Carta para Amiga Distante
A pedra e o rio.
Em um lugar distante, afastado da civilização, havia uma montanha e no topo dela uma grande pedra. E esta pedra por estar integrada a natureza, era capaz de perceber, interagir e ouvir tudo ao seu redor. No começo a pedra a tudo questionava, de sua forma a sua imobilidade, tudo era motivo para questionamentos e muitas vezes, não obtinha uma resposta que lhe agradava. A montanha a qual ele ficava la em cima, lhe dizia que a natureza era assim e que tudo tinha um propósito, mas que a eles não lhe era revelado, e que a imobilidade a qual estavam submetidos, faziam parte de um plano maior.
Para a pedra isso não era o suficiente.
Porém, um belo dia antes do nascer do sol, percebeu que uma pequena formiga subiu nela e lá em cima, ficou.
A pedra perguntou a formiga:
- Ei! O que você está fazendo aí em cima?
- Estou aqui para apreciar um dos maiores espetáculos da vida.
- E qual é? Perguntou a rocha.
- O nascer do sol!
- E que beleza há nisso? Vejo-o todo os dias e não me encanto.
- Psiu! Retrucou a formiga, silêncio, será agora.
E a formiga ficou alí imóvel, olhando o nascer do sol, sentiu os primeiros raios de sol e agradeceu. Em silêncio fez uma pequena prece e um sentimento de júbilo lhe tocou. Ela ficou imóvel tal qual a pedra, e quando o sol, se tornou mais alto, ela agradeceu a pedra pela oportunidade de poder apreciar tal maravilha e desceu.
A pedra intrigada com o que havia acontecido, pediu a formiga explicações maiores sobre o que ela havia sentido e o que tinha alí acontecido.
A formiga pacientemente lhe respondeu: A vida tem muitos barulhos, e muitos barulhos são criados a partir de nossa própria perspectiva, credo ou pensamentos sobre algo. As coisas são simples, não é necessário estrondo ou barulho sobre qualquer assunto. Basta somente ver, ouvir e aceitar ou não aquela condição. Mas de qualquer forma o barulho que vem de fora, se em silêncio ficarmos, este retornará a quem o enviou. Saibamos apreciar o silêncio e aprender com a observação. E... pedra, você é de grande sorte, em sua imobilidade você melhor que qualquer coisa é capaz de ter um senso maior de observação, e tempo para reflexão. Meu tempo ante a ti é curto, eu passarei com pouca sabedoria, e espero que você adquira esta sabedoria e que o seu exemplo possa inspirar outros seres.
A pedra ao ouvir tudo que era dito pela formiga, entrou em profundo questionamento. Suas dúvidas naquele momento aumentaram, queria questionar mais a formiga, mas ela já ia embora. Ficou a pedra novamente sozinha com seus pensamentos.
Mas ela lembrou que a formiga lhe falara sobre o silêncio e a contemplação, sobre uma reflexão mais profunda sobre as coisas sem o julgo que carregamos.
E já era tarde quando a pedra pela primeira vez, de forma mais contemplativa observou o pôr do sol. Neste momento a pedra, entendeu a finitude da vida, com a escuridão que se aproximava. Durante a noite, refletiu sobre os mais diversos assuntos como: a escuridão, as estrelas, o universo que a cercava, a criação que tanto ouvira. E pela manhã ao nascer do sol, sentiu pela primeira vez o poder do sol, da claridade, da ampliação de sua visão pela luz do dia.
A pedra se transformara em outro ser. De questionadora implacável a um ser que procurava em si e ao seu redor todas as respostas sem barulho fazer. Aprendeu o poder do silêncio contemplativo e sua aceitação, entendeu que o barulho alheio era do outro e não seu, e que não carregaria para si, este ruído.
Em seu silêncio tornou-se sábia e começou a responder somente ao que sabiamente lhe era perguntado. Se as perguntas tivessem que ter um esclarecimento maior além da compreensão de quem perguntava, ela respondia; mas se as perguntas eram somente os gritos e os desejos do ser alheio, mergulhado em sua própria visão, a pedra ficava em silêncio, pois aprendera com o tempo que quem grita para si mesmo, não permite a si nenhuma palavra.
O tempo passou e em dia chuvoso, a pedra se deslocou da montanha, vindo a cair dentro de um rio com fortes correntes. O rio, por sua natureza, fazia muito barulho e ao sentir que a pedra caíra em seus domínios, questionou à mesma: O que fazes aqui? Quem te enviou? Por que me atrapalhas? Por que queres bloquear meu fluxo?
A pedra pacientemente pediu-lhe desculpas e disse que a natureza, através da chuva, a tinha feito cair no rio, e como não tinha condições de se mover, pediu que aceitasse tal condição.
O rio porém, não a aceitava e via na pedra somente algo a se questionar o por que? Por que me atrapalha? Por que me incomoda? Por que não responde? Por que não pergunta? Por que não faz nada? Por que o silêncio?
A pedra entendendo que os questionamentos eram somente os gritos internos do rio, nada respondia, ficando em silêncio. E isso incomodava ainda mais o rio, que começava muitas vezes, perguntar e dar respostas as suas próprias perguntas, chegando a conclusões muitas vezes equivocadas.
A pedra por sua vez, entendendo sua condição, apenas aceitou o seu destino, e ali, junto ao turbilhão de perguntas que o rio fazia, aprendeu a silenciar ainda mais a sua voz e a contemplar a beleza e a força que as águas traziam para a vida. Sentiu a extensão do rio, e a sua união com o mar, sentiu o quanto ela nutria a terra e saciava a sede dos seres vivos. Sentiu a sua grande importância.
Mas o rio, embora grande, ficava preso ainda a situação da pedra, aquela pedra pelo seu silêncio a incomodava. Gritava com a pedra todos os dias e nada de obter uma resposta.
Com o tempo, a pedra foi se desgastando pela força da água, foi ficando lisa, cada vez mais lisa, e diminuindo em seu tamanho, fragmentando aos poucos ela foi se findando, mas mesmo findando ela mantinha sua sabedoria, e quando seu último pedaço iria partir, ela finalmente levou sua voz para o rio: Tú és e sempre foi maior do que eu, eu estarei fazendo parte de ti agora e agradeço.
O rio sem muito entender e ainda gritando começou a lhe dizer: eu sempre soube que eu era melhor que você! Você é que esteve sempre errado! Você que foi um intruso em minha vida! Você! Você! Você! E naquele momento, a pedra sorriu e partiu.
Pense e reflita.
Obrigado, me desculpe, te aceito.
Massako 🐢
O distante parece tão
perto, o perto está tão
distante, a felicidade
não é uma utopia, o amor
não é uma utopia, quero
ser feliz. A lei da atração
me proporciona a felicidade,
quero ser amado. A lei da
atração me proporciona o amor.
Portanto, o amor e a felicidade
não são uma utopia, e sim
uma verdadeira realidade...
Sou dessa terra distante .
Sou viajante errante.
Não tenho raizes; germino pelo vento e
cresço pelo sol.
Do tudo que sei, aprendi e ensinei
Sou de idas e de muitas voltas, quantas forem necessárias
As marcas das lutas travadas, silencio no meu coração.
Morro e renasço nas minhas saudades, tantas vezes for preciso.
Tudo que me sobrou, levo dentro da alma. Ivo
NÃO DESISTA
Sei que ler isso pode parecer distante, mas vou te dizer com toda a delicadeza que eu posso:
não é sua culpa estar se sentindo assim.
E você não merece essa dor toda.
Quando a gente sofre demais, por tempo demais, a mente começa a apagar qualquer vestígio de luz que já passou por nós.
Não porque nunca houve, mas porque a dor é tão grande, que ela engole tudo.
Talvez você tenha crescido sem colo.
Talvez tenha amado e sido descartada.
Talvez tenha sido invisível onde mais queria ser vista.
Talvez tudo isso junto.
E aí, você olha pra vida e não vê sentido. Só escuridão. Só cansaço.
Mas se ainda há algo em você que conseguiu chegar aqui, agora,
então há algo em você que quer viver. Não essa vida cheia de dor — mas uma vida nova. Uma vida com alívio.
E ela é possível, mesmo que hoje pareça uma mentira.
Com ajuda certa, com um cuidado que você merece.
O que você sente não é drama.
Não é exagero.
É sofrimento real. E tem saída, mesmo que você ainda não a veja.
ALMAS SECAS
Trago no peito
Amarras de um passado distante
Lembranças simples
Como de um carro de boi.
Tudo era tão saudável
Que até as tristezas duravam pouco
Bastava alguns dias para esquecê-las
O relógio demorava, e o sol se ponhava lento.
Hoje as tristezas duram, e o sol se põe rápido
Não observamos mais o luar
Nem contamos as estrelas
Os rios no silêncio da noite
Ouvia se os sons das correntezas.
Hoje nem mais rios existem
Só as pedras secas
Até as avencas sumiram da beirada do barranco
Minha alma também secou
Junto com tudo que se acabou.
Busco prazer nas lembranças
Mas elas me ferem o peito
E me causam melancolias
O velho pilão, não mais existe
Nem o moinho que exalava o cheiro puro do café, torrado no fogão a lenha.
Minha mente virou um museu
Que ninguém pode visitar
Meu poema é estranho para muitos
Só para aqueles que lá viveu.
Hoje tudo é diferente, inclusive eu.
As procissões pelas estradas empoeiradas
Carregavam a santinha
"Hó virgem Maria"
A mulecada a barulhar
Era para pedir a chuva
Pras nossas roças molhar.
Deus estava tão presente
Que parecia nos falar
Vocês são abençoados
A chuva não tardará.
Hoje na modernidade
É difícil acreditar
Que Deus esteja presente
Pra fazer o povo sarar
As tristezas são mais longas
E o povo se perdeu.
Deus não se moderniza, assim como o povo quer
Pra quem já viveu na roça
É difícil acreditar
Que os milagres sumiram
Nem sabemos se vai voltar.
O povo ficou incrédulo
De Deus a se envergonhar
Saudades daquele tempo
Que nunca mais vai voltar.
Por. Otávio Mariano
#GATO #E #RATO
Antes ser presença distante do que ausência próxima...
Por que me procuras como o gato anseia pelo rato?
Saiba que, para você eu seja apenas uma brincadeira para o seu tempo passar.
Mas tenho alma...
E um coração há muito perdido em lágrimas a chorar.
Não me procure para amanhã não me querer mais...
Opto pela minha solitude...
É uma virtude...
Que em taças de cristais sorvo com satisfação...
Antes eu assim feliz...
Do que ao seu lado ser solidão.
Não quero nunca renunciar à liberdade...
De poder sonhar e de me enganar...
Mesmo sabendo que vou sofrer...
E tanto acreditar...
Mas sou mesmo assim...
Só assim sei viver...
Porque me descobriste no abandono...
Com suas mentiras abriste meu segredo...
Me desceste ao meu porão sombrio...
Querendo que eu morresse de frio...
O romance me roubaste...
Me incendiaste de desejo...
Prometeu a mim muitos beijos...
Mas me deixou morto de sono...
E de ti tive medo...
Vivi o abandono de meus sonhos mais caros...
Aquele nó na garganta que não tirei...
Aquela lágrima que insiste em ficar no canto de meus olhos…
Mas chega, se não houve troca...
Cheio de esperança porvir...
Eu a tudo perdôo...
E para começar...
Daqui para frente...
É só sorrir...
Ser feliz sem você.
Simplesmente assim...
Sandro Paschoal Nogueira
TADINHO
Quando és próximo de um clã, mas não estás no seio do mesmo, estarás então mais distante que a última alternativa na prospectiva da aceitabilidade.
Caso não imponha a tua presença, a tua opinião nos debates existentes, continuarás a ser sempre o "primeiro dos últimos" na escolha daqueles que o rodeia.
050123
"" Olho distante para entender a vida
é claro que não tenho projeção
há um mar azul em minha frente
há um brilho no olhar
existe um fardo pronto para ser levado
cheio de ouro e pétalas preciosas
o cavalo do doutor está brilhando
mas não entende a jornada
a vida me deu atalhos
e eu escolhi ir sozinho
depois que a beleza resolveu sumir,
não quis seguir o mesmo caminho
nasceu o sol e espera-se a chuva
terra seca não brota nada no chão
é manhã de outono
tempo de estiagem em meu coração...
" Poesia é a minha dor
pelo teu amor que já não tenho
mas suponho, que mesmo distante e te amando
sou mais feliz,
pois o que é meu, nem eu, nem tu sabes mensurar
e certamente meu sonho, um dia haverá de te acordar
numa levada de desejos e toda molhada,
querendo amor
tu haverás de te encontrar
e eu estarei te esperando
querida...
Comunicação distante e a certeza de um novo recado sob a atenção em uma tela fria porem virtual.
Um destino desigual e um caminho de desejos atravessado pelo receio que atraí o medo da frustração, pois a esperança é mais forte e não se entrega a nenhum tipo de sentimento mesquinho.
Olhos vidrados lacrimejam á sua espera, acreditando no encontro para se encantar e encher o coração de alegrias e amor.
È pela arrogância que nunca quis seguir e sim pela paz que vive cada vez mais distante;
Meus propósitos submergem ao salto da evolução que caminham em passos largos esquecendo-se dos meus esforços;
Regaram quem nunca precisou sem lamentos e sem famílias para fortalecer a hipocrisia dos íntimos da intolerância do nosso país;
O que faria se não tivesse capital para matar a fome de quem chora de quem não mais tem esperanças como uma vida editada;
Sempre quis amar, mas todo sentimentos estavam distante para que eu tivesse certezas de quê caminho pelo lado certo com a consciência errada da vida;
Não busco a perfeição, mas a felicidade pouco a pouco que me faça ter estabilidade para acertar as minhas escolhas;
Nunca me escondo atrás de uma ilusão que me faça ver quem realmente quem não cuida de mim;
Não meço dificuldades para está próximo do teu coração, mesmo estando tão distante para não ensaiar despedidas;
Me vejo ali sendo apagado mesmo sendo sem querer, você assiste a distância sem nenhuma atitude de não querer pagar o preço por amar;
Não nos diga que não há mais tempo que lamente o que nunca fora dita sentimentalmente para fingir um amor inventado;
“Quando uma criança cheia de felicidade se joga aos braços do pai, não importando quão distante ele esteja, é porque ela tem total confiança de que ele vai estar lá para abraçá-la. De igual modo, a CONFIANÇA é a pedra angular do amor entre um homem e uma mulher, para que possam se entregar aos braços do outro, sem medo. Quando essa confiança não existe, a união é instável e sofrida”
Ney P. Batista
Apr/29/2021 (Edição)
Sei que não é fácil viver distante de quem a todo momento queria estar tão próxima,
mas isso prova que quando o amor é grande, a distância torna-se pequena...
Minha incomparável paixão, sinto que na sua ausência tudo brilha menos, mas nem por isso deixarei de acreditar que você é a luz que surgiu na minha vida...
Amo-o de toda forma, tão sincera e grande, que às vezes tenho até medo de que pense que não seja verdade...
Estou com uma infinita saudade de você!
Meu eterno amor, não sei fazer quase mais nada nessa vida a não ser pensar o tempo todo em você...
Cada minuto que passa, sinto o quanto, mesmo não estando ao seu lado, a vida é bem mais linda e colorida, pois em tudo que olho, sinto a sua presença.
Saiba que muito o amo e que o meu amor é todinho seu...somente seu!
A vontade de estar ao seu lado é tanta que, muitas vezes chego a pensar que os minutos se transformaram em anos...
Meu amor, como é difícil a vida ausente de você!
Tudo perde a graça e até mesmo nos mais lindos encantos, parece que não vejo nada que me atraia...
Não sei o que seria de mim se um dia tivesse que viver sem pensar em você, pois é em tudo que à mim transmite, que encontro cada vez mais o sentido de minha própria existência e a certeza de que eu te amo muito!
Meu amor, tentar entender a vida sem você, talvez seja impossível para mim...
Cada vez mais eu sinto o quanto você é especial e importante, motivo pelo qual não passo um só segundo sem que sinta a sua presença em meu ser...
Às vezes fica até difícil em palavras dizer o quanto o amo, pois o significado maior desse imenso amor, sem sombra de dúvidas, guardo em meu coração somente pra você...
Finalizo as minhas saudações, dizendo as únicas frases que consigo diante de tanto amor por você:
Eu te amo muito!
Obrigada por existir!
Volte logo...
Eu te amo mais que tudo!
~~EDEMILSON RIBAS~~
Quem É Você?
Quem é você, que me liga à noite fria?
Sua voz em ecos de um sonho distante,
Revelando segredos que eu não sabia,
Despertando em mim um desejo constante.
A lua escuta nosso diálogo sereno,
E as estrelas dançam em suave harmonia,
Seus encantos me buscam, tão pleno,
Numa paixão que desafia a agonia.
Mas quem é você, que me envolve assim?
Uma sombra, um suposto, um olhar furtivo?
Entrelaçados em um fio de jasmim?
Desfazendo o vazio, num toque cativo.
Fica comigo, nessa noite fugaz,
E descubra o amor que o silêncio traz.
A (in)felicidade de ser MULHER!
-
No mundo real (próximo ou distante da realidade de muit(os) ou apenas de seus olhos) existem mulheres ditas “fortes”; “frias”; “brutas”; “duras”, etc.
Mulheres que, como regra, desde pequenas foram OBRIGADAS a pular etapas, engolir o choro e ser adultas. A amar como der ou o que der.
Mulheres que tendem a abraçar o mundo. Que assumem diversas responsabilidades. Que nas mesmas 24h de todos precisam encontrar tempo para cuidar da vida profissional, pessoal, dos filhos, do próprio psicológico, do corpo e ainda manter alguma vida social.
Mulheres que tem 1 emprego formal e outros tantos informais.
Meninas, que apesar de ouvirem diariamente “você precisa desacelerar”, “você precisa pensar mais em si”, e outros tantos “você precisa”; entenderam que a vida de quem precisa encarar a VIDA REAL, sem o respaldo de uma herança confortável ou simplesmente não se encontram sob as asas de alguém.
Mulheres que mesmo se bastando e se bancando, se julgam se em um momento de exaustão são freadas por um adoecimento. Ou simplesmente se culpam por um simples cochilar no meio da tarde. Afinal, aprenderam que se deve “produzir enquanto eles dormem”.
Eles? Eles quem?
Aqueles que as tornam seres irreais? Aqueles que não as enxergam de verdade?
Aqueles que as tornam invisíveis dentro de seus próprios lares, lembrando-lhes apenas quando são necessárias ( família; filhos; marido; amigos)?.
Essas mulheres, meu caro, apesar de exaustas,compreenderam o melhor da vida: que a FELICIDADE de ser quem são está exatamente nas pequenas e verdadeiras coisas que poucos enxergam.
A felicidade delas está em ver a conquista de um grande amigo; no abraço sincero do filho; no elogio em um dia qualquer; no abraço apertado de uma amiga que precede a frase “eu estou aqui e COM VOCÊ”. Está em um bate papo com os amigos. No apreciar a lua, a chuva. Em receber um bilhetinho carinhoso. Na reciprocidade das relações sem interesse. No respeito e atenção que não precisam ser exigidos ou ensinados.
A felicidade dessas mulheres está , principalmente, em saber que apesar de tudo e de muitas vezes serem apenas elas, elas SÃO CAPAZES DO INIMAGINÁVEL!
E elas SÃO! Apenas SÃO
Não me fale de felicidade
não conheço tal cidade
isso é uma província tão distante...
uma via inviável
tenho alguns sorrisos em molduras
alguns retratos em estantes
prateleiras de aglomerados
não sustentam o sentimento
assim por tanto tempo
não me fale tão suave de ternura,
essa rua deserta e escura
só me traz espanto...
não me faça sonhar ou ter pesadelos...
COLÍRIO
madrugada é uma estrada tão distante pro passado,
sono é estágio pra morte,
eu tenho sorte,
eu tenho o olhar
num outro trópico, num outro signo ...
meu verso é um mendigo,
indigno de jornais ou revistas...
eu quero entender sargitario
e entender por que qualquer otário
pensa que é o “bicho”
cancer e capricórnio não são mais que carrapichos
não sei dizer te amo, todos sabem disso
queria entender Cristo, todos sabem...
queria durar tanto quanto Matusalém,
queria pertencer a tribo de Araquém ,
a madrugada ´´e uma estrada tão solitária
meus lábios suplicam ósculos
meus olhos suplicam óculos
tua figura é um colírio pros meus olhos
como deixar de ser poeta???
Eu sou a poesia...
O sol? O que é o sol; o sol está tão distante...
A lua, as estrelas, a chuva, o vento, a tempestade..
Quatro paredes e um teto e você sai incólume
Mas a poesia... quem te protegerá da poesia...
quem te protegerá de ideologias patrióticas e tiranos
A bomba explodiu, uma das torres da mesquita ruiu
Velhos, mulheres e crianças entre as vítimas
Bagdah era um caos, mas ainda havia esperança...
O ar contaminado, o vento empoeirado
o horizonte fumaçado e translúcido...
um soldado metralhando o seu próprio medo
recebe um proj´etil na cabeça
esse é o meu verso, um poema macabro
Eu sou a poesia...
mas bem aventurado os que têm sede de justiça...
bem aventurado os mansos...
eu sou a poesia era um poema da namorada
no bolsinho da algibeira,
uma lembrança cabreira de um recruta tímido
sem a ideologia de morrer pela pátria
eu sou a poesia: um fuzil na destra, uma granada na esquerda,
o inimigo: qualquer movimento suspeito
e o que afrontasse a nossa ideologia
Bagdah era um inferno;
mulheres e velhos prostrados clamando por Allah...
o odor insuportável de cadáveres putrefatos,
gente ferida, gente agonizando...
e até ao final dos meus dezessete anos
caminhando entre as rosas e as samambaias
do jardim da minha casa
eu pensava que era poeta,
mas a namorada já dizia que eu era a poesia...
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