Coleção pessoal de piresney581_1122570

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ARCO DA VELHA (NEY PIRES)
Diz o ditado dos tempos atrás e real.
Era um mistério, coisa de escultor.
Quando a chuva findava no quintal,
Surgia no céu um desenho múltiplo cor
Não era apenas um vapor colorido e sutil
Era o Arco da Velha com seu orvalhado
Diziam que a velha bebia a água do rio,
Bordando cores num céu clareado
Sete fitas estendidas no infinito.
Um portal de magia que a infância inventou,,
Nenhum pintor fez um traço tão bonito.
Que o tempo passou, mas não apagou.
Que traz o passado de volta ao pensamento.
O arco da velha some pelo o horizonte,
Mistério guardado na curva do vento,.,
Deixando a saudade beber na sua fonte.

LONA DE CIRCO (NEY PIRES)

Debaixo de um céu de pano, remendado e colorido
A lona que o vento bate, testemunha da alegria
O circo arma sua tenda num terreno escolhido
Guarda segredos da noite e descansa durante o dia
Ela é feita de lona grossa, aguentando o temporal
O mastro central se ergue, feito um rei na multidão
Segura por grossas cordas e estacas no quintal
Sustentando a cobertura que protege o picadeiro do chão
Quando o sol vai se pondo e a lua vem clarear
Luzes brilham na estrutura, refletindo a emoção
A lona ganha outra vida pro espetáculo começar
Do palhaço que faz rir, e do trapezista no clarão
O rufar dos tambores, faz do povo indeciso
É o teto dos sonhadores, o abrigo da ilusão
Essa lona já viu tudo: gargalhada e riso
Que viaja pelo mundo místico e bate forte no coração
Quando a festa termina e o circo tem que partir
A lona é toda dobrada para ir pra outra cidade, então
Fica a saudade na terra, do espetáculo que faz rir
Que a lona cobriu com arte, num encanto de emoção.

ATRAS DOS OLHOS
Cai o pano do cenário antigo,
O que era sombra vira claridade.
Um par de olhos cruza o meu caminho,
E descortina a minha própria verdade.
Revela o medo que eu guardava oculto,
Despe a alma que vestia armadura.
Num breve traço, num segundo mudo,
O mundo ganha uma nova moldura.
Não é a vista que alcança o horizonte,
É o sentimento que a retina ensina:
A vida muda e deságua em fonte,
Quando um olhar, de frente, descortina

ÁGUA MENINA
Água que nasce lá no alto da serra.
O Igarapé segue rumo às águas do mar.
Desce e segue molhando a velha terra.
no seu longo caminho, para chegar ao mar.
Passeia livre e leve, pela gruta que te espera.
Sempre doce e viva, como as flores na primavera
Com seu gosto original, vindo da nascente
Vai traçando, seu rumo em curvas, na chuva, na noite e, no sol ardente.
Vai lavando pedras, areias e cascalhos.
Vai no seu critérios, num caminho
longo e sem atalhos
A procura de um rio para desaguar
E encontrar o sal, das águas do mar
Formando cascatas, cachoeiras, a derramar
de encanto, pra te encontrar
Vai descendo pelas escadas da alta serra
Molha a paisagem de todo o canto desse lugar.
Mas não deu não…
não encontrou. o mar
Não foi pro mar, esperou o mar…
O mar não veio não.
Ele passava em outro lugar
Não faz parte das espumas brancas das ondas do mar
E das águas de iemanjá
Ficou perdida feito estrelas cadentes.
Que caem nas madrugadas.
Suas águas ficaram paradas, num certo lugar.
Feito as águas na margem interna.
E antes de entrar, na escura caverna.
depois seu caminho trilhado
Passou na palhoça no canto da serra
E visitou a meiga senhorita.
E o Zé Geraldo.