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Muitas vezes sĂł reclamamos se os nossos sonhos nĂŁo se realizam. Mas, vocĂȘ jĂĄ parou pra pensar no que vocĂȘ fez pra que ele se torne real?

Meu filho, os caminhos estĂŁo muito mais abertos do que vocĂȘ imagina. SĂł que eles parecem tortos. Mas Ă© por esses caminhos que parecem tortos que vocĂȘ tem que caminhar, e as coisas vĂȘm ao seu encontro. VocĂȘ sĂł tem que escutar os caminhos e seguir por eles.

Quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso jĂĄ faz parte de um todo, de um mistĂ©rio. Sou uma sĂł. (...) Sou um ser. E deixo que vocĂȘ seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crĂŽnica MĂĄquina escrevendo.

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Amar Ă© o combustĂ­vel da vida. O problema Ă© que eu sĂł encontro posto adulterado.

Tulipa sĂł Ă© tulipa na Holanda. Uma Ășnica tulipa simplesmente nĂŁo Ă©. Precisa de campo aberto para ser.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

SĂł o esquecimento Ă© que condensa,
E entĂŁo minha alma servirĂĄ de abrigo.

MĂĄrio de Andrade
ANDRADE, M., Poesias Completas, SĂŁo Paulo, Edusp, Itatiaia, 1987

Nas circunstùncias atuais, ninguém pode se dar ao luxo de acreditar que seus problemas vão ser solucionados pelos outros. Cada indivíduo tem a responsabilidade de ajudar a levar nossa família global para o rumo certo. Ter boa vontade não é suficiente, é preciso nos envolvermos de forma ativa.

Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Por que nĂŁo socorrer quem te amou tanto / Que sĂł por ti deixou do vulgo a estrada?

Dante Alighieri
A Divina Comédia

É verdade que estou morrendo de medo do amor que vocĂȘ sente por mim. Mas nĂŁo Ă© sĂł isso. TambĂ©m ando com muito medo das pessoas todas.

"SĂł pelo fato de pertencer a uma multidĂŁo, o homem desce vĂĄrios graus na escala da civilização. Isolado seria talvez um indivĂ­duo culto; em multidĂŁo Ă© um ser instintivo, por consequĂȘncia, um bĂĄrbaro. Possui a espontaneidade, a violĂȘncia, a ferocidade e tambĂ©m o entusiasmo e o heroĂ­smo dos seres primitivos e a eles se assemelha ainda pela facilidade com que se deixa impressionar pelas palavras e pelas imagens e se deixa arrastar a atos contrĂĄrios aos seus interesses mais elementares (...) Para o indivĂ­duo em multidĂŁo a noção de impossibilidade desaparece. perdida a sua personalidade consciente, obedece a todas as sugestĂ”es de um operador. "

NĂŁo sĂł quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
NĂŁo menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afetos, tenh a fria liberdade
Dos pĂ­ncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, Ă© igual aos deuses.

Sei lĂĄ, sei lĂĄ... A vida Ă© uma grande ilusĂŁo, sĂł sei que ela estĂĄ com a razĂŁo.

Tom Jobim

Nota: VersĂŁo de Tom Jobim (com Miucha e Chico Buarque) de trecho da mĂșsica "Sei lĂĄ... a vida tem sempre razĂŁo", original de Vinicius de Moraes.

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"Ele Ă© sĂł um cara...

É sĂł um cara.NĂŁo o ‘denso lago de mistĂ©rios gozosos onde vocĂȘ mergulhou e ainda nĂŁo submergiu’.Nem o ‘sustentĂĄculo de todos os ossos de seu corpo’, tampouco ‘o mĂĄrmore onde estĂĄ gravada a suprema razĂŁo de sua existĂȘncia’.É sĂł um cara.

E quer mesmo saber?É um cara como todos os outros caras.

Esse que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ele e vocĂȘ nem ligou.O mendigo, o ginecologista, o padre, o dealer.Ele estava ali o tempo todo.E ele nĂŁo estava.Ele Ă© sĂł um deles.VĂĄrios.Uma legiĂŁo.E ninguĂ©m.

É sĂł um cara.E nĂŁo a sua vida.E nĂŁo todos os dias da sua histĂłria.E nĂŁo todas as suas lĂĄgrimas juntas em um Ășnico sĂĄbado solitĂĄrio.Ele nĂŁo Ă© o destino.É um cara.Existem muitos destinos.

Ele Ă© sĂł um cara que mal sabe escolher os prĂłprios perfumes.NĂŁo sabe sangrar.NĂŁo sabe que nome daria a um filho.NĂŁo pode ficar mais tempo. Ele Ă© sĂł um cara perdido como muitos outros caras que vocĂȘ encontrou. E perdeu.

Ele Ă© sĂł um cara.E vocĂȘ jĂĄ esqueceu outro caras antes."

Ele não é só um cara, esse sim, esse esquenta as suas mãos e escuta os seus impropérios e gracinhas com o mesmo apego.

Faz perguntas, faz suas unhas, faz comida, te leva o mundo numa bandeja quando vocĂȘ acorda. Ele nĂŁo te deixou apodrecendo ali onde vocĂȘ nĂŁo pudesse incomodar, nĂŁo nĂŁo: ele chegou meia hora antes e trouxe flores cor de laranja. Depois ainda te levou para algum lugar cheio de estrelas e pernilongos. E te avisou que quando seus olhos borraram do rĂ­mel.

Ele Ă© diferente de tudo o que Ă© errado em seu mundo e em outros mundos. NĂŁo te poupou, porque sabe que vocĂȘ Ă© esperta. VocĂȘ diria que ele salvou sua vida se nĂŁo soasse tĂŁo dramĂĄtico. E se isso nĂŁo fosse mentira – a sua vida velha nĂŁo merecia ser salva e ele te trouxe uma vida nova que inventou sĂł pra vocĂȘ.

Ele te faz sofrer muito, porque sofrer Ă© importante. Ele nĂŁo faz planos ou promessas, sĂł surpresas. Te ensinou a gostar de surpresas, a esperar, ele te deixa esperando, nĂŁo deixa nada muito claro, vocĂȘ voltou a roer unhas, vocĂȘ nunca sabe, mas a verdade Ă© que ele estĂĄ sempre ali, ou logo adiante.

Ele Ă© diferente. Ele nĂŁo Ă© sĂł um cara. Ele te ouve como se te entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e nĂŁo diz nada muitas vezes, porque ele entende os silĂȘncios. Ele mente pra nĂŁo te chatear e nĂŁo te deixa descobrir. Ele existe. VocĂȘ sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas vocĂȘ prefere ser a ÂŽ
garota dele. E que serĂŁo importantes na histĂłria um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer.

Porque ele nĂŁo Ă© sĂł um cara. VocĂȘ nĂŁo quer mais sĂł um cara. E ele Ă© tudo que vocĂȘ quer hoje.

Só pedimos conselhos para apoiar nossas convicçÔes.

A vida sĂł se dĂĄ pra quem se deu.
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

VocĂȘ seria sĂł mais um dos chicletes que masco para distrair o dia se nĂŁo viesse com a capacidade incrĂ­vel de recuperar o sabor o tempo todo.

Spinoza escreveu: "Percebi que todas as coisas que temia e receava sĂł continham algo de bom ou de mau na medida em que o Ăąnimo se deixava afetar por elas."
O filĂłsofo tem razĂŁo. A alegria ou a tristeza sĂł poderĂŁo continuar dentro de nĂłs Ă  medida que nos deixamos afetar por suas causas. É questĂŁo de escolha. Dura, eu sei. DifĂ­cil, reconheço. Mas ninguĂ©m nos prometeu que seria fĂĄcil.
Se hoje a vida lhe apresenta motivos para sofrer, ouse olhĂĄ-los de uma forma diferente. NĂŁo aceite todo este contexto de vida como causa jĂĄ determinada para o seu fracasso. NĂŁo, nĂŁo precisa ser assim.
Deixe-se afetar de um jeito novo por tudo isso que jĂĄ parece tĂŁo velho. Sofrimentos nĂŁo precisam ser estados definitivos. Eles podem ser apenas pontes, locais de travessia. Daqui a pouco vocĂȘ jĂĄ estarĂĄ do outro lado; modificado, amadurecido.
Certa vez, um velho sĂĄbio disse ao aluno que, ao longo de sua vida, ele descobriu ter dentro de si dois cĂŁes - um bravo e violento, e o outro manso, muito dĂłcil.
Diante daquela pequena histĂłria o aluno resolveu perguntar - E qual Ă© o mais forte? O sĂĄbio respondeu - o que eu alimentar.

Que esforço eu faço para ser eu mesma. Luto contra uma maré em nau onde só cabem meus dois pés em frågil equilíbrio ameaçado.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.

Chico Xavier

Nota: Trecho de um texto atribuĂ­do a Chico Xavier.