Frases com cadeira
Perdão não é gesto fácil: é levantar a cadeira do chão e colocar de volta. É reconhecimento, trabalho suado, uma paciência que dói. Quando perdoo, não apago cicatrizes, aprendo o ofício de conviver
com elas, transformo o passado em instrução
e não em cela.
O peso do corpo sobre a cadeira, o calor da xícara entre as mãos, o ritmo da respiração... a felicidade não é um evento grandioso, mas a soma desses pequenos momentos de presença absoluta onde o passado e o futuro deixam de nos assombrar por alguns minutos.
Há dias em que tenho a perturbadora sensação de estar me fundindo à própria cadeira do escritório, como se, aos poucos, eu deixasse de ocupar aquele espaço e passasse a pertencer a ele. O ambiente corporativo, com suas luzes artificiais, o zumbido contínuo das máquinas e a liturgia repetitiva das obrigações diárias, por vezes parece deixar de ser apenas um local de trabalho para transformar-se em uma espécie de universo hermético, uma bolha silenciosa onde o tempo perde organicidade e a existência se resume a telas acesas, notificações incessantes e pensamentos confinados em intervalos cada vez menores de lucidez.
Existem momentos em que o corpo permanece estático diante do monitor, mas internamente há um colapso silencioso em andamento. A mente atravessa labirintos de exaustão emocional, pressões invisíveis e reflexões que jamais são verbalizadas. Sustentar produtividade contínua enquanto o espírito lentamente se desgasta exige uma força que raramente é percebida por quem observa de fora. E talvez seja justamente essa invisibilidade que torne tudo mais sufocante: a obrigação quase involuntária de aparentar estabilidade enquanto, por dentro, algo vai se tornando progressivamente mais fatigado, mais distante, mais anestesiado.
Às vezes, o escritório deixa de parecer um ambiente profissional e assume contornos existenciais. As paredes tornam-se fronteiras simbólicas entre o mundo exterior e uma realidade paralela feita de prazos, silêncios protocolares e uma rotina tão reiteradamente mecânica que passa a corroer a percepção dos próprios dias. Há uma estranha melancolia em perceber que grande parte da vida adulta se desenrola sob luzes frias, cercada por teclados, planilhas, relatórios e relógios, enquanto fragmentos inteiros da subjetividade vão sendo silenciosamente arquivados em nome da funcionalidade.
E o mais inquietante é que o verdadeiro esgotamento raramente chega de maneira abrupta. Ele se infiltra de forma gradual, quase imperceptível, dissolvendo pequenas capacidades humanas: o entusiasmo espontâneo, a contemplação despretensiosa, a leveza diante da existência. Até que, em determinados dias, tudo o que resta é a sensação de estar enclausurado dentro da própria rotina, como se aquele escritório tivesse se tornado não apenas um lugar de trabalho, mas uma extensão psicológica da própria solidão.
- Tiago Scheimann
Há tristezas que não pedem consolo, apenas uma cadeira vazia e o respeito de quem aprendeu a ouvir o próprio ruído interno.
A cadeira não sabe que cansa. Suas quatro pernas, verbo intransitivo de sustentação, aguentam nossos silêncios sem conjugação. A janela divide o mundo em sujeito e predicado: lá fora chove, aqui dentro falta.
Objetos não falam, mas nós falamos por eles. A porta decide, a chave permite, a xícara espera — todos verbos humanos, emprestados. É nossa projeção que dá sintaxe ao neutro. A mesa não sente solidão quando vazia; sentimos nós, projetando gramática onde há apenas existência muda.
E assim vivemos entre sujeitos ocultos e objetos que carregam nossos sentidos. A casa inteira é uma oração que nunca termina, pontuada pelo nosso ir e vir. As coisas permanecem, inertes e eloquentes, enquanto nós, desesperados por significado, lhes atribuímos vozes que elas jamais pediram.
Pode até ser necessário que você continue a sentar na mesma cadeira, no mesmo banco, na mesma praça...
Mas nem sempre será necessário que seja ao lado da mesma pessoa.
( Bom seria )
Se deus existe, nada o impede de dar espírito a uma cadeira ou a uma máquina com inteligência artificial.
Quando uma explicação religiosa pretende ocupar uma cadeira reservada à evidência científica, a pergunta racional não é “quem venceu?”, mas “qual método é apropriado para essa afirmação?”.
"A miséria adora quem tem preguiça de pensar no amanhã. Ela chega devagar, puxa uma cadeira e nunca mais vai embora."
Emanuel puxou uma cadeira e sentou-se à mesa de Iris.
Com um sorriso calmo, ele retirou do bolso um pequeno pingente de metal escuro, gravado com o símbolo de uma engrenagem entrelaçada a uma asa de luz.
Ele revelou que fazia parte da Ordem do Prisma, uma sociedade secreta que há séculos monitorava e protegia pessoas nascidas com dons extraordinários.
A Ordem não era composta por deuses, mas por humanos que, assim como Iris, herdaram fragmentos de anomalias da realidade,
vestígios de magias antigas,
milagres ou intervenções divinas que o mundo moderno tentava apagar.
Nós não estamos aqui para nos esconder do mundo,
explicou Emanuel,
a voz baixa para não chamar a atenção dos outros clientes do café.
Nós mantemos o equilíbrio.
Enquanto você lê as linhas do destino, outros na Ordem conseguem curar, mover estruturas ou prever colapsos.
Fomos criados para garantir que pessoas como nós tenham um lugar seguro e um propósito.
Para Iris,
aquela revelação foi um choque,
mas também um alívio profundo.
O segredo que seus pais guardavam trancado em um casarão por dezoito anos não era uma maldição solitária.
Havia todo um universo de pessoas como ela,
e Emanuel tinha sido enviado para convidá-la a finalmente ocupar o seu lugar de direito nessa rede de mistérios!
Hoje tomei posse de mim.
Sem festa, sem juiz, sem plateia.
Só eu e a cadeira
que já me viu pequeno.
Resolvi me escolher.
Não por orgulho,
por cansaço de me encolher.
Eu semeava nos outros
e me deixava em pousio.
Queria colheita
com o terreno vazio.
Hoje não.
Hoje eu fico comigo.
Me rego.
Me espero.
Me tenho.
E se for pra ser talvez,
que seja talvez meu,
inteiro,
eterno.
(Saul Beleza)
Quando encontrar uma cadeira vazia à sua mesa, pense bem antes de ocupá-la com qualquer pessoa. Há presenças que tornam o ambiente mais leve e outras que fazem você sentir falta da própria solidão.
Não adianta ter uma cadeira na academia de letras, se você não aprendeu as quatros letras da vida
O B D C
Então ele foi até a varanda, sentou-se na sua cadeira de balanço e lentamente embalou. Estava com o cabelo cada vez mais branco, ajeitou o óculos e percebeu quantas rugas já haviam nas suas mãos. E por alguns segundos resolveu dar sentido a cada uma delas, ao final viu que havia muitas rugas, mas pouco sentido para elas. E pensou... se soubesse que iam ficar assim, teria feito cada uma delas valer realmente a pena.
Havia aquela noite que ele não aproveitou direito, aquela viagem que ele sonhava em fazer e não fez, o curso que ele não terminou, aquele amor que ele desprezou, o emprego que o decepcionou, a família que ele não se despediu direito e o filho que ele não teve. Houve tempo para fazer todas essas coisas, havia vida nele o suficiente para ter feito, mas não fez. Agora os olhos com lágrimas fixaram a rua deserta, por alguns instantes com o olhar acompanha os cachorros que ali passavam velhos e sozinhos como ele, ele nem sabia, mas para ele o tempo parou. Com muita força resolve se levantar pra ver o grilo que pousou na sacada, e conversar com ele.
-Sabe... talvez eu pudesse fazer algumas coisas diferentes mesmo, mas agora acho que não ia conseguir, as minhas penas doem e já não me sinto bem o suficiente. Meu amigo Grilo acho que vai chover, escureceu tão depressa que não percebi, mas tanto faz agora, com chuva ou com sol os meus dias são sempre os mesmos. Se tu pudesses pelo menos cantar um pouco, não me sentiria tão sozinho.
O grilo pulou na grama e ele voltou a sentar-se, ficou esperando mais um dia terminar. Recordando do tempo que passou sem sentido e como de costume mais uma vez chorou.
Ana=) Mendes
Mova-se da cadeira, tente, abrace o mundo, cuide de você. Voltando à frase do “cuidando do jardim...” cuide do seu. Faça as borboletas pousarem em você, e quando acontecer, vá com tranquilidade, não as espante, e tenha em mente: Borboletas têm asas, borboletas voam, voltam, pousam em outros lugares, já pousaram, irão pousar. Você é o presente. Você é o agora. É o que está acontecendo naquele momento. Então intensifique, mas tenha em mente que borboletas vivem somente Setenta e duas horas.
Ou é pelo menos o que dizem por aí...
