Coleção pessoal de elciojosemartins
Élcio José Martins
FAMÍLIA
Família tem contorno de ilha,
De avó, de mãe e de filha.
Tem o pão e o amor que compartilha,
Tem lição e instrução de cartilha.
A família é o esteio,
É o início, o fim e o meio.
É a avó com o coração cheio,
É o avô com as brincadeiras de recreio.
Família é a razão da vida,
Calma, suave ou atrevida.
É só perdão mesmo em bola dividida,
Só desiste dos seus, quando termina a partida.
É a rosa mesmo que o espinho doa,
É o calor mesmo ao tempo e na garoa.
Mesmo longe segue na proa,
Tem família severa e aquela que ri à toa.
Família é segurança,
É o ritmo da dança.
É a fé e a esperança,
É o sorriso e a alegria da criança.
Família é porto seguro,
É a liberdade cercada de muro.
É o verde fruto maduro,
É o amor latente, eu juro.
Família é o remédio e a cura,
É o ornamento de ternura.
É o médico que afasta o tédio.
É o lar, não importa o tamanho do prédio.
Família é a busca no aperto,
Na discórdia, no erro ou no acerto.
É a melodia do concerto,
É o símbolo que não precisa de conserto.
É a calmaria nas temidas tempestades,
É o amor no ceio das maldades.
É o entender das tenras falsidades,
É o afagar dos sonhos, dinamitando as vaidades.
Fujo, corro e escondo,
Pra mim, sou um estrondo.
Mas quando nada sai redondo,
É na família que acabo me recompondo.
Família é o astro que brilha,
É a lar recheado da mobília.
É a alegria dos pássaros cantarolando,
É raiz, é vida, É DEUS que está provando.
Élcio José Martins
Despedida sem ida,
Élcio José Martins
Dos caminhos percorridos,
Às vezes distraídos,
Soluços deveras atrevidos,
Laços de amores construídos.
Do nascer e crescer,
As mãos a aquecer.
Um coração a compreender,
O que a vida fez-me ver.
À noite antes de dormir,
Beijo na face e com o cobertor cobrir.
E de um afago me permitir,
Receber o riso do seu sorrir,
O berço que balança,
Uma alma de criança.
Vem no ritmo da dança,
O amor, o carinho e a esperança.
Como uma flor que cresce,
No meu jardim floresce.
É um anjo do céu que desce,
Num coração que aquiesce.
O tempo me deu rasteira,
Já longe da mamadeira.
Cresceu linda e faceira,
Quer agora deixar de ser solteira.
Do nosso amor vivido,
Desse tempo bem provido,
De um amor bem resolvido,
Sou um orgulhoso assumido.
Filha! Siga agora o seu caminho,
Mas não esqueça o seu ninho.
Aqui sempre terá o amor e o carinho,
Quiçá que venha um netinho.
Não perdi uma filha, ganhei um novo filho,
É uma nova família que do meu amor compartilho.
É a pureza d’alma que partilho,
Pinceladas de verniz pra iluminar o brilho.
Minhas lágrimas são de alegria,
Elevo-me alto nessa alegoria.
É como uma carta de alforria,
Dividir com todos, nossos momentos de nostalgia.
É um voo com asas de sonhos,
Noites afins com sorrisos risonhos.
Lágrimas e soluço tristonho,
É uma ovelhinha que deixa o seu rebanho.
Fica a alegria da terra cultivada,
Da bela semente semeada.
Uma colheita premiada,
Veio ao mundo pra ser amada.
A saudade já faz doer,
Como fazer o coração entender!
Uma nova vida vai renascer,
É muito amor pra tudo isto acontecer.
Vai! Volte quando puder e quiser,
Estaremos aqui para o que der e vier.
Desfrute, grite, cante, dance mesmo se não souber,
A alegria não pede nada, nem um centavo sequer.
Voe nas asas da imaginação,
Ande pelas veias do coração.
Navegue pelos rios da emoção,
Valorize cada passo dessa linda união.
Receba meus filhos o abraço de gratidão,
É um pai feliz que sempre estenderá a mão.
Peço ao Rei dos mundos que lhes dê a proteção,
Fazendo de suas vidas, duas vidas em comunhão.
É uma despedida sem ida,
Uma partida sem saída.
Uma bela noite de sono bem dormida,
Uma embriaguez nesse momento permitida.
Leve-me tudo, esse doce ciúme,
Deixe-me a ressaca de seu perfume.
Leve-me tudo, leve o encanto dessa flor,
Deixe-me o que tens de melhor. Deixe todo o seu amor.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
Atos e Distratos
A regra num mundo sem regra,
Tem regra quem faz a regra,
Segue a regra quem não tem regra,
Foge da regra o contra regra.
A teoria que me deste,
Do caminho que me fizeste.
Curvas e retas em teste,
Jardim de sonhos floresce.
Dos atos e formatos firmados,
Vestes de farrapos ornamentados.
Pérolas aos porcos trocados,
Lanternas nos porões iluminados.
Penso se existo de fato,
Soltura de rojões de artefatos.
Barulhos vendidos baratos,
Templos de rimas e boatos.
Na construção do tempo,
Perde o tempo quem é lento.
Pobre do crente que acredita.
Da cachaça do milagre que palpita.
Dos distratos construídos,
Dos discursos rasos e falidos,
Pequenos sonhos permitidos,
Nas promessas nos rincões dos desvalidos.
Jogo o jogo da ilusão,
Egos e planos, sensação.
No tempero sem esmero e emoção,
Destempera a melodia da canção.
Encontros e desencontros casuísticos,
Nascimento lúdico de dons artísticos.
Vende o céu com as estrelas mais brilhantes,
Bussola e GPS aos felizes navegantes.
Nos caminhos de andantes errantes,
De virtudes raras e distantes,
Fere a narrativa dos contratos vibrantes,
Distrai o medo do soneto dissonante.
A teoria que arrepia,
É água que corre na pia.
Some rápida e rasteira,
Escondendo o rancor da sujeira.
Sem mão e contra mão,
Cada um com seu sermão,
Corre solto o palavrão,
Da distraída educação.
Fica um gole de esperança,
Lá no amor de uma criança.
Fugir da regra e cair na dança,
Tudo é igual, tudo é mera semelhança.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
UMA MARCA PRA VIVER
Quero uma marca pra viver,
Uma marca pra crescer,
Outra marca pra vencer.
Quero uma marca pra valer.
A cicatriz da queimadura
É um traço da aventura.
Uma donzela em formosura,
Deixou as marcas da doçura.
Uma ferida que não fecha,
É a lembrança que o tempo deixa.
Pode ser boa e sem queixa,
Ou mágoas que a lágrima enfeixa.
O atleta tem que treinar,
Pra uma marca alcançar.
A marca é o altar,
Do atleta exemplar.
Se a camisa é de marca,
A beleza se destaca.
Mas a marca às vezes encharca,
Nas humildes tiras de alparca.
A marca simboliza grandeza,
Simboliza presteza e pureza,
Jorra o licor da gentileza,
É nobreza no jardim da realiza.
Mas o feio também marca.
Marca com ferro quente,
Dilacera o que vem na frente,
Embriaga o poder da mente.
Quem não tem marca registrada,
Por certo saiu da estrada.
Não cumpriu sua jornada,
Fugiu da raia em disparada.
A marca mede o homem,
O homem faz o seu rumo.
Seu rumo o tempo encarrega,
De fazer o pacote que vai para entrega.
A sociedade é pouco justa, mas severa,
E nem tudo tolera.
Na prisão dos boatos encarcera,
Nos caminhos difusos atropela.
Há a marca das feridas da cela,
Do pelego, do cavalo e da sela.
Dos crimes de colarinho que a Lei cancela,
Do poder que só o governo apodera.
Quem dera a marca fizera,
A Justiça que Deus impusera.
A marca do justo eu quisera,
Acabar com o temor da miséria.
A marca que o tempo constrói,
E a mesma que o indigno destrói.
Se não cultuada no amor,
Enrolaras no terço da dor.
Quero uma marca pra viver,
Uma marca pra crescer,
Outra marca pra vencer.
Quero uma marca pra valer.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
GUARANÉSIA 116 ANOS
116 anos se passaram,
Histórias boas muitos contaram.
Dos sonhos que seus filhos sonharam,
Com muita luta muitos deles se realizaram.
Hoje ela é realidade,
No campo e na cidade.
Humilde e sem vaidade,
Abraça o velho e a mocidade,
De mãos dadas com o progresso,
Nas indústrias faz sucesso.
Mesmo com a distância e o acesso,
Mostra ao mundo o seu processo.
Na arte da madeira,
Sempre sai na dianteira.
Tece armários e prateleiras,
São cristais e cristaleiras.
Na arte da construção,
Tem cerâmica e proteção.
Pedreiros livres de prontidão,
Erguem seu nome pra orgulho da nação.
Fez seu nome ecoar alto,
Mesmo com estradas sem asfalto.
Não há abismos nem sobressaltos,
Tem fôlego de sete gatos.
As indústrias têxteis se prosperaram,
Famílias inteiras por elas passaram.
Primeiro emprego. A data ficou marcada,
Primeiro dinheiro e o presente pra namorada,
O comércio tem sua importância,
A agropecuária sua elegância.
Cabines plantou esperança,
Mangueiras jorram pujança.
Doce verde que alegra a alma,
Gotas de orvalho que a noite acalma.
Serras cafeeiras de paisagens exuberantes,
Fixaram aqui filhos nobres e viajantes.
Nossa cidade tem tempero e temperança,
Tem o ritmo e o pulsar da dança.
Tem luz no sonho da criança,
Guaranésia é a paz e a esperança.
Saudamos esta data especial,
Seu nome é pluma em recital.
Parabéns, felicidades e tal,
Esse mês você é a maioral.
Orgulhosamente cumprimentamos,
Prazerosamente regozijamos.
Guaranésia de todos os guaranesianos,
Parabéns pelos seus 116 anos.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
CADERNO DA VIDA
A vida é como a escola,
Primeiro dia, primeira aula.
Caderno, lápis e borracha,
Sorriso nos lábios, a alegria ultrapassa.
Lápis na mão, sem direção,
Linha torta, sem noção.
Professora direciona a mão,
Aos poucos os rabiscos dão vazão.
Folhas em branco
Dão início à transformação,
Letra por letra, o primeiro nome,
Papai e mamãe, quanta emoção!
Página por página, o lápis registra,
Primeiro marco, primeira conquista.
Ano a ano, tudo é registrado,
São as marcas que ficaram no passado.
Passam-se os anos e a idade,
A infância e vem logo a mocidade.
As formaturas e os troféus de felicidade,
O dever, o discernimento e a dignidade.
Assim é a vida,
Um caderno em branco.
Nele se escreve com lápis preto
Ali são gravadas a virtudes e os defeitos.
A história de cada ele mesmo que escreve,
Mesmo com a borracha que se atreve,
Fica a marca do que na folha subscreve.
Élcio José Martins
JOÃO RIBEIRO DO VALLE
MORRE O HOMEM E NASCE A LENDA
Nascido em Monte Santo,
Aqui recebeu seu manto.
Guaranésia lhe deu a mão,
Concedeu-lhe a filha do Capitão.
Aos 22 de setembro de 2017,
Foi a data que Deus lhe deste.
A idade que ha pouco fizeste,
Completava noventa e sete.
Homem feliz,
Tinha funda sua raiz.
Residia perto da matriz,
Sua direção era o seu nariz.
Homem pacato,
Paciente e calmo.
Gostava de retratos,
Nunca tinha sobressaltos.
Pasto formoso,
Gesto garboso,
Homem famoso,
Cabritas com milho mimoso.
Sua marca ficou,
Nos filhos apurou.
Nos netos conservou,
Nos bisnetos muito restou.
Tinha seu carreiro,
Era bom candieiro.
Escondia o paradeiro,
Tinha o fósforo e o isqueiro.
Tirava o seu leitinho,
Cuidava bem do gadinho.
Tinha mansos e de bravura,
Mas ele gostava era do boi Lula.
Trabalhou na prefeitura,
Com esmero e desenvoltura.
Na planta planejou,
Alguns bairros ele formou.
Era ligeiro e faceiro,
Querido e lisonjeiro.
Tinha lá o seu olheiro,
Não descuidava do terreiro.
Conta-se que certo dia,
Viajou em companhia,
De jovens de simpatia,
Infartado ele estaria.
Brincadeiras à parte,
Muito respeito de minha parte.
Plantou amor e saudade,
Guaranésia agradece a sua amizade.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
LIMBO DE MALDADE
ESTOU SÓ.
GARGANTA UM NÓ.
ANSIOSO POR FAZER.
OUÇO UM GRITO DE PARE!
OUVIDOS CHEIOS DE CHORO,
HÁ DONOS DO CHORO?
A COISA TEM DONO. DONO DE TUDO,
SEGUE A REGRA OU É PERJURO.
MALIDISCÊNCIA DESCONSTROI,
NA ALMA QUE DOI.
É O ÂNIMO QUE ROI,
NO FINO FIO QUE CORROI.
NAS COSTAS DELATA,
UM CRIME RELATA.
AMIZADE DE LATA,
QUE FERE E QUE MATA.
A ALEGRIA SE DESFAZ,
NO CAMINHO QUE PERFAZ.
SONHO FUGAS,
DE CERTO FICA PRA TRÁS.
A TAL VERDADE DITA
NÃO PODE SER BENDITA.
NO TOM DE VÓZ QUE RECITA,
É O EGO QUE PALPITA.
É DESUMANA A AGRESSIVIDADE,
BEIRA O LIMBO DA MALDADE.
CHEIRA MAL A CRUELDADE,
EXALANDO FALSIDADE.
QUANDO O EGO SOBREPÕE,
NADA CONTRAPÕE.
NEM O SOL QUE SE PÕE,
ESCONDE O QUE PREDISPÕE.
É UM, MAS PODE SER DOIS,
É FEIJÃO COM ARROZ.
A MISTURA É EXAGERO,
DA INOVAÇÃO SÓ SAI O CHEIRO.
GANHAR E GUARDAR,
GUARDAR E GANHAR.
GANHAR MAIS E QUARDAR MAIS,
GUARDAR MAIS E GANHAR MAIS.
JULGA O CEGO E A CEGUEIRA,
FOGO QUENTE NA FOQUEIRA.
LINGUA FELINA MORDE CERTERA,
BOMBA ÁGUA NA LADEIRA,
DA OUTRA BANDA SÓ TEM RASTEIRA.
RESERVAR PRA NÃO FALTAR
NÃO É CERTO DUVIDAR.
PRA INVESTIR É SÓ GANHAR,
ENTÃO DEIXA DE AMOLAR.
É INVEJA O QUE APREDREJA.
QUER NOTÍCIA NA VEJA.
QUER ANDAR NA BANDEJA,
ROGA AOS SANTOS NA IGREJA.
MESMO TRISTE A BANDA TOCA,
ALGODÃO NO OUVIDO SEM FOFOCA.
A PRESSÃO QUE O CORAÇÃO SUFOCA,
INSTIGA O FUROR DA POROROCA.
O TEMPO QUE ESCREVE,
AS LINHAS DA CERTEZA.
AINDA TEM AQUELE QUE SE ATREVE,
DAR SABOR E PREPARAR A SOBREMESA.
AINDA HÁ OS QUE ACREDITAM,
VELHOS AMORES RESSUCITAM.
QUEM É DONO DA VERDADE, FAZ ALARDE,
PERDE A LÍNGUA DE PIMENTA QUE ARDE.
Élcio José Martins
O RISO E A RISADA
O riso é preciso
Nesse mundo sem juízo.
Onde vale o improviso,
Sem preparo e pré-aviso
A risada é gostosa,
Vem da alma generosa.
Toda linda e toda prosa,
Doce, leve e formosa.
A risada é alegre,
É do alto que se ergue.
É o mar que navega,
Quando o amor se encarrega.
O riso é da criança
No berço que balança.
É no ritmo da dança,
E no fio de uma esperança.
O riso é surpresa que agrada,
Vem da alegria contagiada.
É casa e é morada,
Onde habita a pessoa amada.
Élcio José Martins
TEMPO FINAL
Já tá chegando o Natal, tempo final, conversa e coisa e tal, versa um novo recital. Sai na frente o maioral, subindo lento o pedestal, letras maiúsculas no jornal.
Das promessas prometidas nem todas foram cumpridas. Mesmo com garras aguerridas vence o tempo da partida. O apito final se aproxima, o amor contamina, um novo fôlego germina, ainda há água na mina.
O belo tempo decorrido, às vezes sofrido, momento distraído, foi o prêmio merecido.
Na construção do tempo da ilusão fez bater o coração. Foi razão de ocasião, fase lúdica do canhão, ramalhetes em procissão.
Das canções elaboradas, versos e rimas rimadas, muitas foram cantadas, outras tantas preparadas. Violões e cordas afinadas deram o ritmo da estrada caminhada.
Chegou a hora de fechar a cortina, alma doce de menina, azul céu que contamina. Aqui quase tudo termina. Sobre a obra divina, novo projeto determina.
Ano novo tá começando, novas metas planejando, paz e amor se almejando, vai ser melhor eu estou acreditando.
Élcio José Martins
DESMANCHANDO OS NÓS
Cada qual com o seu nó,
Cada árvore, o seu cipó.
Alegria de Filó,
Ao sair do xilindró.
Aprisionado das ideias,
Velhos lobos em alcateias.
É João, Maria e Miquéias,
Francisco, Dirceu e Oséias.
Confúcio confuso,
Corrupção difusa.
Juízo perdeu juízo,
A política usa e abusa.
O nó tá apertado,
Por cima, por baixo e de lado.
Mas o Moro dá o recado,
Rato julgado, fichado e condenado.
A vergonha envergonha,
De tamanha safadeza.
É o macho que morde a fronha,
Homem público perdeu destreza.
No fim do túnel ainda há luz,
É um novo cristal que reluz.
Um novo tempo se reproduz,
É o amor, é a paz. É Jesus que morreu na Cruz.
Élcio José Martins
RESSACA BOA
Final de ano de muita festa,
De comida, bebida e seresta.
Não tem hora pra acaba,
No outro dia a ressaca que vai fica.
Tem ressaca boa,
Que a gente ri à toa.
Tem ressaca da consciência,
Que vem cheia de advertência.
Tem ressaca da bebida,
Do licor e da comida.
Tem ressaca atrevida
Pega gente desprevenida.
Tem ressaca do vexame,
Por quebrar o vasilhame.
Tem ressaca de doer,
Só o analgésico tem poder.
A cabeça tá doendo,
E o intelecto tá fervendo.
Por saber o que está acontecendo,
Nessa hora vem o arrependimento.
Esta é a última,
Não tem penúltima.
Peço a cura, sem demora,
Da promessa que faço agora,
Final de ano é alegria,
Encontro de mãe, pai, irmão e tia.
Amigos por simpatia,
Dançam ao som da melodia.
É momento de encontro,
Com direito a ficar tonto.
É permitido sair do ponto,
É poesia, poema e conto.
Essa ressaca não tem preço,
Veio recheada de adereço.
Vem do abraço de quem conheço,
Tem fim, tem meio e tem começo.
É ressaca da lembrança,
Dos amigos de confiança.
Pois é só entrar na dança,
Pra fazer do amor a aliança.
Se a noite foi bela,
A ressaca cinzela.
Se a festa foi boa,
A ressaca ri à toa.
Fim de ano é alegria,
De ressaca todo dia.
Fim de ano do bom encontro,
Não importa passar do ponto.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A PRIMEIRA IMPRESSÃO É A QUE FICA
Há pessoas que são iluminadas,
Só pela presença já são amadas.
Possuem um brilho no olhar,
Ouvimos seu coração sem ouvir o seu falar.
De repente, mais que de repente,
Encontramos pela frente.
Uma alma doce, uma face quente,
É o oculto que se faz presente.
Uma imagem que assanha,
Um sorriso e um olhar que acompanha.
Alma pura que antecipa,
Aquilo que o coração palpita.
A primeira vista é bem vista,
Paisagem lúdica de revista.
Presença marcante contamina,
Gesto meigo de menina.
Uma imagem fica marcada,
Fotografia pincelada.
Na corrida já deu largada,
A amizade já tem morada.
É encanto de primeira,
Sua flecha é certeira.
Mostra amiga e companheira,
Sua conquista sempre sai na dianteira.
Carrega sempre um belo corpo escultural,
Face rósea de sorriso natural.
Contagiante e magistral,
Trás simpatia e um brilho alto astral.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A ILUSÃO DOS SONHOS
Na madrugada
Despertei pra vida
No novo amanhecer
Um novo nascer
A alvorada
Canta entusiasmada
Na manhã com certa manha
Entrego-me à façanha.
Ao meio dia da vida
Sem receio e atrevida
Embaralha nas cartas da incerteza
Cheiros e sabores relembra a mesa
À tarde o cansaço
Na rédea do baião
Na fita com laço doce
Embrulha o presente
A noite pede passagem
O sol já está distante
É a calma em calmaria
Descansar do ardo dia
No escuro o sono chega
A alma que benfazejas
São rios de belezas
Dos tropeços e proezas
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A INCENSATEZ DO NADA
A vida atribulada,
Meio atrapalhada,
Mesmo toda governada,
Fica algo pra outra jornada.
Pra tudo falta um fim,
Tiro de festim,
Lâmpada de Aladim,
Aspirante com espadim.
Tempero sem sal,
Ego do bem e de mal.
Escada em espiral,
Lapso temporal.
Cheiro de relva seca,
Cozinha sem receita,
Febre de maleita,
À espera da colheita.
Juízo sem juízo,
Lábios, boca e sorriso,
Jardins do paraíso,
Lágrimas de sobre aviso.
Busca de algo, será o quê?
Sem resposta, qual o porquê?
Mas tudo teima em querer,
Quer um novo caminho a percorrer.
Poeira levantada,
Berros da manada,
Camisa suada,
Pedras na calçada.
Porta estreita e selada,
Desvios de encruzilhadas,
Doutrinas empilhadas,
Vestes esfarrapadas.
Honestidades descarrilhadas,
Nádegas sem palmadas,
Cócegas de risadas,
Mandatários de privadas.
O brio sem brilho,
Egos afiados no esmerilho,
Dedos firmes no gatilho,
Pátria mãe perdeu seu filho.
Águas turvas da incerteza,
Contar notas com destreza,
Cueca perdeu nobreza,
Virou baú da esperteza.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
O DESCARTE DE UMA VIDA
Nasceu na fazenda Descarte.
Seus avós moraram lá.
Seus pais da Europa pra cá,
Sua esposa também se instalou lá.
Na lida do campo foi campeão,
Cultivou o alimento do patrão.
Café, cana, arroz, feijão,
Tudo teve seu amor e os calos de sua mão.
Madrugada, já estava na lida,
O orvalho molhava sua pele cuspida.
Suor e lágrimas vendidas,
Pra levar o pão à família construída.
O trabalho era pesado,
Anos e anos de um tempo apagado.
Por certo tempo ainda teve respaldo,
Valeu da força e seu suor sagrado.
Mas nem tudo é permanente,
Sol nascente e sol poente,
Sorriso sorridente,
E lágrimas descontentes.
Como um animal para o descarte,
Que o tempo apagou sem arte.
Na fileira para o abate,
Triste espera de quem o remate.
Aposentadoria de pobre,
Apesar do tempo nobre.
Vê na família o desamparo,
O máximo que pode é um três no baralho.
A demissão cortou na carne,
Perdeu a classe pelo desarme.
A tristeza nas linhas da idade,
Vê no retrovisor os rastros de maldade.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
CLUB RECREATIVO E ESPORTIVO DE GUARANÉSIA -CREG - 100 ANOS - (17/04/1917 -17/04/2017)
17/04/1917 a pedra fundamental era plantada,
Praça Dona Sinhá seu endereço e sua morada.
Um sonho de outrora se realizou,
Bem cedo à sociedade conquistou.
Cem anos perpassaram,
Causos e amores por lá passaram.
Muitos filhos também geraram,
Grandes orquestras os dançarinos animaram.
Foi local de grandes encontros alusivos,
Famoso pela organização dos eventos festivos.
Local de disciplina, respeito e fascinação,
Grandes homens de respeito participaram de sua gestão.
É guardado a sete chaves bem dentro do coração,
Foi palco de alegria, nostalgia e emoção,
É orgulho da cidade por manter a tradição,
Por anos a fio cumpriu sua missão.
Seu espaço tem beleza de Raiz,
Charlatão não metia o nariz.
Abençoado pelos santos da matriz,
Recebeu a água benta dos jatos do chafariz.
O cafezinho preparado todo dia,
Feito com esmero e simpatia.
Construído na mais fina harmonia,
Palco da dança, da musica e da poesia.
Cem anos de história,
Cem anos de glória.
Um livro escrito em cada coração,
Fez sua história como um grande anfitrião.
Também teve percalços,
Vestiu Luis XV e chegou ficar descalço.
Uma mancha em sua história,
Sorte que foi atitude provisória.
Fica a saudade. Realização dos sonhos,
Quiçá mais cem anos risonhos.
Novas mãos, novos gestores,
Mesma crença, mesmos santos protetores.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A MENTIRINHA BOA
Qual é o poder da mentirinha?
Ela é da sociedade, não é sua e nem é minha.
Ela está em todo meio,
Ninguém sabe de onde veio.
Umas são covardes e maldosas,
Outras, doces e amorosas.
Uma mata, outra cura,
Depende da cultura e da lisura.
A mentira é o contrário da fofoca,
A fofoca é verdade doente que estoca,
Faz doer, deixa encrenca pra valer,
Traz angústia, tristeza e padecer.
A verdade pode ser boa,
Mas pode não ser!
A verdade pode doer,
Mas às vezes tem que dizer.
Nem sempre a verdade é boa.
Ela pode doer muito. E à toa.
Esconder de algo insano,
É, com certeza, um ato humano.
O próprio relacionamento
É feito de mentiras e omissões.
As verdades são balas de canhões,
E as mentirinhas, balas de paixões.
Como estou? Você está linda!
Nossa! Fulano falou muito bem de você.
Mas aquela fulana tá chick hein!!!
Nem me fala! E aquele ...?
Assim é a vida.
Todos, de uma maneira ou de outra,
Escondem e se escondem,
Para que as amizades permaneçam...
A educação nada mais é do que adaptar-se.
Aprender truques e fazer meandros.
Tolerar e aceitar o outro como ele é,
Mesmo com a vontade de mandar para aquele lugar...
Contar até mil. Pensar, pensar e harmonizar,
Dizer palavras doces e meigas, amenizar.
Brigas jamais, apaziguar.
Um beijo na face para o encontro triunfar.
Existem as mentiras que trazem prejuízo,
São verdades ocultadas pelo medo do guizo.
Medo de como o outro agirá,
Melhor escondê-la porque já sabe o que virá.
Fuja das mentirinhas interesseiras,
São de pessoas delicadas, meigas e açucaradas,
Mas o interesse é uma rasteira,
São escoladas, treinadas e mascaradas.
Existem as mentiras que trazem prejuízo,
São verdades ocultadas pelo medo e juízo.
Medo de como o outro agirá,
Melhor escondê-la porque já sabe o que virá.
Se puder evitá-las, melhor será,
Se não puder evitá-las, seu coração que te dirá.
O importante é um coração contentar,
Ver um sorriso e uma face se alegrar.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
A INTERROGAÇÃO DA CURVA
O que tem depois da curva?
Pode ser o monstro que uiva,
Ou o santo que cuida.
É São Cristóvão que ajuda.
A interrogação persiste,
No medo que existe.
Não tem regra nem palpite,
E nem Lei que eu acredite.
O que tem de lá,
Não pode ser o que tem de cá.
De cá é o que conheço,
De lá virá o que mereço.
Rezo a reza, rezo o terço,
Vida longa que eu mereço.
Tempo de ida e recomeço,
Vejo a curva pelo avesso.
Interrogo o tempo,
Interrogo o maestro do tempo.
Perco a hora, perco o tempo,
Faço contas, quero mais tempo.
Curva leve a acentuada,
Com descida e encruzilhada.
Estrada da vida transitada,
Pelo amor e a intolerância malvada.
Pequenos automóveis na estrada,
Cruzam carretas desgovernadas.
Estradas esburacadas,
Ceifam vidas estruturadas.
Vem o medo e some o riso,
Irresponsabilidade sem juízo.
Na placa tem o aviso,
Seu freio é seu paraíso.
Mas na curva da ilusão,
Tem caminho e direção.
Afoga as mágoas da emoção,
Tem o amor que acelera o coração.
O câmbio que muda a idade,
Troca marchas de sonhos e saudades.
Quinta marcha dos Casebres de bondade,
Pede a ré os rincões da falsidade.
Mas tem a curva da fé,
Homens justos ficam de pé.
Foi Maria e foi José na manjedoura de sapé,
Que deu ao universo Jesus de Nazaré.
Élcio José Martins
Élcio José Martins
LEITE QUENTE
Leite quente dói o dente e
Queima a língua da gente.
Com chocolate é um presente,
Leva o frio e afaga a mente.
O sabor do leite quente,
Tem um jeito eloquente.
Abre um sorriso sorridente,
Tem o vício da aguardente.
Leite quente é diferente,
Difere enormemente,
Do dialeto falado normalmente,
Vem do sul a palavra cantada contente.
De cor branca e puramente,
Faz viver o ser nascente.
É calma no frio cantante,
Com chocolate faz a gente mais elegante.
Vem da brasa e do fogo quente,
Vem da dádiva do peito latente.
Para não ser uma mãe negligente,
Nutrirás seu filho com afeto e leite quente.
Élcio José Martins
