Carne
Eu tenho espinhos na carne que devem continuar exatamente onde estão, estancando feridas, sob pena de torná-las incuráveis, em mim, e em quem se atreve a tentar retirá-los.
O estado da carne não camufla a verdade carnal que ao nosso querer pede sinuosamente para realizarmos o desejo do corpo;
Sei que não queres que mãos alheias toquem o que tanto lhe interessa e que ache que és teu por direito;
Minha mente está em você sem se esquivar para adentrar sem cerimônia em tua vida;
A minha carne é fraca, mas o coração é forte para suportar sentimentos infinitos;
E se o pecado for à vitamina a minha fé é minha sustentação para com a vida;
Às vezes é parecido com a suavidade do amanhã, mas a realidade é tão certo como a navalha em carne crua;
Às vezes acreditava em contos de fada, como se improvisava o amor verdadeiro à meia luz em nós estrelas, mas era resquício de um sonho ultrapassado;
Para mim a festa da carne, não é festa, mas sim uma desculpa para o adultério e outros pecados a mais;
(Referente ao carnaval)
Em um só coração se propaga os meus sentimentos;
Replicando um desejo que uma só carne transferi;
E nesse sentimento inegociável, somente o amor tem a força maior;
Neste carnaval irei me fantasiar da cor do pecado, pois à festa é da carne e nada melhor do que está inspirado;
Inspirado para cultuar o seu corpo porque sua intimidade é sagrada para mim vale mais do que ouro;
E se nesse carnaval eu tiver que demostrar prazer, que assim seja, satisfação pra mim e para você;
Não seja escravo dos seus desejos, não aceite o inaceitável, mostre aos desejos da sua carne que quem manda é você e não o contrário;
Será que eu tenho que aprender
na carne ao invés de aprender
como todo mundo que aprende
na teoria?
A terra é o lago de fogo,
onde está preso o diabo da carne...
A terra é o lugar onde os anjos ardem por dentro em um corpo sentenciado a morte...
A terra é o abismo profundo onde está o inferno
de covas, cercado de flores,
gemidos e lágrimas...
A terra é a casa dos mortos e vivos...
Se com a primeira cicatriz, não se aprendeu, que se tenha mais narvalha na carne, e sangrar seja a sorte.
Por mais que a idade crie marcas na carne, para aquele que é feliz, dificilmente criará rugas na alma
