Quando o Trabalho Une, a Amizade se... Peregrino Nino Carneiro
Quando o Trabalho Une, a Amizade se Torna um Exemplo para a Vida
Há histórias que começam com um emprego, mas acabam se transformando em capítulos inesquecíveis de nossas vidas. Há colegas que chegam por acaso e se tornam irmãos de caminhada. E há amizades tão verdadeiras que nem o tempo, nem a distância, nem o fim de uma empresa conseguem apagar.
A minha história com o Banco Auxiliar de São Paulo começou em julho de 1977. Naquela época, eu não imaginava que aquele lugar me proporcionaria muito mais do que uma profissão: dar-me-ia amigos que levaria para a vida inteira.
Aos poucos, fui conhecendo pessoas, compartilhando experiências e construindo amizades. Um dos primeiros amigos foi Edmilson Napolitano. O ambiente de trabalho era tão acolhedor que, entre os diversos setores, os funcionários se conheciam, interagiam e se ajudavam. Sem perceber, estávamos formando uma grande família.
No início dos anos 1980, o banco iniciou um importante processo de modernização, com a implantação do Projeto Alpha. Como o projeto seria estendido às agências de todo o Brasil, foram formadas equipes com especialistas de diferentes áreas. Tive a felicidade de ser escolhido para integrar uma delas.
Passei, então, a viajar por diversas cidades brasileiras. Costumo dizer que a competência é irmã gêmea da sorte: quando nos preparamos e trabalhamos com dedicação, as oportunidades encontram espaço para acontecer.
Certa segunda-feira, após conversar comigo sobre a implantação do projeto em Rio Claro, meu chefe, Manuel Maia, informou que eu viajaria para Salvador, na Bahia, onde permaneceria por vários meses, implantando o projeto nas agências da região.
Foi nesse período que conheci melhor Marcos Fuga, gerente e coordenador-geral do Projeto Alpha. Além de um profissional competente, ele se tornaria um dos meus maiores exemplos de solidariedade e um dos meus melhores amigos.
Fuga atravessava um momento difícil, após a separação de sua esposa, e estava hospedado em um pequeno hotel próximo ao trabalho. Eu, por minha vez, morava em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, e enfrentava uma longa viagem até o aeroporto para embarcar nos voos das seis horas da manhã.
Foi então que Manuel Maia teve uma ideia brilhante: sugeriu que nós dois morássemos juntos, para que pudéssemos ajudar um ao outro.
Ao nos apresentar, Maia disse, em tom de brincadeira:
— Quero apresentar o Albino, o nosso português. Ele mora muito longe e está difícil chegar ao aeroporto. Que tal vocês dividirem a moradia?
Marcos, com seu jeito espontâneo e bem-humorado, respondeu:
— Você está querendo me arrumar uma esposa?
Fiquei sem saber onde enfiar a cara, tamanha era a minha vergonha! Mas consegui responder que tinha certeza de que seria bom para todos nós.
E foi mesmo! Moramos juntos durante quatro anos. Foram anos de convivência, aprendizado e companheirismo que fortaleceram uma amizade que permanece até hoje.
Em meados de 1986, porém, recebemos uma notícia devastadora: o Banco Central do Brasil havia decretado a liquidação do Banco Auxiliar. Naquele momento, eu trabalhava no Rio de Janeiro. Foi um golpe doloroso para todos nós, que havíamos dedicado tantos anos àquela instituição.
Mas a história da nossa família não terminou com o fim do banco.
Continuamos unidos. Quando alguém conseguia um novo emprego, procurava abrir as portas para outro colega. A solidariedade que havíamos aprendido no ambiente de trabalho transformou-se em apoio concreto nos momentos de dificuldade.
Os anos passaram, mas nossa amizade permaneceu. Até que a querida colega Teresinha Mira teve a brilhante ideia de organizar um encontro anual dos amigos do Banco Auxiliar. A iniciativa tornou-se uma grande celebração, esperada por todos.
Infelizmente, alguns desses encontros também nos trouxeram a tristeza de saber que amigos queridos haviam partido para sempre. Suas ausências doem, mas suas lembranças continuam presentes em nossas conversas e em nossos corações.
Em 17 de outubro de 2026, celebramos 49 anos dessa história de amizade, iniciada em 1977. Quando uma festa termina, já começamos a pensar na próxima. Afinal, reencontrar antigos colegas é também reencontrar uma parte importante de nós mesmos.
Guardo com carinho os nomes de tantos amigos que fizeram e continuam fazendo parte dessa caminhada: Jorge, Miguel, Fuga, Edmilson, Albino, Edmar, Maurício, João Carlos, Fator, Silas, Douglas, Geraldão, Silva, Rogério do RH, Milaré, Ricardo, Élcio Branco, Teresinha, Abigail, Bete, Cecília, Rosário, Solange, Rosana Alves, Élcio Preto, Lineu, Maia, Rosana Moraes, Leide, Prates, José Roberto, Campana, Telma, Valdete, além de tantos outros que também merecem meu carinho e minha gratidão.
São muitas as histórias engraçadas vividas durante a implantação do Projeto Alpha. Infelizmente, não caberiam todas nestas páginas. Talvez um dia eu consiga contá-las, para que nossas aventuras também permaneçam registradas na memória das novas gerações.
Hoje, compreendo que o maior legado daquela época não foi apenas o trabalho realizado, mas a amizade que construímos e a solidariedade que aprendemos a praticar.
Reflexão do Peregrino Nino Carneiro
“Na caminhada da vida, os empregos podem terminar, as empresas podem fechar e os caminhos profissionais podem mudar. Mas a amizade verdadeira não depende de crachás, salários ou cargos. Ela sobrevive às dificuldades, vence a distância e permanece viva mesmo quando alguns amigos já não estão entre nós.
A verdadeira riqueza de uma vida não está apenas no que conquistamos, mas nas pessoas que ajudamos, nos amigos que preservamos e no bem que deixamos pelo caminho.
Que nossa história sirva de exemplo para a sociedade: quando o respeito, a união e a solidariedade fazem parte de nossas relações, até o fim de um ciclo pode ser o começo de uma amizade para toda a vida.”
Viva a família do Banco Auxiliar de São Paulo!
Peregrino Nino Carneiro
