Carne
O céu, o inferno e uma história
Antigamente
Éramos unha e carne;
Bebíamos tudo do mesmo copo,
Suores, lágrimas e um afável vinho;
Eras a totalidade de todas as coisas,
Eu era o teu universo
E todas as gravidades
Nos puxavam à nossa cama;
Palavras eram plumas que voavam,
Quando não se estavam a beijar;
Éramos provação e teoremas
E tu lias os meus poemas
Que eram todos para ti;
Rezávamos a Deus, que nos deu
O infinito, um lar e asas, e assim
Íamos em parelha à mercearia
Flutuando como passarinhos;
Era no tempo
Em que Deus respondia a orações
E prometia o céu e uma história.
Anos escarpados depois…
Somos garras que ferem carne;
Cada um tem o seu copo
Por onde bebe a retaliação do outro;
A totalidade de tudo o que éramos,
Esfumou-se no universo
E todas as gravidades
Nos afastam dos nossos centros;
Palavras são agora
De arremesso ou caladas;
Desaprendemos o perdão,
A paciência, a cumplicidade e a beijar;
Somos pétalas caídas de uma flor
De um poema que cheira a bafio;
Já não há mercearias nem passarinhos,
Só corvos, a depenarem-se uns aos outros,
Como nós.
Ainda rezamos, mas em vão!
Deus desistiu, como nós, de ambos.
Se me feres na carne,
Dar-te-ei a minha dor para no teu coração confortar-se.
Se me feres no pensamento,
Dar-te-ei o meu silêncio para na tua consciência pronunciar-se.
Se me feres no sentimento
Dar-te-ei o meu perdão para na tua razão confidenciar-se.
Nella città III - A cor da carne
Há dores que nascem antes do grito.
Não do corpo, oráculo por vezes calado,
nem da alma, que cedo se curva ao pranto.
Mas da identidade, lançada à sombra, à face do repúdio,
antes mesmo de saber-se ser.
Nasce, então, a dor sem nome,
antes que a luz do mundo pudesse tocar a pele — nua.
É o peso de um tom que destoa,
aviltado pela violência do olhar.
A cor da carne, que não é da alma,
não é identidade,
mas adorno passageiro —
incompreendido por olhos de cárcere,
que desferem o açoite mudo da ignorância,
a face vertida.
Vê:
a cor sublinha o corpo,
e não pede perdão pelo que é.
Aqueles que esperam que a cor se renda
não entendem o enigma da pele — nua,
que nenhuma voz pode enunciar.
Enquanto alguns choram no funeral a despedida da carne, outros estão em estado de felicidade por receber de volta o espírito viajante à Luz Espiritual.
Cessai de ouvir ao mundo, e o Senhor vos escutará.
Negai a vós mesmos os desejos imundos da carne, e sereis achados dignos do Reino dos Céus.
Cala-te, ó homem! Não faleis palavras vãs, antes falai aquilo que seja reto e agradável aos ouvidos do teu próximo.
Não julgueis, se não tendes autoridade nem sabedoria para corrigir.
Vossos olhos contemplam, e vosso coração cobiça as tentações, mas não entregueis vossa luz ao pecado.
Andai com vossas pernas e vede com vossos olhos;
mas não andeis como cegos, que, mesmo vendo, tropeçam com pés que deveriam estar firmes.
Uma só carne na vida de um casal é o reflexo da Trindade. Assim como a Trindade é uma e cada pessoa dela vive para a unidade, o casal vive também para a unidade. Sem essa percepção não dá para um rapaz tirar a moça da sua casa e dizer que quer se casar com ela e viver até que a morte os separe. Porque nós como seres humanos refletimos a Trindade no casamento do homem com sua mulher.
Eu vivo em um casulo,onde tenho as vezes necessidade de sair dele para provar do prazer da carne,e depois retorno para o casulo onde resido de uma maneira macabra.
Quem parte deste mundo, abandonando a sua própria carne e revelando o seu espírito para a eternidade, obriga-nos a aceitar uma valiosa lição: amar, a cada instante, quem fica.
A vida é um consórcio planejado o carnê é pago todos os dias sem atraso com juros e multas, se recusa não pagar o valor exato será cobrado com lágrimas e choro, nada é de graça na vida o salário não soma valores.
"As chocarrices são obras da carne. Elas prejudicam grupos, destroem amizades e desagradam a Deus".
Anderson Silva
Se o céu da minha boca for o seu paraíso onde o amor se transforma em carne e carne em amor então viverei sorrindo para amar e chorar de felicidade.
"Não sou a carne, não sou o arroz...
Também não sou a massa...
Não sou o prato principal.
Porém estou presente em todos eles, realçando o seu sabor.
Eu sou o sal.
Dormir...
Já que preciso descansar essa carne, que seja como uma viagem.
Que um silêncio predomine e desempregue os tímpanos e tenha ofício a alma.
Que o carpido seja de um Anjo guardião que chega ofuscante para alento, guia e realização.
Não comer a carne é um ato de autopunição. Por que não fazer o bem através da carne? Aliás, ficar sem comer a carne é a maneira mais fácil que se pode fazer para dirimir o pecado. Bendito seria esse o prazer do mendigo, comer a carne com o mendigo é um ato quase impossível, é mais fácil erguer a bandeira, baixar a cabeça prostrar-se de joelhos e entender como pecado, mas, que pecado é esse? O que é pecado? Sendo assim é muito mais fácil à autopunição, a autopunição também pode ser um ato de covardia. (A. Valim).
Deus desfila a mulher, sua obra em carne, de complexos instintos nas entrelinhas do imaginário e do anseio do homem. Deus também construiu os cenários e as circunstâncias naturais para os ciclos das vidas.
“Quarta-feira, Sexta-feira” Não comer a carne é um ato de autopunição, a maneira mais fácil para dirimir o pecado. Bendito seria esse o prazer do mendigo, comer a carne com o mendigo é um ato quase impossível. Sendo assim é muito mais fácil à autopunição. A autopunição também pode ser um ato de covardia diante da falta de atitude por uma causa mais nobre. “Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes”. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come. (Romanos 14:2-3).
A carne pode até esquecer a dor, mas o Espírito de Luz jamais esquecerá a bondade de uma mão Amiga...
