Coleção pessoal de audreyponganborteze

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O mau elemento

Eu olho pra sua tatuagem e pro tamanho do seu braço e pros calos da sua mão e acho que vai dar tudo certo. Me encho de esperança e nada. Vem você e me trata tão bem. Estraga tudo.Mania de ser bom moço, coisa chata.
Eu nunca mais quero ouvir que você só tem olhos pra mim, ok? E nem o quanto você é bom filho. Muito menos o quanto você ama crianças. E trate de parar com essa mania horrível de largar seus amigos quando eu ligo. Colabora, pô. Tá tão fácil me ganhar, basta fazer tudo pra me perder.
E lá vem ele dizer que meu cabelo sujo tem cheiro bom. E que já que eu não liguei e não atendi, ele foi dormir. E que segurar minha mão já basta. E que ele quer conhecer minha mãe. E que viajar sem mim é um final de semana nulo. E que tudo bem se eu só quiser ficar lendo e não abrir a boca.
Com tanto potencial pra acabar com a minha vida, sabe o que ele quer? Me fazer feliz. Olha que desgraça. O moço quer me fazer feliz. E acabar com a maravilhosa sensação de ser miserável. E tirar de mim a única coisa que sei fazer direito nessa vida que é sofrer. Anos de aprimoramento e ele quer mudar todo o esquema. O moço quer me fazer feliz. Veja se pode.
Não dá, assim não dá. Deveria ter cadeia pra esse tipo de elemento daninho. Pior é que vicia. Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar. Dei de achar que mereço ser amada. Veja se pode. Anos nos servindo de capacho, feliz da vida, e aí chega um desavisado com a coxa mais incrível do país e muda tudo. Até assoviando eu tô agora. Que desgraça.
Ontem quase, quase, quase ele me tratou mal. Foi por muito pouco. Eu senti que a coisa tava vindo. Cruzei os dedos. Cheguei a implorar ao acaso. Vai, meu filho. Só um pouquinho. Me xinga, vai. Me dá uma apertada mais forte no braço. Fala de outra mulher. Atende algum amigo retardado bem na hora que eu tava falando dos meus medos. Manda eu calar a boca. Sei lá. Faz alguma coisa homem!
E era piada. Era piadinha. Ele fez que tava bravo. E acabou. Já veio com o papo chato de que me ama e começou a melação de novo. Eita homem pra me beijar. Coisa chata.
Minha mãe deveria me prender em casa, me proteger, sei lá. Onde já se viu andar com um homem desses. O homem me busca todas as vezes, me espera na porta, abre a porta do carro. Isso quando não me suspende no ar e fala 456 elogios em menos de cinco segundos. Pra piorar, ele ainda tem o pior dos defeitos da humanidade: ele esqueceu a ex namorada. Depois de trinta anos me relacionando só com homens obcecados por amores antigos, agora me aparece um obcecado por mim que nem lembra direito o nome da ex. Fala se tão de sacanagem comigo ou não? Como é que eu vou sofrer numa situação dessas? Como? Me diz?
Durmo que é uma maravilha. A pele está incrível. A fome voltou. A vida tá de uma chatice ímpar. Alguém pode, por favor, me ajudar? Existe terapia pra tentar ser infeliz? Outro dia até me belisquei pra sofrer um pouquinho. Mas o desgraçado correu pra assoprar e dar beijinho.

"E eu odeio o mundo por isso, eu acho o mundo muito medíocre, eu tenho pena de todas essas pessoas que não sabem o que é encaixar o rosto no vão das suas costas e querer ser embalsamado ali por mil anos. Amor de verdade não acaba, é o que dizem, mas eu tenho medo. Eu tenho medo de quantos mijos, bocejos, cinzas e óculos de surfistas eu ainda vou ver sem você, eu tenho medo dos meus pedaços espalhados pelo mundo, eu tenho medo do vento passar enquanto eu estou míope, e eu ficar míope pra sempre. Eu tenho medo de tudo isso apagar e o vento levar suas cinzas, desse fogo todo ser de palha, como dizem. Da dor que se dissipa a cada respirada mais funda e cheia de coragem de ser só. Eu tenho medo da força absurda que eu sinto sem você, de como eu tenho muito mais certeza de mim sem você, de como eu posso ser até mais feliz sem você. Pra não pensar na falta, eu me encho de coisas por aí. Me encho de amigos, bares, charmes, possibilidades, livros, músicas, descobertas solitárias e momentos introspectivos andando ao Sol. E todo esse resto de coisas deixa ao pouco de ser resto, e passa a ser minha vida, e passa a enterrar você de grão em grão (…)"

Tive um déjà vu,a impressão, ou será que a esperança?, de que tudo não passou de um pesadelo, que não tinha realmente acontecido,que ele ainda seria meu, não dela, que quando eu o visse ele ainda me faria rir, me tomaria em seus braços e diria o quanto eu era sua. É o que teria acontecido em um livro, seria um pesadelo, um engano, um terrível engano, mas isso aqui é vida real. Tentei conter as lágrimas , mas a dor era tanta que transparecia,irrompia, explodia por mim. Não cabia em mim. Eu era pequena demais para tanta dor.

Depois daquele fora, daquele choque, daquela ofensa, eu comecei a rir de maneira histérica. Ele pediu se eu era louca e me deu as costas.Continuei rindo por mais um tempo, porque rir era a única coisa que eu me permitia fazer, porque eu ria para não chorar, porque rir de tudo é desespero.

Eu o procurei por todos os lugares, do palco até a porta, das mesas até os banheiros , e nada, ele não estava em lugar nenhum além de em meu pensamento. E parecia incrível , mas todos os caras ao meu redor tinham seu perfume , sua risada ou sua fisionomia. Ele nublou meus olhos, por isso todo cara que eu via se parecia com ele , ele confundiu minha mente, e desde então eu não pensava em mais ninguém, ele mexeu no meu coração , e daquele momento em diante me impossibilitou de amar qualquer pessoa que não fosse ele.

Começou a tocar "por você"na voz de Frejat no rádio e se eu já estava derretida, eu caí, eu mergulhei, eu me afoguei nas calmarias arrasadoras do amor. Eu o beijei com doçura e ele correspondeu, e eu segurei o "eu te amo" para não explodir em palavras, em versos insanos e em sentimentalismo. Segurei porque a menor demonstração de sentimentalismo poderia estragar tudo, podia fazê-lo nunca mais me querer, já que o mundo é dos que não sentem, não amam,praticam a lei do desapego como se fosse essencial para a sobrevivência da espécie humana. O que eu queria mesmo era gritar que eu o amava, que ele era minha fraqueza, meu delírio, minha droga preferida, que por ele eu faria todas as coisas que Frejat dizia na música e ainda mais, que devíamos ser felizes agora porque amanhã ninguém sabe...Mas só o que consegui foi deitar a cabeça no ombro dele e ficar sufocando com as palavras que eu não disse.

Tudo era tão simples e podia dar tão certo!Eu e ele, isso bastava para dar certo, o resto do mundo não tinha nada que ver com isso. A gente conversava,a gente brigava, a gente ria e isso bastava para dar certo.Não importava a opinião dos outros, não era preciso orgulho, nem disputas, nem ciúmes.O amor de verdade é simples, as pessoas é que são complicadas...

Eu sou tão fria, tão centrada em mim mesma, focada em meus objetivos, séria, e aí chega essa pessoa que magicamente me faz meiga, me faz doce, quebra minhas barreiras,e isso tudo vindo me dar um simples "oi", vindo dar "oi" com o sorriso mais escandalosamente lindo do mundo.

Muitas vezes perdemos a possibilidade de felicidade de tanto nos prepararmos para recebê-la. Por que então não agarrá-la toda de uma vez?

E se me perguntar o porquê de dar um tapa nele eu nem sei dizer. Foi resultado de ele ter me deixado, foi resultado de ter vindo atrás e pedido perdão, foi o fruto de meu orgulho venenoso que se misturou a uma saudade traiçoeira. Foi o amor gritando para ser ouvido nas trevas que eram o meu coração.

Meu amor, mais do que qualquer coisa hoje,eu quis te escrever. Quero, mais do que quero, anseio, necessito escrever o que sinto, o que sufoco mas não demonstro, o que me rói e não me destrói por completo, o que se passa nessa confusão que é minha cabeça. A primeira carta foi de amor, a segunda de saudades e essa terceira eu intitulo de "dúvida". São tantas as dúvidas que nos cercam, não é mesmo? Como posso saber se o seu amor não é de papel, que pode se desfazer com a primeira tempestade ou ir embora com a ventania? Como confiar em você de novo?

É um jogo esse que estamos jogando, e o estamos jogando com amor e orgulho, ciúmes e sedução, frieza e amizade, desejo e ilusão, manobras impensadas e estratégias. E em meio a todas essas disputas, antíteses e paradoxos, amor e orgulho, o meu medo é somente quem vai dar o xeque-mate no final.

E ao ler aquela mensagem e vê-lo ali, eu quase morri, quase derreti igual manteiga, quase desmaiei ali mesmo na rua. E estava tão fraca, frágil, e eu era tão dele e ele nem sabia, nem sabia o que se passava em meu coração, eu era como flor levada pelo vento, sendo eu a flor e ele a ventania que me levava pela noite.

E olhando o ipê florido dava para perceber a renovação que era a primavera, era como uma segunda chance para a natureza, as folhas caíam no outono, morriam no inverno e na primavera renasciam, davam flores. Era como se a natureza quisesse dizer que todos mereciam uma segunda chance. Mas será que essa segunda chance se aplicava a todos, independentemente dos erros? E até onde ia o orgulho que me impedia de perdoar? Até onde ele valia a pena? E se a direção correta fosse o caminho do amor? E se fosse necessário o perdão? Talvez o amor fosse necessário, porque a vida era simplesmente tão bonita e tão passageira e ninguém sabia como ia ser o dia seguinte. Amanhã a gente morre e não viveu, não lutou, não amou, tudo por orgulho. O orgulho é bom, mas, em excesso, envenena o coração.

Queria te contar tanta coisa ! Contar o quanto doeu, o quanto eu sofri todo esse tempo, te contar de como minha melhor amiga teve que aguentar meus choros e dramas, contar da festa surpresa que fiz para minha mãe. Queria que você entendesse Shakespeare e Vinícius, queria te contar do primeiro dia de aula, de minhas expectativas e frustrações, de como uma música funk começou a tocar no meio da aula, fazendo todos caírem na gargalhada, até o professor. Mas acho que estou perdendo a noção de ridículo de te escrever ainda, de sentir saudades e de te amar.

Na primeira semana só chovia, amor, dentro e fora de mim, com relâmpagos incessantes e trovões arrasadores; e eu não comia, não dormia, não conseguia respirar! Na segunda semana deixei a ansiedade e a agonia me roerem por dentro e por fora, e na terceira eu entrei em uma rotina exaustiva, tomando saudade de café da manhã, dor de almoço e agonia de jantar, levando para cama sua ausência, algumas lágrimas mal contidas e gotas e mais gotas de rivotril para conseguir dormir.Porém nessa quarta semana eu só sinto paz... Chame de conformismo se quiser, chame como preferir, mas eu chamo esse novo e elevado estado de espírito de paz.

Eu prometi, jurei até que não iria lhe escrever, que ia deixar a saudade me matar, me sufocar por dentro, ir me matando um pouquinho a cada dia ao invés de lhe escrever. Só que eu também avisei que após escrever a primeira carta está tudo perdido: aí escrevo a segunda, a terceira, a quarta e isso se torna um ciclo viciante do qual não posso fugir. Escrever faz parte de mim, e infelizmente, te amar também.

Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores!

Então não se espante se na próxima vez que me vir eu tiver um sorriso largo demais no rosto , um perfume diferente ou uma aura radiante . Não ache estranho minhas risadas espontâneas demais ou um jeito de ser novo que você não conhecia e que até mesmo eu desconhecia. Sobretudo não estranhe eu passar por você e te tratar não com muita atenção , não com frieza, mas com a mais pura normalidade e desatenção como se você fosse uma pessoa comum , a mais comum das criaturas. Tudo isso é sinal de que estou sendo amada, e por alguém que não é você.

Com o tempo falar com você foi ficando mais fácil e as vezes eu tinha a impressão de que podia te contar tudo . Mas não podia . Não podia te contar como depois de falar com você ficava toda boba e vendo flores no ar, nem que ficava com aquele frio na barriga que parecia que ia me consumir mas não consumia e nem que você me tirava o sono e me deixava acordada por horas e horas pensando em você . Eu não podia te falar nada disso que você ia sair correndo assustado pelo excesso de sentimentos que havia em mim , como que para compensar a falta que havia no resto do mundo .