Cemitério
Existem pessoas tão maldosos(as) que quando morrem, o Diabo vai lhes ofertar um cemitério de lamentação no inferno, o fogo da pessoa maldoso jamais vai se apagar!
CEMITÉRIO DOS VIVOS
Abster- se do conforto da sala
Faz- se necessário.
Correr no corredor
Torto,
Da sauna gelada e sombria.
Regozijar- se com a frieza de uma mente vagante.
Na estranheza de um pensamento errante.
No diálogo provido da desfaçatez, e/ ou talvez,
Deleitar- se com a solidão paisagística
Do cinza.
De modo que sobrevivência emocional prevaleça.
Assim;
o bem- estar apetece.
130226
Estive entre ossos secos e almas já sem brilho, um cemitério de olhos que não mais ardia. Corvos pousavam nas minhas falhas, cravando olhares como pregos, aguardando o instante em que eu iria finalmente ceder. O vento cheirava a metal e pó, passos distantes soavam como facas nas paredes do peito. Como um carvalho retorcido pela tormenta, segurei o que restava de mim. Juntei raízes como dedos enegrecidos, afundei-os na terra estilhaçada e bebi, com avareza, o pingo de água que sobrava. A umidade tinha gosto de lembrança e sangue seco. Numa fenda da planície estéril, meu cárcere aberto ao sol, apareceu uma lâmina tão pequena que quase se escondia, uma promessa miúda, de luz, como se a aurora tivesse voltado com as unhas quebradas.
Cada fibra do meu corpo lutava contra o esquecimento, contra a areia que roçava os tendões e tentava sepultar a centelha final. A areia não era neutra: sibilava, entrava pelas gengivas, raspava a língua. Sobreviver não bastava. Havia que coagular a dor, transformá-la: o peso da solidão, o sussurro venenoso da desistência, tudo virou húmus amargo para uma vontade que recusava morrer.
O solo rachado não ofereceu descanso, ofereceu lições. Rachaduras cuspiam pó que cheirava a ossos e foi nelas que aprendi a perfurar, a furar a crosta do desespero com unhas encravadas. Busquei, com um fervor áspero, uma nascente que se escondia debaixo do olhar dos mortos, uma força profunda, mútua com a escuridão, que não se entrega ao alcance.
As sombras permaneceram comigo, não como inimigas, mas como mapas invertidos: eram faróis que apontavam para onde eu jamais devia olhar de novo. E então, o tronco que antes dobrava sob o sopro do mundo começou a endireitar, não por graça, mas por insistência, por teimosia sórdida. Mesmo naquele deserto que parecia ter consumido até a fé, a vida voltou, torta e obstinada, rasgando a casca do nada para cuspir, por um instante, seu próprio clarão, sujo, ferido, impossível de apagar.
Administro um cemitério interno de sonhos anônimos, alguns têm lápides de luxo, outros foram enterrados vivos no esquecimento.
Os espíritos imundos não param de sussurrar no meu ouvido, vivo em um cemitério de lápides vazias, quebradas, com nomes escritos que não consigo decifrar. Os fantasmas que me atormentam não têm rostos, não falam comigo, apenas me observam na escuridão em que me enterro.
Carrego dentro de mim um cemitério inteiro de versões que precisei enterrar para continuar, e mesmo assim, insisto em florescer como quem desafia a lógica da própria destruição.
Passando pela floresta escura e pantanosa, onde se encontra o enorme cemitério das minhas almas passadas. Cada passo abandona um pouco do que ainda restou de mim pelo caminho. Mesmo não querendo continuar, existe uma pequena chama, que não chega a aquecer, mas acende um ponto pequeno, quase imperceptível de luz, que, mesmo no negrume quase absoluto, ainda guia meus vagarosos, curtos, mas firmes passos.
- Tiago Scheimann
14 de novembro de 2022
Esses dias, sonhei dentro de um cemitério desconhecido, onde eu ficava com medo de entrar nele, e quando entrei, todas as tumbas, eram muito antigas e havia uma em que o cadáver estava se mechendo, colado na cabeceira do túmulo.
E ele, parecia rir.
Eu continuei andando e ignorei, até visitar todos os túmulos e sair pela porta da frente do cemitério, porque eu havia entrado pela do fundo.
Quando sai, acabei saindo dentro de uma casa e havia um carro de saída, com os parentes do meu marido que ao invés de me esperar, me deixou no cemitério, e eu gritava por eles, mas eles não me ouviam.
Então, acordei. Sonho bizarro!
A Morte é um mistério
Deixa Dor na despedida
O Corpo é do cemitério
E o Espírito, a Luz da Vida.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
04/01/2026
O Cemitério dos Deuses: Uma Análise Científica e Filosófica do Ateísmo em Relação à Pluralidade Divina
Autor: Clayton Vasconcelos
Resumo
Este estudo científico analisa o ateísmo sob a perspectiva da pluralidade de divindades veneradas ao longo da história humana. A partir de uma abordagem filosófica e histórica, o artigo explora como a existência de milhares de deuses — muitos dos quais hoje extintos e relegados ao status de mitologia — fundamenta a posição ateísta. Para o ateu, não há significância de crença em nenhuma dessas entidades, independentemente do fervor com que foram ou são adoradas. O estudo categoriza diversas divindades e utiliza o conceito do "cemitério de deuses" para demonstrar que a descrença contemporânea é apenas a extensão lógica de uma rejeição que os próprios religiosos aplicam a divindades alheias.
1. Introdução e Definições Acadêmicas
O estudo da religião e da descrença requer definições precisas. O ateísmo, em seu sentido filosófico mais amplo, é definido como a ausência de crença na existência de divindades . Em um sentido mais estrito, é a rejeição consciente da proposição de que existe pelo menos um deus. O agnosticismo, frequentemente discutido em paralelo, é a posição epistemológica de que a existência de divindades é desconhecida ou inerentemente incognoscível .
A história humana é marcada pela criação e adoração de uma vasta gama de entidades sobrenaturais. Para o indivíduo ateu, a multiplicidade de deuses não representa um mosaico de verdades espirituais, mas sim um fenômeno antropológico e sociológico. O pensamento positivo ou a moralidade de um ateu não derivam da submissão a essas entidades, mas de construções éticas seculares e humanistas. Como argumentam diversos filósofos contemporâneos, a moralidade independe da religião .
2. A Pluralidade Divina e o "Ateísmo Local" vs. "Ateísmo Global"
Na filosofia da religião, distingue-se frequentemente entre o ateísmo local e o ateísmo global. O ateísmo local refere-se à descrença em uma divindade específica (por exemplo, a rejeição do deus cristão por um muçulmano, ou de Zeus por um cristão). O ateísmo global, por sua vez, é a rejeição de todas as divindades possíveis .
O biólogo e pensador Richard Dawkins popularizou a ideia de que todos nós somos ateus em relação à maioria dos deuses em que a humanidade já acreditou; o ateu global simplesmente vai "um deus além" . Para ilustrar essa premissa, é necessário observar a vastidão de divindades que não possuem qualquer significância de crença para o ateu.
Tabela 1: Categorização de Divindades Ativas e Históricas
Tradição / Cultura
Natureza
Principais Divindades (Exemplos)
Status Atual Predominante
Abraâmica
Monoteísta
Javé, Deus (Trindade), Alá
Culto ativo em massa
Hinduísmo
Politeísta / Panteísta
Brahma, Vishnu, Shiva, Ganesha, Kali
Culto ativo em massa
Iorubá
Politeísta
Olorum, Oxalá, Iemanjá, Ogum, Xangô
Culto ativo
Greco-Romana
Politeísta
Zeus/Júpiter, Atena/Minerva, Ares/Marte
Mitologia / Extinto
Nórdica
Politeísta
Odin, Thor, Loki, Freya
Mitologia / Neopaganismo
Egípcia
Politeísta
Rá, Osíris, Ísis, Hórus, Anúbis
Mitologia / Extinto
Mesopotâmica
Politeísta
Enlil, Anu, Enki, Ishtar, Marduk
Extinto
Pré-Colombiana
Politeísta
Quetzalcóatl, Huitzilopochtli, Inti
Extinto
Eslava
Politeísta
Perun, Veles, Belobog, Chernobog
Mitologia / Extinto
3. O "Cemitério de Deuses"
O ensaísta H.L. Mencken cunhou o conceito do "cemitério de deuses", uma reflexão sobre a transitoriedade das crenças religiosas. Mencken listou dezenas de divindades que, em suas respectivas épocas, eram consideradas absolutas, onipotentes e inquestionáveis por seus seguidores. Hoje, deuses como Marduk da Babilônia ou Huitzilopochtli dos Astecas não possuem templos, sacerdotes ou fiéis .
Para o ateu, o cemitério de deuses é a evidência empírica de que as divindades são construções culturais. A ausência de significância de crença não é um ato de rebeldia contra uma entidade real, mas o reconhecimento de que Javé, Alá ou Shiva compartilham a mesma ontologia de Zeus ou Osíris. Se a humanidade sobreviveu e prosperou após o abandono de milhares de deuses, o ateísmo postula que o abandono dos deuses remanescentes é um passo natural na evolução do pensamento humano.
4. Argumentos Filosóficos para a Descrença
A rejeição de todas as divindades listadas na Tabela 1 baseia-se em pilares filosóficos e lógicos robustos:
O Problema do Mal: Formulado inicialmente por Epicuro, questiona a compatibilidade entre a existência de um deus onisciente, onipotente e onibenevolente (como postulado pelas religiões abraâmicas) e a existência do mal e do sofrimento no mundo .
A Navalha de Ockham: O princípio de que a explicação mais simples, que requer o menor número de premissas não testáveis, é geralmente a correta. A postulação de entidades sobrenaturais para explicar a origem do universo ou a complexidade da vida adiciona uma camada desnecessária de complexidade, que a ciência moderna tem substituído por explicações naturais (como a evolução e a cosmologia física) .
O Deus das Lacunas: Historicamente, divindades foram usadas para explicar fenômenos naturais incompreendidos (raios atribuídos a Thor ou Zeus). À medida que a ciência avança, as "lacunas" no conhecimento humano diminuem, reduzindo o espaço para a atuação divina .
5. Conclusão
O ateísmo não é meramente a negação de uma divindade específica, mas uma postura epistemológica que abrange toda a história das religiões. Ao observar o vasto panteão de deuses criados pela humanidade — desde as divindades sumérias até os monoteísmos modernos —, o ateu conclui que nenhuma delas possui evidências suficientes para justificar a crença. O pensamento positivo, a ética e a moralidade do ateu são construídos sobre a realidade material e a empatia humana, sem a necessidade de recorrer a entidades que, inevitavelmente, juntam-se ao cemitério de deuses da história.
A normalidade é o cemitério da inteligência. Se a sua vida não tem um toque de estranheza, você está apenas repetindo um roteiro escrito por mentes medíocres.
Deixe o passado no cemitério dele; parar de cavar sepulturas antigas é o primeiro passo para voltar a respirar.
Cemitério de Sonhos
Não gostaria de ter uma vida ao estilo de Epicteto. Porém, o destino não me deu opções. Sou escravo do conhecimento e da sabedoria, mas já fui do amor e da tolice.
Gostaria de ter uma boa história para contar, e tenho! Entretanto, gostaria que tivesse sido mais épica: mais feitos, mais paixões, mais lutas, mais gentilezas.
Queria ter tido a oportunidade de viajar. Aqui no Norte, minhas condições nunca foram muito favoráveis. Queria conhecer o mar; meus pais também gostariam.
Nunca me deram armas em mãos, e o pouco de prestígio que eu tinha, perdi. Espero que a morte seja mais gentil comigo do que a vida foi. Não sou vaidoso, claro, porém tenho fascínio por alguns assuntos.
Nunca fui flor que se cheire; porém, poucas foram as flores que tive a oportunidade de cativar.
Será que Deus ainda tem algum feito para mim? Eu aposto que sim, mas tenho que pagar para ver esse show!
Assinado: KANGAL — Cemitério de Sonhos.
Enquanto isso!
Aqui foi "gripezinha"
e o cemitério encheu-se.
Lá é "operação militar"
e as crianças não responde mais.
No Irã, em Israel,
na Ucrânia, na Rússia,
o sangue não tem tradução.
Idoso na fila do leito.
Soldado na fila da cova.
Mãe na fila do corpo.
O poder brinca de guerra.
O pobre paga com vida.
E Deus?
Deus tá na UTI.
Segurando a mão
de quem não chegou no hospital.
Van Escher
A Poça do Cemitério .
Bernard Fleet tinha 12 anos, adorava tocar seu violino, porém, ele realmente queria tocar o terror; vivia com sua irmã e gato; na realidade, o que queria era viver com monstros, aranhas e ratos, vagando pela noite em um desespero só com o escuro e a solidão que pertencia-ele. Com a então chegada de sua prima, ele fingia gostar dela, mas ele queria mesmo era fazer ela queimar em lava quente. Contudo nem sempre Bernard pensava assim; também de música ele é cercado; quando todos liam “Guerra e Paz”, Bernard lia obras de “Edgar Allan Poe”. Enquanto ele estava tocando seu violino escutou um grito de socorro agonizante das pessoas que não vivem mais, quando percebe-se era a voz da sua noiva que foi assassinada brutalmente no dia 25 de agosto de 1958 .
Bernard pensa em desenterrar o cadáver para transformá-la em um zumbi e então ressuscitá-la, mas sua tia mandou ele ir de castigo para o porão, porém Bernard sabia que tinha sido mandado para um lar de solidão, porque estava cavando o canteiro de flores no quintal da sua casa .
Todas as noites dentro do porão ele escutava gritos de horror dos seres mortos, ele estava enlouquecendo, pois vem uma sombra e o garra por traz e ele vivência uma luta implacável, enquanto Bernard está em seu cemitério de loucura, sua tia abre a porta e começa ver aquela tortura no porão e encontra Bernard brigando com o cobertor, ela vai embora, mas quando fecha a porta um outro mundo começa a se abrir dentro da cabeça de Bernard e rapidamente é engolido. Ele não conseguia falar nada, pega-lhe a pena e começar rabiscar no papel “Estou dentro de um mundo de solidão” ,depois o porão começa a se mexer e sua normal paranóia começa aparecer; Bernard escuta a voz da noiva que no túmulo padece, ele começa a ver mãos tentando puxa-lo para um outro mundo. Todas as imaginações que ele havia criado começam a devorá-lo com um grito de horror, com seu corpo machucado de tanta dor cita um trecho de “O Corvo, de Edgar Allan Poe”: “Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.”
A modernização da África, com a construção de portos, estradas, ferrovias, foi o cemitério de milhões de africanos.
