Coleção pessoal de audreyponganborteze
Eu queria consolar a Mariana , eu queria consolar a Victoria, eu queria consolar todas as garotas que tiveram o coração partido por ele depois de mim. Eu queria consolar todas as garotas que ele ainda vai partir o coração com seu amor de papel e falsas declarações de amor. Eu queria abraçá-las e dizer que o mundo não terminaria ali, que o mundo é muito grande , e que há tantos outros amores por aí... Queria dizer que às vezes temos que suportar a tempestade para vermos o arco íris.
Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
Agora parece que até eu achar alguém que beije melhor, que seja mais legal, que seja mais fascinante que ele , todos os beijos que eu receber, eu vou comparar com os dele, todos os caras que eu conhecer, eu vou comparar com ele, e cada perfume que eu sentir até lá eu vou desprezar, porque não será o perfume dele. E eu vou imaginá-lo como herói de todos os romances que eu ler até lá. Até esse momento chegar, ele vai estar eternizado na minha alma, como se eu o tivesse escrito com tinta permanente no meu coração.
E quanto a ele...Ele já foi perturbação , já foi arrepio , já foi flor e espinhos. E acho que no fundo ele é mais espinhos do que flor , talvez por isso amá-lo seja sangrar de corpo e alma. Ele é instável, sendo às vezes brisa , às vezes tempestade e é tão mutável, tão volúvel, que jamais daríamos certo, mesmo que tentássemos por mil anos.
Hoje foi um dia engraçado, pois eu me peguei tentando lembrar das músicas que relacionei a ele e ri alto por lembrar de apenas duas entre dezenas. Outrora aquelas músicas pareciam definir minha vida, como se as palavras desenhassem a trajetória da minha história com ele, como se ao serem cantadas espalhassem o meu amor pelos ares. E ele era a minha vida, as músicas eram pedaços fragmentados de minha própria alma e agora eram só palavras ao vento. São engraçadas essas voltas que a vida dá.
Ele ficou me esperando como um cavalheiro e isso fez com que eu me derretesse por ele. Ele conversava animado sobre as pessoas à nossa volta, mas eu não ligava para elas. Na verdade, eu queria congelar todas as pessoas ali exceto nós e beijá-lo até o coração se revirar do avesso, as pernas fraquejarem e eu me derreter tipo manteiga no chão do estacionamento.
Ele riu de uma maneira deliciosa e isso fez meu peito ficar em fogo, como se fosse uma fera selvagem que eu tentasse domar. Eu ia repreender minha felicidade boba mas me contive. Há quanto tempo eu estava repreendendo minha felicidade e não a deixando ser plena, ser livre, flutuar nos céus como balões ? A vida era muito curta e talvez um amigo meu estivesse certo quando disse que devemos nos permitir sentir, deixar o coração ser selvagem, como na música do Belchior, e se libertar das amarras da razão.
Eu riu após enviar uma frase provocante com reticências. Assim mesmo, com reticências, o que fez eu me debulhar, virar espuma e escorrer para o chão frio da noite. Eu quis gritar para ele não usar reticências comigo, se não eu ia virar espuma, se não eu ia me apaixonar. Queria dizer que reticências eram o meu ponto fraco, que ele me deixou frágil e como eu fui dele durante aqueles dois minutos de torpor. Naqueles dois minutos que ele me fragilizou, ele poderia fazer o que quisesse comigo que eu pertencia a ele.
Eu gostaria de dizer como os meus olhos brilharam, que o meu coração saltou e que minha alma flutuou, flutuou no ar como um milhão de borboletas. Gostaria de explicar a sensação de ter um sonho realizado; o sonho de uma vida. Eu adoraria explicar tudo isso mas eu não posso, pois há coisas que fogem da lógica e das palavras e não conseguem ser explicadas, só sentidas , sentidas como o sopro do vento no rosto e a água do mar na pele.
A poesia não está nos versos, por vezes ela está no coração. E é tamanha. A ponto de não caber nas palavras.
Um livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem.
O fato é que eu sinto. Sentir, algo que eu não fazia há muito tempo, como se minha sensibilidade fosse uma rosa congelada pelo inverno e ao receber os primeiros raios de sol da primavera, ela renascesse e eu sentisse tudo: a vida correndo por minhas veias, o amor girando no ar, esperando para ser sentido, compartilhado e vivido, e a adrenalina que só os adolescentes conseguem entender, misturada com uma vontade absurda de ser livre em uma madrugada de sexta- feira.
Talvez ele tenha me traumatizado com os aeroportos para sempre. Talvez eu esteja estragada e nunca mais consiga voltar a ser inteira. Talvez eu não consiga mais entrar num aeroporto e sentir a leveza e a calma na alma , e só consiga sentir angústia. Não sei. Talvez até Fagner esteja certo quando diz que "o amor deixa marcas que não dá pra apagar". Mas não fique triste por mim, porque eu não estou. E apesar de tudo, essa é minha vida: brilhante, surpreendente, poética e louca. Talvez o futuro seja azul, azul como o céu, o mar, o amor e a música do Djavan. Quem sabe tenha amor e poesia , ou quem sabe seja repleta de tragédias e escuridão, traumas e angústias. Eu não tenho como saber , mas nesse meio tempo eu aposto: aposto no sol que brilha, no amor que consome, nas músicas que alegram , nos sentimentos que nos salvam , nas escolhas que nos definem, e na sorte.
Somos feitos de "quases" eu e você . Feitos de quase beijos , quase toques, quase romance, quase amor. Porém, eu sou egoísta e não me contento com migalhas. Não gosto do ameno , o morno me entedia e o opaco me dá sono. Não posso ser sua quase amiga ou seu quase amor. E no meio de toda essa confusão de afabilidades, obséquios e cortesias somos o que, afinal ? Futuros amantes, talvez. Amor parcelado, chove não molha, beijos tácitos e devaneios...
As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito.
A vingança tarda, mas não falha, e ela é doce e amarga ao mesmo tempo, como uma taça de vinho tinto seco nas noites de inverno, tanto arrepia quanto satisfaz, mas te entorpece e te envenena, fazendo você querer aquilo cada vez mais.
Desde o momento em que ele entrou na sala, seus olhos não deixaram meu rosto. Chico Buarque diria que "ele me comia com aqueles olhos de comer fotografia" mas não era bem assim, pois seus olhos eram mais insistentes, mais selvagens. Eu corei inteiramente, mesmo tendo visto a cena com o canto do olho.E corada permaneci por uma hora, que foi o período que seus olhos iam e vinham me me analisando. Eu sei que você vai dizer que é impossível uma pessoa ficar corada por uma hora, que não é lógico, mas meu bem, amar não é nem nunca foi lógico, e se já foi, com certeza não era amor.
Ontem eu ouvia Arnaldo Antunes cantando "socorro, não estou sentindo nada" e eu sorria aliviada porque era verdade, não havia amor, nem dor. Porém, hoje o dia amanheceu ao contrário porque aquele cara me mandou uma mensagem e agora eu grito por socorro, porque eu sinto tudo como um misto de amor, medo, frustração e desespero. Com uma mensagem ele virou meu mundo do avesso, mas isso me assusta porque e se o avesso for meu lado certo?
Achou que ela iria te querer, meu bem? Ela queria, ela queria romance, ela queria flores, ela queria gestos bonitos de vez em quando. Você a machucou, tantas e tantas vezes. E agora ela quer...quer perdas e danos, quer ação de regresso, quer compensação pelo tempo que ela perdeu. E agora ela quer...quer tudo menos você
Esse meu amigo estava carente e desesperado para sair da solidão. Eu queria abraçá-lo e dizer que a arte do amor é diferente, que o amor é uma borboleta colorida; quanto mais você a persegue,mais ela voa para longe, mas quando você se distrai, ela pousa silenciosamente em seu ombro, que o amor é a arte do encontro entre tantos desencontros que há pela vida, que amor a gente não mendiga.
