Carta de Reconciliacao
Carta Aberta
Meu amor,
Às vezes tento colocar
em palavras o que sinto por você,
mas é como tentar segurar
o vento com as mãos.
O que existe em mim porvocê
vai além do que se explica,
é um sentir que nasce no peito
e se espalha pela alma.
Desde que te encontrei,
tudo ganhou cor,
meus dias têm mais calma
e meu coração mais sentido.
Você chegou como quem
não quer nada,
e acabou levando tudo
o que em mim ainda era silêncio.
Te amo em cada detalhe —
no jeito que sorri,
no som da tua voz,
no teu abraço que parece casa.
Não sei quando começou,
só sei que ficou,
e que desde então,
tudo o que quero é estar
ao teu lado.
Talvez eu não seja bom com palavras,
mas se amar fosse uma língua,
você seria a minha forma de dizer tudo.
Que a vida te sorria sempre,
que teus sonhos se realizem,
e se for da vontade de Deus —
que eu continue fazendo parte deles.
Com amor,
[Seu nome] ❤️
Lembrança de um amor antigo
Guardo teu nome como
quem guarda uma carta
dobrada no bolso do tempo,
amarelada, mas intacta,
com cheiro de ontem e
promessas não ditas.
Teu riso ainda atravessa minhas noites, feito luz que insiste em janelas fechadas; foi pouco tempo, eu sei, mas alguns instantes
nascem eternos.
Aprendi teu corpo como quem aprende um caminho
sem mapa, só intuição e medo;
erramos muito, amamos torto,
e mesmo assim foi amor
— do mais verdadeiro.
Hoje sigo em frente, mas levo contigo uma saudade que não pede volta nem perdão; é só memória serena, lembrança viva de um amor antigo.
Carta ao Meu Jovem Eu
Eu te escrevo do futuro, com as mãos cheias de cicatrizes
e o coração ainda teimoso em acreditar no amor.
Não fuja quando alguém tocar fundo demais,
nem endureça por medo do que pode doer.
Você vai amar errado, vai chamar de eternidade
o que era só aprendizado disfarçado.
Mas cada queda vai ensinar a levantar
com mais verdade do que orgulho.
Quando enfim amar certo, vai reconhecer:
não será pela ausência de dor,
mas pela paz de permanecer
mesmo quando o mundo tentar separar.
Carta que o silêncio escreveu
Carrego dentro do peito um mundo que quase ninguém pisaria sem se perder. Há tempestades que eu disfarço com sorriso, abismos que eu cubro com palavras simples do dia a dia. Quem me vê de fora pensa que sou calmaria… mas por dentro existe um mar inteiro tentando não transbordar. Não é tristeza apenas — é intensidade demais para um mundo que aprendeu a sentir pouco.
Às vezes tenho vontade de abrir o peito e explicar tudo que vive aqui dentro… mas paro. Porque certas dores não nasceram para serem explicadas, nasceram para serem sentidas em silêncio. Eu sigo vivendo, rindo, conversando, como se nada pesasse. Só que existem noites em que a alma fica acordada demais, lembrando que sentir profundamente também é uma forma de solidão.
Então, se um dia você perceber meu olhar distante ou meu silêncio mais pesado que o normal, não tente decifrar como um enigma. Só fique. Há presenças que curam mais que qualquer palavra. Porque no fundo, tudo que um coração intenso deseja… é alguém que não entenda tudo — mas que ainda assim escolha permanecer.
A carta
Com pavio curto uma carta foi escrita,
Em suas poucas linhas o pecado recente foi exposto,
Dois amantes um dor, duas almas frente a frente de um espelho com imagens distorcidas,
Na colisão das promessas do passado com o presente uma densa neblina era a visão do futuro,
Uma carta foi escrita, linhas em branco são deixadas para trás e na falta de folhas o fim reage com discrição.
Carta aberta: Ao meu Marido
Te amar foi, sem dúvida, a escolha mais bonita que eu já fiz.
Não foi algo que simplesmente aconteceu… foi uma decisão que nasceu no silêncio do meu coração e que eu escolho renovar todos os dias, ao seu lado.
Com você, eu aprendi que o amor vai além dos momentos leves — ele se constrói na paciência, se fortalece no perdão e se prova na decisão de permanecer.
Eu escolho você nos dias fáceis… mas, principalmente, nos dias difíceis.
Escolho ficar quando tudo pede para ir,
escolho cuidar quando é mais simples desistir.
Porque o que temos não é passageiro.
É profundo, é verdadeiro, é raro.
Amar você é isso:
é decidir ficar,
é querer construir,
é nunca desistir de nós.
E, entre todas as escolhas da minha vida,
você sempre será a minha escolha mais certa.
Ocitocina (Carta a Cura)
Eu sinto a sua falta todos os dias. A cada segundo, desejo que estivesse aqui. Queria olhar nos seus olhos e dizer toda a verdade, me colocar por inteira, nua, crua, com a alma exposta, mas a vida não é tão gentil, e a complexidade do invisível escaneia o presente.
Naqueles textos, cartas como biblias, me lancei em tuas mãos, mas nunca sequer as enviei. Queria poder falar daquilo que não posso, da dor, da cura, do passado e do antes. Revelar de uma vez por todas, olhando nos seus olhos, absolutamente tudo, fingindo não tremer e gaguejar pelo medo de estar em frente a alguém que tem o poder de me curar e destruir, partindo em trilhões de cacos com uma única palavra. Totalmente vulnerável, sem poder prever o futuro, vou ao abismo perguntar se na escuridão poderemos nos reencontrar.
Se houvesse só um pedido a realizar, pediria para ser, ao menos, como antes. Pra ser novamente um ombro seguro para o seu pranto. Ser capaz de tirar a sua dor, e me curar na tua presença. Deixar o inverno para trás e te levar ao nascer do Sol, ainda que ele me queime em sua radiação. Queria te dar aquilo que nunca tive, mas sempre busquei, e sei que busca também. Te segurar firme nos dias mais difíceis, secar seus olhos e dividir contigo seja qual for preço. Te levar a paz e risadas das minhas besteiras e pensamentos excessivos tão exclusivos. Te daria o mundo inteiro, junto ao sol, à lua e às estrelas, se pudesse.
Por fim, esses textos ridículos, infinitos textos ridículos, são apenas para dizer o quanto sinto e não posso conter. O quanto dói não te ter. O quanto destrói não poder te ajudar. O quanto cada segundo longe de você é como uma faca cravada no coração da minha alma.
Realmente, eles têm razão ao dizer. Cartas de amor são ridículas, e o ridículo foi muito do que te dei, mas mesmo na dor, não me arrependo de um segundo disso. Se pudesse voltar, não digo que faria o mesmo, porque buscaria consertar os meus erros, então, se só pudesse mudar o quanto senti, novamente viveria toda essa dor, só para reviver cada segundo com você, e se houvesse uma lembrança onde, ao escolher, viveria para sempre, por toda a eternidade em um único momento, seria a noite onde descobri como é sentir algo para o que ainda não inventaram uma palavra, e seria a mais feliz vivendo nesse looping, como se fosse um paraíso.
Quando foi que nos perdemos? O que eu fiz? O que fizemos? Sua beleza é a visão que procuro quando mais preciso de algo bonito para ver. Sua presença é overdose de ocitocina, cura emocional, espiritual e física. Sua voz é a melodia mais bonita em minha mente e ouvidos. Sua distância é o veneno que mata gradativamente a minha luz, levando o brilho que já não existia mais, até que apareceu dez anos atrás.
Você é a cura, a ocitocina. A musa de centenas de músicas. Nunca esqueça do quanto é. Sua luz e sombra nunca me assustaram, mas o quanto sinto e o poder disso, sempre me faz tremer ao seu lado, por me tornar tão frágil. Por saber que o meu ponto fraco sempre foi e será você.
Não quero mais fingir. Não quero meias verdades, e definitivamente não quero mentiras. Tudo o que eu queria era você, do jeito que fosse, contanto que fosse o que realmente quer também. Eu não quero e nunca quis ser uma nova prisão pra você.
Eu preciso de você, e se for um crime dizer isso nos dias modernos, não ligo, e o mundo pode até me condenar, mas eu realmente preciso de você. Você é tudo pra mim.
Com você descobri que a minha Verdadeira Vontade, acima de tudo, sempre foi você. É o meu amor ágape, e desejo que seja feliz, mesmo que longe de mim, enquanto rogo aos deuses que queira seguir ao meu lado. Pior do que estar sem você, seria ser um fardo que carregasse.
Jamais quis te obrigar a nada. Nunca quis ser uma obrigação, apenas estar mais perto. Ser um porto seguro, como antes. Sentir aquela alegria que não deixava nenhuma dor me derrubar, e te ajudar, nem fosse ficando sozinhas juntas no silêncio, caso não soubesse como explicar, ou não quisesse, e poder, ao menos, amenizar a tua dor, ser um conforto, e provar que jamais estará sozinha, porque de um jeito ou de outro, nunca iria te deixar. Jamais poderia te abandonar. Jamais te deixaria sozinha! Você é a minha melodia, a inspiração de tudo o que já fiz, e o amor de todas as minhas vidas.
A vida é tão incerta, há tanto horror lá fora, e sempre tenho medo e peço aos deuses que cuidem de você, já que agora, só assim posso fazer isso. E eu te prometo, um dia tudo isso fará algum sentido.
Obrigada pela luz e pela cura. Obrigada por me fazer sentir algo tão inominável e incrível. Me ensinar a dualidade em sua máxima potência. Por me transformar em alguém melhor, mesmo com meus inúmeros defeitos e estranheza, ainda que tenha me perdido por um tempo. Te agradeço por ter me dado a vida, quando a luz em mim havia se apagado, e me manter nessa prisão, chamada vida, se tornava impossível.
Obrigada por me ensinar sobre o amor mais profundo e perigoso, tão capaz de curar quanto de destruir, assim como o fogo que aquece, mas também queima, e que me fez, pela primeira vez, querer que houvesse mais dias e noites. Talvez nunca saiba, porque palavras são insuficientes, mas você sempre foi o motivo. A cura.
Te quero livre, e queria voar ao seu lado. Que me chamasse para ir contigo, e te mostrar as maravilhas e loucuras do meu pequeno e insano mundo. Que aqui tivéssemos o final pelo qual lutamos tanto, e pelo qual viemos a esse mundo. Você é a minha luz e sombra. O remédio que a medicina nunca encontrou, e o fel ao partir meu coração em mil pedacinhos.
Eu te amo há milênios, e seguirei amando com ou sem você. Queria que conhecesse quem sou agora. Quem me tornei. Que, talvez assim, pudesse finalmente me entender, e a verdade é que, para te ver, se eu soubesse que também quer, largaria tudo só para ficar com você, nem que fossem somente cinco minutos.
Por você, moraria dentro dos meus sonhos, só para poder te encontrar todas as vezes que fosse dormir. E ao acordar, te vejo sempre, ao fechar os olhos, ao sair de casa, ao deitar na cama, respirar, ouvir uma canção de amor... ao viver bons ou terríveis momentos, só penso em te encontrar. Queria viver nos meus sonhos, se essa for a única forma de vê-la, estar contigo, e te ouvir falando sobre o seu dia, os problemas, enquanto aprecio a beleza do seu rosto, da sua alma e do seu sorriso, me tirando e entregando toda a paz de que preciso.
- Marcela Lobato
CARTA I: A Condenação
Eis que a multidão estava tão agitada como as ondas do mar, e exclamavam — homens e mulheres, jovens e idosos — com tom azedo:
— Heeee! Heeee! Matem-no! Matem-no!
— Deem-no de comida aos cães!
— Rebelde! Rebelde! Rebelde! Rebelde!
Então condenaram-me por agir indiferente à multidão. Apedrejavam-me antes mesmo que eu lhes revelasse os seus pecados. Queriam silenciar-me antes que o karma e a justiça testemunhassem por mim.
Houve alguns que se ofereciam como escravos às mãos que tiranizavam a nação; outros reduziam-se a servos daqueles que dissipavam os poucos fragmentos de dignidade ainda existentes entre nós. Por recusar servi-los e por negar-me a participar das suas práticas imundas, sentiram-se confrontados pela minha posição.
Antes que me lançassem à masmorra, arrastaram-me com cordas diante de nomes pomposos. E, no cemitério da minha esperança, apenas tumbas se formavam.
As crianças riam; os velhos zombavam de mim. E os meus próximos… esqueceram que eu existia. Diante deles fui visto como vento: invisível, intangível. Aliás, o vento ainda é perceptível; infelizmente, para mim, ninguém me percebia. A minha presença, para eles, reduzia-se a números, diminuindo pouco a pouco, até que não restasse unidade alguma.
Fui abandonado e entregue pelos meus próprios amigos, vizinhos e parentes, que também vociferavam pela minha sentença ao lado da multidão:
— Condenai-o! Condenai-o!
— Enforquem-no! Enforquem-no!
— Joguem-no ao calabouço! Joguem-no ao calabouço!
Uns até debochavam, dizendo:
— Não és tu o herói? Então por que não ages contra nós? Onde está a tua coragem?
E soltavam gargalhadas em tom agudo:
Hahahahaha! Hahahahaha! Hahahahaha!
Outros cuspiam-me no rosto, enquanto os opressores falavam:
— Não sabes tu que não deves ir contra as leis da sociedade?
Então respondi-lhes:
— De que servem as leis se não visam proteger os fracos dos poderosos? De qualquer maneira, este julgamento não busca a verdade; apenas ratifica a culpa de quem é vítima.
Eles insistiram:
— Todos estamos subordinados às normas da sociedade. O que te dá o direito de desobedecê-las?
E eu respondi:
— Seja qual for a resposta — satisfatória ou não — o resultado será o mesmo: condenação. A lei está ao vosso serviço, não vós ao serviço dela.
Novamente perguntaram:
— Quem pode estar acima das normas? Por acaso não são elas que nos orientam?
Então respondi-lhes:
— As normas não podem estar acima da vida. Somos nós que as criamos; nunca elas que nos criam. Somos nós que as instituímos para que nos orientem.
Furiosos com a minha resposta, disseram:
— Desgraçado! Como te atreves a desrespeitar-nos? Já que não queres submeter-te, far-te-emos arrepender deste dia.
A multidão, cega e incauta de esclarecimento, apoiava veementemente os opressores. Não conseguiam distinguir o certo do errado; o puro do impuro; o joio do trigo; a tartaruga do cágado; o leopardo do guepardo.
E eu olhava para eles como um bando de jumentos sem direção. Então perguntei-lhes:
— Se a lei não condenasse os mais vulneráveis,
vós temeríeis as tropas que vos deviam proteger?
Não ousaríeis confrontar o que vos oprime?
Não teríeis o direito de exigir que vos tratassem com justiça?
Não protestaríeis contra aqueles que vos governam?
Os lordes, temendo que tais perguntas despertassem o povo e que, conscientes da verdade, pudessem rebelar-se, imediatamente ordenaram que me conduzissem à prisão de Kakanda, para que, dentro de dois dias, se realizasse o meu julgamento.
Durante esse intervalo, não comi nem bebi.
Dois dias depois daquela agitação diante dos lordes, organizaram um banquete para celebrar o meu julgamento e rir-se do meu atrevimento. Estavam presentes homens de todas as classes — nobres e plebeus — reunidos para assistir ao meu juízo.
"E, enquanto brindavam à minha sentença, eu era conduzido às trevas do calabouço."
In Cartas de Um Condenado. ✍️
Carta II — O Calabouço: O mergulho no abismo
Após aquele grande evento no tribunal da desgraça, eis que, por decisão comum — dos lordes e dos plebeus — lançaram-me num calabouço onde a fome era silêncio; a sede, solidão; o sorriso, miséria; o sonho, pesadelo; e a moldura, um vazio.
Ali, a luz do sol não encontrava lugar para me oferecer claridade. Tudo era escuro naquele espaço, sem qualquer iluminação.
Crânios espalhados por todos os cantos da caverna pareciam dialogar com as campas, e nada se ouvia senão o sussurro dos espíritos que queriam roubar-me a alma. Um monte de ossos amontoados formava uma grande muralha, cercando o calabouço para que nenhum prisioneiro pudesse escapar.
Alimentava-me de ratos, pois negavam-me comida; e não tinha como nem onde cozê-los, porque não havia fogo nem cozinha.
A escuridão causava-me frio; a terra era feita de pedras com pontas afiadas, tão bruscas que partiam-me os ossos. Não conseguia dormir confortavelmente. A sede enxugava a saliva das minhas glândulas; a minha garganta tornara-se seca como o deserto. A língua já não conseguia provar o paladar, como se tivesse perdido tal faculdade.
E, se subsisti por tanto tempo, não foi por coragem, mas pela necessidade de fazer-vos chegar uma carta completa antes do meu último suspiro.
As minhas pernas paralisaram; eu não podia mover-me. Os meus olhos nada conseguiam enxergar senão o desespero que se espalhava na escuridão do tédio. Os meus ouvidos enclausuraram-se no grito do medo e na surdez do tempo.
As palavras desapareceram da minha boca como memórias de quem sofre de amnésia.
Abandonaram-me ali, e não lhes interessava a dimensão do meu sofrimento. No intuito de sobreviver, ingeria a minha própria urina para manter-me vivo. Pensei tratar-se de um pesadelo, mas nem sequer pude fingir delírio.
Cheguei a devorar os dedos das minhas próprias mãos para redigir-vos esta carta com sangue, pois não havia caneta tampouco tinta que eu pudesse usar.
Às vezes, a sociedade censura-nos por pensarmos e agirmos de modo diferente do que ela espera. E, na ânsia de garantir que todos cumpram o que dita, aqueles que a desafiam acabam por tornar-se vítimas.
É preciso morrer para voltar a viver; desfazer-se do que fomos para poder renascer. Não basta ser corajoso: para permanecer firme nas próprias ideologias, crenças e convicções, é preciso estar disposto a dar a própria vida.
Ali percebi que o pior cárcere não é o calabouço, mas a consciência de viver entre homens injustos.
Talvez ainda possamos construir um mundo em que a todos seja permitido falar sem sofrer perseguições ou censuras. Mas, enquanto os homens não aprenderem a conviver com pensamentos diferentes, a paz permanecerá impossível.
Carta III — A Injustiça dos Homens: Crítica moral, política e social
Sete anos já se passaram desde que o inferno da terra abriu-me as portas para este calabouço. Ainda é uma sorte possuir alguma porção de fôlego para respirar. Afinal, o problema nunca foram as leis, mas aqueles que as criam e os fins para os quais as aplicam. Cada gota de oxigénio que inalo está infestada de dor, angústia, fome e sede. Enquanto os reis da terra convocam reuniões, os lares transformam-se em cemitérios: cada quarto, uma campa; cada cama, um caixão. E, ao passo que os lordes repousam sobre o conforto da riqueza, as mãos pobres de quem trabalha repousam na indigência.
Então disseram os opressores:
— Enquanto houver um que governe, haverá sempre um que sirva.
— Enquanto houver um que dite as leis, haverá quem as obedeça.
— Enquanto houver um que mande, haverá quem cumpra.
Esta é a lei dos antepassados e é hereditária a todas as gerações. Não há quem mude essa lógica: o que já está estabelecido, ninguém altera.
Então o povo gritava:
— Longa vida aos que nos governam; que os vossos dias se multipliquem na terra!
— Que a riqueza, o luxo e a abundância nunca vos faltem!
— Viva aos reis da terra, pois não há entre nós quem se compare a vós!
— Que os antepassados vos protejam das desgraças deste mundo!
Cada um bajulava da melhor forma, na esperança de ganhar a atenção e o reconhecimento deles. Elogiavam, veneravam e presenteavam aqueles que os oprimiam, intimidavam e matavam.
Ainda assim se curvavam em adoração e exclamavam:
— Viva! Viva! Viva aos reis da terra!
— Viva! Viva! Viva aos que nos governam!
— Viva! Viva! Viva aos que nos orientam!
Os poderosos, então, criaram leis que os protegessem daqueles que mais necessitavam de proteção, para que permanecessem aquecidos no trono do poder, enquanto o povo continuava cego rumo à decadência. O cheiro sanguinolento de suas atrocidades chegava até aqui embaixo. Eu ouvia o choro dos inocentes subjugados ao martírio. Sentia o grito de socorro de mulheres violentadas pelos lordes. Sentia o desespero dos maridos assistindo ao sofrimento de suas esposas.
Nada me vinha à mente senão o ódio ao escrever:
Morram, miseráveis. Vós que governais sobre a penúria dos mais vulneráveis; vós que julgais o futuro de uma criança ainda no ventre da mãe; vós, poderosos que proclamais hipocrisia diante do sangue derramado por milhares de mártires. Vós que vestis túnicas de ouro, sapatos de prata, mitras de diamantes, cintos de escarlata e colares de esmeralda: saciai o gosto da opulência enquanto vos resta tempo. Comei e bebei enquanto o galo ainda não cantou. Dançai e alegrai-vos das vossas atrocidades.
Pois a vingança está às portas daquele que bate. O meu espírito perseguirá os injustos e não cessará a busca até que todos sejam consumidos. Morram, malditos. Arrepender-se-ão de não me terem enterrado. Eis que venho sobre vós com uma espada de dois gumes para completar a minha ira e derramar sobre vós a minha justiça. Vós que comeis sobre a desgraça dos pobres tereis as entranhas cheias de dor e angústia. E vós, ó plebeus, por serdes cúmplices dos opressores provareis também a desolação de tudo aquilo que construístes com músculos abatidos. Preferistes aplaudir aqueles que vos oprimem e condenastes aqueles que vos defendiam.
Quando a malevolência gritou, silenciastes a benevolência.
Que o castigo seja convosco. Que o tormento, a dor e a desgraça vos acompanhem até a sepultura.
Morram, corruptos. Trocais a justiça por moedas e jade. Deixastes que o brilho funesto da riqueza e o prazer transitório da concupiscência vos corrompessem. Escrevo-vos com o mesmo sofrimento que me fizeram suportar, com o mesmo tédio com que me lançaram nas sombras destas paredes escuras, com a mesma dor em cada dedo que perdi. Naquele momento, a sede de vingança, a ânsia pela justiça e o cansaço de continuar a escrever dilaceravam-se dentro de mim.
Afinal, quando a injustiça canta, os tolos dançam.
Quando a justiça fala, a sociedade censura.
Mas quando a verdade retalia, não há quem se desvie da sua cólera.
A ignorância torna os homens cegos à verdade; a ganância envolve-os com o manto da cobiça; o egoísmo conduz ao assassinato da guerra. E é aqui que nasce a injustiça dos homens: todos querem reinar sobre os outros; todos querem ser distintos dos comuns; todos querem ser senhores e receber o serviço dos servos. É aqui que nasce a indiferença dos homens: na criação de castas e estratos para evitar o semelhante — nobres e humildes, fracos e poderosos. Diz-se que a maioria vence sempre. Mas a lei pertence aos poderosos; o mundo é dos poderosos, daqueles que detêm a força.
Por isso, não importa a quantidade: diante da minoria rica e soberba, nem mesmo Deus pôde impedir que nos pisassem.
Carta IV — A Solidão: Reflexão sobre a solidão e o tempo
Mais oito anos haviam se passado, e as rugas no meu rosto tornavam-se evidentes; os meus ossos perdiam cada vez mais a força; o tempo revelava-me o cansaço. A solidão sufocava-me como espinhos na garganta; os meus lábios secaram como um rio sem água; a sede matava-me aos poucos.
Já não havia urina no meu organismo. Tentei beber as minhas próprias lágrimas, mas também secaram. Os ratos já não me alimentavam; agora alimentavam-se da minha carne. Meus cabelos caíam sozinhos como folhas de uma árvore, e a minha pele amolecia como mingau. Os meus olhos enchiam-se de fadiga; sofria de insónia. O corpo produziu bactérias que me corroíam por dentro.
Quis suicidar-me, mas não encontrava forças para fazê-lo. Já não restou dedo algum nas minhas mãos: devorei-os todos para terminar de vos escrever esta carta.
O fundo das paredes oferecia um profundo silêncio. Ainda assim, era meu desejo voltar a ouvir, só mais uma vez, o grito alegre das crianças na aldeia de Kandembe; o canto dos pássaros na floresta de Mayombe; o canto do galo nas madrugadas; o sorriso das senhoras quitandeiras no mercado de Kalukembe.
Infelizmente não pude concretizar esse desejo. As correntes no meu pescoço e as grades que me prendem não me permitem realizá-lo. Aliás, já não me resta muito tempo. A solidão tornou-se um vício que se alimentava da minha penúria e dos traumas da minha lembrança. Quanto mais próximo dela eu me encontrava, mais perto me sentia da morte.
Talvez…
Será que devo arrepender-me das minhas escolhas?
Será que fui ingénuo ao preservar os meus ideais?
Será este o preço a pagar por ser diferente deles?
De que vale estar livre do calabouço, se lá fora continuarei a ser escravo?
De que adianta recuperar a voz, se lá fora me haverão de retirá-la?
De que vale livrar-me destas correntes, se lá fora existirão outras algemas à minha espera?
Aqui, ao menos, ainda posso falar, pensar alto e questionar.
E lá fora?
Não me haverão de censurar por pensar?
Não me haverão de açoitar por falar?
Não me irão condenar por contestar?
Não me irão matar por questionar?
A dúvida, o ceticismo e o remorso ganharam espaço na minha mente e no meu coração.
Tentei conversar com as paredes, mas elas não possuíam ouvidos. Procurei perguntar aos espíritos daquela masmorra, mas já haviam partido. As caveiras ao meu redor exigiam silêncio. E as únicas coisas que ainda podiam dialogar comigo eram a morte e a solidão.
Carta V — O Silêncio de Deus:
Confronto com o divino e o mal
Na moldura do vazio pintei o nome de Deus.
Chamei por Ele, e não me respondeu. Gritei desesperadamente, como quem está num avião em queda: clamei, clamei, clamei… mas a resposta foi silêncio total.
Deus é cúmplice ou redentor? Foi esta a questão que me fiz.
Pois quem assiste à maldade e a tolera pratica-a indiretamente da mesma maneira.
Cada palavra que eu exprimia transformava-se em julgamento, como se tudo o que suplicasse fosse motivo de pura rejeição. Onde estás, Senhor? Dez anos já se passaram, mas a tua presença continua indetectável e imperceptível. Por que permites que os reis desta terra prevaleçam sobre os justos? Que provas de amor precisas para que o mal se torne defunto?
Somos apenas carne; a qualquer momento iremos apodrecer. E, como uma flor murcha, também haveremos de perecer.
Os que te confrontam perecem; mas por que os reis da terra até hoje permanecem?
Houve silêncio total no céu, como se nele já não habitasse ninguém. E eu, na angústia do meu pavor, caí em tristeza. A escuridão daquele lugar parecia um eclipse.
Enterrei-me nas tumbas do meu desespero. Aflito e com medo, destruí os pedaços de esperança que ainda preservava comigo. Se ainda restassem lágrimas nos meus olhos, nada me consolaria mais do que derramá-las por desgosto. Em situações em que Deus é necessário, há ausência, há silêncio. Nos momentos menos tristes da vida, confirma-se a sua presença.
"Afinal, quem é o carrasco: aquele que provoca o sofrimento ou aquele que o observa e nada faz?"
"Pois onde não há luz, não há sombra."
Não é o crime que existe por causa da lei; caso contrário, já teria desaparecido depois da criação dela.
Ao contrário: "só existe lei porque existe crime, sendo este anterior à lei."
De igual modo, parece que só existe o mal porque existe Deus — porque Deus é anterior ao mal. Eles não coexistem da mesma maneira. O conflito espiritual sempre pressupôs antagonismos:
"O bem (a luz) e o mal (as trevas). E nós herdámo-los de quem nos criou."
Todavia, por que temos de pagar por tudo o que nos foi entregue de mal? Por que os justos sofrem nas mãos dos iníquos? Quem sustenta a maldade dentro de nós: aquele que nos criou ou aquele que nos tenta dominar?
E mesmo assim não houve respostas.
O céu assombrou-se com as minhas perguntas e retirou-se da minha face. Deus abandonou-me no vale da morte, enquanto anjos entoavam salmos de glória. Chorei, chorei, chorei… mas não caíram lágrimas, tampouco sangue. Já se haviam esgotado.
"E, enquanto rogava a Deus por uma saída, traçava-se o meu destino para a morte."
Carta VI — O Último Suspiro:
Últimas reflexões e legado
Já não me restam forças para continuar a escrever. Apenas um pequeno fôlego sobrou para que eu me lembre do quanto é bom viver. Já se passaram mais de quinze anos, e até aqui não recebi nenhuma visita: nenhum parente, nenhum vizinho, nenhum amigo. Como se todos se sentissem aliviados por se livrarem de mim, como se eu fosse um fardo. Não faz mal. Hoje deixarei a carne, mas não o mundo. O meu espírito continuará vivo — não num novo corpo, nem num novo hospedeiro —, mas na memória daqueles a quem estas cartas chegarem.
Nestes, o meu testemunho continuará a viver.
"Mesmo que lhes firam o corpo, não poderão matar o espírito. Mesmo que os prendam, não poderão silenciá-los da verdade".
Despeço-me deste corpo, desta vida. E, como injustamente me condenaram por não concordar com as vossas normas e por me punirem pelos meus pensamentos, farei com que os vossos próprios umbrais vos engulam de aflição pelo vosso cinismo e pela vossa hipocrisia. Que a vossa abundância e vaidade sejam reduzidas ao pó da terra.
Suspiro de alívio, embora carregue o fardo. Eis que chegou a hora de partir. Suspiro de paz, embora ainda exista ódio em mim. Que a terra se encha de justiça e que cada homem seja consciente de si mesmo. Pois nenhum homem pode condenar outro sendo ambos falhos. Nada nos dá o direito de punir o crime alheio quando não há quem puna os nossos.
Pergunto aos lordes:
— Quem dentre vós é digno de expiar o erro de outrem enquanto não reconhece os seus próprios? Se somos todos livres o que vos dá o direito de colocarem correntes nos nossos pescoços?
Todos nascemos livres, sem correntes, e ninguém espera que, após nascer, lhe coloquem cordas no pescoço.
"Cada ser humano possui uma vida e, por possuí-la, tem o direito de vivê-la."
Quem sois vós que nos quereis tirá-la?Porventura sois vós que a concedestes?
Eis o ponto da corrupção humana: todos querem ser soberanos, todos querem governar, mandar e dominar. Mas será que algum de vós já pensou em ser servo?
Se todos governassem, quem estaria subordinado? Por isso mesmo, não abuseis de quem vos dá um pouco de consideração como chefes. Pois só existe governo porque existem aqueles que vos obedecem. E, se ninguém vos obedecesse, duvido que as leis vos conseguissem proteger.
"Vós criais as normas, mas somos nós que as tornamos realidade."
Esta é a minha última carta. Gostaria tanto de escrever-vos mais, mas o sangue no meu corpo esgotou-se, e também o meu espírito. Já não restou papel; apenas um pedaço esquecido pelos antigos prisioneiros desta masmorra. Rogo-vos que guardem estas cartas com a vossa própria vida e que não as deixem apodrecer assim como eu. Não as deem de comer aos ratos, pois elas foram escritas com a carne deles. Não as entreguem aos soberbos, pois tenderão a queimá-las quando perceberem que elas ameaçam o seu poder.
"Não há arma mais delicada do que as palavras quando são capazes de transformar a consciência de um povo."
E eles não querem isso.
Não as vendam por moedas, pois nasceram da desgraça e foram escritas na miséria. Eis o meu último testemunho, o meu último pensamento para vós, e o meu último desejo:
"Uma morte livre vale mais que mil anos de vida escrava."
"Uma sociedade que censura uma opinião diferente daquela que defende é venenosa."
Não sejais hipócritas convosco mesmos.
Não sejais indiferentes à verdade.
Não sejais mornos: decidi-vos se sois frios ou quentes.
Não vos curveis para viver uma vida miserável diante daquele que vos oprime, censura e persegue.
Novamente, se alguém vos perguntar de quem é esta carta, respondei-lhes:
é de um Condenado.
Espero que aqueles que a encontrarem me conheçam um dia, do outro lado do mundo.
Adeus!
Carla,
Escrevo esta carta com o coração transbordando de amor e gratidão por você, minha esposa maravilhosa, minha amiga, meu tudo. As palavras parecem insuficientes para expressar a imensidão do que sinto, mas quero que saiba que cada letra carrega um pedaço do meu amor por você.
Desde o dia em que nossos caminhos se uniram, minha vida se transformou em um conto de fadas real. Você é a protagonista dos meus sonhos, a heroína da minha vida, a razão da minha felicidade. Sua presença ilumina meus dias, sua voz acalma minhas noites, seu amor me fortalece a cada instante.
Você é a amiga que me entende, a confidente dos meus segredos, a parceira para todas as horas. Juntos, construímos um lar de amor, respeito e cumplicidade, um refúgio onde encontramos paz e alegria.
Seu sorriso é meu porto seguro, seu abraço meu lar, seu amor meu maior presente. Agradeço a Deus por ter colocado você em minha vida, por me dar a oportunidade de amar e ser amado por alguém tão especial.
Prometo amá-la e honrá-la todos os dias da minha vida, ser seu companheiro leal e fiel, e construir ao seu lado um futuro repleto de felicidade e amor.
Com todo o meu amor,
Bruno
Minha amada,
Escrevo esta carta com o coração transbordando de lembranças das nossas noites mágicas em Itaipuaçu. Aquele céu estrelado, tão vasto e misterioso, que testemunhou tantos dos nossos momentos mais preciosos. A brisa suave do mar, a melodia das ondas quebrando na areia, e nós dois, envoltos em um mundo particular, onde o tempo parecia não existir.
Lembro-me da primeira vez que compartilhamos esse cenário. A timidez inicial, os olhares furtivos, e então, a explosão de sentimentos que nos uniu para sempre. A cada noite, um novo capítulo da nossa história era escrito sob a luz das estrelas.
Nossas conversas profundas, os sonhos que compartilhamos, os planos que fizemos. A cada palavra, um laço mais forte se formava entre nós. E nos momentos de silêncio, quando apenas nossos olhares se encontravam, a conexão era ainda mais intensa, como se pudéssemos ler os pensamentos um do outro.
A praia à noite, nosso refúgio secreto, onde podíamos ser nós mesmos, sem máscaras, sem julgamentos. A areia fria sob nossos pés descalços, o calor dos nossos corpos entrelaçados, a sensação de pertencimento que só encontramos um no outro.
Nosso mundo, um universo à parte, onde o amor era a única lei, e a felicidade, nossa constante companheira. As estrelas, nossas confidentes silenciosas, que guardam nossos segredos e abençoam nossa união.
Que possamos sempre retornar a esse lugar mágico, onde o tempo para e o amor se eterniza. Que nossas noites em Itaipuaçu continuem a ser o cenário dos nossos sonhos, o palco da nossa felicidade.
Com todo o meu amor,
Bruno
"Carta para minha filha Rebeca Xispiu"
Oi, minha filha, tudo bem?
O papai está escrevendo aqui da Bélgica para você aí no Brasil, hoje o trabalho fluiu, mas nem sempre e assim... Filha, pensei em te dar algo que pudesse transformar a sua vida de forma transbordante — daquelas que "ninguém entende", kkk.
Filha, antes de tudo, quero te parabenizar por ter escolhido entre a festa e o celular que você tanto queria. Você me mostrou que estava sendo feliz primeiro para, depois, ensinar. Você é uma escolhida, minha filha, e "escolhidos não têm escolha". Eu deveria ter escrito para você mais para frente, né? Mas, observando a vida e o mundo, senti firmeza no seu caráter. Não é dos mais perfeitos, né?! Mas eu gostei! kkk.
Você se parece muito comigo, filha. E, ah! O lado direito do pai é maior que o esquerdo, hahaha! Vai me levar para sempre agora, cê tá ligada! kkk.
Filha, eu te amo tanto que chega doer, sabe? Então decidi falar algumas coisas — não são conselhos, tá? Na verdade, é um pedido. O pai conheceu muitas mulheres, acho que você sabe. Tive uma infância curta, mas divertida. Namorei muito, amei muito, confiei muito... Me diverti e sofri demais também. Chorei, filha (e choro ainda, né? kkk), e quis morrer um montão de vezes. Mas já fiz coisas impossíveis — nem sei como, mas fiz.
Sabe, às vezes eu paro, olho pra a vida e me vem uma pergunta: Vale a pena viver? É uma voz tão suave que traz uma calma no respirar... o ar fica puro, o barulho dentro de mim silencia e ela sussurra: "Vale a pena viver?". Aí o pai tem a chance de rever tudo o que já passou. É tudo tão bonito e feio ao mesmo tempo, difícil de entender... até chegar o dia em que conheci a sua mãe. Quando olhei para ela, pensei: "Essa mulher vai me dar um Jardim".
Eu sempre quis ser pai de menina, porque eu morreria sabendo que eu mesmo ensinei mulheres a tornarem seus maridos poderosos. Eu escolhi a sua mãe. Quando a conheci, ela estava enfrentando um término, estava decepcionada, traumatizada. E conheceu um rapaz "feio na fita"! Eu. E sabe, filha... algo nela me tirou a paz. Eu não consigo mentir para ela; eu olho para sua mãe e parece que ela sabe. Por muito tempo ela me olhava e não via que eu sabia das coisas, então ela não confiava. Mas eu estudei a história da família dela. Quanta coisa aquela família passou sem ter alguém para ensinar o AMOR, minha filha.
O coração do pai esbanjava amor, e foi aí que entendi minha missão: transbordar esse sentimento. Sua mãe... bom, você conhece ela melhor que eu, né? kkk. Mas peça para sua avó contar como conheceu seu avô, como era tratada pelos pais e irmãos, como foi o casamento e se ela se arrepende. Depois, pergunte o mesmo para o seu avô e veja se ele se arrepende de tudo.
Filha, por mais que tudo pareça confuso, se eu tivesse outra vida — sei lá, de milionário — mas não fosse para ter conhecido você... Rebeca, a Helena e a Catarina, eu rejeitaria. Eu viveria tudo de novo, exatamente igual, só para ter vocês. Minhas filhas.
Quero deixar registrado: vale a pena viver, sim. Descobri isso quando olhei nos teus olhos naquela maternidade. Você estava lutando. O pai estava esperando me chamarem quando vi as enfermeiras correndo com um bebê forte, lutando para respirar. Era você. Ouvi alguém gritar: "O bebê que passou é do filho da Elizabete!". Eu não sei como cheguei onde você estava, só lembro que cheguei. Fiquei na porta, com metade do corpo para dentro, tentando não perder um chorinho seu, um resmungo. Eu não queria perder nada.
Você nasceu com um nervo do pescoço travado e sofria muito nas fisioterapias. Seus gritos rasgavam a minha alma. Mas só hoje me dei conta: no dia em que cheguei perto daquela incubadora e disse: "Oi, minha filha, o papai está aqui", você virou a cabeça e olhou direto nos meus olhos. Sem chorar, só olhou. Depois daquilo, seu pescoço doía muito, o pai não aguentava te acompanhar nas sessões, era insuportável ver sua dor... mas sua mãe estava lá! Firme, forte, louca kkk... mas estava lá.
Conhecer a história dos seus avós me fez entender a sua mãe. Quando olho para ela hoje, parece que estou lendo a Bíblia. Tenho muita coisa para escrever... mas só quero te fazer um pedido: quando você escolher um homem para confiar o amor da sua vida — pois existe o "amor da vida" e a "pessoa da vida" — escolha um que seja os dois para você.
Eu tive que lutar muito para que sua mãe enxergasse isso em mim. Ela viu a sua avó depender de um homem que cresceu sem saber o que é ser amado, e por isso não soube ensinar. Ele não foi "firmeza" com a vó. Mas vocês não. Você e sua mãe estão protegidas.
Você me dá a certeza de que estou fazendo tudo direitinho. Uma reclamada ali, outra aqui, mas não perco o foco. Obrigado por me escolher, filha. O pai vai estar aqui para o que for preciso. Conte comigo sempre.
O bagulho é louco, né? Cê tá ligada! kkk.
Te amo!
carta para minha princesa!!
Sobre minha Princesa? ela é incrível, especial e única.
Os olhos dela brilham como siríus.
Quando a gente se conheceu eu não fazia ideia que vc acabasse significando tanto para mim, vc chegou derrepente sem avisos e eu tava totalmente perdido perdido sobre nós, mais sabia que era realmente vc que eu queria em minha vida, pois desde de p dia em que conversamos sobre nossas vidas passado, presente e futuro vi que tinha algo em vc que faltava em minha vida, sua gentileza seus olhos me olhando o jeito que vc falava, ficava horas me ouvindo falar, e eu não sabia que vc realmente me queria e ficava meio besta de falar sobre meus sentimentos e que realmente queria que vc ficasse pq em uma madrugada qualquer depois que dormi na sua casa pq começou a chover do nada eu percebi, aquela chuva não foi do nada, foi Deus planejando um futuro para nós.
Meu amor, acho que fiquei tão acelerado querendo demonstrar rapido que eu realmente te queria que fiquei cego e esqueci que ainda sou um adolecente que quer construir um futuro, mais Deus me trouxe vc em um momento em que eu tava tão perdido que não sabia nem o que fazer da vida, se eu vivia o agora ou sobrevivia o agora para viver o futuro, sua chegada em minha vida foi tão importante que eu achei o caminho do meu futuro e não vejo mias esse caminho sem vc ao meu lado. quero que seja vc, e espero que vc queira que seja eu também, quero junto com vc trilhar o começo da nossa historia. se vc quiser viver esses momentos comigo ja sabe a resposta né kkkkk
EU TE AMOOO MUITOOOOO BONITINHA
Carta de Agradecimento a Deus
Pai, obrigada por cada detalhe.
Por cada livramento que eu nem percebi.
Por cada pensamento que o Senhor colocou em mim quando a minha mente falhava.
Obrigada por mostrar onde eu não conseguia enxergar.
Por me ajudar a andar quando eu já não tinha mais forças.
Por colocar pessoas boas no meu caminho.
Obrigada por me impedir de ser o que eu não deveria ser.
Por cuidar de cada detalhe da minha vida.
Sem Teus cuidados, eu não teria suportado o peso da minha cruz em meio à minha cegueira espiritual.
Tu és meu alimento diário.
É em Ti que eu encontro força, direção e descanso.
— Van Escher
Carta para quem está cansado de lutar
Meu filho, eu sei que tem dias em que você não quer levantar.
Dias em que você sorri por fora, mas por dentro está em pedaços.
Eu vi cada vez que você engoliu o choro pra não preocupar ninguém.
Você pergunta por que tanta dor…
e, às vezes, o silêncio parece a única resposta.
Mas escuta com atenção...o fato de você ainda estar aqui, mesmo quebrado, já é uma prova de uma força que você ainda não reconhece em si.
A dor não te fez fraco.
Ela revelou o quanto você suporta e também o quanto você precisa aprender a não carregar tudo sozinho.
Nem toda perda foi castigo.
Nem todo afastamento foi abandono.
Algumas coisas eu precisei tirar da sua vida porque estavam te destruindo por dentro, mesmo parecendo importantes.
Eu sei que você se sente injustiçado às vezes.
Que olha ao redor e pensa, por que comigo?
Mas a sua história não acabou no momento mais difícil ela está sendo moldada ali.
Você não precisa ser forte o tempo todo.
Pode chorar. Pode parar. Pode recomeçar devagar.
Mas não desista.
Tem gente que ainda vai precisar ouvir sua história para não desistir da própria vida.
Tem gente que vai encontrar força no que você superou.
Só que, pra isso, você precisa atravessar essa fase não fugir dela.
Seja paciente com você mesmo.
Você não está atrasado, você está em reconstrução.
E mesmo quando você acha que ninguém está vendo…eu estou.
Deus
❝ ...Você me lê sem pressa, como se lê uma carta antiga, Descobrindo a história em cada linha, cada dobra. E eu sou em você a poesia que não se fatiga, A semente da paz que a cada novo dia se desdobra.
Somos o encaixe perfeito da imperfeição que acalma, Do riso que quebra o gelo e a dor do que passou. Você é a melodia que embala a minha alma, Onde o simples de amar é o nosso maior louvor...❞
------------ Eliana Angel Wolf
