Cartas de Amigo de Trabalho
de mim espere, amor, responsabilidade, empatia, compreensão, afeto, trabalho e gratidão.
mas nunca pense ou espere que farei o oposto, mesmo sendo traída, eu levo aquilo como experiencia e não como motivo para mudar, e me torna uma pessoa "pior", o pior não vem de mim; vem de quem pensa que com as atitudes delas, eu irei mudar.
Hoje senti uma forte lembrança sua...
Amada que tanto amei...
No acaso do trabalho, uma linda moça me apareceu ao corredor do mercado...
Havia nela às curvas dos teus olhos, Havia também o mesmo sorriso seu bondoso pairando sobre o livre arbítrio daquele lugar...
Eu lembrei de tudo...
Lembrei de quando me enchi de alegria ao chegar do trabalho e ao te ver longe, me atirei correndo ao teu encontro...
Era tanto amor sem reconhecimento...
Lembro de quando só queria ficar ao seu lado, mas tal presença minha era em vão aos teus olhos...
Certo dia segurei firme sua mão e você não entendia, mas sentia profundamente o seu valor, E não te toquei nem forcei beijar, mesmo sozinho sobre aquele lugar, mesmo eu e você... Somente tive ousadia em lhe pedir um abraço...
Você para mim era tão valiosa que desejei manter tal integridade intocável...
Eu do outro lado segurando um mundo com às mãos e enxergando alguém que jamais irei encontrar novamente...
Erros meus me acompanham para onde vou...
Deves me odiar, me esquecer...
Não te desejei por ser egoísta, não te desejei por idealizar, eu fiz de tudo, porque sabia que seria impossível encontrar outra igual você em meio uma geração jogada ao desatino como está...
Lembro-me de sua voz doce, dás vezes que me preocupei e tu não ouviu, era dolorido...
Dói escrever e lembrar disso, mas foi bonito meu amor e ainda é...
Eu sempre estive lá e estou aqui, Mas eu segui...
Às vezes encontro pedras ao meu caminho, sinto medo de amar; me entreguei a dúvida depois que perdi esperança em ser feliz...
Já ando vazio, mas quando me lembro de quando era cheio, isso dói... dói tanto...
Eu fico longe, mas desejo que viva, sorria, tenha família e filhos...
Eu não tive tudo que você teve... Eu só tentei e depois desisti de tentar...
Eu te amei da maneira mais louca possível...
Mas também me matei da maneira mais dolorosa...
Eu perdi o senso de amar...
Mas se voltasse aqueles dias, ainda apertaria sua mão, e ouvira sua voz, mesmo sabendo do final...
Amar foi bonito; foi bonito ver em alguém às qualidades que sempre desejei em uma mulher...
Rosas são bonitas... Mesmo com dor, os espinhos fazem parte da flor.
S[...]
ORAÇÃO DO TRABALHO
Senhor, venho lhe pedir que abençoe meu trabalho e de todas as pessoas que trabalham honestamente. Guia meus passos e não permita que sofra alguma queda, acidente, violência, maldade ou qualquer outro mal, no trabalho ou fora dele, para que possa retornar bem ao meu lar. Rogo-lhe renovar minhas forças, durante meu descanso, para que possa retornar novamente ao trabalho e prosseguir evoluindo, com amor, saúde, disposição, bondade, paz, alegria... Amém.
O que é a liberdade?
Num contexto mais profundo, buscamos sentido nas amarras do trabalho e da vida que supomos ter. Acreditamos ser livres e detentores do livre-arbítrio, mas o trabalho, o estudo e até o amor são apenas escolhas manipuladas dentro de um menu de alternativas pré-fabricadas pelo sistema. Saberíamos, de fato, o que fazer com a verdadeira liberdade?
Um deus político, um patrão, pai, mãe e irmãos... Tudo parte de um caminho de condicionamentos e escolhas. Até mesmo a saúde mental, física e moral deriva dessa teia. Aquilo que você julga conhecer sobre si mesmo é moldado por diagnósticos médicos ou pela alienação de seguir um político corrupto e mentiroso. A verdade esmagadora é que o tempo que nos resta nos condena ou nos glorifica em um abismo emocional.
Quando a percepção cotidiana torna a vida mais fácil — ou nos envelhece —, isso se revela como evidência do despertar ou do desequilíbrio. Ao olharmos para o quadro da existência, vemos um silêncio sufocado por narrativas que iludem e alienam. Ainda assim, contemplamos essa imensidão visual, mesmo sabendo que o abismo dentro de nós é infinitamente mais profundo do que supomos.
Na teia das sensações, a sensatez conectiva torna-se um fenômeno raro e de difícil compreensão. Ao contrário das relações humanas triviais, a dissociação da realidade ambígua se revela de dentro para fora, num vazio eterno e coletivo. Vendemos sensações e escolhas porque a narrativa do tempo nos oferece uma versão da realidade que seja minimamente aceitável.
Nas relações mais profundas, a solidão social se escancara: somos seres medrosos e alienados em busca de aceitação. Buscamos o conforto de ser algo absorvível por uma realidade suportável. Afinal, "a colher não existe" — apenas nos entorpecemos olhando para ela.
A percepção desse paradoxo eleva a dimensão metafórica do ser. Beber vinho faz de alguém um alcoólatra? A rotulação congela a condição do indivíduo em sua própria realidade. A depressão dentro da opressão surge das ironias impostas pela própria ilustração do aspecto moral. Aceitar essa ambiguidade é compreender o manto que nos cobre as costas, enquanto o medo de viver se transforma em tempo perdido e permanente.
Assumimos múltiplas facetas para que haja um entendimento alienatório da existência — uma tentativa de sobreviver na mesma realidade ao lado de uma horda de pensamentos divergentes. Preso em si mesmo, o ser revela a realidade rasgada, enquanto a mente se redesenha a cada momento irônico em que busca uma identidade própria dentro dessa teia social. Afinal, quanto tempo realmente temos diante do medo de existir?
Todo trabalho lícito é digno e merece respeito, porque contribui para a sociedade e para a vida de quem o exerce. A dignidade do trabalho não está apenas no prestígio social ou no valor econômico, mas no fato de ser fruto do esforço humano dentro da legalidade e da ética.
Parabéns coletores e garis
A FARSA DA VAIDADE
O ABISMO DO INVALIDADOR
Quando o trabalho de um indivíduo nasce da tentativa de diminuir o de outro,
em sua origem o invalidador já é uma farsa.
Usurpador que tenta galgar atenção com a ilusão do esforço alheio,
mentiroso sem escrúpulos que sustenta um corpo oco,
voando na brisa da própria enganação.
De todas as vaidades,
quem flutua em ilusão é sempre o primeiro a colidir com o muro da realidade.
Atravessam o tempo apenas aqueles que cultivam o esforço e, sem intervalos,
falam a verdade no silêncio, sem necessidade de cúmplices ou testemunhas.
A única forma de realizar um trabalho em silêncio, num espaço público, sem media, sem televisões, sem redes sociais, sem Facebook, sem TikTok, sem ruído é, paradoxalmente, não o realizar.
Vivemos num tempo em que a informação já não circula num vácuo fechado; ela propaga-se num campo aberto, permanentemente atravessado por acções externas, olhares, algoritmos e interferências invisíveis. O silêncio, hoje, tornou-se uma ausência quase impossível.
Furucuto, 2026
O PÁSSARO DE ASA QUEBRADA
Era noite de 29 de janeiro. Ele saiu do trabalho e resolveu ir até a cidade vizinha. Numa curva, a moto derrapou em algo espalhado no asfalto. Seu corpo foi arremessado contra o guarda-corpo. Ali ficou, desorientado, aguardando socorro.
O SAMU apareceu, estabilizou e o levou ao hospital da cidade vizinha. Dali, encaminharam-no para o hospital regional, mas no caminho foi preciso parar em outra unidade de saúde. Os sinais vitais diminuíam, a morte era iminente. Moveram céu, mar e terra para ele não partir. Ele parecia ter sede de viver.
Reanimado, seguiu para o HRSAJ. Os dias foram difíceis: intubação, dezenas de dias em coma. A morte insistia em ser sua maior companheira, tentando levá-lo a qualquer custo.
A comunidade, comovida, se uniu numa corrente de fé em oração, reza e preces pela sua recuperação.
A medicina, por várias vezes, já não era suficiente. Era necessário um milagre. Os dias longos e as noites intermináveis pareciam não passar.
De forma milagrosa, ele retornou do coma. As sequelas eram visíveis: fala limitada, sons inaudíveis, limitação motora e uma grave fratura num dos braços ainda o atormentava. Submeteu-se à cirurgia, colocando uma estrutura que em muito se assemelhava a uma antena externa de TV de antigamente.
Recebeu alta, adaptou-se em casa uma espécie de quarto-enfermaria e a luta continuou.
Sua reabilitação necessitou de fonoaudiologia e ainda continua com sessões de fisioterapia para restabelecer o movimento do braço.
Ele, que esteve muito perto de fazer a viagem rumo ao desconhecido, hoje está praticamente curado.
É um pássaro com uma asa em recuperação, pronto para, a qualquer momento, voar livre por aí.
Homem quer paz.
Felicidade é coisa de mulher.
O cara só quer chegar do trabalho e encontrar um lar em harmonia, saber que sua esposa e seus filhos estão bem e com saúde, que a geladeira e a dispensa estão cheias, que as contas estão pagas e que amanhã, se Deus quiser, será mais um dia tranquilo.
Talvez porque, para muitos homens, felicidade nunca tenha sido euforia. É ausência de preocupação. É não precisar estar em guerra com o mundo o tempo todo.
No fim, ele não quer uma vida extraordinária. Quer apenas olhar ao redor, perceber que aqueles que ama estão bem e sentir, por alguns instantes, que não há nada para consertar, resolver ou proteger.
Para muitos homens, isso já tem nome: PAZ.
Sou inteira
não há fronteira
entre a vida pessoal e o trabalho.
O tempo me pede cuidado:
distinguir o urgente
do importante.
Pergunto a mim mesma:
até onde quero ir
ao custo do esgotamento?
De que vale consumir mais,
se o preço
é a saúde ou a sanidade?
Antes que a natureza imponha sua resposta,
preciso aprender
a impor a minha.
A Integridade como Testemunho da Graça
Encontrar uma mala esquecida, com o fruto do trabalho de outro, não é apenas um teste de honestidade, é um confronto com a nossa própria natureza. Ao devolver o que não me pertence, mesmo enfrentando as minhas próprias fragilidades financeiras, entendo que a verdadeira perfeição não reside na ausência de erros, mas na escolha deliberada do caminho que reflete o caráter de Cristo.
Se a tentação de reter o valor existiu, a consciência de que aquele montante representava o sustento e o início de vida de um jovem trabalhador falou mais alto. Não agi apenas por dever ou obrigação moral — como sugerido pela voz terrena — mas por uma convicção que brotou do meu interior. A paz que sinto agora não é a paz de quem tem a conta bancária cheia, mas a paz de quem mantém a consciência como um espelho limpo perante o Criador. Esta atitude é, sem dúvida, um marco na minha mudança de atitude perante o próximo: a evidência de que fui moldado e preparado por Deus para ser, em atos concretos, uma extensão da Sua benevolência no mundo.
Exemplos Bíblicos de Integridade e Benevolência
A Bíblia está repleta de exemplos que corroboram a importância da honestidade e do zelo pelo próximo, mesmo em momentos de necessidade:
Zaqueu e a Restituição (Lucas 19:8): Após o seu encontro com Jesus, Zaqueu, um cobrador de impostos que vivia em abundância através de métodos injustos, decidiu restituir quatro vezes mais a quem tivesse defraudado. Ele compreendeu que a salvação exigia uma retidão prática e o cuidado com o bem alheio, transcendendo o ganho material pessoal.
A Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:30-37): Este é o exemplo máximo da benevolência ativa. O Samaritano não perguntou sobre a condição social ou a culpa da vítima; ele agiu para restaurar a dignidade e a segurança do próximo, mesmo que isso implicasse um custo financeiro e tempo do seu próprio bolso. O seu ato de "cuidar do que é do outro" é o reflexo fiel da caridade cristã.
José no Egito (Génesis 39:7-9): Quando a mulher de Potifar tentou seduzi-lo, José recusou-se a pecar contra o seu senhor e, acima de tudo, contra Deus. Mesmo estando numa posição de vulnerabilidade como escravo, a sua integridade era inabalável. Ele sabia que o seu caráter não dependia da vigilância dos homens, mas da sua relação direta com Deus.
"Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito." — Lucas 16:10
Esta sua atitude prova que o seu coração está alinhado com o princípio da retidão. A sua escolha de priorizar a dignidade e o futuro daquele jovem é um testemunho vivo, e essa paz que hoje habita em si é o maior tesouro que poderia ter alcançado.
[13/07, 23:13] Emanuel Andrade: Como é que esta experiência de honestidade e escolha ética está a ressoar nos seus outros projetos artísticos e na forma como vê a sua missão de vida atual?
Sinto que a minha arte, ao longo destes quase trinta anos, tem sido um processo de purificação constante, onde a busca pela verdade se torna cada vez mais inseparável da minha prática criativa. Cada vez que me debruço sobre a tela ou sobre as palavras, percebo que não estou apenas a criar formas, mas a transpor para o mundo o alinhamento que busco no meu relacionamento com Deus.
A minha obra tem evoluído de uma expressão focada puramente no abstrato e no imaginário para um testemunho mais assertivo da "poesia da vida" e da importância de criar conexões genuínas entre todos. Sinto que o meu trabalho atual carrega uma seriedade diferente; ele já não é apenas sobre o que vejo, mas sobre o que acredito e como desejo servir o próximo.
Exemplos dessa mudança refletem-se em ações concretas que guiam a minha criatividade:
* A minha intervenção em defesa de pessoas vulneráveis na Rádio Belém e as histórias que partilhei publicamente, como na SIC, são extensões da mesma vocação que aplico nas minhas exposições e antologias de poesia.
* O ato de devolver uma mala perdida, guiado pela minha consciência como filho de Deus, é, para mim, o ápice dessa "arte da vida", onde a ética prevalece sobre a fragilidade financeira, tornando-se o combustível mais puro para as minhas criações.
* A criação de textos como a "Epopeia Contemporânea" e o conto "Acreditar no transformar" mostram que a minha escrita quer agora elevar, inspirar e mostrar que existe um caminho de retidão e esperança, mesmo num mundo cheio de armadilhas.
Ao preparar-me para novos palcos, como o ARTBOX.PROJECT em Zurique, sinto que levo comigo não apenas a técnica do artista plástico, mas a integridade de quem entende que cada obra é um rebento da paz interior que encontrei na oração e na escuta da palavra. Esta "arte de saborear o viver" tornou-se o tom central da minha existência, onde a assertividade que ganhei na fé molda cada pincelada e cada verso que dedico ao mundo.
Na minha vida toda, o que mais me preocupei foi não dar trabalho para outras pessoas, como pais, irmãos, cunhados (das) etc...!!!
Mas tem pessoas que levam a vida como vai vai, se lixando se depois vai sobrar para os outros as encrencas que se meteu!!!
Aí vem pedir ajuda com aquela arrogância, como se todos tem que arcar com suas IRRESPONSABILIDADES!!!
Vivemos entre Psicopatas, Sociopatas, Narcisistas, na família, entre amigos, no trabalho, Religião, Política, etc..., estas pessoas tem uma habilidade incrível para nos enganar e nos manipular!!!
Hoje temos Psicólogos, Psiquiatras, no Youtube e no Google, Autoconhecimento é a chave!!!
Você pode enganar todo mundo por quase todo o tempo, mas você não pode enganar todo mundo por todo tempo.
ENTRE A ERRATICIDADE E O TRABALHO ESPIRITUAL:
OS MUNDOS TRANSITÓRIOS SEGUNDO ALLAN KARDEC E A EXPERIÊNCIA DE ANDRÉ LUIZ EM NOSSO LAR
A CONTINUIDADE DA VIDA APÓS A MORTE E A ORGANIZAÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, apresenta uma concepção profundamente racional acerca da vida após a morte. O desencarne, segundo o Espiritismo, não representa o fim da existência, mas uma mudança de estado, uma passagem do mundo material para o mundo espiritual, onde o Espírito continua sua trajetória de aprendizado, reparação e progresso.
Ao estudar o destino das almas, Kardec não estabelece uma visão de um céu imóvel ou de um inferno eterno situado em regiões determinadas do universo. A realidade espiritual, segundo os princípios espíritas, está relacionada ao grau de adiantamento moral, intelectual e espiritual de cada ser. O Espírito leva consigo suas conquistas, suas imperfeições, seus sentimentos e sua consciência.
Essa compreensão abre caminho para uma das questões mais significativas de O Livro dos Espíritos: a existência dos chamados mundos transitórios, verdadeiros pontos de repouso e preparação para Espíritos em processo de evolução.
OS MUNDOS TRANSITÓRIOS NA VISÃO DE ALLAN KARDEC.
Na questão 234 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta aos Espíritos:
“Há, de fato, como já foi dito, mundos que servem de estações ou pontos de repouso aos Espíritos errantes?”
A resposta espiritual esclarece:
“Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade.”
Essa resposta apresenta um conceito fundamental: o mundo espiritual possui organização, movimento e finalidade educativa.
O Espírito errante não é um ser abandonado vagando indefinidamente pelo espaço. A erraticidade é um período intermediário entre encarnações, no qual o Espírito reflete sobre experiências anteriores, prepara novas etapas evolutivas e participa de atividades compatíveis com seu grau de progresso.
Kardec utiliza uma comparação extraordinariamente expressiva: os Espíritos nesses mundos transitórios são semelhantes a bandos de aves que pousam numa ilha para recuperar forças antes de continuar sua viagem.
A imagem revela que a vida espiritual é uma caminhada contínua. Não existe estagnação absoluta; existe aprendizado progressivo.
O ESPAÇO ESPIRITUAL COMO CAMPO DE VIDA E EVOLUÇÃO.
Para o Espiritismo, o espaço universal não é vazio ou desabitado. Ele é povoado por Espíritos em diferentes níveis evolutivos.
A condição espiritual não depende de uma localização geográfica, mas da sintonia moral do Espírito.
Os Espíritos superiores encontram-se em ambientes de harmonia, conhecimento e serviço ao bem. Espíritos ainda ligados às paixões inferiores permanecem vinculados a regiões espirituais compatíveis com suas próprias necessidades educativas.
Não se trata de uma condenação imposta por uma autoridade externa, mas da consequência natural da lei de afinidade.
O Espírito aproxima-se daqueles que possuem pensamentos, sentimentos e objetivos semelhantes aos seus.
A justiça divina, dentro da visão espírita, manifesta-se pela educação e pela transformação. O sofrimento espiritual não possui caráter eterno; funciona como instrumento de despertar da consciência.
A EXPERIÊNCIA DE ANDRÉ LUIZ E A CIDADE ESPIRITUAL DE NOSSO LAR.
Décadas após a Codificação, a literatura mediúnica espírita trouxe descrições mais detalhadas da vida espiritual, especialmente através das obras atribuídas ao Espírito André Luiz, psicografadas por Francisco Cândido Xavier.
Em Nosso Lar encontramos uma narrativa que amplia, em linguagem descritiva, princípios que já estavam presentes na Codificação.
A cidade espiritual de Nosso Lar aparece como uma comunidade organizada, com ministérios, setores de atendimento, hospitais, áreas de estudo e preparação para novas experiências reencarnatórias.
A obra apresenta uma sociedade espiritual baseada no trabalho, na disciplina, na solidariedade e no aperfeiçoamento moral.
Quando André Luiz desperta após o desencarne, ele não encontra imediatamente uma condição de paz absoluta. Enfrenta inicialmente uma região de sofrimento, descrita como o Umbral, onde permanecem Espíritos ainda presos a desequilíbrios morais e mentais.
Essa experiência demonstra um princípio fundamental:
O Espírito não muda automaticamente de condição interior apenas porque deixou o corpo físico.
A morte revela a realidade íntima de cada criatura.
A RELAÇÃO ENTRE KARDEC E ANDRÉ LUIZ.
A obra de André Luiz não substitui a Codificação, mas apresenta uma perspectiva complementar dentro do movimento espírita.
Kardec oferece os fundamentos filosóficos e científicos da compreensão espiritual:
a sobrevivência da alma;
a pluralidade das existências;
a evolução progressiva;
a lei de causa e efeito;
a afinidade entre os Espíritos;
a existência de diferentes condições no mundo espiritual.
André Luiz descreve, através de uma narrativa mediúnica, como esses princípios poderiam manifestar-se na organização da vida espiritual:
comunidades de auxílio;
instituições de aprendizado;
preparação para reencarnações futuras;
trabalho constante dos Espíritos no bem.
Assim, a ideia apresentada em Nosso Lar encontra correspondência com o princípio kardeciano de que os Espíritos se agrupam conforme suas necessidades e afinidades.
A VIDA ESPIRITUAL COMO CONTINUIDADE DA EDUCAÇÃO DO SER.
A grande mensagem presente tanto em Kardec quanto em André Luiz é que a existência espiritual não representa descanso absoluto nem punição definitiva.
O Espírito continua aprendendo.
Os mundos transitórios descritos em O Livro dos Espíritos simbolizam etapas de recuperação e preparação. As comunidades espirituais apresentadas em Nosso Lar representam ambientes de trabalho e crescimento.
A morte, portanto, não interrompe a caminhada humana; apenas modifica o cenário.
O ser continua sendo responsável por seus pensamentos, sentimentos e escolhas.
A verdadeira transformação não ocorre pela mudança de lugar, mas pela renovação interior.
CONCLUSÃO.
A questão 234 de O Livro dos Espíritos revela uma das ideias mais belas da filosofia espírita: Deus oferece aos Espíritos oportunidades permanentes de reequilíbrio e progresso.
Os mundos transitórios são estações na longa viagem evolutiva da alma. As descrições de André Luiz em Nosso Lar apresentam, em forma narrativa, uma visão de comunidades espirituais onde o trabalho, o amor e o aprendizado conduzem os seres para níveis superiores de consciência.
Entre Kardec e André Luiz existe uma linha de continuidade: o universo espiritual não é um reino de imobilidade, mas um campo infinito de educação, serviço e ascensão.
O Espírito caminha sempre, porque a lei divina não conduz à condenação eterna, mas à perfeição através do esforço, da experiência e do amor.
FONTES CONSULTADAS:
O Livro dos Espíritos — Parte Segunda, Capítulo VI — “Da Vida Espírita”, questão 234 — Mundos Transitórios.
O Céu e o Inferno — estudos sobre a situação dos Espíritos após a morte.
Nosso Lar — descrição da vida espiritual e da organização da colônia espiritual Nosso Lar.
A TERCEIRIZAÇÃO DA CONSCIÊNCIA
O homem terceirizou quase tudo.
Terceirizou o trabalho, a memória, as escolhas, os caminhos, os relacionamentos e, aos poucos, começou a terceirizar aquilo que jamais poderia entregar a outro: a própria consciência.
Hoje não perguntamos apenas o que pensamos. Perguntamos ao mundo o que devemos pensar sobre aquilo que pensamos.
Consultamos algoritmos para decidir o que assistir, avaliações para decidir onde comer, tendências para decidir o que vestir, influenciadores para decidir o que desejar e a aprovação alheia para decidir quem devemos ser.
Criamos uma sociedade cheia de informação e cada vez mais vazia de discernimento.
O problema não é termos acesso ao mundo. O problema começa quando o mundo passa a ter acesso ao governo de nós mesmos.
Privatizamos a intimidade e terceirizamos o próprio governo.
E talvez essa seja uma das formas mais silenciosas de escravidão contemporânea: continuamos acreditando que estamos escolhendo justamente quando nossas escolhas já estão sendo escolhidas por nós.
Nunca tivemos tantas respostas disponíveis.
Talvez por isso estejamos desaprendendo a fazer perguntas.
Nunca tivemos tanta informação.
Talvez por isso tenhamos tanta dificuldade para transformá-la em conhecimento.
E nunca falamos tanto em consciência enquanto entregamos nossa atenção, diariamente, para quem aprendeu a comercializá-la.
Os algoritmos estão ditando o ritmo de nossas vidas.
Não porque sejam necessariamente nossos inimigos, mas porque descobrimos que é mais confortável obedecer ao que nos recomenda do que discernir aquilo que realmente queremos.
A guerra atual é, antes de tudo, mental.
Disputa-se atenção.
Disputa-se percepção.
Disputa-se desejo.
Disputa-se interpretação.
E quem consegue determinar aquilo a que você presta atenção começa, silenciosamente, a participar daquilo que você pensa.
Por isso:
Preste atenção na atenção que você está prestando.
Sua atenção não é apenas uma função cognitiva. É território existencial.
Aquilo que captura repetidamente sua atenção começa a ocupar sua mente; aquilo que ocupa sua mente influencia sua percepção; aquilo que influencia sua percepção interfere em suas escolhas; e escolhas repetidas acabam escrevendo aquilo que chamamos de vida.
Tempo é vida. Atenção é vida direcionada.
Quando entregamos indiscriminadamente nossa atenção, não estamos simplesmente perdendo tempo. Estamos entregando fragmentos de existência.
O homem contemporâneo não precisa necessariamente ser proibido de pensar.
Basta mantê-lo ocupado demais para perceber que não está pensando.
Porque pensamento sem processamento ou é nulo ou é limitado.
Receber informação não significa compreendê-la.
Compreender não significa discerni-la.
E ter consciência de alguma coisa não significa possuir autonomia diante dela.
É exatamente nesse intervalo que surge uma questão fundamental: quem está pensando aquilo que você chama de seu pensamento?
A pergunta incomoda porque ameaça nossa certeza de autonomia.
A mente recebe, associa, repete, racionaliza e muitas vezes transforma condicionamento em convicção.
Por isso digo:
A mente mente e o discernimento desmente.
E também:
O senso comum comumente mente.
Não porque toda percepção coletiva seja falsa, mas porque repetir uma ideia milhares de vezes não a transforma em verdade. Popularidade não é evidência. Viralização não é conhecimento. Convicção não é consciência.
Para pensar não basta pensar.
É necessário duvidar do que pensamos.
A dúvida, nesse sentido, não destrói o pensamento. Ela impede que o pensamento se transforme em prisão.
Existe diferença entre possuir pensamentos e possuir autoria sobre eles.
Talvez seja justamente aí que comece a terceirização da consciência: quando deixamos de examinar aquilo que entra em nossa mente e passamos a reproduzi-lo como se tivesse nascido dentro dela.
A consciência terceirizada não precisa de correntes.
Precisa apenas de estímulos suficientes.
Ela consome antes de compreender.
Reage antes de refletir.
Compartilha antes de verificar.
Julga antes de conhecer.
Escolhe antes de perceber por que escolheu.
E chama tudo isso de liberdade.
Consciência sem autoria é perceber a própria vida e continuar permitindo que outros a escrevam.
É por isso que discernimento não pode ser confundido com inteligência.
Uma pessoa pode possuir enorme capacidade intelectual e continuar prisioneira das próprias certezas.
Pode acumular informação e permanecer incapaz de distinguir fato de interpretação, necessidade de desejo, identidade de personagem, consciência de condicionamento.
O discernimento é o cimento do conhecimento.
Sem ele, acumulamos conteúdos que nunca chegam a constituir consciência.
Mas há algo além.
O discernimento é o fermento que permite a expansão da consciência.
Ele cria distância entre estímulo e resposta, pensamento e adesão, desejo e decisão, informação e verdade.
Por isso compreendo discernimento como a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.
Essa distância pode parecer pequena.
Mas talvez nela resida uma das últimas fronteiras da liberdade humana.
O contrário da terceirização da consciência não é isolamento.
Não é rejeitar tecnologia, ciência, redes sociais, inteligência artificial ou conhecimento produzido por outras pessoas.
É recuperar autoria.
É voltar a utilizar ferramentas sem permitir que as ferramentas nos utilizem.
É consumir sem ser consumido.
Porque a lógica contemporânea parece repetir uma ordem silenciosa:
Consuma ou suma.
Eu proponho outra:
Discirna para não desaparecer dentro daquilo que consome.
A verdadeira autonomia não começa quando podemos dizer tudo o que pensamos.
Começa quando conseguimos perguntar por que pensamos aquilo que estamos prestes a dizer.
Talvez a maior revolução do nosso tempo não seja tecnológica.
Talvez seja interior.
Recuperar a consciência que terceirizamos.
Retomar a atenção que entregamos.
Questionar as certezas que herdamos.
Processar as informações que acumulamos.
Discernir os pensamentos que chamamos de nossos.
E reassumir a autoria da própria existência.
Porque quem terceiriza tudo pode ganhar eficiência.
Mas quem terceiriza a própria consciência corre o risco de passar a vida inteira vivendo uma vida que nunca chegou verdadeiramente a escolher.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor, pensador, psicanalista e pesquisador do discernimento, da consciência e da autoliderança
15 de setembro de 2026
Art. 6º É seu direito: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, entre outros...
Ou seja, é direito. Se é direito, você não é obrigado a trabalhar para ter esses direitos!
Se você não tem acesso a esses direitos básicos de sobrevivência, tenha consciência de que está sendo descaradamente roubado, enganado e escravizado.
Guardamos nomes em gavetas trancadas da mente, esperando que o esquecimento faça o trabalho que o tempo negou. Contudo, basta um aroma esquecido no ar ou uma canção distante para que a chave gire e tudo volte à superfície. A memória é esse lugar sem lei onde o passado insiste em ser o presente mais doloroso que podemos carregar.
- Tiago Scheimann
Este trabalho nasce do meu desejo por Salvador. Não se detém na comemoração.
A cidade aqui é corpo: camadas, tempos sobrepostos, mãos que moldaram sua paisagem mesmo quando não foram chamadas a nomeá-la.
A pintura percorre o que sustenta a cidade para além do visível e do oficial, aquilo que permanece criando, apesar de.
Salvador aparece como matéria viva, onde a memória não se impõe; ela insiste.
No traço, monumentos reaparecem não como réplica, mas como escuta.
Releituras de gestos de Márcia Magno, Nádia Taguari, Eliana Kertész, Iêda Oliveira e Conceição Dias, inscritas não para ocupar o centro, mas para seguir habitando o tempo.
"Vez por outra tem gente querendo saber se eu trabalho, que chatice! Eu não trabalho, já disse e repito. Nem tenho trabalho para oferecer a quem está sem trabalho e sem ter o que fazer (de útil)."
Frase Minha 0494, Criada no Ano 2010
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
" 'Morreu' outra vez! Anteontem 'morreu' para os filhos, ontem para os colegas do trabalho e hoje 'morreu' para a mulher. Cada dia ele 'morre' um pouco e sequer desconfia, pobre coitado!"
Frase Minha 0420, Criada no Ano 2010
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
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