S. inácio
A vida é como estar em um barco em alto mar, sem remos, sem motor, âncora e sem água... Sobreviver só depende de você.
Meses atrás voltei, depois de tantos anos, àquela cachoeira onde tudo aconteceu. As águas pareciam sussurrar minha história, e meus olhos se encheram de lágrimas ao perceber como Deus, em sua infinita bondade, me concedeu uma segunda chance, eu, que jamais me senti digno de algo tão grandioso.
A decisão certa é fruto de acúmulo, acumulei experiência, coragem e paciência, assim a escolha tem sustentação.
As pedras do caminho não impedem o amor, moldam os passos de quem acredita. A dor que machuca hoje será o altar onde a esperança se deitará amanhã. Há propósito até no terreno mais árido, porque o divino também habita o deserto.
A verdadeira alegria nasce quando as mãos se rendem e os olhos se enchem de gratidão, então a vida se põe a cantar.
O amor incondicional é a única linguagem que o universo reconhece como prova de autenticidade, ele se manifesta na súplica desarmada de quem prefere a dor da ausência à vista da destruição do ser amado. É um instinto primitivo e divino que transcende a lógica da posse e a vaidade do direito, ensinando que a conexão verdadeira não se rompe, mesmo quando o objeto do afeto está em outras mãos. Essa é a essência doadora que sustenta o mundo e que devemos buscar replicar em nossas relações. Olhe para sua vida: quem ou o que você ama o suficiente para abrir mão?
As dificuldades são apenas cinzeladores divinos que retiram o excesso inútil de quem pensávamos ser, moldando a escultura da nossa essência através do atrito e da dor inevitável da transformação, e a cada lágrima derramada não é um sinal de fraqueza, mas um rio que irriga o solo da resistência. Quem não passou pela forja da prova, não conhece o verdadeiro teor do seu metal, por isso, abrace a cicatriz, pois ela não é apenas o registro de uma queda, mas o mapa detalhado de um percurso onde a alma aprendeu a voar mais alto.
O processo de cura é lento porque ele exige que você desfaça o nó de cada mentira que contou a si mesmo.
Falo com a minha sombra como se fosse confissão. Ela não responde com palavras, mas conhece meus segredos. Permanece quando todos os outros vão, como testemunha muda. Às vezes a abraço e sinto que as coisas podem voltar a ser. Outras, a empurro e desejo que se torne apenas um traço.
Todo fim não é um vazio, mas um terreno aplainado para uma construção de propósito muito mais sólido. O ciclo de amantes que chegam e partem nos ensina que, acima de tudo, o único amor duradouro é aquele que se aprende a dedicar à própria reconstrução.
Quando o inimigo tenta nos convencer de que a situação não tem mais solução e que os gigantes são grandes demais para serem vencidos, lembramos que a nossa força não vem de nós, mas do Deus que cria o mar e a terra. A voz do desespero se cala diante da promessa irrevogável de que Ele peleja por nós e nos dá asas para voar sobre o medo, transformando-nos em campeões e vencedores. A vitória não é para os sortudos, é para os persistentes que nunca param de lutar, pois a sua fé inabalável os torna imbatíveis e os coloca no controle divino de cada situação.
A inveja é a arte de estragar a própria felicidade ao contar as bênçãos dos outros. Concentre-se no seu campo, o do vizinho não lhe dá frutos.
Junto do vento que vem do sul, para bem além de onde o sol se põe, depois do oeste, onde o tempo se curva, flui a fonte da inspiração pura e indomável, a melodia que o mundo ainda não ouviu, gravada nas estrelas ancestrais.
Ser forte não é resistir ao impacto, é continuar andando depois dele. É juntar os pedaços sem saber onde cada um encaixa. É aceitar que certas partes nunca mais voltarão a ser como antes. E mesmo assim, escolher existir.
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
Às vezes me parece que nasci com um relógio adiantado. Eu corro para alcançar momentos
que já se foram. O que me resta é aprender a
dançar com o tempo errado. Há ritmo mesmo
na descompassada respiração. E a dança, por
mais torta, me mantém em pé.
A esperança não é sempre grande, às vezes é só um suspiro. Um suspiro que segura o corpo em pé. Quando tudo parece ruir, esse sopro faz ponte. Construo com ele um caminho minúsculo, porém firme. E sigo, sabendo que minúsculo pode ser vasto.
O abraço que me transforma é simples, sem afetação. Ele contém perdão e ausência de pressa. Sinto nele a possibilidade de recomeço. Alguns abraços valem bibliotecas inteiras. E por eles, continuo crente na bondade humana.
A solidão que cura é diferente da que fere. Ela é companhia seletiva e não abandono cruel. Dar-se a ela é permitir ouvir a própria voz. E essa escuta traz respostas que o barulho não permite. Volto de lá mais inteiro, menos fragmentado.
Sustento um pedido de socorro mudo e polido. Ele não grita para não incomodar a vizinhança, mas sua existência é um ruído ensurdecedor.
