Nei Pires

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ALTO SONHO REALIZADO
( Nei Pires)
Noite passada, consegui dormir um pouco.
Sonhei, um sonho louco,
Louco, muito louco, esse sonho meu.
Sonhei que eu tinha morrido,
Como o Elvis não morreu.
Quando acordei abri os olhos
Vi que estava vivo.
Muito vivo estava eu.
Saí para o trabalho, queria contar
Meu sonho para o patrão.
Veio um caminhão na contra mão.
O motorista freou antes d'eu ser atingido
Ele não me atropelou
E eu escapei de ter morrido.
Trabalhei como era de costume,
Alegre e divertido.
No almoço engasguei com a comida,
Fiquei roxo, dei trabalho pra Maria e pro Alberto.
Por questão de minutos, quase vi Jesus de perto. Amém
Me sorrindo e me chamando pra ir embora para o além.
Depois do trabalho
Nas manobras contra a morte.
Rezei pela vida e pela sorte.
Na volta pra casa fui indo devagar.
Muita chuva no caminho.
Muita água pra passar.
Fui levado pela enxurrada.
Até onde me lembro, me afoguei e bebi água.
Depois não vi mais nada.
Não teve ninguém pra me salvar,
Não vi ninguém e nem Jesus estava lá.
No outro dia não saí pra trabalhar.
No sonho que eu estava morto e expirado
O alto sonho se tornou realizado.
Estou com o pai nosso no céu, a nem.

Inserida por piresney581_1122570

ÁGUA MENINA
Água que nasce lá no alto da serra.
O Igarapé segue rumo às águas do mar.
Desce e segue molhando a velha terra.
no seu longo caminho, para chegar ao mar.
Passeia livre e leve, pela gruta que te espera.
Sempre doce e viva, como as flores na primavera
Com seu gosto original, vindo da nascente
Vai traçando, seu rumo em curvas, na chuva, na noite e, no sol ardente.
Vai lavando pedras, areias e cascalhos.
Vai no seu critérios, num caminho
longo e sem atalhos
A procura de um rio para desaguar
E encontrar o sal, das águas do mar
Formando cascatas, cachoeiras, a derramar
de encanto, pra te encontrar
Vai descendo pelas escadas da alta serra
Molha a paisagem de todo o canto desse lugar.
Mas não deu não…
não encontrou. o mar
Não foi pro mar, esperou o mar…
O mar não veio não.
Ele passava em outro lugar
Não faz parte das espumas brancas das ondas do mar
E das águas de iemanjá
Ficou perdida feito estrelas cadentes.
Que caem nas madrugadas.
Suas águas ficaram paradas, num certo lugar.
Feito as águas na margem interna.
E antes de entrar, na escura caverna.
depois seu caminho trilhado
Passou na palhoça no canto da serra
E visitou a meiga senhorita.
E o Zé Geraldo.