Carta a um Amigo Detento

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ALTO SONHO REALIZADO
( Nei Pires)
Noite passada, consegui dormir um pouco.
Sonhei, um sonho louco,
Louco, muito louco, esse sonho meu.
Sonhei que eu tinha morrido,
Como o Elvis não morreu.
Quando acordei abri os olhos
Vi que estava vivo.
Muito vivo estava eu.
Saí para o trabalho, queria contar
Meu sonho para o patrão.
Veio um caminhão na contra mão.
O motorista freou antes d'eu ser atingido
Ele não me atropelou
E eu escapei de ter morrido.
Trabalhei como era de costume,
Alegre e divertido.
No almoço engasguei com a comida,
Fiquei roxo, dei trabalho pra Maria e pro Alberto.
Por questão de minutos, quase vi Jesus de perto. Amém
Me sorrindo e me chamando pra ir embora para o além.
Depois do trabalho
Nas manobras contra a morte.
Rezei pela vida e pela sorte.
Na volta pra casa fui indo devagar.
Muita chuva no caminho.
Muita água pra passar.
Fui levado pela enxurrada.
Até onde me lembro, me afoguei e bebi água.
Depois não vi mais nada.
Não teve ninguém pra me salvar,
Não vi ninguém e nem Jesus estava lá.
No outro dia não saí pra trabalhar.
No sonho que eu estava morto e expirado
O alto sonho se tornou realizado.
Estou com o pai nosso no céu, a nem.

Inserida por piresney581_1122570

Penso em ti a cada instante,
penso em ti cada segundo.
Meu amor por ti é constante,
sem ti sou um pobre vagabundo.
Não sei mais o que pensar,
não me sais do pensamento.
Certo um dia irá compensar,
pedirei tua mão bem casamento.
Talvez seja eu louco,
por assim apenas dizer.
Meu amor por ti não é pouco,
nem me vou contradizer.

Inserida por PedroGomes79

BLACK POP:


A Black pop é um mal chique
Não é aquele mal escarrado, nojento
A Black.
Ela curte veado, traveco, sapato e ladrão
A pop.
Não fuma, não cheira e não curte apertar
A mina.
Ela vota, brinca de roda e toca agogô
A negra.
É chique na lapa, na copa, no gueto
E até no pelô
O Black da negra.
Tingiu sem censura o branco encardido
“DEPUTA”... retrô.

Inserida por NICOLAVITAL

SUPLICA DE UM POBRE ESPIRITO:



Encontro-me sozinho dentro de mim
Sufocando em meus fantasmas
Busco me encontrar, e não encontro
A saída...

Me auto mutilo

Na busca da razão pela qual
As pessoas se agridem
Se humilham, se regridem

Meu soluço é vão
Meu pranto seco
Meu coração enrijecido
Fenece sem perdão

Minha angustia suplica ao orbe
Clemência
Para que Minh ‘alma não feneça
Ao onipotente.

Inserida por NICOLAVITAL

FARSA:
Não me apraz
O ouro ou a prata
Eu nasci sob a casta
Que mata...
Meu coração?
Um misero palhaço
Não me impunha raça...
Não me faculta graça...
A construção poética, uma carcaça
Uma medonha farsa!
É flor sem perfume
Sonho que se sonha sem sonhar.
Não me apraz
O riso vulpino do poeta
Sobre a dor que tingida
De certo é dor fingida...

Inserida por NICOLAVITAL

REI TORTO:

Enclausura-se
Meu ancho coração libertário
Aos tiranos ditames
De um rei secundário
Sobre a égide
Dessa plebe ordenada
Refletida sobre a média
Ordinária...
Oh! Minha doce Pátria
Não gentil...
Não, não indultes
Teu passado tão sombrio
Sobre as margens
Flácidas
De um Ipiranga
Vil.
Nicola Vital 13Fev2017.

Inserida por NICOLAVITAL

NOSSAS VERDADES:


É assim, sempre assim
Seja carnaval ou natal
Nossa vida um imutável
Baile de fantasias em que
Fantasiamos nossos fantasmas
Nossas paixões sem primazia
Sempre assim...
Seja carnaval seja à homilia!
Os sonhos que penso tenho
Perdem-se em fantasias
E enquanto vestimos-as ...
Calçamos meias alegrias.
E o rosto que veste a máscara
É o fosso que verte a massa
Numa odisseia de hipocrisia.

Inserida por NICOLAVITAL

DEMOCRACIA OU TIRANIA?


O conceito de democracia, grosso modo, consiste em dizer que é um sistema do governo em que o povo exerce a soberania. Neste sistema de governo o poder é exercido pelo povo através de seus representantes por eles eleitos.
Desde o Brasil colônia nosso maior sonho e luta perpassa à busca por uma democracia sólida, consistente e persistente. Até vivenciamos em outro contexto lampejos desse sonho. Ainda que de forma incipiente e intermitente durante os governos republicanos. Ironicamente entre os anos de 1946 a 1964. Em que ensejaram a dita primeira democracia.
Mesmo apresentando vestígios de um liberalismo populista denotou-se grandes avanços à manutenção da democracia, mesmo não estando a contento de sua fiel amplitude.
Todavia, o preço pago por esses avanços e uma possível antagonia ao mercado estrangeiro e seu projeto neoliberal que sentiu-se ameaçado, suscitou a abominação ao pensamento democrático através do conluio entre o capital estrangeiro, as forças repressoras e a dominação política imperialista.
Por conseguinte esse sonho definitivamente seria subtraído pela força das armas ostentadas pelos “homens” em detrimento do próprio homem.
Com o advento da famigerada “ditadura militar” no país esse sonho logo se transforma em pesadelo. “Tão real como real era nosso sonho”. E consigo trazia toda sorte de atrocidade e segregação dos mais elementares direitos à cidadania como: O direito de ir e vir, à livre expressão e o mais sublime, o direito à vida. Que naquele contexto passa a pertença à tirania que se instala.
No tempo em que dava-se início o retorno à barbárie, consolidava-se ainda mais a exploração do “homem” pelo homem. Para citar o filosofo alemão Karl Marx.
Na luta por esse sonho muitos tombaram outros obrigatoriamente deixaram seu país, familiares, razões e paixões. Como os pássaros a perder seus ninhos.
Neste momento me debruço sobre esta narrativa objetivando entender a razão pela qual fechamos os olhos a um passado tão próximo em que feridas ainda permanecem abertas e sangrando.
Quiçá por uma lógica pífia e esquálida quão o ódio que impera em nossos corações contradizendo o imperativo categórico Kantiano.
Ou talvez sobre o pretexto de combate à corrupção. Uma máxima incoerente por assim dizer. Uma vez que os fins não justificam os meios.
Enfim o contexto político atual nos remete ao iminente perigo desses atores que outrora promoveram a barbárie desconstruírem as ideias e as conquistas democráticas e inclusivas dos últimos 16 anos. Conquistadas à duras penas. Mergulhando-nos à tirania. Aonde não há lugar para as “minorias”.
A tirania se alimenta da barbárie e a barbárie consubstancia-se da execração humana.
O tirano abomina até mesmo a beleza das artes advinda dos “homens” de bom senso...
Bem disse o filosofo e sociólogo Theodor Adorno (...). “Escrever um poema após Auschwitz é um ato bárbaro, e isso corrói até mesmo o conhecimento de por que hoje se tornou impossível escrever poemas” (Adorno, 1998, p. 26.).
Ora, vejam só, aqueles que ameaçam as mais altas cortes constitucionais, o que fariam eles ante à nossa liberdade de expressão?
Vinte e oito de outubro próximo, é o dia do veredito, você será o Juiz. Absolve ou assassina a jovem democracia Brasileira.

Inserida por NICOLAVITAL

ABORTO INDUZIDO, EXECRAÇÃO À VIDA HUMANA:



Devo encetar esse texto, abordando um assunto bastante polêmico desde sua essência em face de se tratar da concepção da vida humana, concessão de Deus, que tem sido banalizada de maneira inescrupulosa nos quadrantes do universo. Em se falando da vida. Bem sabemos que os governantes e setores da sociedade intelectual mundial, têm voltado suas atenções para um assunto de grande relevância e, que divide opiniões do público em geral, encontrando certa resistência junto às facções religiosas. Que é a famigerada legalização do aborto sem critérios. Provocado de forma Domestica, Química ou Cirúrgica. O que na minha ótica não se desvincula do crime de infanticídio que antes de ser previsto no código penal brasileiro fere de morte os princípios divinos e, que os defensores tentam rotular com uma terminologia evasiva ou confusa, ofuscando o assassinato, com o jargão “Interrupção Voluntária da Gravidez” ou “Direito de Decidir”. Decidir Sobre a vida de outrem, é incoerente e inconsequente.

Se partirmos do pressuposto que Jesus Cristo houvesse sido abortado, o que seriamos hoje? Ou talvez você não gozasse do conforto e comodidade de uma viagem aérea se Santos Dumont não tivesse sido concebido. Quem sabe você não estivesse agora lendo esse texto se o britânico Edward Jenner tivesse o direito de nascer suprimido pela insensatez daqueles que sem nenhum motivo plausível abomina a vida humana. Ou talvez não pudesse sequer mensurar os nossos prejuízos sem a existência de Carlos Chagas, Vital Brazil, Osvaldo Cruz e, outros personagens que ajudaram a escrever a boa história da humanidade. É certo que você está a si perguntar, e os tiranos? Qual Adolfo Hitler, Jack o estripador e outros gênios do mal que também tiveram o direito à vida? Todavia, aplicando-se o princípio do – IN DUBIO PRÓ RÉU é melhor absolver mil culpados que condenar um inocente.

Pensar que existem seres humanos contra a concepção da vida, o direito de nascer, é bestial e contraditório. Sendo assim, por que viemos ao mundo? Será que teus pais queriam frustrar-se do teu abraço? De participar do teu processo de crescimento e aprendizado? Por que não fazes uma autocrítica e te pergunta se escolherias ter sido abortado? Ah! É certo que não.

Só para reflexão daqueles que defendem a legalização de tão bárbaro crime, Poderíamos ainda está convivendo com o Apartheid na África se não estivesse existido Nelson Mandela. O que seria dos pobres excluídos de Madre Tereza de Calcutá? E como seria hoje o cristianismo sem ter existido o papa pop? Sem dúvidas, seriamos tristes sem a alegria e irreverência do baiano Carlinhos Brow. Outros viram, se sua arrogância não obstaculizar.

Ora! Será que não estaríamos interrompendo o nascimento do descobridor da cura de doenças mortíferas que assolam a humanidade? Ou quiçá, aquele que traria a paz ao mundo. Claro é conveniente aos governos e intelectuais, massificarem campanhas contra a vida, pois é bem mais barato induzir o aborto que honrar suas obrigações durante toda a vida do cidadão.

Deus nos agraciou com a vida, e não o direito a ceifa-la. Contudo o homem diante de todo seu egoísmo e insanamente, pensa em governar algo que não pertence ao seu vil e pretensioso reino.
Neste momento, ao perfazer o texto, me deleito com as afáveis melodias de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Clara Nunes, Elis Regina, e outros nomes da música, da literatura, da arte como um todo e Etc, que ajudaram a escrever a história do Brasil e do mundo.

Inserida por NICOLAVITAL

⁠⁠CRÔNICA AO COTIDIANO:
Há momentos que pensamos em um só instante Pluft... Jogar tudo para o alto e desaparecer... Evaporar em brumas e só!
Você ainda não se sentiu assim? Como se estivesse dentro de um quarto fechado sem entrada nem saído? Como uma roupa justa, justíssima, sob sol a pino. Feito uma gravata sufocando-lhe a respiração?
Quiçá o sapato mutilando seu quinto dedo.
É certo dizer que assim nosso mundo desaba sobre nossas cabeças deixando transparecer não ter fim todo esse sofrimento que sucumbe nosso bom humor em um contexto que propõe empatia.
Ah! Você não se liga? Ou nunca vivenciou?
Certamente és o pensamento de que as estações são mutáveis. De maneira seleta e glamurosa. Ah! Como é assustador esse nosso momento de ausência.
Ora! Quem nunca viveu esse tédio e suas maluquices em seu cotidiano de outrora?
Então, mirem-se nas Marias/Marias – Fateiras do nosso sobrevivente Araçagi que nas tardes de sexta-feira cantarolavam em suas margens enquanto lavavam seus “fatos” vendidos no dia seguinte na feira livre da “Esperança”.
Tais quais as lavandeiras do romântico Tejo, do imortal poeta português Fernando Pessoa que também foram vítimas dessa famigerada pantera austera.
Não obstante, só depois de crescidos convivemos com esse mal.
Todavia, só há um lenitivo para a cura desse Mal Agouro que assola a humanidade. Renascer... Deveras renascer.
Será? Ou quem sabe se espelhar nas Marias/Marias do Araçagi ou nas lavandeiras do Téjo que além de lavarem seus “Fatos”, deixavam fluir naquelas águas correntes seus tédios para aflorar a vida.

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⁠ÁRVORE DE AZEITE:

Naquele benefício...
um quintal com árvores de azeite
Que nasciam todos os dias
Àquela hora ao nascer o sol
E morriam como tal ao ocaso.
Sobre as rochas em greta
Eu colhia os frutos que comia.
E sobre seu cume que nutria o pinhal
Eu mirava o cordeiro
Que reluzia à boca da noite
Com o olho central que cuspia fogo
Iluminando o benefício.
As árvores morriam
E as aves em bulício calavam ao canto
Sob o cântico de ventura
Da matriarca
Que mistificava o brilhante
Reluzente de da luz.

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⁠⁠⁠⁠O QUE É O AMOR?

O amor é um estado de coisas
Espirito ou espectro!
Argumento mensurável...
Subjetivamente coerente ou não
Um Mix de ventos volúveis
Que mexe com nossos parcos sentimentos.
Que vem e passa como passa
O tempo, o pensamento!
É uma nau à deriva numa ilha
À milhas e milhas daqui.
E sob este emaranhado
De coisas e cordas
Meu coração faz trilha
À milhas e milhas daqui
Ora (direi), amigo meu
Que o amor
É uma coisa mais ingênua
Que as virtudes cardeais

Inserida por NICOLAVITAL

⁠PELO AVESSO:

O mundo gira sobre um eixo sem sorte!
Em um labirinto sem norte
Para um governo sem posse
Que sem brio segue à morte...

Na cadência do trote
Sobre um ar de deboche
Contra um povo tão forte
Que caminha para o corte...

Pra buscar sua sorte
Sem ter medo da morte
Ou cuidar sem deboche
Viaja no trote a buscar suas posses

Inserida por NICOLAVITAL

⁠O VENTO DO TEMPO:
Havia ao fundo do meu quintal
Um lago de águas brandas e cintilantes
Aonde nos meus sonhos de infante
Sob as plumas das aves de cristal
Erguiam-se meus castelos de ilusões
Que hoje são choupanas sem alento
Fazendo-me viajar de volta ao tempo
E ninar com mamãe suas canções.
Hoje, o palor de suas águas me ofusca
Tuas plumas ao infinito se perfaz
Seu cristal a beleza lhe refuta
Contudo, meu coração ao seu ausculta
E o meu sonho de rever-lhe se refaz
Ao lembrar-te em meus primeiros madrigais.

Inserida por NICOLAVITAL

⁠SONHO ÉPICO:
Antes de crescer...
Eu queria ganhar
Um milhão de dólares
Beijar a mais linda modelo
Calçar o mais caro reebok
Tomar a mais forte tequila
Saltar o mais alto dos Alpes
Vingar o meu bullying escolar
Conhecer os quadrantes do orbe
Vestir a mais fina seda
Pensar que seria imortal
Gozar a perpetua puberdade.
Depois que “cresci”
Só queria entender
Porque não cresci
Mas também percebi
Que meus sonhos pretéritos
Deixavam-me entender
Porque não pude crescer...

Inserida por NICOLAVITAL

⁠MUTAÇÃO:
Todo vão metafísico
Tudo o que penso sou.
Toda doutrina do livro
Todo lugar onde vou.
É um deserto infinito
Onde nem mesmo estou.
Todo o amor das Helenas
Todo o dogma do pastor
Todo o mutar das falenas
Toda letra que se consome
Toda dimensão das melenas
Toda sorte que me some
Toda essa metafísica
Se transmuta noutra cena!

Inserida por NICOLAVITAL


AMOR MATERNAL:
O amor que assoberbaste
Sei, não era o que querias.
Nem de longe encontraste
Um amor em sintonia
Amar como anseias
É feérico e bem sutil
Só o êxtase delineia
Um amor tão juvenil
O amor com sutileza
Diz o coração febril
É de tamanha grandeza
Que torna o universo vil
O amor a quem almejas
É amor de mãe pra filho
Não possui outro perfil.

Inserida por NICOLAVITAL

⁠NINGUÉM DE MIM SABERÁ
Ninguém me ver...
Ninguém me sabe!
Meu coração um perfeito
- Pretérito...
Nada do que fui tornará
Nada do que sou sobreviverá!
E minha alma em algures
- Preterida está.
Só a morte me resta como única
Essa pantera, conclusão me fará.
Ninguém me ver
Ninguém de mim saberá.

Inserida por NICOLAVITAL


CRÔNICA, PAIXÃO PELA ESCRITA.
Escrever é um exercício de amor ou quase santidade. E, como os apaixonados nossas criações faz despertar o egocentrismo intrínseco ao ser.
Todos os textos que escrevo, sempre imagino que as pessoas assim como eu, também vão gostar e admirar. E no intuito de mensurar essa ideia, eu quase sempre peço a opinião dos meus próximos que na maioria das vezes, minimiza com a deprimente frase.
- Eh! Mais ou menos. [Com uma discreta torcida no nariz]. Claro, ninguém é obrigado a gosta do que eu gosto ou faço.
Mas não é de se negar que diante de tamanha afirmativa, não role certo desanimo. ai a gente coloca aquele textinho de molho em um “balde de água fria” Mas como toda mãe e todo pai nunca vai aceitar que seu filho seja feio ou imprestável. Logo o abraçamos oferecendo-lhe o calor do sentimento.
- E ai, fazemos novas leituras, colocamos a quarar no anil.
- E outras e outras leituras, para podermos expô-lo Como diria Graciliano Ramos.
- E só após, postamos para o veredito social.
- Transbordando-nos de curiosidade para saber qual vai ser a aceitação daquela obra.
- Nos tornando uma capsula de ansiedade e esperança.
E ante uma diversidade de opiniões, eis que surge uma alma que se reconhece ali naquele texto, e se declara admirador do autor, mesmo sem nunca tê-lo visto. Talvez fosse um gesto saudosista ou um instante de ínfima lucidez.
- Mas no cotidiano do autor é inexoravelmente o êxtase.
- O condimento para seguir sua caminhada com esmero e carinho.
E então se conclui que o ato da escrita é quase um sentimento de santidade. É como fazer Hamlet lá 1956, com câmeras pesadíssimas sem VT, sem cores, sem nada. Só paixão e raça.
E somente por amor verdadeiro nos propomos a escrever em uma nação em que não se prima pela leitura crítica e pensante.

Inserida por NICOLAVITAL

⁠⁠FELICIDADE:
Apenas um cercadinho triangular. sabiás branquinhos e retilíneos.
De longe se avista dois altos coqueiros, três frondosos cajueiros e algumas poucas mangueiras bem carregadinhas.
Seus pés de jerimum descem ladeira abaixo como se o riacho perene e seus barquinhos de gazeta a bailar...
Ao centro, bem no centrinho, entre a roseira e o mussambê, uma singela casinha de sapê azul celestial.
Tão azulzinha que chega a doer os olhos ao mirar-te.
Os campos esverdeados que circundam pelas montanhas servem de adorno à vida campesina em dias de chuva e trovoada, em que o cãozinho rouxinol sob a figueira acuado, encolhe-se ao som dos trovões.
Os sonhos franzinos, campesinos, escorre com as fendas do corisco para os céus anunciar...
Na madeira talhada veem-se os sonhos do lugar.
Na beleza sútil da negra menina, o sonho de tear.
Que se finda-se nas sovinas madonas do Rodat.
A felicidade não tem, não convém! Existe para além.

Inserida por NICOLAVITAL