Coleção pessoal de Amontesfnunes
ACORDADO
Penso acordado e me vejo dormindo
penso dormindo e me vejo acordado
... Durmo todos os dias
quando é noite, esteja quente,
esteja fria.
Sonhando pela noite
não me vejo dormindo
quando eu penso que vou acordado
o sono esta voando... Vindo, vindo...
Ele vem me trazer sonhos
do meu tempo acordado
mostrando-me o abandono
nos momentos, dos olhos fechados.
Dormindo amanheço acordado
acordado amanheço vivo...
Tentando se manter olhar aberto
e olhos fechados me traindo,
e o sono me envolvendo em sonhos
para mostrar-me todavia...
que eu vivo dormindo.
Antonio Montes
AÇOITE DE UMA NOITE
Em dia de feriado
e em fim de semana
zanza gente pelas ruas
dando uma de bacana...
Embrenham-se em suas hipnose
com seu cheiros, agulhas e dose
e como foguetes pelas ruas
descontrolam-se na velocidade
demarcando com as peles suas
os asfaltos das cidades.
Veículos se tornam ameaças...
Pelas mãos das suas burrices
em momento, todas alegrias
em segundos... Mundo triste,
o choro agora é tardio
o descuido é só um pavio
para a vida que não existe.
Se vai o custo de alguns anos
no preço poker de uma noite
se vai o viver de muitos planos
no cachê do plano torpe.
agora, cadê fulano...
Tornou o piscar em foice
a saúde ficou na lembrança
do seu tempo de açoite.
O futura agora é lagrima
vestindo suas vestes branca
a confiança esta nas farmácias
poupança, da sua herança.
Antonio Montes
DUAS PALAVRAS
A sua frente ,
como gente
que sente,
que mente
conscientemente
a frente
e todavia
é inocente.
Gente
contente
sorridente
pé quente
as vezes se enrola
da o bote bem na hora
eficiente...
Como se fosse
serpente.
Antonio Montes
UM RISO NA FOTO
Você não vê fotos...
Infelizes ou fotos de discórdia
nos álbuns das fotografias,
no álbum de fotografia...
Só se vê fotos felizes
sorrindo
emitindo alegria
ou uma áurea de amor em volta.
A cada pagina do álbum, um
sonho, um riso, no dia da foto...
Uma expressão de esperança
um sorriso meu...
É um bom registro em sua
confiança.
Quantos focos! Quantos sorriso"
isso ou aquilo
na hora da questão
eu só preciso de um riso
para abrir meu peito...
E abraçar o seu coração.
Antonio Montes
VENTO ANDEJO
O vento que por aqui passa..
Venta a venta de todas ventas
venta e sibila na praça...
Venta o cambaleio do ébrio
e o cheiro da cachaça.
O vento que por aqui passa...
Venta flores do jardim
venta a menta do antídoto
as lagoas dos anfíbios
e os dentes da jumenta.
Venta para o lado do sul...
O vento vindo do norte
venta os passos dos fracos
o meridiano do agreste
e a esperança do forte.
Venta a moça na janela
e a serenata lá no chão
venta o desespero do adeus
a costela do primeiro Adão
e as lagrimas da solidão.
O vento que por aqui passa...
Venta o cisco no meu chão
venta, com vento da saudade
as vezes espanta a verdade
e o pulsar do coração.
O vento ventou a chuva
e molhou sem dizer não
ventou semente germinando
menino na biqueira banhando
na cumeeira do sertão.
Ventou o pasto do gado
no curral e lá no cercado
ventou o leite da vaca
o plantar com a matraca
p'ra criar o seu criado.
Ventou a marcha do cavalo
em ploc, ploc no caminho
ventou a densa solidão
o escuro do Lampião
quando ele estava sozinho.
Ventou a linda rima
do poema com calor
a prosa o vento ventou
a areia no deserto soprou
junto as estrofes do amor.
O vento que por aqui passa...
ventou nuvens e os escarpados
ventou o rumo do caminho
as letras dos pergaminhos
e os passos lá do passado.
O vento que por aqui passa
já ventou na cor escura
no mourão e nas correntes
nas chibatas das serpentes
e nos pulsos das criaturas.
Vento andejo, vento andejo
vento andejo sim senhor!
Já ventou n'aquele carvalho
inventando todo entalho
para a cruz do redentor.
O vento que por aqui passa
já ventou tudo sim senhor...
Ventou o inicio do mundo
as pedras das manjedoura
e o choro do criador.
Antonio Montes
DICIONARIO
Deu bote
fez o rombo
saiu no tombo.
Boto desafiado
redondo embotado
absolto abobado.
Rotulo, rotundo rombudo
abotoado operante, tem de tudo
cego obtusado, agudo sem fundo.
Obtuso estúpido rude
tolo arredondado grude
ignorante desafinado funde.
Antonio Montes
DEIXE O GATO
Vai embora... Deixe o gato
e leve o cachorro contigo
o gato cairá melhor,
na hora do meu desatino.
Pelo menos o gato, não vai ladrar
quando a saudade me bater
nem ecoará o seu grunhido
na hora do meu chorar.
Ele ficará calado
observando o meu coração
ali quieto do meu lado
curtindo minha solidão.
Não imitirá um rosnado
para quebrar o meu silencio
já o cachorro, coitado
ficará também propenso.
Vai embora... Leve o cachorro
ouça o que eu tenho p'ra falar
o cachorro, chorará seu choro
na hora em que você chorar.
Antonio montes
OS DENTES
A boca com seus dentes, sente...
Sente os dentes, entre dentes
estridentes, pacientemente quentes
sob nevoa calados, calmo, contente
... Rindo esboçados a frente...
Como placa de lata no batente.
Os dentes comoventes sentem
medo frio, como se tivesse no rio
tremor ardente sob tempo quente.
Um dia, ainda darei um trato...
Com dentes de pente, nos meus dentes
afiarei com afinco e finco contente
quando meus dentes ficarem decentes
tal qual, pontiagudos como dentes
de serpentes.
Nesse dia, minha gente...
todos irão ver como o gato mia
e a mordida pode doer
quando e feita com os dentes
e aplicada em você.
Antonio Montes
A GARGANTA
A garganta... que manta!
Mata ata e arrebata,
uma santa que canta
em segredo, silencia o medo
ou aponta o seu agudo
desembainhando
os seus enredos.
Garganta santa...
As vezes grita,
as vezes embala
as vezes cala sob sala
em aglomeração entre tantas
sai da vala
do casulo
cai no mundo
se embala.
Um dia entalou a fala
desencantou,
foi ao doutor
que adotou fervor,
e ao seu horror...
Desentalou.
E a garganta cheia de tema...
contem trema poesia
contem poema,
e diadema
de todos os dia.
Tem dia que se sente pequena
na reunião se abrevia
na feira...
Prega pragueja
e o povo aglomera
com sua frieira
e em sua frenesia.
Faz baderna na bodega
no palco...
Recita, narra
se solta, se amarra
... A garganta
tem lá as suas marras
seus agudos...
Grave, leve
seus encantos breve.
Todavia o mundo é movido
... Quando a garganta pia...
Ela amarra, desamarra
ela arrasta na marra
ameaça, faz fumaça
a garganta traça
como traça
e tece o amor
e a desgraça.
As vezes esta carinhosa
mansa, amansa
cai dos enredos
revela seus segredos
a garganta começa
logo cedo
cedo...
Muito cedo.
Antonio Montes
FIASCO
Seis passos
seiscentas jardas
seis mil diabos...
Quiabos cutilados
cortados enviados
pelos correios
cavalos alados,
sem freios
acelerado a reios
... Com arreios.
Tantos estalos
pelos asfaltos...
Sacos amarados
miados de gato macho
capados
escapados como gado
comendo pelo prado
afiados
fiado...
fiasco.
Antonio Montes
SE FOSSE, TALVEZ
Se fosse reinado, se fosse rei,
se fosse reinado... Talvez, talvez, talvez
talvez se fosse reinado, mesmo brega
mesmo piegas, talvez...
Não desviariam as nossas moedas
... Nossa moedas colhidas nas mãos
imposta sob impostos, posto com desgosto
... Nossas moedas tolhidas nas maquinas
colhidas nas rosas, em taipa ou palhoça...
Se fosse reinado, talvez, talvez...
Não roubariam as moedas nossas.
Se fosse reinado, talvez, talvez...
Nosso gostos, nossos impostos
estariam aqui, talvez, talvez não voavam
pelas mãos de poucos para pousar e serem
desfrutado, do lado de lá, e com isso...
Propagar a misera do lado de cá.
Se fosse reinado, talvez, talvez...
O nosso condado, teria ética e seria
respeitado, teria vergonha, princípios
e todos seriam bem vistos pelos...
Cristos do lado de lá.
Se fosse reinado, talvez, talvez...
não seriamos pobres atiçados no
calabouços da misera, talvez, talvez...
Estaríamos de pé no pódio inventado
pelos pensadores dos dividendos.
Se fosse reinado, se fosse reinado....
Talvez, talvez não existiria advogados
para advogar os desvios das mãos
de todos os coitados, e assim, o
parlamento não comemoraria o babel
de dono ou hospedado no grande hotel.
Se fosse reinado, se fosse reinado...
Talvez, talvez, não existisse tristeza
sem lagrimas tal como existe, nesse
mundo tão rico, e ao mesmo tempo
... Tão triste.
Antonio Montes
DISSE ME DISQUE
Disse me disse
disse não disse
pisque com sua esquisitice
e fique triste
ou não pisque.
Disque...
Me disque
trisque se arrisque
se estique, visse
deixe de tolice
não se espiche
no estrimilique.
Antonio Montes
PRESTOS
Meus prestos...
Eu presto
e empresto,
sem protestos...
Para o empréstimo
reto...
E esse manifesto
eu detesto,
esse treco no esboço
que já vem posto
em bandéco...
Sou um pobre moço
todo insosso
não tenho troco
não tenho gosto
quando penso perto
me peteco.
Antonio Montes
SONO E SONHO
O sonho dentro do sonho
despertou o sono.
O sonho dentro do sono
Despertou do sonho, que:
Sonabolisava em silencio
que sonhando sonhava
idôneo em seu navegar,
dentro do sono...
E acordava do sono
em pesadelo medonho.
Antonio Montes
PRA VIDA INTEIRA
Meu pai... Nunca escreveu,
uma carta para minha mãe
analfabeto, não sabia escrever
também não era intérprete,
mas cantava linda canções de amor
todas direcionada p'ra mamãe.
Cantava meio fora de tom é claro
o forte dele não era cantar
mas cantava pelo amor cantava
pelo amar...
para minha mãe, ele sabia cantar.
Ele amava-a com fervor no coração
amava com amor e paixão,
eu me lembro, eu me lembro...
Meu pai interpretava, vários cantor,
entre eles, ele interpretava:
Vicente Celestino
Nelson Gonçalves,
Orlando Silva e outros.
Meu pai tinha pela minha mãe
aquele amor, bobo, abestalhado
aquele amor de uma vida inteira
aquele amor que, morrendo
morre... Amando, amando.
Antonio Montes
ONDA E MOLA
A onda ronda
por onde anda
a onda da moda
da moda que anda.
A moda manda
até de capanga
mesmo repetida
a moda da vida
um dia desanda.
A moda na moda
só anda na onda
na onda na moda
na ginga da mola
no tempo e na hora
na mola que amola.
Antonio Montes
ARESTA
Pelas ruas, passos, passadas apressadas
foram trocados por... aglomeração
e impedimento em hora do pique.
Que se piquem em sua pressa
que rasguem as suas promessas
de velho, de novo, disso dessa...
Sua testa, existe calombo, sem ovo
d'aquela para o mês que vem
derrubando-me em sua aresta.
Nem tudo esta mudado...
Ruas calçadas candelabros
feira ao tempo, de tempos passado
antes, clarão de lampião no fogo
grito no escuro, era rogo.
Hoje, LED, a energia elétrica
estampido nas sombras, zombam
balas perdidas que arrombam
tombam vida na avenida...
Olhos não viram, ninguém viu
para a família resta uma ferida.
Antonio Montes
LIGA DA PONTE
Toda ponte...
Tem uma fonte d'água,
que por ela passa...
Toda molhada.
Toda ponte...
Tem uma liga, que me liga
que te liga, que ela liga...
com abraços e mãos dadas
... E suas passadas.
Antonio Montes
BEIJO DO TEMPO
Beijo, beijo... Muitos beijos!
Quantos beijos com desejos...
Em tempo de muitos anseios,
os beijos nunca foi meio
e cobriam muitas palavras.
Hoje, à muito... Beijos poucos
com essa voz já quase rouca
nos lábios murchos da louca
nas bocas mudas das falas...
os beijos hoje embalam
a voz no tempo se cala
com a vida rumando ao nada.
Antonio Montes
EMARANHADO
Primeiros, rumores...
Depois estrondos dores e fumaças
e tudo que foi feito, se desfaz!
Nesse ínterim, a morte se apodera
dos escombros, e as lagrimas vivas...
Banha os seres que restou.
Tantos planos!
Tantos trabalhos por nada!
Tudo se dispersa através de algum tipo
de esquema político... A falta de esperanças,
os desesperos das goelas, e logo mais...
A avalanche de uma grande
e poderosa guerra.
A morte é pela paz...
Para o esquema... Morrer em a granel,
é apenas baixa ética, para um rumo
do caótico mundo, no qual, eles de
cima enriqueceram e agora, estão fora
de seus... Emaranhados imundos.
Antonio Montes
