Cerrado
NOITE DE INSÔNIA
Sob a rútila luz da lua no cerrado
Nesta noite de primavera, e fria
Meu tratear, sentinela acoimado
Provoca, acossa e ao sono arrepia
Pende do pensamento um passado
Memória, sussurros e louca utopia
Tal um desalento nuvioso e velado
É está minha sensação, de ti vazia
Na janela o vento na fresta, ali chia
Um perfume seco irrompe o quarto
E cá, um aperto, me faz companhia
E a tua lembrança não fala, se cala
Para um trovador que o amor sentia
Noite de insônia e a saudade entala!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
21 novembro 2021, 05'08" – Araguari, MG
BUCÓLICO OCASO
No fim da tarde bucólico em despedida
Cá no cerrado, o sol num agrado enorme
E o coração em ritmo rápido e uniforme
Em um prazer meu e, encanto desta vida
Me embriago com o horizonte planiforme
Belo, rubro em uma exuberância colorida
Declina o sol em sua tão poética acolhida
Alheio no apego avilto o desdém disforme
Luzidio ocaso, variegado, e tão ardente
Onde a surpresa e admiração é presente
Num rompante de fascínio, de felicidade
O fim de tarde silente e tão inteiramente
De estrelas desmedidas num céu poente
Sedução e suspiros misturado a saudade...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
23, novembro, 2021, 18’49” – Araguari, MG
MAIÚSCULO LUGAR
Eu amo o cerrado pelo que é o cerrado
Pelo fascínio na razão ao lhe conhecer
Sem importar se árido é o teu cercado
Se és diversificado e gigante no haver
Eu amo o cerrado, a tua dura natureza
O teu pôr do sol que a beleza proverá
Canto a canto tuas flores, bela certeza
Buritis, pequis, no planalto encontrará
O cerado é agrado, é só saber amá-lo
Ipês floridos, na seca, um doce regalo
E quem o conhece quer sempre voltar
É apreciar, dum cinza ao pó magenta
E nas chuvas o verde então apresenta
O cerrado Brasileiro, maiúsculo lugar!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
24, novembro, 2021 – Araguari, MG
BIOMA (soneto de 1 sílaba)
Cerrado
tão
arrojado
chão
agigantado
ancião,
encantado
quão
traz
o
diverso
primaz
do
universo
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 dezembro, 2021, 21’08” – Araguari, MG
A TOCATA
O invernar de junho no cerrado de Minas
Anuvia, e em sonata zoa o frio da aurora
Folia o vento no orvalhado das campinas
A vida farreando em uma frigidez sonora
Trova a garoa nas folhas, em cavatinas
E o solstício em indício pela noite afora
Em uma dança de cadências angelinas
E no piado triste, a coruja ao luar chora
Na sonância ao longe, o rubor encanta
No horizonte, lusco fusco, o sol levanta
Em sinfonia, majestosa e com harmonia
Plenilúnio de junho, de seresta e sintonia
Compassada tocata, fascinante e atraente
Vem o dia, canoro, num balé plenamente
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 maio de 2023, 05’15” – Araguari, MG
ENTARDECER
Que lindo entardecer, cá no cerrado
Rubro o sol, luzidio, indo pro poente
E o céu, imenso, fastígio encantado
Num espetáculo, apaixonadamente
A brisa mansa, crepúsculo veludado
Neste tempo de verão, puro e quente
Duma belezura, o escurecer ornado
Ímpar, de magia e sensação diferente
Pouco a pouco, num cenário intenso
De um perfume agreste, o incenso
Do chão e um fascínio tão inebriado
O pôr do sol, em uma graça sossegada
No horizonte cintila a chama ofuscada
Da noviça noite, cerra o dia no cerrado!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 janeiro, 2023, 18’51” – Araguari, MG
O VERÃO NO CERRADO
Nessas tardes cálidas, reluzentes
Do verão no cerrado, de chuvosas
Tardes caprichosas, tão torrentes
E vagalumes com cintilas formosas
Quedo-me frente a tais ingredientes
Que coroam estas terras frondosas
De verde, dando vitalidade as gentes
Do sertão, em alegrias maravilhosas
Um misto de gratidão e felicidade
Criando no íntimo ilusão e vontade
Pulsando com sensação o coração...
É um período que, então, acontece
O novo e a esperança que aquece
Colorindo de poética e luz o verão!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18 janeiro, 2023, 20’19” – Araguari, MG
TEUS LÁBIOS
De há muito, observo teus lábios,
são enigmas para serem decirados.
Se cerrados estão, será que querem
dizer que não nos querem?
Acho isso engano meu.
Quando estão semiabertos, à mim
parecem acenar.
Se em um sorriso se mostram são
convites de amor a se espalhar.
Gosto de os ver, se eu pusesse os meus
sobre os teus, no céu estaria alcançando,
um pedaço só teu.
Lábios de amor, onde os meus todos os dias
em sonhos adormecem.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras.Cabo Frio. RJ
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Seca na terra de concreto
Onde o verde parece morto
Brasília, cidade do cerrado
Água é vida, mas tem faltado.
A seca castiga o cerrado
E a terra seca parece um fardo
As árvores pedem água, gritam
E o sol escaldante não desanima.
A cidade planejada sofre
Com a falta de água que não chove
O meio ambiente pede socorro
E a população precisa de um rumo.
Preservar é a palavra de ordem
Cuidar do meio ambiente é preciso
Para que a seca não seja um cemitério
E o cerrado continue vivo.
Brasília, cidade do futuro
Precisa cuidar do meio ambiente
Para que o cerrado tenha um futuro seguro
E a água seja um recurso permanente.
No coração do cerrado,
Brasília, cidade capital,
Um cenário desolado,
Incêndios, seca e mal.
A seca castiga a terra,
A água é um bem tão raro,
O solo queima em fogo e guerra,
Causando um triste cenário.
O meio ambiente clama,
Por cuidados e atenção,
Precisamos de uma chama,
Para preservar nossa nação.
Cuidar da natureza é preciso,
E fazer a nossa parte,
Para que o fogo não seja um aviso,
De um futuro sem arte.
Brasília, cidade do futuro,
Precisa cuidar do meio ambiente,
Para que o cerrado tenha um destino seguro,
E a vida possa seguir em frente.
Sobre Brasília, lago Paranoá,
Cerrado e amor em plenitude,
Há uma mistura de saudade,
Angústia, medo e incerteza em atitude.
Cidade planejada, arquitetura moderna,
Lago azul turquesa em meio ao cerrado,
História presente em cada esquina,
Mas também angústia do que será do passado.
As águas do Paranoá refletem o céu,
E guardam segredos que a mente inventa,
Da cidade que nasceu no coração do Brasil,
E da saudade que invade a alma em momentos de tormenta.
O amor é presente, em cada monumento,
Nas linhas curvas de Niemeyer,
E nas mãos que se entrelaçam no pôr do sol,
Mas há medo da mudança e incerteza do que vai ser.
Brasília é a capital do país,
E no cerrado, um oásis de cultura e arte,
Mas também é a cidade da saudade,
E da angústia de quem sabe que tudo pode mudar em um instante.
E assim, no meio de tantos sentimentos,
A cidade se reinventa, se transforma,
E o lago Paranoá segue a refletir,
As inúmeras faces de Brasília, do amor, da saudade, do medo e da incerteza.
Brasília, capital de sonhos e ideais,
Cerrado que nos inspira, nos faz imortais.
O lago Paranoá reflete a nossa alma,
E a Ponte JK nos liga como uma calma.
Brasília, capital do meu Brasil,
No meio do cerrado, um sonho se fez real,
Linda cidade, moderna e imponente,
De um povo lutador e resistente.
A ponte JK, um símbolo de Brasília,
Majestosa, como a cidade que a construiu,
Uma obra-prima, um legado, que é nosso orgulho,
E que representa a união do povo brasileiro.
Mas em meio à grandiosidade da cidade,
Há uma angústia, uma incerteza de verdade.
A natureza sofre, a desigualdade persiste,
E a esperança às vezes é difícil de resistir.
Mas não podemos desistir do sonho,
De construir um futuro mais risonho.
Que a capital federal seja um exemplo,
De amor à natureza e a um futuro mais simples.
Mas, nem tudo são flores, a angústia nos assola,
Em meio a tanta beleza, a desigualdade é real,
Precisamos lutar por um mundo mais justo e igual,
Para que a esperança seja o nosso guia, nossa bússola.
Brasília, cidade-jardim,
Que em meio ao cerrado nasceu,
Onde a preservação é um lema,
E a natureza é o que prevaleceu.
O Jardim Botânico é um recanto,
De espécies raras e únicas,
Onde a preservação é constante,
E a beleza é algo que contagia.
Lá, entre trilhas e caminhos,
A natureza mostra seu esplendor,
Cada árvore, cada flor,
Traz um encanto ao visitador.
O verde se mescla com o azul,
Do céu e do lago Paranoá,
E a paisagem é um convite,
A contemplar e a se encantar.
É um lugar de paz e de calma,
Onde o ar puro é um bálsamo,
E a saudade é de um futuro,
Onde a preservação é um patrimônio.
O Jardim Botânico é um tesouro,
Que a cidade nos presenteou,
E preservá-lo é um compromisso,
Que com amor e cuidado, se cultivou.
Em Brasília, no coração do Brasil,
O cerrado seca, o clima hostil,
Mas a natureza resiste bravamente,
E o meio ambiente pede proteção fervente.
O Jardim Botânico é um oásis de verde,
Lugar de paz, tranquilidade e beleza a perder de vista,
É preciso preservar essa riqueza,
Para garantir um futuro mais justo e sustentável, com certeza.
A seca castiga, mas não há motivo para desespero,
Há soluções possíveis para proteger o cerrado inteiro,
E garantir a vida de animais, plantas e seres humanos,
Com consciência, ações e amor, podemos construir mundos mais humanos.
Brasília no meio do cerrado,
Natureza em cada canto,
Seca que castiga o estado,
Mas há esperança em todo canto.
O Jardim Botânico é o exemplo,
De como é possível preservar,
O verde é o nosso templo,
E é preciso cuidar, não descuidar.
O meio ambiente é a nossa riqueza,
Que precisa ser protegida com ardor,
A seca é uma dura beleza,
Mas ainda temos muito amor.
Brasília e o cerrado são um só,
E juntos precisam se conservar,
Um futuro melhor é o que nós,
Devemos sempre buscar e conquistar.
SONETO DE INVERNO II
Frio, uma taça de vinho, face em rubor
No cerrado ivernado, pouco se aquece
Um calor de momento, o licor oferece
E a alma velada, enrolada no cobertor
O arrepio no corpo, a infusão apetece
Para esquentar a noite até o seu alvor
Acalorando o alento do clima estritor
Num cálido agasalho que o afeto tece
Ah, ó estação de monocromática cor
Tão Agarradinhas paixões, em prece
Os mistérios, os desejos, os sentidos
Assim, embolado nas lareiras, o amor
Regado de vontade, no olhar floresce
Junho, ventos gelados e frios sonidos
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 junho, 2023, 19'34" – Araguari, MG
Início do inverno
ANTÚRIO NEGRO
O som do vento no cerrado
faz dançar a misteriosa flor
O raio do sol do alvor
veste ela de significado
Que belo tom
mística flor
É um amor perfeito
hipnotizante, um louvor
Anthurio o seu nome
teu fascínio, pronome
- Negra é a tua cor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Junho, 2023 - Araguari, MG
Soneto do cerrado abafado
Quem ateou este sedento chão do sertão
Nesta aridez que nunca mais se apaga?
E para que o planalto com está sua saga
De severo tempo, de sede, de sequidão?
Quem pintou em tom de cinza, desolação
Sentido na toada, de tonalidades pesadas
Num pôr do sol no horizonte vermelhadas
Amarrotando a vereda em ardida vastidão
E, o vento abrasado, e a vegetação aflita
Sol a pino, nuvens no céu que desbotou
Aquentando o verso com cálida pulsação
Quanto calor, e o craquelado na escrita
Um empoeirado que da terra desgarrou
Abafando o cerrado com agre sensação.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 setembro, 2023, 12’12” – Araguari, MG
Onda de calor - (no cerrado)
No cerrado, o sol referve, em fulgor ardente
As copas dos pequis, na nuance estorricada
Tortos galhos nus. E a planície descalvada
Escaldado sertão, pela, a sensação da gente
Não há sombra, poeirento chão, céu luzente
Desmaiado vento e, o mormaço pela estrada
Buritis de braços abertos, geme, dita fadada
Súplice quentura, o purgatório sofregamente
E, inflamado, sussurrante, e tão inconstante
Ofega, quase sem querer, sem ter vontade
Para enfrentar, bravamente, o dia torturante
No prado corre o suor, ressumado, tom maior
E nesta verdade um rogo suplicante, piedade!
O cerrado, encalorado, arde na onda de calor.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24 setembro, 2023, 16’54” – Araguari, MG
Chuvarada... (soneto II)
Chuvarada... do céu caindo, no cerrado
e, sob o céu, a primavera ornando, além
exalando perfume, e o vento perfumado
agrado, que se sente, sentindo um bem
Chuvarada... molhando o chão ressecado
num movimento, encantado, de vai e vem
suave doçura, deste momento afortunado
dos suspiros da chuva, que as chuvas têm
Chuvarada... a chuva... feitiços diversos
de mil canções, em umedecidos versos
musicado na alma o compasso a pingar
Chuvarada... quanta vez a ti comparável
em um soluço nostálgico e tão insaciável
afim, cerro os olhos e me pego a chorar!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/09/2023, 14”14” – Araguari, MG
*na bolha de calor a dias, hoje, choveu no cerrado.
