europa no dia do aniversário,
Jantar a luz de velas e show universitário.
Colar de brilhantes e brinco de esmeralda,
Curtir o luar na madrugada, sentados na calçada.
Nada disso tem valor se faltar o amor,
Falta de amor rima com rancor e dor.
Dê à sua mulher o seu devido valor,
Seja seu poeta, seu músico, seu cantor e seu maior admirador.
Conquiste-a de noite e de dia,
De manhã ao raiar do dia.
Seja seu brilho, seja sua luminosa luz,
Seja espelho, seja sua brisa, seja o seu cristal que reluz.
Ame as mulheres, a família depende delas,
Lute por seus direitos e faça tudo por elas.
Não importa se são bonitas ou se são belas,
Sempre alegrarão todas as cores em aquarelas.
A mulher não quer muito, quer apenas o seu amor,
Dê a ela seu jardim e a mais bela flor.
Nada que ela faz, pede algo em pagamento,
Faz tudo pelo amor e por seu contentamento.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O VÁCUO DA VIDA
O que sou, são sei,
Não sei se acertei ou se errei.
Só sei que semeei,
Sementes e amores pelos caminhos que caminhei.
Construí trilhos e atalhos,
Costurei vestes de retalhos.
Já fui Rei e espantalho,
Já comi carne assada no borralho.
De onde vim não sei,
Pra onde vou ainda não pensei.
Corri, corri, um dia parei,
Pensei. Esse mundo não é justo como um dia imaginei.
Tem guerra e intolerância,
O veículo é ambulância.
Os donos do mundo não se entendem,
Só fazem o que pretendem
Hoje os lares são hospitais,
Triste sina dos mortais.
À mercê desses marginais,
A paz e o amor ficaram pra trás.
É um vazio de solidão,
No vasto mundo, imensidão.
As casas se transformaram em prisão,
No vácuo do medo, a espera pelo ladrão.
Nesse mundo inconsciente,
O jovem livre e impaciente,
Busca a calma do oriente,
Pra matar o leão e assar com brasa quente.
Qual futuro o espera,
Nesse tempo que acelera,
Víscera que dilacera,
Corpo drogado, na sede sem espera.
Do nascer ao morrer Deus nos deu a ponte da vida,
Cada um tem seu tempo, sem leme, sem bússola e sem rota definida.
Uns trafegam por cima, outros por baixo, seguem o destino,
Nascer, viver e morrer. Morte e vida, o desatino.
Nossa riqueza não é nossa riqueza,
O que fica é o nome e a nobreza.
Só tem jantar, não espere sobremesa,
O céu não precisa de riqueza pra manter sua beleza.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O ETERNO QUERER
Queria a juventude, curtir a novidade, jogar basquete, Vôlei ou peteca, ouvir rock, voar de moto, cantar livre, sentir moleque.
Queria a Paz do mundo, planejar o futuro, e conquistar, eu juro.
Andar com passos firmes, mãos dadas e unidas, acalentando almas e florindo corações.
Dizer bem alto que o amor tem sempre razão.
Que é bom o aconchego, a doce maneira de dizer as coisas.
Mesmo que a amizade seja efêmera, pode existir reciprocidade, carinho, compreensão e afeto;
Não vale entristecer e magoar. Não vale os questionamentos.
Vale acreditar que vale a pena caminhar no bem, não esperar retorno, crescer e enriquecer nas relações humanas.
Quero a paz, quero a união, quero o amor.
Quero um mundo melhor, quero as nações unidas, quero o respeito mútuo.
Quero as Guerras apenas nos livros de história e que se percam no tempo.
Quero voar alto e conquistar o mundo. Quero asas pra levar a paz, quero asas pra levar o amor. Quero asas pra ensinar os amigos a voar. Quero asas para o paralítico. Que as cadeiras de rodas sejam apenas peças de museu.
Quero hospitais vazios. Leitos de vida.
Quero flores, quero frutos. Quero cuidar dos jardins.
Querer é poder. Querer é o primeiro passo para a conquista do desejo.
Quero que os sonhos se realizem. Quero o amor dos amantes. Quero governos íntegros e honestos.
Quero desafios. Quero mesas fartas. Quero famílias unidas. Quero as brincadeiras de crianças.
Quero acreditar no ser humano. Quero acreditar que um dia tudo possa ser assim. O sonho não pode morrer.
Élcio José Martins
