Cegueira
Quem pisoteia uma visão gigante por pura cegueira nunca entenderá que a verdadeira prosperidade não busca apenas a dopamina rápida dos prazeres vazios, mas sim a profunda e constante alegria de viver.
Desperta dessa cegueira antes que o tempo se esgoste: Deus não nos deu a missão de condenar mentes sensíveis, mas de sermos refúgio e respeito para os aflitos.
Há uma cegueira silenciosa naqueles que enxergam um "estranho" onde existe apenas um ser humano lidando com suas tempestades; a verdadeira patologia da alma é a incapacidade de amar.
A maior cegueira espiritual é olhar para quem é puro e enxergar um "estranho"; cure a sua própria maldade parando de condenar quem só busca respeito.
Pessoas que não reconhecem o valor dos outros sofrem de uma cegueira curiosa. Elas acham que o sol só nasce para iluminar o próprio quintal.Não gaste a sua voz tentando explicar o seu tamanho para quem insiste em usar lentes que diminuem tudo ao redor. A melhor resposta nunca será o conflito ou a cobrança. A melhor resposta é retirar o seu brilho de perto de quem prefere viver no escuro.
A idolatria aos pastores é a cegueira dos crentes, mas o pior é quando a religião te esconde que Deus está dentro de você.
Diante do abismo, a verdade torna-se apenas um sussurro para aquele que escolheu a cegueira; pois nenhuma luz pode conduzir quem fez da própria escuridão uma escolha, e nenhum conhecimento desperta aquele que voluntariamente renunciou à consciência.
[lei de talião]
Arranquei o olho esquerdo
e o fiz de amuleto antes que
a cegueira me impeça de ver
que não há nenhum herói nos
arredores da Terra do Sol.
Lisa Alves — Arame Farpado (2015)
Quem julga pela aparência, revela a própria cegueira.
Porque olhos carnais nunca discernem coisas espirituais.
Podem ver o rosto, mas não o propósito.
Podem medir a roupa, mas não o coração.
“Senhor, ensina-me a ver como Tu vês.
Livra-me da cegueira dos olhos críticos
e dá-me o olhar do amor que enxerga o invisível.
Que em mim, Tua sabedoria fale mais alto que qualquer aparência.”
O excesso de luz artificial do externo induz à cegueira para a urgência da lanterna que precisa ser acesa no interior.
(Crônica)
O REI ESTÁ NU
A Cegueira Púrpura
O rato roeu a roupa do Rei de Roma!
O Rei estava nu, mas o povo via o Rei vestido de púrpura. Todos se indagavam: por que o Rei se pronunciava, dizendo-se nu? Uns diziam: "Ele é nosso Rei"; outros: "Ele não quer perder a coroa"; outros, ainda: "É um impiedoso!"; e, principalmente, ouviam-se os bajuladores que exclamavam: "Somos amigos do Rei! A nudez dele é uma nova moda!"
A coroa do Rei havia sido dada como símbolo de austeridade, e o cetro, como autoridade. Ambos simbolizavam seu poder e seu reconhecimento como semideus! Porém, [a coroa] não cobria suas vergonhas. E ele, sabendo da sua total e exposta vulnerabilidade, saiu atrás de folhas na floresta para cobrir-se.
O Refúgio da Inação
Ele gostou tanto da floresta — o refúgio da inação e do esquecimento — que resolveu tirar um cochilo e caiu em um profundo sono; dormiu por anos, até ser acordado pela chegada de um inverno rigoroso.
De sobressalto, pôs-se em pé e lembrou-se do seu Reino. Caminhou apressadamente e, ao avistá-lo adiante, ficou perplexo: "Cadê meu reino? Cadê meus súditos? Cadê minha plebe?"
Tudo estava diferente do que ele tinha deixado. Adentrou rapidamente seu antigo palácio e gritou: "Estou aqui, voltei!" Quando se voltaram para ele, uns o reconheciam, outros o reconheciam vagamente, e outros já não se lembravam dele.
A Nova Ordem e os Novos Bichos
No novo Reino, não existiam mais ratos (a corrupção miúda tinha sido controlada). A coroa pertencia a outro, e existia outro semideus. A falta de ratos se dava devido à criação de cobras pelo novo Rei; havia também gatos noturnos, mas todos vivendo em harmonia!
* As cobras eram os novos invejosos, os indivíduos que rastejam e agem sorrateiramente, mas que o novo poder sabia usar para controlar os "ratos".
* Os gatos noturnos eram os gatunos de alta esfera, que operavam nas sombras da noite, sob a aparente harmonia do novo regime.
O Rei percebeu que tinha sido destronado.
O Rei percebeu que havia se tornado um mendigo, e se viu nu, sem sua coroa e seu cetro. Ele foi deposto de seus vestidos com linho de púrpura, e agora, todos impiedosamente exclamavam...
O Veredito da Multidão
O Rei está nu!
O Rei não tem coroa, nem cetro!
Nem reino, nem vestidos de púrpura!
O Rei que voltou não tem poder algum!
O Rei está nu! O Rei está nu!
Gritava a plebe, os súditos e seus algozes, pois a multidão só reconhece o poder visível.
Temos um novo Rei!
Ele tem cetro na mão, coroa na cabeça,
E tem vestidos de púrpura, que a todos cegam.
Me faça ver Tire minha cegueira
Me faça entender
Que eu sou rico
E não tô falando do que tem na minha carteira
É que eu tenho Você
Deus, Você me dá tudo que eu preciso em mim
Só Você me dá paz
Agora foi que eu entendi
Entendi que pra mim
Você é a Cura
Majo y Dan
O erro de quem não te valoriza diz respeito apenas aos limites e à cegueira dessa pessoa, e nunca diminui o seu verdadeiro valor.
O CORONELISMO DO SÉCULO XXI
Um povo entre a mentira, a cegueira e a esperança.
Há um povo que caminha sem saber para onde,
Que aceita a mentira e a verdade esconde,
Que ouve promessas vestidas de ilusão,
E entrega o seu destino às mãos da conveniência e da ambição.
Vive de narrativas, de histórias fabricadas,
De verdades distorcidas, de consciências aprisionadas,
Enquanto a ignorância, coroada de razão,
Transforma o pensamento em refém da manipulação.
Há políticos que ostentam títulos e saber,
Falam como intelectuais, fingem compreender,
Mas trocam princípios por alianças convenientes,
Apertam mãos suspeitas, sorriem para os coniventes.
Não lhes move a dor daquele que padece,
Nem a voz do trabalhador que luta e não enriquece.
O que lhes move é o cálculo, o interesse pessoal,
É manter-se no poder, ainda que o preço seja moral.
E o povo? Ah, o povo, cansado de esperar,
Vê a mesma peça antiga novamente encenar.
Mudam-se os discursos, os rostos e as bandeiras,
Mas permanecem as promessas, as mesmas prisioneiras.
Há uma militância cega, fiel à repetição,
Que confunde lealdade com ausência de razão.
Defende o indefensável, não admite contestação,
Faz do líder um ídolo e da crítica uma traição.
Prometeram novos tempos, anunciaram transformação,
Mas o futuro continua distante do sertão.
A esperança bate à porta, ninguém lhe estende a mão,
E o amanhã permanece refém da velha encenação.
E assim ressurge, em pleno século XXI,
O coronelismo antigo, agora vestido de comum.
Já não precisa da chibata para impor sua vontade:
Basta controlar o discurso e negociar a necessidade.
O voto, que deveria ser instrumento de mudança,
Torna-se moeda de troca, cabresto da esperança.
E quem deveria escolher os rumos da própria história
Vê outros decidirem seu presente e sua memória.
Não há liberdade plena quando o medo dita a escolha,
Nem democracia viva quando a consciência se encolhe.
Não há povo soberano se lhe negam o saber,
Pois quem não pode questionar dificilmente pode escolher.
Mas um povo não nasceu condenado à escuridão,
Nem deve eternamente ajoelhar-se à manipulação.
A ignorância não é destino, a pobreza não é sentença,
E nenhum poder se sustenta para sempre na ausência de consciência.
Que um dia esse povo descubra a força que tem,
Que não deve sua voz a político algum, nem a ninguém.
Que aprenda que ser livre é pensar sem ter senhor,
É cobrar de quem governa, sem submissão ou temor.
Que as promessas sejam julgadas pelas obras realizadas,
Que as alianças sejam vistas, não apenas celebradas.
Que títulos não escondam a falta de honestidade,
E que o poder se curve, enfim, diante da dignidade.
Porque um povo que pensa já não aceita qualquer corrente,
Não se curva a sobrenomes, nem se vende eternamente.
E quando a consciência desperta e a verdade rompe o véu,
Cai o trono dos coronéis, por mais alto que esteja ao céu.
Pois o maior triunfo de um povo não é trocar de governante,
Mas deixar de ser refém de qualquer dono arrogante.
É escolher o próprio rumo, sem cabresto e sem favor,
Fazendo da consciência sua arma, e da liberdade, seu valor.
