Cerrado
Cerrado em chamas
Deus é bom o tempo todo,
e deu uma Natureza
que podemos usufruir
tudo desde que seja
feito com inteligência,
Ainda tem gente que não
entendeu que incendiar
a mata é a mesma coisa
do que queimar dinheiro,
não ando mais crendo que
a Humanidade tenha jeito.
A primeira vez que de fato
criei consciência brasileira
foi quando eu vi uma
Arara Vermelha cruzando
o Cerrado enquanto
eu passava pela estrada.
A 'velha novidade' que
o Cerrado está em chamas
continua me rasgando
por dentro porque nada
posso fazer além de chorar,
Pela beleza do Cerrado
ainda há quem não consegue
por ele na vida se encantar.
Os homens de poder
se quisessem de fato
acabar com a destruição
já teriam acabado,
Sei lá, mas acho que
do pequeno ao grandalhão
querem ver o país acabado.
Uma esperança infantil
ainda sobrevive em mim
com a doçura das frutas
e dos memoriais passeio,
De tentativa em tentativa
para religar os afetos
e o apreço pela sobrevivência
sejam resgatados
para preservar ao menos
o último suspiro do Cerrado.
Tarde serena como um
poema de amor onde
o Jacarandá-do-cerrado
me enfeita com as suas
tão lindas flores amorosas,
Não tenho pensado
em outra coisa na vida
que não seja em continuar
sendo feita de fé e poesia.
Noite estrelada e de Lua Cheia
que faz o meu coração alegre
e ao Jacarandá-do-cerrado
graciosamente ilumina,
Agora só falta você do lado
para a gente esquecer da vida.
Acordei na madrugada
com a suave percussão
que vento fazia balançando
o Jacarandá-do-cerrado,
É inexplicável que o coração
continue insistente e apaixonado.
Saudosa pintei uma aquarela
de um Jacarandá-do-cerrado,
Inspirada aqui em Rodeio
no Médio Vale do Itajaí
continuo lembrando do que
traz alegria e amor para o peito
para seguir sempre inspirando
pelo nosso Brasil Brasileiro.
O Ipê-branco-do-cerrado
florescido nesta manhã
faz o meu olhar admirado,
Com o coração hipnotizado
fui escrever Versos Intimistas
para te deixar apaixonado.
Nesta tarde inesquecível
o Ipê-branco-do-cerrado
é a testemunha quando
você veio oferecer o seu
lado mais doce e descarado
e fez de mim o coração
mais plenamente devotado
para eleger seguir ao seu lado.
Madrugada alta e estrelada
e a ventania soprando
as pétalas magníficas
do ipê-branco-do-cerrado
como quem lê cada um
dos meus Versos Intimistas
em busca de pistas
para descobrir a chave
para os melhores dias.
Das auroras matutina
e vespertina sou eu
a poetisa derradeira
do Ipê-branco-do-cerrado
e de todos os ipês
da minha Pátria Brasileira,
Com os Versos Intimistas
tenho escrito a rota
amorosa para que ninguém
se esqueça da nossa
herança de liberdade plena,
sublime, hemisférica e gloriosa.
O meu Ipê-branco-do-cerrado
lido pela aurora matutina
é o meu signo de existência
que em escreve o interminável
poema feito de Versos Intimistas
que põem solenidade nos dias
mais ordinários e os inundam
com inspirações e capturam
outros tantos corações apaixonados.
Os meus Versos Intimistas
florescem juntos com
o Ipê-do-cerrado espalhando
poesias além de agosto
por todos os lados
trazendo para florescer
conosco novos poetas
e corações apaixonados,
Porque o quê importa mesmo
é que o amor e a paixão
sejam ao redor semeados
com sonhos a ser desabrochados,
para que o romantismo sobreviva
e a poesia se cumpra em nós infinita.
O Cerrado está sendo
queimado não é de hoje,
e junto com ele está
igualmente o meu coração,
Não me peça perdão
para quem só promoveu
a destruição porque nasceu
sem um pingo de amor no coração.
Seja na Amazônia,
na Caatinga,
no Cerrado,
na Mata Atlântica
ou no Pampa,
Eu me encontro
com a poesia
profunda desta
Pátria Brasileira
que é o meu amor
para a vida inteira.
O Pampa, a Mata Atlântica,
a Caatinga, o Cerrado
e a Amazônia sob o manto
do Hemisfério Celestial Sul;
A minha Pátria Grande sobre
a proteção dos olhos do Condor,
e quem sabe ganhar o seu amor.
(Não existe mundo melhor)
É noite de Lua Cheia
que atravessa
o quê restou do Cerrado
que pelas
mãos dos Homens
foi quase destruído,
e em nome do lucro
será esquecido
no absoluto do mundo.
Em noites de Lua Cheia
e em dias de Sol,
Ter visto uma arara
sobrevoando o Cerrado
em liberdade
foi um dos primeiros
gigantes sentimentos
que desfrutei
plena como brasileira.
É numa noite de Lua
como está que medito
sobre a minha Pátria
capturada por homens
de espírito mesquinho
que fizeram além
do Cerrado todo o lugar
de respirar desaparecido.
Em noites de Lua Cheia
como esta sinto
a nostalgia do Cerrado
como quem escreve
um soneto de amor
repleto e profundo
que resiste miúdo,
todo triste e encolhido.
BEM E MAL (soneto)
Tal qual gente que vive sem pressa
na correria do tempo, eu vou assim
e nessas de ter-me um, nesta peça
atuo um dia de cada vez, até o fim
Na alta complexidade que não cessa
a turves rompida pela luz do camarim
da vida, reluz o amor que ele expressa
tingindo o cetim do afeto na cor marfim
Sou feliz! É como minh'alma confessa!
Na tristura, a remessa de sorte pra mim
é paz, pois, tenho na verdade, etc e tal...
Então, na falsidade que nada a impeça
a pureza do amor sempre é um clarim
proclamando que o bem vence o mal...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto/ 2016
Cerrado goiano
O POEMA
A obra de um poema é tal a imaginação
Evolam do agridoce de um pensamento
Em disperso vapor, e cintilante explosão
De palavras e quimeras, em um evento
Vidas que saem da vida, em universos
Pó de uma idéia, ao torvelim do vento
Içadas do porão da alma, ali imersos
Grifadas no tempo num só momento
Inventa, tenta, o certo e o imperfeito
Reinventa: fala e cala, o sim e o não
Emaranhadas dentro de um cântico
Mas o verso certeiro este sai feito
Do peito... em salmos do coração
Imortal: em testemunho semântico!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2018, 20 de outubro
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
TORMENTO
Divagando pela veneta
Da noite
Destrancando minha gaveta
Das aflições em açoite
Entre as estrelas e a lua
Na janela das saudades silentes
Em delação tão minha, tão sua
Vou trovando motivos urgentes
Nos lamentos com agrura crua
De um tempo que já se foi...
E neste silencioso agudo
Só a alma põe-se falante
E assim, então, eu a saúdo
Segando o tormento dissonante
Versando a solidão em suspiros rudo.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
06/04/2013, 01’45”
Cerrado goiano
SONETO NA PRIMEIRA PESSOA
O nosso eu, está em constante luta
Que eu em mim, agora vai portento?
Se sou quem sou, não sou momento
Pra ser quem sou, no eu tive conduta
Em nada fiz pro eu estar desatento
De fora ou de dentro, da vida recruta
Se não vago, eu, sempre na labuta
Pois, o tempo é eterno ensinamento
Quem é este em mim que o ser imputa
Pois, o diverso é mais que juntamento
É sentimento, num tal zelo sem disputa
Não hei sabê-lo se houver "divisamento"
Afinal, se há partilha há também permuta
E meu eu: é fé e amor num só complemento
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
10 de agosto, 2016
Cerrado goiano
TAL UMA BOCA QUE DESEJA
Vês? Não sentiste meu soneto amável
Poetizado com a sensação em espera
Somente o desinteresse, em ti impera
Deixando à emoção: tristura inevitável
E, neste poetar de uma paixão sincera
Um amor, aberto, ao coração palpável
Vindo d’Alma, do sentimento inevitável
Uma necessidade, de doce atmosfera
Agora, resta o pranto, o silêncio bizarro
A dor cortante, afastamento, o escarro
Quem um dia amou, todavia, apedreja
Se o meu verso causa inda poética saga
Tu o vês insignificante, ele, que te afaga
Beija, ameiga, tal uma boca que deseja!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 maio de 2023, 18’24” – Araguari, MG
*soneto que dialoga com "Versos Íntimos" de Augusto dos Anjos
