Coleção pessoal de BrendaOliveira

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Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.

Para viajar basta existir.

As vezes fica tudo assim aluviado
Tudo assim tão misturado
Tudo e nada ao mesmo tempo
É um ser e não ser, onde tudo é apenas quase
e nada é o que parece ser
Nesses momentos, os sentidos me confundem e entorpecem o que restou da minha racionalidade
Palavras ficam soltas pelo ar, e são ditas mesmo quando o verbo está ausente
A essência do existe ultrapassa os rótulos dos dicionários
Me permito ir além, pois sei que a loucura real é ficar presa aos limites da definição.

As vezes me pego assim oscilante,
em algum lugar bem distante
Fujo dos meus pensamentos,
tento pensar em algo diferente
e escondo meus quereres debaixo do tapete
Sei que algumas coisas permanecerão como estão,
outras nunca mais serão as mesmas
Nesses momentos de melancolia,
esqueço dos passos que já dei
e de tudo que já sei
Quero apenas viver algo
que tenha haver com liberdade
sem saudade
sem distancia
sem talvez

Eu guardo em mim
Um deus, um louco, um santo
Um bem e o mal

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver

Sou essa mistura de rocha com folha ao vento.
Sou assim, metade partindo, metade ficando.
Nada, nem palavra alguma podem me definir, eu sou plural, inconstante e borboleta.

E no meu coração ao invés de paz, a inquietação.

Tão correto e tão bonito, o infinito é realmente um dos deuses mais lindos.

Cansei de esconde-esconde e agora só te quero onde,você e eu possamos ser outra vez:"nós".

Ainda não sei ser...permaneço estando.

O que eu mais temo e mais desejo: ser decifrada.

Era apenas um apenas isso, agora existe um antes e um depois, existe o divisir de águas.
Coisa sem nome, sem descrição e permanentemente sem noção.
Depois de você não existe consciência, não existe julgamento, existe apenas uma mistura de vontades e uma sintonia de pensamentos.
Sao palavras ditas no silêncio, nesse silêncio onde não existe vazio.
É como se desmanchar e permanecer inteira.
É viver o indizível.
É um esvaziar para tornar-se plena.
É um caminho que queremos, apesar de não sabê-lo.
Não existe definição para o nosso querer, pois definir é limitado.

Dia de neblina
Novidade com rotina
Lembranças tão vagas
Sentires tão confusos
Pensamento vagando
Sei que as vezes sem querer
Olho para trás
Para ver se o passado continua em seu lugar
E ter a certeza de que não está me seguindo novamente
Cansei do caminho que me suga
Cansei porque não me leva a lugar algum
São apenas circulos
E eu me encontro sempre no mesmo ponto
São sempre as mesmas interrogações
Algo não está no seu lugar
As minhas vontades estão aqui
Gritando dentro de mim
A minha natureza não aceita esse estado tão inerte
Essa coisa que não mexe com meus sentidos
Sei que falo de tanta coisa ao mesmo tempo
Sei que sou assim tão misturada
Sei dos meus quereres se fundindo, se partindo, se querendo ainda e nunca mais
As vezes sei que nem caibo em mim, me estrapolo, me derramo
Mas o que fazer com esse meu ser, é assim que sou.

Às vezes a impressão que tenho
é a de que estou me perdendo dentro de mim mesma
não sei se sou pequena demais pra caber tudo o que sou
Ou se é muita coisa transbordando de dentro de mim
Não me contento com aquilo que me pede pra ficar parada
Vivo de mãos dadas com o movimento
Amo a liberdade
Então se me ama, não me podes
Não queira que seja aquilo que não sou
Não me aperte entre os dedos
Sou essa eterna mistura
quem me conhecer vai acabar se perguntando
ou tentar ficar juntando
a delideza da minha face com a fúria dos meus pensamentos
Sou louca porque me aceito
Sou louca porque não rejeito
aquilo que vem de dentro de mim
Me permito sim
Misturo em mim outros seres
Misturos os meus sentidos nos meus sentires
E amo o resultado dessa combinação

A impressão que tenho
É que me partiram em duas
E que metade de mim
Está em algum lugar
onde não sei
Eu precisava saber
E soube
Não foi bom
mas foi bem melhor que o meio termo
e bem melhor que a dúvida
Sei que disse o que precisava ser dito
então não guardarei mais um arrependimento
Apenas mais uma decepção
Posso não saber qual o proximo passo
mas sei para onde não caminhar
e pra onde não devo voltar

Sempre ao te ver
Sinto os sentires de tempos atrás
Mão gelada
Coração aflito
Pensamento no infinito
E o corpo inteiro querendo você
Me deixo envolver
Fico inebriada com a tua face
e com o toque suave da tua mão
Sou a confusão dos teus pensamentos
mas é impossível esquecer nossos momentos
e das vezes que nos entregamos sem medo
Deixemos de lado essa coisa de racionalidade
vamos banir de vez a saudade
e a distância que descontenta o meu coração
O caminho da fulga de nada nos adiantou
Ao contrário, sempre nos reaproximou
Quero me deixar levar, pensamentos, fazeres e quereres
Cansei de esconde esconde
E agora só te quero onde
Você e eu possamos ser outra vez, nós

Quando penso que vai, vem.
Quando eu penso que chegou, me partiu.
Quando eu penso que me juntei, me espalho.
Quando penso que aterrissei, ainda estou em pleno voo.