Coleção pessoal de elciojosemartins
O POÇO.
Há um dito que alguém é tirado do poço. Encharcado, sujo, podre. Lugar que ninguém gostaria de estar. Mas de repente este alguém está no poço novamente. Será que alguém o empurrou? Será que quis voltar para o poço? Ou será que era apenas conversa fiada, que não tinha saído do poço e estava mentindo? Qual a resposta verdadeira? Eis a questão!
Élcio José Martins
A FINESSE PERDEU JUÍZO Élcio José Martins
O vulcão enfurecido
Com lava incandescente,
Mostrou seu alarido
Do outro lado do poente.
Parecia estar doente
Tal a fúria evidente.
Não é prato que requente,
Comeu cru com aguardente.
Como água morro abaixo,
Ou fogo morro acima.
Desceu do salto e deu esculacho,
Tá anormal, fugiu da regra, acho.
Era dia de seresta,
Onde tudo seria festa!
De uma bebida indigesta,
Ficou a marca do que não presta.
Gosto amargo transcendeu,
Duas vítimas sucedeu.
Só Deus sabe o que aconteceu,
Quando o céu escureceu.
Descoberta quase incerta,
Do contexto que disserta.
Na vida nem tudo acerta,
Mas com o amor tudo conserta.
E o mal tá dominando,
É do oculto que vem o dano.
São surpresas e enganos,
Salve os loucos e insanos.
Vem as desculpas dos erros tortos,
De um cérebro absorto.
O juízo está morto,
Perdeu a viagem do navio no aeroporto.
Élcio José Martins
O JUSTO
Ser justo e inviolável,
Por Deus é muito amado.
Por ser um ser amável,
Está bem alto, na altura do sagrado.
A justiça abre caminho,
Vem do berço, vem do ninho.
Brinda com os amigos um cálice de vinho,
Aprendeu como é ser justo desde pequenininho.
Salomão é a inspiração,
Que lhe ensinou bem a lição.
Não importa a ocasião
Quem julga o outro perde a razão.
Ser justo é ser certeiro,
O GPS do caminhoneiro.
Não precisa ser matreiro,
Nem o último e nem o primeiro.
Ser justo é olhar o outro,
É vestir da dor que esta noutro.
Não despir um santo e cobrir o outro,
Um é seu irmão mas também aqueloutro.
O respeito é coisa natural,
Coisas do bem esmagam as coisas do mal.
Não é singular pois é plural,
Percebe com os olhos e com o sentido aural.
O justo é diferente,
Está muito além da gente.
Deve ser coisa divina, a gente sente,
Não faz loucura, sempre é prudente.
Quem dera o justo a todos disseminasse,
Mais amor estimasse.
Não queria que a partida termianasse,
Nem que o apito do Juiz me ordenasse..
Salve o justo de coração limpo;
Salve o justo de coração puro;
Salve o justo de alma nobre;
Salve o justo que reclama por justiça;
Salve o homem justo porque a
Ele será dado o reino do céu...
Élcio José Martins
NOVA PÃO E CIA
Acreditar em um projeto
Com a certeza que vai dar certo,
Seguindo direito o processo,
É certeza do sucesso.
É muito bom ver a cidade,
Trazendo novidade.
Pão e Cia tem outra roupagem,
Investindo em nova imagem.
Layout novo e elegante.
Visual novo e instigante.
Um diferencial relevante,
Que atrai até quem é distante.
O casal Rose e Antônio Cesar,
Tem todos os cumprimentos,
Investiram certo e cumpriram o mandamento.
As atendentes estão entusiasmadas.
Tudo novo, esperanças renovadas.
Nessa nova roupagem,
É para o cliente essa homenagem.
,
Tem a Mara de sorriso garboso,
A Lara de olhar misterioso.
A Débora tem altura em simpatia
Carla e Tais só alegria.
Roberta e Romilda eficientes,
Fecha um time competente.
Raquel e Tainá, não são diferentes,
Alegram as manhas de seus clientes.
Há mais de uma década,
O sonho se iniciou.
Agora colhe o fruto
Da semente que semeou.
O comércio está crescendo,
Novos investidores surgindo.
Os empreendedores emergindo,
Novo centro está se abrindo.
Acreditar em um projeto
Com a certeza que vai dar certo,
Seguindo direito o processo,
É certeza do sucesso.
Élcio José Martins
GUARANÉSIA E SEUS 117 ANOS
Chegou mais um aniversário de Guaranésia,
Nossa cidade querida.
Ontem e hoje foi atrevida,
Tem história de vida bem vivida.
Grandes nomes ao mundo, lançou,
Nas letras, nas artes, até bola no gol.
A cidade emancipou,
Hoje muita gente se destaca, como antes se destacou.
Forte na atividade industrial,
Está alavancando o seu lado comercial.
Por certo tempo esquecido,
Hoje está mais aquecido.
Nosso centro comercial era apagado,
Hoje está mais povoado.
Empreendedores de visão,
Estão investindo de montão.
Hoje podemos falar,
Perdendo a razão de reclamar.
O comércio tem um recado para dar,
Agora em nossa cidade tem o que se deseja comprar,
Lojas modernas já estão instaladas,
Padrão moderno e modeladas.
Entusiasmadas e preparadas,
Tem o casual, o moderno, também as marcas afamadas.
Há algum tempo temos o bairro afamado,
Rua do comercio, um local refinado.
Ficou conhecido e isolado,
Deixando o centro um pouco desolado.
Uma nova visão se manifesta.
Da cidade que gosta de festa.
A cidade cresceu e o comerciante entendeu,
Em novos bairros e no centro o comércio se estendeu.
Caro amigo me ajude a contar,
Quantas lojas novas podemos encontrar.
Há um novo momento comercial,
O comercio está ativo e não mais inercial.
Há algum tempo a cidade vem crescendo,
Novos projetos os investidores estão trazendo.
Conceitos velhos foram revistos,
Conceitos novos são os requisitos.
Parabéns Guaranésia pelos seus 117 anos de história,
O desenvolvimento e o progresso têm hora,
Não deixe para depois. Nosso futuro dependerá,
De tudo que fizermos agora.
Parabéns!!!
Élcio José Martins
O PENSAMENTO É O FALAR EM SILÊNCIO
O pensamento é o falar em silêncio,
O grito de Prudêncio.
Prudência intima,
O salvar de uma vítima.
Já voei em silêncio,
Já fui salvo no silêncio.
Já fui silenciado no silêncio,
Quem já não amou em silêncio!?
O pensar é conta de somar,
Dividir e multiplicar.
O grande pensar salva,
Engrandece e a alma lava.
O silêncio em pensamento
É o tempo e contratempo,
O tormento e lamento,
Respeito e crescimento.
Já disse tanta coisa no meu silêncio, só,
Que meus ouvidos se fecharam de dó.
Já cantei a música que sonhei,
Já fui Dom Juan. Já fui Deus e já fui Rei.
O pensamento é o falar em silêncio,
O grito de Prudêncio.
Prudência intima,
O salvar de uma vítima.
O silêncio do pensamento a alma exorta,
O coração conforta.
Tranca de dentro da porta,
Um discurso que transporta,
O pensamento é o falar em silêncio,
O grito de Prudêncio.
Prudência intima,
O salvar de uma vítima.
O silêncio eleva e transforma,
Medita e reforma,
Destempera e contorna,
Protege do que vem de fora.
Tem o silêncio do medo,
Um filme sem enredo,
O apontar do dedo,
Este, um grande segredo.
O silêncio da depressão,
Destrói a compreensão,
Mão sem contramão,
O amor é o remédio da razão.
O pensar em silêncio tem caminhos inversos,
Um poema sem rimas e versos.
Dilemas e contos perversos,
Verbos salvos em ritmos controversos.
O pensas agora?
Se for ruim joga fora.
Se for bom, aprimora,
Só verbaliza quando chegar a hora.
O silêncio é virtude,
Acalme-se e mude.
Mesmo que o desejo o ilude,
O que tem a dizer pode ser rude.
O pensamento é o falar em silêncio,
O grito de Prudêncio.
Prudência intima,
O salvar de uma vítima.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
LIBERDADE! LIBERDADE! LIBERDADE!
Quero uma
Quero a Liberdade de escolha,
Quero a escolha da liberdade.
Não quero a régua da obrigatoriedade,
Por aqueles que se dizem os donos da verdade.
Quero que me ensinem a ler,
Mas nunca o que devo ler.
Quero que me ensine ser,
Mas nunca me dizer o que fazer.
Quero sapatos com laços,
Sempre andar com meus passos.
Na escola quero conhecimento,
Ideologia cabe ao meu discernimento.
Quero livros que separem o bem do mal,
Acender vela com a proteção do castiçal.
Aprender bem a lição,
Comer meu pão com o poder da minha mão.
Poder comprar e produzir,
E ter coragem pra fazer.
Ter saúde pra comer,
Sempre ter por merecer.
Não quero troca de favores interesseiros,
No bonde da história, viajantes e passageiros.
Andar no vagão de preferência,
Ser educado e a Deus pedir licença.
Respeitar hierarquias,
Abominar deboches e anarquias.
Leis que protegem o coletivo,
Rechaçar o poder mais abusivo.
Que o País vire Nação,
Acabe com o poder da corrupção.
Prenda os larápios de ocasião,
Elimine o político enganação.
Liberdade quero como vizinha,
Como o cardápio do chef de cozinha.
Faces rubras e felizes,
Erros apenas por deslizes.
Chico disse que amanhã vai ser outro dia,
No verso codificado escondeu o que pretendia.
Quem manda quer o direito da partilha,
Fechou em submarino e lacrou a escotilha.
Aprender falar,
Mas não o que falar.
Aprender andar,
Mas não pra que lado andar.
Quero infância sadia,
Ao lado da mãe, do pai e da tia.
Quero o direito da família decidir,
Quais os caminhos deve o filho seguir.
Liberdade! Liberdade! Liberdade!
Sem discurso barato e muita sinceridade.
Liberdade! Liberdade! Liberdade!
Dançando cidadania e plantando dignidade.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A ESCOLHA
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
É a conjugação do ter,
Com a conjugação do ser.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
É o ganho pra enriquecer,
Ou o trabalho pra viver.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
Do carro novo na garagem,
Ou o busto de mármore da minha imagem.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
Do sonho do diploma universitário,
Ou a ignorância do homem solitário.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
Da alegria do sonho conquistado,
Ou a tristeza do projeto renegado.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
Da vontade de vencer na profissão,
Ou ceder aos desígnios da paixão.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
Da luta do cumprimento do dever,
Ou caminhar no vício do prazer.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
Da construção de um novo amanhecer,
Ou a inveja que dilacera e faz doer.
Não é fácil escolher
Quando lados pode ter.
Do trabalho que trás cidadania,
Ou o descaso e a busca da arrelia.
Os dois lados da escolha,
Tá de dentro ou de fora da rolha.
Um é claro como a beleza da flor,
O outro desconhecido há que busque o seu valor.
Da preguiça ou da falta de iniciativa,
Andar sozinho e dispensar a comitiva.
Fugir da vida laboriosa e ativa,
Destruir a terra daquele que cultiva.
A escolha pode ter dor e sofrimento,
Mas pode trazer a paz e o adubo do crescimento.
Tem a escolha carregada de egoísmo,
Ou a escolha da luz do iluminismo.
Tem a escolha da partilha e compartilhamento,
Ou a escolha da negação carregada de sofrimento.
Ou escolho o aprimoramento e o conhecimento,
Ou me desmancho nas lágrimas amargas do lamento.
Só eu tenho o poder da minha escolha,
De cuidar ou arrancar da árvore a sua folha.
De cuidar do jardim e cultivar a flor,
Ou me embriagar justificando a minha dor.
Mesmo sabendo que nada é fácil,
Desde a época de Dom Pedro e Bonifácio.
Minha obrigação é cumprir o meu papel,
Preparando na terra o difícil caminho do céu.
Nada vem por queda livre,
Cada um de algum modo sobrevive.
O governo às vezes anda na contra mão,
Trabalhar e construir, o papel do cidadão.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
ACABOU O CARNAVAL
Acabou o carnaval,
No interior e na Capital.
Alegria geral,
Para o folião e o normal.
Acabou o carnaval,
De fantasias e fio dental.
Vai pra caixa o pedestal,
Fecha a cortina no seu final.
Acabou o carnaval,
Fica a ressaca colossal.
Da bebida, passar mal,
E de uma lembrança sentimental
Acabou o carnaval,
Deixa o cheiro de curral,
Do recado social,
Para o Governo maioral.
Acabou o carnaval,
Segue o rio o seu canal,
Tudo volta ao normal,
Na indústria e no canavial.
Acabou o carnaval,
Tudo tem o seu final.
Pra quem soube aproveitar, tudo ficou legal,
Pra quem não soube, fica uma lição especial.
Acabou o carnaval.
Do sorriso e alto astral.
É cultura nacional,
Tradição e coisa e tal.
Acabou o carnaval,
De Crenças, Deuses e festival.
Acabou o carnaval,
Onde o povo é maioral.
Acabou o carnaval,
O sonrisal e o anticoncepcional.
Nove meses e a espera final,
Antecipado, vem o presente de Natal.
Acabou o carnaval!!!....
Élcio José Martins
SÃO PEDRO DA UNIÃO
Cidade do sudoeste mineiro,
Terra de um povo hospitaleiro.
Sua história vem de um jovem lenhador,
É a razão desse povo trabalhador.
1853 é o marco na história,
Que com o tempo se perde na memória.
Pedro Espetáculo com a foice no roçado,
Encontrou a imagem de um Santo muito amado.
Imagem talhada em madeira,
Escondida entre o mato na ribanceira.
Deve ser milagre, ficou lá o seu segredo,
Por que estava ali a imagem de São Pedro?
Proprietários de terra da redondeza,
Homens dignos de pura nobreza.
Suas terras doaram,
Para construção do sagrado santuário.
Em pouco tempo distrito se tornou.
À comarca de Rio Grande se ligou.
Recebeu o nome de São Pedro da União,
Desde cedo foi um marco na região.
Passos, Jacui e Guaranésia foi certo tempo subordinado,
Adquiriu maioridade, aprendeu bem o recado.
Com o cavalo, o boi e o arado,
Deu a colheita do que outrora foi plantado.
Ao oeste mineiro era ponto de passagem,
Para muitos ele era estalagem.
A cidade que nasceu de uma imagem,
É a mata, é o rio, é a miragem.
Agricultura era a renda do povoado,
Tinha colheita farta em um solo preparado.
O café hoje é sua riqueza,
Tem o cheiro e o sabor da natureza.
Saudades das árvores lá da praça,
Dona Fiica, Dona Chiquita, cheias de graça.
Da igreja com muito amor cuidavam,
Para a fé e a paz dos que rezavam.
No grupo era Dona Encarnação,
Brincadeiras com ela não tinham não.
Calça curta e vergonha de montão,
No recreio tinha manteiga e requeijão.
Bola na rua era alegria da criançada,
Ruas com sarjeta e sem calçada.
Na descida era carrinho de madeira,
Machucava e não tinha choradeira.
Do Ginásio muita saudade,
Da adolescência e também da mocidade.
Festas religiosas eram alegrias da moçada,
Primeiro beijo e primeira namorada.
O campo de futebol era chão duro,
O gramado era futuro.
Aos domingos a peleja era garantida,
Os gols eram alegria da torcida.
Na garagem improvisada,
O bailinho sempre rolava.
A praça era o palco dos amantes,
Dos beijos e abraços picantes.
O rio era a piscina,
Tinha regra e disciplina.
Nas ruas sem asfalto,
A poeira era o assalto.
Nos pomares frutas maduras,
Jabuticaba nas alturas.
Pros garotos uma loucura,
Não tinha cerca e nem altura.
Na escada da igreja matriz,
Tinha musica, tinha raiz.
Serenata muito som e cantoria,
Nas casas uma janela se abria.
Uns saíram outros ficaram,
Desafios enfrentaram.
Temos muita gratidão,
Somos São Pedro da União.
A vida de cada um norteou,
Uma semente semeou.
Na escola que se formou,
Um sonho realizou.
Somos filhos de São Pedro,
Com muita luta e sem segredo.
Recordamos com alegria,
Da cidade que deixamos um dia.
Saudade imensa dos amigos que ficaram,
E de todos que viajaram.
Momentos bons proporcionaram,
Que hoje à tona retornaram.
Saudades!...
Élcio José Martins
PAIXÃO ARDENTE E RAZÃO DESNUDADA
Oh! Paixão! Nudez de razão,
Embriagues do coração,
Faz seu rumo sem direção,
Com indagação e negação.
Paixão ardente e razão desnudada,
Onde o amor pede morada.
Pensamento em disparada,
Ritmo da loucura desvairada.
Na existência do vazio,
Norteia a direção com desvio,
Some por dentro, como vela por seu pavio,
Ondas gigantes, calmaria de navio.
É um rir e chorar por dentro,
Às vezes luz, outras o lamento.
É a alegria temperada no sofrimento,
Fluidos do desejo dão vazão ao pensamento.
É a valorização do outro,
É ver e sentir no outro.
É o cheiro e gosto noutro,
É navegação dos sonhos em mar revolto.
Paixão existe, sem explicação,
Quase sempre, a razão perde perdão.
É o pulsar da emoção na contra mão,
Faz surgir o descaminho na perdição.
São pensamentos com asas livres,
São encantos nos declives.
Arremedo de amor em delivery,
É um coração que renasce e vive.
É doação total,
É o embebedar do sentimento emocional,
Máscara da inteligência racional,
É razão que vai para o ralo e o intelecto passa mal.
Perde-se a noção do tempo,
Não há tristeza e nem lamento.
Alimento e provimento,
Acalma-te coração sedento.
Não há regra e indagação,
Fundo D’alma, gratidão.
A razão perde função,
Quem comanda é o coração.
Élcio José Martins
UM OLHAR PRA DENTRO
De agora em diante olhe pra dentro.
Olhe bem lá dentro,
Enxergue que existe sentimento,
Não aumente o desalento.
Use a bússola do encantamento.
Faça uso do GPS do contentamento.
Radiografe sentimentos e
Ultrassonografias de ressentimentos.
O esforço da convivência que cada um trás,
Esconde do outro a tristeza fugaz.
O julgamento atroz,
Contempla a fúria do algoz.
Olhar pra dentro da gente,
Esquece o alheio de repente.
Frustra a alma contente,
Joga soda na aguardente.
Cada qual com seu problema,
Cada um com seu dilema.
Julgar faz a alma pequena,
Agiganta-se quem recebeu a pena.
As pedras nos caminhos e
Os espinhos das jornadas,
São gotas de roda moinhos,
Das lutas desesperadas.
A pena recebida no limiar da vida,
É pesada e às vezes atrevida.
Os desvios são raros e dolorosos,
Só se salvam os dons mais amorosos.
É preciso aprender a compreender,
Aceitar que deslizes vão acontecer.
Nem severo, muito menos masoquista,
Aceitar que é mais um na grande lista.
Respeitar a igualdade e a lealdade,
Rejubila a dignidade e a felicidade.
Condena-te de seus atos de maldade,
Encarcera os ditames da vaidade.
Construa alicerces de humildade,
Faça laços com os tecidos da caridade.
Busque afeto e o sustento da amizade,
Veja em Cristo o que é ter simplicidade.
Élcio José Martins
FESTA NO CÉU
O céu está em festa.
Muita alegria com cantoria e seresta.
A casa celeste anda animada,
Tem muita gente chegando,
Outros, ainda estão na estrada.
29 de junho, aniversário de São Pedro,
Os anjos prepararam uma festa em segredo.
Os artistas convidados foram os ídolos brasileiros,
Uma Justa homenagem ao nosso santo Padroeiro.
O salão celeste já estava enfeitado,
Pra receber São Pedro, esse santo muito amado.
Os artistas brasileiros já estavam preparados,
Para cantar seus sucessos, juntos e misturados.
São Pedro chega cedo e muito feliz,
Acena pra todos e nem uma palavra diz.
Sua, sagrada, cadeira vermelha o espera,
É cadeira de Rei, São Jorge bem dissera.
O bate-papo rolava solto nesse instante,
Era uma alegria estonteante.
São Pedro com um sorriso radiante,
Saboreava um suave vinho frisante.
É chegada a hora do show mais esperado,
A orquestra se prepara no belo palco enfeitado.
O público se aglomera no salão improvisado,
Era a primeira vez que São Pedro era aclamado.
Antônio Marcos dá início ao espetáculo,
Com a canção, Oração de um Jovem Triste.
Carlos Alexandre canta com um sorriso no olhar,
Eu vivia Sozinho Sem Ter um Alguém pra me Consolar.
Cássia Eller encantou com Palavras ao Vento.
A ideologia de Cazuza foi o tema do momento.
Clara Nunes com Sivuca levantaram poeira,
Fizeram São Pedro levantar-se da cadeira.
Elis Regina sempre um açoite,
Foi divina, a Sensação da Noite.
Evaldo Braga escondeu o Pranto num Sorriso.
Embriagou-se com a paz no Paraíso.
Gonzaguinha estava no Lindo Lago do Amor,
No Porto Solidão Jessé rezava com fervor.
Maysa com ADEUS e Chanson D’Amour,
Agradeceu, poeticamente, o seu Santo protetor.
João Paulo libera o seu Reino Encantado,
Canta com Leandro o hino, Temporal
Do Amor Nas Noites de Sábado.
Noite Ilustrada fala pra morte. “Pena de Mim não Precisava”,
Inezita, meio sóbria, não largava da marvada.
Paulo Sérgio reclamou que Seu Destino Desfolhou,
Raul Seixas declama: “Um Dia a Terra Parou”.
Renato Russo entre A Cruz e a Espada,
Jair Rodrigues sobe ao palco em Disparada.
Tim Maia traz a paz cantando que
Tá Tudo Azul na Cor do Mar.
Altemar Dutra com suas músicas para amar.
Nelson Gonçalves disse que quase morreu com Saudades da Amélia.
Orlando Silva também filosofa que, “Tudo São Caprichos do Destino”. brincando com a Cornélia.
Vinícius de Moraes e Tom Jobim poetizam e
Tomam conta da garrafa de Whisky.
Dalva de Oliveira bebeu na Taça do Esquecimento.
Pery Ribeiro é amigo do Rei e Isto é Fato Consumado.
Agepê, distante, Mora Onde Não Mora Ninguém.
Wando Acha Estranho Essa Tal Liberdade.
Emilio Santiago se esparrama no Chão de Estrelas.
Silvinha, com seu Lacinho Cor de Rosa, reclama de
Nara Leão sobre a Viola Quebrada.
Buchecha sempre foi um carrossel de emoções.
Mamonas Assassinas montam o Jumento Celestino.
Carmen Miranda à mesa com as cantoras do rádio,
Comem Canjiquinha Quente.
Dorival Caymmi paquerou a Vizinha do Lado.
De repente chegam mais dois ídolos:
Jerry Adriane e Belchior.
Abraçam todos os amigos.
Cansados da viagem, pedem colo e abrigo.
Eram tantos os brasileiros que os anjos aprenderam o português.
Final da festa São Pedro,
com a face molhada da chuva da emoção,
pediu uma última canção:
Que todos os artistas, juntos,
Entoassem a canção de sua preferência:
O palco foi pequeno. Enfeitado de azul, acolheu todos.
Cantaram entusiasticamente a canção,
“AMIGOS PARA SEMPRE”.
Saíram todos felizes e caminharam,
De mãos dadas, pelo jardim celeste,
Esperando o amanhecer e
Cantando a poesia da felicidade.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
EM BUSCA DA PAZ
Caminhei por caminhos certos,
Obscuros e incertos,
Fui água nos desertos,
Insensatez de espertos.
O tempo é a cura,
Ou a espera de bravura.
Semente de ternura,
De aventura e desventura.
O que busco ainda não sei,
O que achei por certo conquistei.
Acho que um dia amei,
Com firmes passos, não desanimei.
Ouço boleros de saudade,
Do tempo de mocidade,
À espera da idade,
Pra encontrar felicidade.
Cada encontro, um desencontro,
Preciso entender do ponto,
Pra não deixar sabor do espanto,
Suspiro calmo, ao ritmo do canto.
O que tem atrás da curva,
Espero parreira e uva.
A mão que pede a luva,
Ara a terra e espera a chuva.
O peito tá apertado,
Da dor do corpo atropelado.
Delírios de sonhos manchados,
Desejo louco do sonho sonhado.
Ao som romântico, um recital,
De Juan Gabriel e Rocio Durcal,
Afaga a alma e adormece o mal,
Da dor que chora o emocional.
Até quando! Até Quando!
Sem rumo e sem mando,
Destempera a alça do comando,
A solidão na multidão, uma luz se apagando.
O tempo passou,
Nas alegrias por vezes trafegou,
Das fatias fatiadas, pedaço ficou.
No quarto escuro a alma chorou.
Nas desventuras da vida,
Pede-se uma nova partida,
De coragem atrevida,
Conquistar a paz distraída.
Não sei se é agrado ou desagrado,
Não sei se é leve o peso do fardo,
Que por tantas vezes carregado,
Fez escaras no coração magoado.
Chorar por dentro é água represada,
É a mentira da alegria deslavada.
A busca da conquista conquistada,
Das muitas portas abertas, uma delas está fechada.
No entardecer da vida,
Ainda há tempo e sobrevida.
A hora pede compreensão e decisão,
Mudar de vez pode agradar o coração.
O respeito não pode faltar,
É o espelho e o espelhar,
É amigo do olhar,
É o sabor que enfeita o paladar.
Reclamar de tudo,
É aparar barba de barbudo.
A mesma cara do carrancudo,
Fere aos poucos. É pedrada sem escudo.
Choro por dentro,
Choro de dentro.
Quero o alento,
Por mais um pouco não aguento.
Quero a paz no medo,
Quero o amor e o aconchego.
Subo aos céus e peço arrego,
Dê-me a paz, o caminho e o sossego.
Livre-me dos apegos do passado,
Livre-me das promessas, o pecado.
Anjos meus tragam um recado,
Escrito bem grande como AMAR E SER AMADO.
Élcio José Martins
CONSTRUTOR DO AMOR
Sou o amor em cada pétala de flor
Sou o amor naquele que dá amor.
Sou o amor que traz a esperança,
Sou o amor no sorriso de uma criança.
Sou o amor no orvalho da manhã,
Sou o amor que enobrece a campeã.
Sou o amor na rima e na canção,
Sou o amor que dá luz ao coração.
Sou o amor nos poemas de verão,
Sou o amor na mão de quem dá o pão.
Sou o amor de Jesus anfitrião,
Sou o amor na igreja, no casebre e na mansão.
Sou o amor que caminha ao seu lado,
Sou o amor combatendo o pecado.
Sou o amor em cada refeição,
Sou o amor em toda ocasião.
Sou amor que abre a porta e a janela,
Sou o amor na cidade e na favela.
Sou o amor da bíblia e do alcorão,
Sou o amor em toda religião.
Sou o amor no verde da floresta,
Sou o amor nas noites de seresta.
Sou o amor no leito dos hospitais,
Sou o amor das pessoas especiais.
Sou o amor no mar a navegar,
Sou o amor no avião a decolar.
Sou o amor no plantio e na colheita,
Sou o amor até em quem não me aceita.
Sou o amor naquele que me procura,
Sou o amor na mão que cura.
Sou o amor em cada coração,
Sou o amor que traz a inspiração.
Sou o amor na busca do perdão,
Sou o amor no amor e na paixão,
Sou o amor da família e do irmão,
Sou o amor na razão e na emoção.
Sou o amor no lar dos idosos,
Sou o amor dos cuidadores generosos,
Sou a amor em cada decisão,
Sou o amor na oração e comunhão.
Sou o amor que pede proteção,
Sou o amor que pede união.
Sou o amor que pede compaixão,
Sou o amor que pede compreensão.
Sou o amor dos santos,
Sou o amor dos encantos.
Sou o amor dos sonhos,
Sou o amor dos risonhos.
Sou o amor da liberdade, igualdade e fraternidade,
Sou o amor da bondade e da caridade.
Sou o amor da justiça e da lealdade,
Sou o amor pra salvar a humanidade.
Sou o amor na rima do compositor,
Sou o amor na voz do cantor.
Sou o amor na oração do padre e do pastor,
EU SOU O CONSTRUTOR DO AMOR.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
AMOR À PRIMEIRA VISTA
Chegou sem dizer nada,
Não podia ser porta errada.
De mansinho conquistou,
Um coração flechou.
Duas almas de juntaram,
Dois corações se apaixonaram.
Abraços e beijos trocados,
Eternos namorados.
Das duas, uma só alma,
Sem estresse, tudo se acalma.
Dos dois, um só coração,
Sem regra, sem razão,
Só o pulsar da emoção.
É suor de malhação,
É o esfregar da dança de salão.
É o roçar de mão,
É o beijo de supetão.
E ainda mais se amaram...
Embebedaram-se do mel,
Com volúpia gargamel,
De êxtase sobiram ao céu,
Pernas e braços, o escarcéu.
Com o amor e o desejo se casaram,
E desse amor louco se encontraram.
E ainda mais se amaram,
Dos desejos soltos novamente se embriagaram.
E ainda mais se amaram...
Cúmplice cama dos pecados,
Cálidos beijos molhados,
Lençóis esparramados,
Vertigem de lustres dourados.
No chão, na lareira, na esteira,
No bico da mamadeira.
Suor, corpos molhados insaciados,
Sussurros de versos inacabados.
E ainda mais se amaram...
Élcio José Martins
Élcio José Martins
ALÔ NATUREZA
Acorde, levante, abra a janela
E dê bom dia ao sol.
Este, sempre bate a sua porta.
É só deixa-lo entrar.
Iluminará sua alma,
Aquecerá seu coração.
Se não vier o sol, virá a chuva em canção,
trazendo a água benta da chegada do verão.
Lava a alma das nódoas dá vida atribulada,
Transforma a tristeza no perfume da relva molhada.
Saúda a beleza da manhã mais esperada,
Faz cantar alto os passarinhos na palhada.
A natureza tem seus encantos,
De brilhos, cores e pirilampos.
Ungida pelo sagrado sacrossanto,
Rega a vida e lava o pranto.
Alô Natureza!
Traga sua beleza,
Alegra quem tem tristeza,
Levanta quem tem moleza.
Deus criou os animais,
O Universo, as flores e os matagais.
Nos criou como os mais iguais,
Pediu que nos amemos sempre mais.
Acorde, levante, abra a janela
E dê bom dia ao sol.
Se não vier o sol, virá a chuva em canção,
trazendo a água benta da chegada do verão.
Alegra a alma irrigando o coração.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
MINHA RAINHA
Abraçá-la-ei com a ternura de meu abraço,
Beijarei seu retrato na pintura de Picasso.
Confortá-la-ei na candura de meus braços,
Amá-la-ei no orvalho do terraço.
Farei de ti moldura na parede,
Pintá-la-ei de azul e verde,
Repousá-la-ei no trançar da rede.
Temperá-la-ei com mel e azeite verde.
Costurá-la-ei com linho raro,
Dar-te-ei o zap do baralho,
Fechá-la-ei em copas e ouro,
Presenteá-la-ei com a ilha do tesouro.
Dar-te ei a estrela mais brilhante,
Ofuscarei a lua dos amantes,
Enfeitá-la-ei com pérolas e diamantes,
Exibirás com o seu charme provocante.
Farei conhecê-la o mundo inteiro,
Dar-te-ei a tranquilidade dos mistérios do mosteiro.
Dar-te-ei o luxo dos palácios de reis e rainhas,
Escolherei as estrelas mais belas como madrinhas,
Enfim,
Pedirei ao céu
Para cobri-la com o seu véu,
Élcio José Martins
Élcio José Martins
AUSÊNCIA
O distraído tropeçou,
No lapso da consciência.
Sentiu a dor da ausência,
Da total inexistência.
A apartação do distanciamento,
Foi escasso desaparecimento.
Do sumiço privativo,
Pede a carência o curativo.
A exiguidade do tempo,
Desse seu alheamento,
Fez da vida esquecimento,
Do apertado apartamento.
Esse mundo de apartação,
Unido na separação,
Traz no bojo privação,
Paz e amor, abstração.
Absentismo da carência,
Foge do raio a coerência.
Na exiguidade do tempo,
Trouxe ao indivíduo o esquecimento.
O distraído tropeçou,
No lapso da consciência.
Sentiu a dor da ausência,
Da total inexistência.
A escassez do nada,
Faz o caminho da manada.
Chama os seus de camarada,
Tenda e lona, sua morada.
O distraído tropeçou,
No lapso da consciência.
Sentiu a dor da ausência,
Da total inexistência.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A ROSA
Esta rosa é poderosa,
Tá por cima toda prosa.
Dois dedinhos de prosa,
Faz a conversa ser gostosa.
Já foi cupido do amor,
Já foi a cura da dor.
Já foi loucura de amor,
Já foi o despertar de um grande amor.
A mais bela de todas,
Embora não aceites.
Enfeita bailes e bodas,
É a rainha dos enfeites.
A cor já não importa,
Seu perfume o amor transporta.
Sua pétala é pluma leve,
É a beleza do cair da neve.
Flor dos amantes,
De jardins, vales e montes.
De palácios exuberantes,
De amores inebriantes.
Tem ternura feminina,
E jeito de menina,
Tem o olhar que fascina
E sorriso que contamina.
Tem na cor sua beleza,
Um aspecto de riqueza.
Seu lugar na natureza
É primeiro com certeza.
O jardim esta florido,
Sorriso largo e definido.
O buquê de alarido,
Fez o amor mais aguerrido.
É remédio que acalenta,
É doçura que contenta.
É perdão que a alma alcança,
É a paz e a esperança.
Élcio José Martins
