Existe um tipo de cegueira que não... RivaAlmeida

Existe um tipo de cegueira que não está nos olhos, mas na mente. É aquela que faz uma pessoa rejeitar uma boa ideia simplesmente porque ela veio de alguém de quem discorda.
O fanatismo é tão perigoso que, em nome da oposição, alguns passam a defender até aquilo que deveriam combater. Se o adversário propõe acabar com a dengue, tornam-se defensores do mosquito. Não porque acreditem na importância do inseto, mas porque perderam a capacidade de separar o valor de uma ideia de quem a apresenta.
Nesse estágio, a razão deixa de ser o instrumento que orienta o pensamento e se transforma em refém das paixões. Os fatos já não importam, os argumentos são ignorados e a verdade só é aceita quando favorece o próprio lado.
O mais triste é perceber que, nessa disputa cega, muitos já não se preocupam com o que é melhor para a sociedade, mas apenas com o que pode prejudicar o adversário. E, quando a necessidade de vencer alguém se torna maior do que o compromisso com o bem comum, todos acabam perdendo.
Discordar é um direito. Questionar é saudável. Fiscalizar é necessário. Mas rejeitar tudo o que vem do outro lado, sem avaliar o mérito, não é pensamento crítico: é dependência ideológica.
Uma mente livre julga a ideia pelo seu valor, não pela identidade de quem a defende. Uma mente dominada pelo fanatismo, porém, prefere ver o mosquito vencer a admitir que o adversário tinha razão.
Eis o absurdo da cegueira ideológica: na ânsia de derrotar o adversário, há quem aceite a derrota da própria razão — e ainda comemore como se tivesse vencido.