Cerrado

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⁠Família Damasco ,a Eleusina A Eleusina era natural de Goiás, lá do meio do cerrado e toda família com o tempo veio para São Paulo, só ficando os parentes afastados longe desse propósito. Nessa capital todas as seis irmãs se casaram, todas com homens vindo dos rincões brasileiros, um gaúcho, outro descendente de alemão, um italiano, outro ainda libanês, um espanhol ,outro ainda de São Paulo mesmo. As irmãs se falavam, todas tiveram vidas diferentes,as dificuldades eram para todas, as facilidades não. Poderia enumerar as tristezas que passaram, seria longo percurso e uma coisa ocorreu que juntou as irmãs num movimento constante ,o tempo. Este passa e pode se então dizer como foi a vida de cada uma delas, o que aconteceu de especial, como se comportaram em relação à vida que estavam passando, para todas o seu modo peculiar de resolver as dificuldades. A Eleusina, moça bonita, morenada, estava com o marido músico ,este tocava violino divinamente .Pudera! O pai era maestro, tinha uma escola de música, tocar instrumentos. Além de ser famoso,era bom para a nora a quem mimava muito e convidou o casal harmonioso para morar com ele, numa casa bonita, grande lá na Penha.,numa curva da Avenida Penha de França .
Era muito satisfação para as irmãs verem que a Eleusina estava se dando bem ,crescendo no conforto , Mas o que parece bom, maravilhoso, tem os seus esqueletos, a sogra fazia jus à fama de malvada, não que fizesse algum mal para ela,não, é que do momento que a Eleusina entrou na casa após a lua de mel de seis dias, nunca mais lavou louça, limpou chão, lavou roupa., dizia-se cansada, que nada mais suportava ,sobrando então todo o serviço doméstico da casa .Jamais era exigida pela sogra que subrepticiamente fazia isso ,não a afrontando com mandos e desmandos, no final era mesmo mando. No começo ia tudo bem mas casal novo, arrumam filhos rapidinho , mais trabalho ,fraldas e noites e noites sem dormir direito. Mas afinal estava acostumada como as irmãs também a dar duro na vida, a enfrentar problemas, e receber pouco.
Tudo ia bem, o sogro bonzinho apitou na curva do trem ,desceu aos interiores da terra num caixão de madeira de lei, a sogra despencou descarregada de motivação para viver, ficou numa cama exigindo agora aos berros e manias um tratamento de atenção e cuidados. O filho Hypólito então começou a beber, chegando meio calibrado, depois descalibrado ,finalmente trebado ,e tarde da noite. A Eleusina fazendo de tudo para suportar resignadamente o trabalho todo e agora o afastamento quase que diário do marido,incapaz de ver a tempestade se firmando no firmamento. Até que a sogra num caso de crise cardíaca foi-se desta para melhor. Afortunadamente as canseiras da Eleusina diminuíram, ao mesmo tempo que umas dores abdominais, umas cólicas frequentes levaram a um ponto de diagnóstico cirúrgico de ttumoração no colo intestinal. Feita com sucesso,principalmente devido ao empenho do Hypólito que moveu céus e terra para que um cirurgião famoso fizesse,a cirurgia lá no hospital Santa Catarina. Resolvidas essas questões, a Eleusina já farta de ver o Hypólito sempre de pileque, resolveu aderir à bebida. Quem sabe melhoraria a sua paciência para com esse rufar contínuo de alegrias e tristezas alternadas. Foi até o fundo do poço, dando mais trabalho do que a sogra dava. Um inferno em vida para os filhos já grandinhos, adolescentes. Começou a ter convulsões, tomava remédios como mantimentos, bebidas alcoólicas como água benta, da salvação. Pelo contrário, num domingo pela manhã foi encontrada no banheiro afogada na banheira cheia de água, As portas dos banheiros e dos quartos não tinham trancas, chaves, devido a Eleusina ter se fechado várias vezes antes nesses cômodos e também nos banheiros. O Hypólito procurou vários amigos médicos pedindo o atestado de óbito, negaram logicamente. Só um tio dele, examinou o corpo e deu o atestado. As irmãs suspeitaram de um crime , não podiam afirmar , provar mas nunca se depararam com uma certeza, a irmã afinal não sofreu a mão do legista esgravitando o corpo. Nada fizeram contra o Hypólito mas quando rapidinho após a Eleusina ser enterrada no jazigo de outra irmã por falta de possuir uma campa e lá ficou vinte anos, o violinista mostrou-se em companhia de uma pianista, fazendo saraus e realizações conjuntas. Continuava bebendo o músico e num dia foi encontrado morto no elevador, o corpo caído do lado do instrumento, a mão procurando a companhia do instrumento. Com esse ele estava sempre à disposição, dormia com ele ao lado, ,como um enamorado, a competir com a Eleusina. Os olhos estatelados, fixos a frente talvez não acreditando que era a vez dele. Ele deve provavelmente dar explicações bem justificadas lá no etéreo para a Eleusina, pelas bebidas, contumaz no hábito ,pela vida folgada que teve até um certo tempo quando ela também entrou na roda dos egoístas que chegam a uma certa idade João Aires

Inserida por Joaoaires22

⁠PERMISSÃO

E escrevo assim: alma chamejando em ânsia
no cerrado sob o olhar das rubras alvoradas
e o pensamento a se devanear na distância
do sonho e poética das prosas enamoradas
Da saudade aquele aperto e a sua fragrância
duma ausência, a esplandecer as faltas dadas
de um peito a suspirar a devida importância
e, bem perto do íntimo as ilusões desejadas

E poeto assim: com sussurrantes caligrafias
da noite, do silêncio, das imaginações vazias
que murmuram os sentimentos e sensações
E da flórea poesia, entre fantasia e realidade
o poeta, que se nutre da imaginosa liberdade
da pluralidade, da permissão e das emoções...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23, abril, 2022, 17’36” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠INQUILINA

Perpassa o vento no torto cerrado
em sonata de sofrência e agonia
sussurrando um vazio tão lotado
de recordação e sombria poesia
Sobre a solidão, à tarde, quando
vem a sensação do fim do dia
o vão, a lembrança, em bando
que avida a dor, gasta, erradia

E, do teu olhar o fascínio ainda:
suave, impar, sujeito, presente
cravando o falto em árdua sina
Tudo, versos de tristura infinda
que aperta o coração indigente
e que faz a saudade sua inquilina...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
5 de maio, 2022, 20’00” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PASSANDO ...

Sulca-me as frontes já rugas encanecidas
Olhar embaçado eu vejo o velho cerrado
Torto, “pedregado”, arbusto tão delgado
No tempo vou em velocidades incontidas

Cabelos brancos, vá, não seja tão abusado
O meu espanto, quanto as tuas investidas
Tão fugaz, minhas queixas enfraquecidas:
Lamentos, surpresa, pavor, sem resultado

Tive antipatia, tive inocência, e repulsa
Com a estranheza furiosa da mudança:
No espelho a figura avelhantada pulsa

E, atendo ao inevitável, já, só lembrança
Passou, vai passando, e a história incursa
Ao passado, a temporada de ser criança...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2021, 12’45” - Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O ipê florado no cerrado
Orvalhado, é um aparato
Um alvorecer encantado...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Abril - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ENLEVADO DE POESIA, CERRADO

Eu amo o João de Barro num jatobá
Sabiá na laranjeira, jeitoso a cantar
A matinada dos anus que faz maçar
O uivo do vento no velho jacarandá
Eu amo o ocaso do cerrado a enlevar
O amanhecer ímpar onde o belo virá
Eu amo a afoiteza de um tamanduá
Cá o encanto, o néctar ao doce luar

Eu amo a noite tão cheia de calma
Um acalanto no aconchego d’alma
Numa sinfonia que a graça extasia
Eu amo o cheiro de chuva pesada
Que saca aquela saudade danada
Amo o cerrado, enlevado de poesia...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 fevereiro, 2022, 15’49” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠VOZ DO VENTO

Uma agonia! a voz do vento que murmura
No cerrado, sussurrando aquela saudade
De outrora, em uma sensação pela metade
Sobra de um sonho, esquecido numa jura
E o vento no terreiro vai pela noite escura
Gemendo entre os galhos tortos em riste
A melancolia n’alma e no coração insiste
Expondo ao verso um versar com tristura

Vai e vem, bafeja, suspira, queixa, farfalha
Um vendaval choroso, cortante tal navalha
Revivendo aquele amor perdido. Um talvez
Ah vento! Quanto falta, ah! quanta solidão
Que sinto no peito, que se vai na vastidão
Ermo, dos mimos ameigados a minha tez...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
19 março, 2022, 14’21” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠DOR SUPREMA

Cai a noite, é outono, o cerrado chuvoso, prosa
o amplo e deserto céu, místico e tão sombrio
uma saudade rameira de angústia tenebrosa
geme, ladeia, se fazendo de um silente vazio
É noite. Chove. A sensação se vê preguiçosa
que só tortura... a recordação provoca arrepio
porque sofre na poética do bardo calamitosa
que só tem nas sombras de um nublado estio

E a noite adentra, e as saudades, uma a uma
pesam na solidão, e assim, a tristura exuma
acordando no sentimento o aperto que aflora
Ah! Eu quisera, planear a felicidade no poema
dum dito amor, um amor, não a dor suprema...
Chove lá fora! Cá dentro a minha alma chora!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20 março, 2022, 17’52” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠CERRADO LOTADO DE POESIA

Imensidão, profundo e denso labirinto
em que há diversos, e encanto brando
cheio de fascínio de detalhe destinto
teus cantos, extasiantes, só estando!
Do teu variado ser diferente, é ressinto
no teu rico entardecer o rubro vibrando
que nos surpreende e nunca é suscinto
é aquela graça que n’alma vai gafando

Ora o teu vento nos galhos musicando
e a passarada nos jatobás florescendo
canto e contos, todos, contigo rimando
Os ipês, caliandras, lobeiras, em junção
que, faz da sensação, prazer querendo
é o cerrado lotado de poesia, de sedução!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
02 abril, 2021, 14’28” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Cada ser humano enfrenta uma guerra interior, um combate cerrado com forças alheias ao seu domínio. Esse combate é desgastante, consome-nos, e em cada pedaço de esforço empreendido para vencer a luta, é um pedaço de nós que tomba.

Inserida por TomasGaspar

⁠AFLIÇÃO

Pulsa no cerrado o horizonte imenso
Num entardecer purpúreo candente
No desanimo surges, tão lentamente
Lembranças, molesto e tédio denso

Que eterniza a agonia e sentir tenso
De um passado caprichoso e ardente
Embora aqui presente, está ausente
Na emoção. Turrão ainda é extenso

E o pôr do sol é tormento e nostalgia
Em um acre perfume, árduo expiro
E a uma sensação aflitiva me contagia

Nesse anseio a saudade n’alma arde
És um passado de amor feito suspiro
Suspiro e caro pesar no cair da tarde!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Araguari, MG – 26/07/2021, 18’00”

Inserida por LucianoSpagnol

⁠CÂNTICO DO CERRADO

Já não ouvem os cantos das seriemas
Estridentes brados vindos do cerrado
Cessaram as sonatas, coaxes e poemas
Dos sapos, tão trêfego e tão sussurrado
Onde andarão as maritacas e as emas
Que nas planícies vinham dar significado
Pela imensidão do sertão e ecossistemas
Onde andarão? Foram apartadas do prado?

Já não ouvem aqueles apelos suplicados
O silêncio invade, os feitiços são penados
Os jatobás e os ipês não sombreiam mais
O chão tão desprezado de cuidados urge
Torna-se escasso a cada alvor que surge
Cala-se o sertão nas urgências essenciais

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 dezembro, 2022, 05’42” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A lágrima molha os sonhos tristonhos

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Inserida por LucianoSpagnol

⁠NOITE

Na imensidade do cerrado, tão gigante
O céu de estrelas, vivas, a escuridade
É tocada pela lua que alumia brilhante
E o pio da coruja que cutuca a saudade
No horizonte a noite se faz sussurrante
Mística, e os mistérios no sertão invade
É um sossego, uma escuridão radiante
Que se perde nos delírios num instante

E vai ninando o dia, embalando a vida
E a diversidade inteira, ali, adormecida
Faz-se noite, no encantamento do luar
Dorme o sertão, silencia todo mundo
Suspira, ressona o recôndito profundo
Bravateia o cerrado e se põe a sonhar!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23/11/2023, 20’34” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ALEGÓRICO CERRADO MEU

Alegórico cerrado meu, quão diverso
te cantei e canto, és cântico desigual
místico te vejo a ti, encantado visual
teu chão acre, seco, em te perverso
A ti eleva-te o fascínio, todo o verso
a quem te devotar, num ato visceral
e graça, te trova já, riqueza tropical
no teu controverso e incontroverso

Já que na sedução és-te comparte
seja deleite, ó dissonante quimera
que fôreis em tudo díspar encarte
Mas, de ti, a demudada primavera
rica, e bela, e tu tornarás baluarte
e assim, notar que o vário impera.

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
31 julho 2024, 14’15” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PÔS-SE O SOL

Pôs-se o sol. Cá pras bandas do cerrado
da tarde o fulgor pouco a pouco esvaece
o encarnado entardecer, geme em prece
desmaiado o poente, num tom desafiado
E no horizonte, o luar obscuro reaparece
encapotado, embaciado. E desmantelado
o dia, tudo em silêncio está. Sombreado
rubro, taciturno, o escurecer resplandece

E no mistério das trevas, poético recanto
sinfonizando em uma melancólica sangria
faz-se noite, que vai cantando o seu canto
E ainda, ter toda a magia, faz-se a poesia
enchendo o sentimento de tanto encanto
assim, vem a noite, e amanhã é outro dia!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04/09/2024, 18’46” – cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PELO CERRADO POETANDO

Pelo cerrado poetando vai contente
o poeta seguindo o verso encantado
e canta com o coração, tão ajustado
ao alegre tom de um versar ardente
Aquele, cântico alegre, docemente
no intenso som de um apaixonado
este, para contentar qualquer fado
com o canto que encanta e sente

Está poesia, também, é de alegria
qual o poeta, canta com tal doçura
prosando prazer cheio de alquimia
Assim, de amor na emoção pura
com canto mostro toda a euforia
por amando sufocar a amargura.

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12/09/2024, 10’54” – cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠DIA DE CALOR

Eu trovarei um dia de muito calor
No cerrado tão árido e tenebroso
Num mormaço trincado, rigoroso
De aquecer o verso no tom maior
Cantarei do desânimo ao travor
Da tempera, num ritmo viscoso
Exalando o suspiro vertiginoso
Num compasso cheio de rumor

Um horizonte rubente, incendido
Acalorado, picante, bafo quente
Hão de estar no verso ressentido
Hei de cantar o fervor que se sente
Urente, cadenciando o suor fluido
Em um acorde de um dia ardente.

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20/09/2024, 17’35” – cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O CERRADO ABRAÇA

Tais como enigmas densos, viscerosos
Os quais o cerrado, que a poética canta
Os segredos são dum fascínio calorosos
Contradizendo o torto que nele implanta
Uma imensidão, o horizonte se agiganta
Os rubores em um entardecer veludosos
Dão lugar à beleza onde o vário encanta
Trazendo vida com mais tons nas prosas

E aquele espanto, se fazendo momento
Esvaindo da admiração, ó coisa formosa!
Bendito seja, pois, cada bom sentimento
Que chega à emoção, propagando graça
Vai contaminado a condição maravilhosa
Onde cada sentido do cerrado nos abraça.

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
02 março, 2024, 18’57” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Sensação térmica (calor no cerrado)

O cerrado está com palpitação ardente
Enquanto o sol avança com seu calor
Embalado na sede que arde na gente
Trazendo o desânimo com árido rigor
Sem nuvem o sertão é abafadamente
Fundando na mente acalorado rubor
Inflamando o horizonte, vorazmente
Dando a cada canto calmoso fulgor

Sensação térmica com cálida oratória
Dá piedade, dá alívio, nesta trajetória
Dá refrigério, conforto, harmonização
Porque chegamos no limite, no limiar
Ah calor! Fervente, tenha compaixão!
Porque és suor no verso a transpirar.

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
17 março, 2024, 13’37” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol