Lisa Alves

Encontrados 12 pensamentos de Lisa Alves

Cheio de luz. A escuridão na minha alma. Ali me agacho, me dobro, me fecho, me escondo.
Rejeição, desafeto, dor, desinteresse. Interessante para alguns
Gritos hediondos. Sinto o que não pode ser visto. Não quero ter, viver, ver..
Mas olhe, sinta, veja.Não da!
Sofrimento no silêncio. Pessoas não ouvem. Então falo, mas ninguém entende!
E a luz continua a brilhar!

Triste e cruel realidade

É para você que escrevo, não ponho o seu nome com receio nem sei do que.
É... você que hoje, talvez, nem se lembra mais de mim.
Você que me ensinou a amar de verdade e a perdoá-lo sempre que fosse necessário- devolvendo-lhe o direito de ser feliz novamente. Foram muitos os momentos felizes que nós passamos. Eu já fui feliz, feliz mesmo, mas minha felicidade com você nunca durou muito.
A triste e cruel realidade, mais uma vez foi revelada e dessa vez definitivamente: Você não mais me amava! Não! Você nunca me amou! Você foi embora e não mais voltou. O pior é que eu esperei por você, esperei...em vão... A sua vida foi tomando um outro rumo e a minha parou no tempo... Eu passei a viver de recordações, com a esperança de um dia você voltar, trazendo a felicidade que há muito já não existia...
Um dia, você me mostrou que todo aquele tempo dedicado a você- meu único e verdadeiro amor- não lhe significou nada e que na tua vida não tinha mais lugar para mim.
Hoje, procuro me conformar, pois eu só quero a sua felicidade.
Essa foi a única maneira que encontrei de lhe dizer mais uma vez que ainda o amo e que sempre o amarei.

Inserida por Lisa33

As circunstâncias não podem mudar o que você é. Você que tem que mudar as circunstâncias.

Inserida por Lisa33

(...)
eu não sei se passei no teste
de ser gente ou alguma coisa
queria mesmo é ser a Mosca
dos filmes do Cronenberg
ou o inseto monstruoso do Kafka
que um dia não saiu mais
um dia me tranquei no quarto
um dia me tranquei na vida
e não fui mais
simplesmente não fui
e nem tentei encontrar
respostas ou motivo


Não há nada depois dessas coisas.


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(Fragmento do poema “Um inseto monstruoso”)
Lisa Alves — Jardim de Pragas (2025)

[ecos]




O Eu original foi desconectado
e tudo o que restou fomos Nós
(esses Eus sem paradigmas),
no escuro de uma tabela periódica,
crédulos da ciência e dos teísmos,
cultivadores de rótulos, diplomas e de imóveis habitações.


Lisa Alves — Arame Farpado (2015)

[impressoras orgânicas]


(...)


Meu espírito anárquico não compreende
a frieza em pleno verão.
Nasci na tropicália mineirês,
no barroco europeu
com santos que nunca acreditei.
Aprendi a ler para rezar novena e fui parar em
“Ave Bakunin!” e “Salve Lispector!”.








Lisa Alves — Arame Farpado (2015)

(...) Já cedo, antes de maçãs caírem
eu sentia o poder da gravidade
(meu pai sempre caía e eu o seguia)
Primeiro porre aos doze.




[entre quedas e newtons, mordo a maçã]


Lisa Alves — Arame Farpado (2015)

[deuses ruminantes na terra do sol]


Mastigar o Sol e digerir energias sem filtro
ser dragão tupi or not tupi
ser Dragão tão-só,
tão-somente cuspir fogo
como uma entidade intraterrena,
de dentro, do submundo: um vulcão, um deus de dentro
Hades desse lado de cá é Moloch Infernus Br.
Brasil tão-só, tão Sol,
que carecemos ruminar.


Lisa Alves — Arame Farpdo (2015)

[o brado]




Sanguessuga é a velha
união européia
ou o louco Tio
do “Times is money”?




Lisa Alves — Arame Farpado (2015)

[censura]


Não possuía escapes – lacraram todos os orifícios de evasão.
As flores de dentro tornaram-se rudes e secas.
Até o ar ficara denso.
Nem regalia de afundar-se ao chão,
nem michas por debaixo das portas (portas?),
nem correio, nem leiteiro, nem vozes (veludas vozes),
nem sirenes e nem a cantiga do bem-te-vi.
Ela era toda silêncio.


Lisa Alves — Arame Farpado (2015)

[lei de talião]


Arranquei o olho esquerdo
e o fiz de amuleto antes que
a cegueira me impeça de ver
que não há nenhum herói nos
arredores da Terra do Sol.




Lisa Alves — Arame Farpado (2015)

O tempo nos lê todos os dias
a lei enérgica do eterno retorno
e nem a didática foge à regra:
repetições,ponteiro do relógio
e onomatopeias do tempo:


guerra, paz, guerra, paz,
guerra, paz, guerra, paz,
guerra, paz, guerra, paz




Lisa Alves — Arame Farpado (2015