S. inácio
EQM — UM MUNDO REAL - VIDA PÓS-MORTE.
“NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS”:
UMA REFLEXÃO SOBRE A CONSCIÊNCIA ALÉM DA VIDA FÍSICA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A morte, eis o grande enigma diante do qual a humanidade se detém. Desde os filósofos da Antiguidade até os pesquisadores contemporâneos, permanece a pergunta fundamental: a consciência humana desaparece com a falência do corpo físico ou continua sua trajetória em outra dimensão da existência?
Durante séculos, muitos imaginaram a morte como um ponto final, o último capítulo de uma história encerrada definitivamente. Entretanto, milhares de relatos de Experiências de Quase Morte (EQM), estudados por pesquisadores de diferentes áreas, trouxeram novamente ao debate científico e filosófico uma questão que acompanha o ser humano desde suas origens: a possibilidade da sobrevivência da consciência após a morte corporal.
É nesse contexto que ressurge, com extraordinária profundidade, a afirmação de Jesus:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas.”
(João 14:2)
Para a visão espírita, essa frase não representa apenas uma metáfora religiosa, mas uma revelação acerca da pluralidade dos mundos e dos diferentes estados de evolução espiritual. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, apresenta a ideia de que o Universo é muito mais amplo do que a limitada percepção humana, sendo composto por diferentes mundos e condições espirituais adequadas ao progresso dos seres.
Limitar as possibilidades da vida espiritual seria, de certa maneira, limitar a própria grandeza divina. O orgulho humano frequentemente tenta enquadrar Deus dentro dos estreitos limites daquilo que consegue compreender. Entretanto, a inteligência humana, ainda em processo de desenvolvimento, não pode transformar sua própria limitação em medida absoluta do infinito.
A CIÊNCIA DIANTE DO MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA.
A Experiência de Quase Morte tornou-se um dos fenômenos mais estudados na atualidade. Pesquisadores como Raymond Moody e Elisabeth Kübler-Ross reuniram inúmeros relatos de pessoas que, após situações críticas de parada cardíaca ou coma profundo, descreveram experiências semelhantes:
sensação de paz profunda;
desprendimento do corpo físico;
percepção do ambiente por uma perspectiva diferente;
encontro com familiares ou seres luminosos;
revisão dos acontecimentos da própria vida;
sensação de uma realidade mais ampla e intensa que a experiência material.
Um dos casos que despertou grande repercussão foi o do neurocirurgião Eben Alexander III, que relatou uma experiência durante um coma profundo causado por meningite. Antes do acontecimento, como muitos profissionais formados dentro de uma visão estritamente materialista, considerava improvável a ideia de consciência independente do cérebro. Após sua vivência, passou a defender que a realidade da consciência poderia ser muito mais complexa do que a simples atividade cerebral.
Naturalmente, a ciência ainda debate as interpretações desses fenômenos. Existem pesquisadores que procuram explicações neurológicas, enquanto outros consideram que certos aspectos das EQMs desafiam completamente uma explicação materialista simples. O valor dessas experiências está justamente em ampliar a investigação sobre aquilo que ainda não compreendemos plenamente.
A MORTE COMO TRANSIÇÃO, NÃO COMO FIM.
A Doutrina Espírita não apresenta a sobrevivência da alma como uma crença baseada apenas na fé, mas como resultado de uma análise racional dos fenômenos espirituais. Desde as pesquisas de Allan Kardec até estudos posteriores sobre fenômenos psíquicos, diversos pesquisadores não ligados ao Espiritismo investigaram manifestações que apontariam para uma realidade além do corpo físico.
Entre essas obras, destaca-se a trilogia de Camille Flammarion sobre os fenômenos relacionados à morte e à sobrevivência da alma, analisando aspectos como:
a independência da alma em relação ao corpo;
manifestações durante o processo da morte;
fenômenos de aparições e comunicações;
a possibilidade de continuidade da existência espiritual.
A grande questão não é apenas saber se existe vida depois da morte, mas compreender que tipo de vida é essa e qual o sentido moral de nossa existência atual.
Para o Espiritismo, a vida física é uma etapa educativa. O Espírito não nasce no corpo para simplesmente desaparecer depois de alguns anos, mas para desenvolver inteligência, sentimento e responsabilidade diante das leis divinas.
A GRANDEZA DE DEUS NÃO CABE NA PEQUENEZ HUMANA.
Negar qualquer possibilidade além da matéria pode ser tão precipitado quanto aceitar qualquer ideia sem reflexão. A verdadeira postura diante do infinito deve ser a humildade intelectual.
Deus não necessita da aprovação humana para existir. A verdade divina não diminui porque o homem ainda não conseguiu compreendê-la plenamente.
A arrogância de querer reduzir o Universo ao tamanho de nossa percepção é apenas outra forma de ignorância. O sábio não é aquele que afirma conhecer tudo, mas aquele que reconhece a vastidão daquilo que ainda precisa aprender.
A frase de Jesus permanece como uma chave de esperança:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas.”
Talvez essas moradas sejam muito mais amplas do que imaginamos: mundos físicos, dimensões espirituais, estados de consciência e caminhos infinitos de evolução.
A morte, portanto, não seria o silêncio definitivo, mas a passagem para outra etapa da jornada.
Porque, diante da eternidade, a pergunta mais profunda talvez não seja:
“Existe vida após a morte?”
Mas sim:
“Estamos preparados para a vida que continua depois dela?”
O corpo termina sua jornada. O Espírito prossegue seu caminho. E a vida, em sua essência divina, jamais deixa de existir.
"Como o homem, o animal tem aquilo a que chamais consciência, e que não é outra coisa senão a sensação da alma quando fez o bem ou o mal? Observai e vede se o animal não dá prova de consciência, sempre, relativamente ao homem. Credes que o cão não saiba quando fez o bem ou o mal? Se não o sentisse, não viveria."
Charles, Espírito.
- Revista Espírita,julho,1860 -
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - QUESTÃO 632.
SOBRE O BEM E O MAL SEGUNDO A LEI NATURAL.
A questão seiscentos e trinta e dois de O Livro dos Espíritos, traduzido por José Herculano Pires, situa-se no âmago da ética espírita, onde a consciência humana é convocada a discernir, com rigor, o bem e o mal. O questionamento é direto: sendo falível, poderia o ser humano enganar-se, atribuindo ao bem aquilo que, em profundidade, é mal?
A resposta dos Espíritos superiores, sintetizada pela remissão ao ensino do Cristo, é lapidar e absoluta: tudo se resume ao critério do que desejaríamos receber. Este princípio, enunciado como medida universal, evita sofismas e protege o espírito contra ilusões morais. O erro humano não se origina na lei, mas na deformação dos desejos e na projecção egoísta das próprias paixões.
A lei natural, conforme elucidada por Kardec em mil oitocentos e cinquenta e sete, é inscrita na consciência. O equívoco ocorre quando o homem, em vez de consultá-la, inclina-se à sombra de seus interesses, perdendo a clareza interior. A ética espírita, entretanto, oferece um método: a diligência reflexiva, o autoexame diário, a comparação entre aquilo que faço e aquilo que gostaria de receber caso estivesse na posição oposta. É um retorno permanente à simplicidade da sentença do Cristo.
A aplicabilidade deste princípio é inalterável. Não depende de época nem de circunstância, pois se funda na reciprocidade moral que estrutura a convivência e regula o progresso espiritual. Toda ação que resiste ao teste da reciprocidade revela-se legítima; toda ação que o reprova denuncia desvio.
A FINALIDADE FILOSÓFICA DE JEAN PAUL SARTRE.
A proposta filosófica de Jean Paul Sartre dirige-se à elucidação da condição humana em sua radical nudez ontológica: existir antes de ser. Toda a estrutura do existencialismo sartreano converge para um único fim: demonstrar que a existência humana não possui essência prévia, modelo, finalidade transcendente, natureza fixa ou fundamento metafísico que determine o agir. O objetivo central da filosofia de Sartre consiste em afirmar que o homem é o único responsável pelo próprio ser, pelo próprio projeto e pelas conseqüências de suas escolhas.
A expressão clássica que condensa essa finalidade pode ser posta da seguinte forma: o homem está condenado à liberdade. Tal condenação não designa punição, mas estrutura ontológica: o ser humano não pode não decidir. Mesmo quando parece abdicar da escolha, escolhe não escolher. Assim, a finalidade filosófica de Sartre é mostrar que o agir humano é sempre um exercício de liberdade que inaugura caminhos inéditos no mundo, inscrevendo novas possibilidades na tessitura histórica da humanidade.
Nesse sentido, a filosofia sartriana assume três propósitos fundamentais:
PRIMEIRO. Evidenciar que a liberdade não é atributo psicológico, nem ideal moral, nem disposição interna: é o próprio ato decisório. A liberdade não está guardada em um espírito abstrato, mas se concretiza unicamente no momento em que se afirma uma possibilidade e se nega outra. Após a escolha, a liberdade se recolhe, retornando somente quando nova decisão se impõe.
SEGUNDO. Explicitar que circunstâncias, pressões sociais, condicionamentos históricos e contingências não anulam a liberdade. Elas constituem o cenário inevitável da existência, mas não substituem a decisão. A finalidade filosófica de Sartre é libertar o pensamento humano da ilusão de que agir seria mero produto das circunstâncias. Para ele, nunca existe ausência de circunstâncias; o que existe é o modo pelo qual o indivíduo assume a própria existência dentro delas.
TERCEIRO. Demonstrar que cada ato individual projeta o homem no mundo, abrindo uma via inédita para toda a humanidade. Não se trata, como no universalismo kantiano, de transformar a máxima pessoal em lei universal. Trata-se de reconhecer que cada escolha cria um precedente ontológico: dali em diante a humanidade sabe que aquele caminho existe. A história humana se amplia com cada decisão singular.
Assim, a finalidade central da filosofia de Sartre é fundar uma ética da responsabilidade absoluta no interior da existência contingente. Nada pode ser atribuído ao destino, à natureza, à essência ou a qualquer transcendência prescritiva. O homem é aquilo que faz de si mesmo nas circunstâncias em que está lançado. Todo ato é uma afirmação do ser, uma projeção de mundo e um pacto de responsabilidade integral.
"...e vêm os mortos que estão sempre vivos, falar aos vivos que estão não invariavelmente sempre mortos".
Trecho da palestra proferida por: Marcelo Caetano Monteiro, no ano de 1995 no Centro Grupo de Estudos Espíritas Frederico Figner e anos mais tarde repetida no Centro Espírita Manoel Soares.
Tema: Mediunidade.
Aprender é sempre adquirir uma força para outras vitórias, na sucessão interminável da vida.
sfj,reflexões
A vida dela tá acontecendo num canal, a minha tá sintonizada em outro, e tentar forçar a barra só faz chiar o som.
Veio só aquele aperto seco no peito, tipo quem reconhece uma cicatriz antiga, aquela que já não sangra mas ainda dói quando aperta no lugar certo.
Hoje o brinde é pela tentativa — porque tentar já é alguma coisa, mesmo quando o resultado é só a certeza de que ainda não é hora.
"Quando você souber que tem alguma enfermidade física, poderá se preparar para sofrer ou para se recuperar."
A jornada não revela uma essência; ela a constrói. Não existe um “eu verdadeiro” esperando ser descoberto — apenas aquilo que você escolhe se tornar. E, na era da tecnologia, cada um ocupa seu papel, moldado pelas escolhas que faz.
_KANGAL
Depois que o sol se põe eu tropeço
É tão estranho
Eu continuo seguindo em frente
Sozinho
Agora sou eu mesmo
Vivendo um monólogo
Ou qualquer outra coisa
Vai ficar tudo bem
Alguns dias são tão bons, outros, nem tanto
Então hoje, eu abro mão
Andando nas nuvens todo dia
Com os pés sangrando
Isso vai e volta, por que eu continuo voltando?
Uma vez namorei um escritor a quem, certa manhã, comuniquei os desejos mais profundos: quero não ser. Sem entender, disfarçou, riu e fitou a atenção para outro assunto. Escritor de araque! Se fosse escritor mesmo, saberia exatamente onde é esse não-lugar em que não se é! Onde não se vai para não ser! Saberia exatamente que caminho trilhar, pois, para ter desejo de escritor, deve-se não ser.
E, ao não ser, saberás da existência do vazio, do real. Saberás que ali, onde não se é, é que é a vida. Conhecerás os mundos profanos que teus leitores esperam — se o autor espera apenas leitores, espera em vão. Pode ler-me, mas será capaz de decifrar-me?
Afinal, de que servem as palavras senão para esconder aquilo que, de dia, se expressa no brilho ofuscante, no branco ríspido que reflete o sol nas superfícies dos átomos terrestres: a pura natureza divina? E, à noite, na vasta imensidão cósmica, a alma, em sincronia com o mar de energia, que viaja em busca de sentido e significado?
Se crês que, com esta viagem, desfrutarás apenas daquilo a que se chegou, és um homem enganado, que desperdiçou seu bilhete único simplesmente por não olhar pelas janelas do vagão.
Flor é síntese..
Flor de intensa cor Flor em seu belo esplendor Flor e seu poder sedutor Então o que é uma flor?.. Flor é síntese do amor
"Caio Camara Cesar"
Nós somos mais felizes hoje porque outros o fizeram para nosso bem? Que bem? Se alguém sacrificou-se verdadeiramente para que eu fosse mais feliz no presente, eu sou, na verdade, mais infeliz do que ele, pois não concordo em fundar minha existência sobre um cemitério.
Em um ambiente onde vivem
-farinha pouca, meu pirão primeiro-
quando a farinha acabar você será o próximo prato.
Guardiões da terra. Em um mundo que se desfaz,
Onde rios secam e florestas jaz,
Onde cidades sufocam e paisagens morrem,
É hora de sonhar, de respirar, de renascer.
Escute o grito da terra, o chamado do vento,
Plantemos a semente da esperança.
Fiquemos atentos ao cântico dos rios, que ainda fluem.
Escute a voz do universo que nos chama,
A cuidar da terra, a respeitar o tempo,
A mão que planta, que cultiva, que colhe,
O olhar que vê, que sente, que sonha.
Nós somos os guardiões da terra,
Os cuidadores do futuro,
Nós somos os sonhadores,
Que podem mudar o curso.
Vamos semear uma nova sociedade,
Em harmonia com a terra,
Vamos criar um mundo,
Onde todos possam viver.
Com poesia, vamos nutrir,
Novos caminhos, novas possibilidades,
Vamos erguer-nos, respirar,
E olhar para o horizonte.
O futuro se desdobra,
Com cada verso, cada linha,
Um novo mundo se cria.
Que seja este o nosso legado,
Um mundo vivo, um mundo sagrado,
Onde a humanidade possa florescer,
Em harmonia com a terra.
Você é a minha quintessência, não aquilo que se revela de imediato, mas o que sustenta tudo em silêncio. Entre a terra que me ancora, a água que me atravessa, o ar que me eleva e o fogo que me consome, é você quem permanece além, o quinto elemento que não pesa, mas dá sentido a tudo o que sou. Em você, o amor deixa de ser matéria comum e se torna substância rara, invisível aos olhos apressados, mas poderosa o bastante para mover constelações inteiras dentro do peito. Como o éter dos antigos, você habita o que é alto e intangível, o que não se toca, mas governa, o que não se vê, mas conduz.
O maior pecado da humanidade não é sua existência, mas sua negligência, vivem sem se aplicar a sua realidade, e cometem ignorando os juízos.
