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O senhor sĂł exige das pessoas aquilo que estĂĄ dentro das possibilidades de cada um.

Às vezes vocĂȘ sĂł precisa Ă© de um lugar longe pra ficar em paz.

O que chamo de morte me atrai tanto que só posso chamar de valoroso o modo como, por solidariedade com os outros, eu ainda me agarro ao que chamo de vida. Seria profundamente amoral não esperar, como os outros esperam, pela hora, seria esperteza demais a minha de avançar no tempo, e imperdoåvel ser mais sabida do que os outros. Por isso, apesar da intensa curiosidade, espero.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: CrĂŽnica Espera impaciente.

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Eu quero a verdade que sĂł me Ă© dada atravĂ©s do seu oposto, de sua inverdade. E nĂŁo aguento o cotidiano. Deve ser por isso que escrevo. Minha vida Ă© um Ășnico dia. E Ă© assim que o passado me Ă© presente e futuro. Tudo numa sĂł vertigem. E a doçura Ă© tanta que faz insuportĂĄvel cĂłcega na alma. Viver Ă© mĂĄgico e inteiramente inexplicĂĄvel. Eu compreendo melhor a morte. Ser cotidiano Ă© um vĂ­cio. O que Ă© que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem Ă© esse que tem? quem Ă© que fala por mim? tenho um corpo e um espĂ­rito? eu sou um eu? "É exatamente isto, vocĂȘ Ă© um eu", responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado. Deus nĂŁo deve ser pensado jamais senĂŁo Ele foge ou eu fujo. Deus deve ser ignorado e sentido. EntĂŁo Ele age. Pergunto-me: por que Deus pede tanto que seja amado por nĂłs? resposta possĂ­vel: porque assim nĂłs amamos a nĂłs mesmos e em nos amando, nĂłs nos perdoamos. E como precisamos de perdĂŁo. Porque a prĂłpria vida jĂĄ vem mesclada ao erro.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Posso ter vĂĄrias pessoas do meu lado, mas, confesso, sĂł vocĂȘ consegue provocar o meu sorriso mais bonito.

Fiquei pensando como eram difĂ­ceis as separaçÔes. Mas, era sĂł mesmo rompendo com uma mulher que se podia encontrar outra. Eu precisava degustar as mulheres pra conhecĂȘ-las bem, pra entrar no Ăąmago delas. Homem nenhum precisava de mulher pra se sentir real de verdade, mas era bem legal conhecer algumas. DaĂ­, quando o caso ia mal, o sujeito conhecia pra valer o que era a solidĂŁo e a loucura, e assim ficava sabendo o que o esperava quando seu prĂłprio fim chegasse...

Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado

Eu nĂŁo gosto mais dele.
Mas aí, eu faço questão de pensar nele e falar dele todos os dias. Só pra não perder o costume...
SĂł pra ter em quem pensar...

Eu nĂŁo caibo no estreito,
eu sĂł vivo nos extremos.
(Marla de Queiroz)

Pouco nĂŁo me serve,
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte!
(Desconhecido)

Desconhecido

Nota: Os pensamentos costumam ser erroneamente atribuĂ­dos a Clarice Lispector.

Cada novo livro Ă© uma viagem. SĂł que Ă© uma viagem de olhos vendados em mares nunca dantes revelados – a mordaça nos olhos, o terror da escuridĂŁo Ă© total. Quando sinto uma inspiração, morro de medo porque sei que de novo vou viajar e sozinho num mundo que me repele.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Viver a liberdade, amar de verdade sĂł se for a dois.

“SĂł nĂłs dois sabemos que nĂŁo se trata de sucesso ou fracasso. SĂł nĂłs dois sabemos que o que se sente nĂŁo se trata — e Ă© em nome deste intratĂĄvel que um dia nos fez estremecer que agora nos separamos. Para lĂĄ da dilaceração dos dias, dos livros, discos e filmes que nos coloriram a vida, encontramo-nos agora juntos na violĂȘncia do sofrimento, na ausĂȘncia um do outro como jĂĄ nĂŁo nos lembrĂĄvamos de ter estado em presença. É uma forma de amor inviĂĄvel, que, por isso mesmo, nĂŁo tem fim.”

E talvez seja sĂł por isso que eu ainda te aguente: vocĂȘ pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda Ă© melhor do que o resto do mundo.

SĂł triunfa no mundo quem se levanta e procura as circunstĂąncias - e as cria quando nĂŁo as encontra.

George Bernard Shaw

Nota: Adaptação de outro trecho do autor.

Obviamente eu nĂŁo quero alguĂ©m perfeito, me dĂĄ tĂ©dio sĂł de pensar em alguĂ©m fazendo tudo certo sempre. Aprendi a conviver com as diferenças e atĂ© admirĂĄ-las. Mas, definitivamente, nĂŁo aceito ter metade de alguĂ©m, ser meio amada, sobreviver de migalhas num relacionamento falido ou fadado a falĂȘncia. AliĂĄs, nĂŁo quero ter nem ser de ninguĂ©m. Quero algo alĂ©m desse sentimento de posse, quero a entrega todo dia, por vontade prĂłpria. Sem contratos de amor eterno. Que o meu alguĂ©m tenha mil defeitos, seja o oposto de todas as minhas idealizaçÔes, mas que me ame com o coração e a alma, me respeite, cuide de mim, me proteja. Sem sufocaçÔes, sem pressĂ”es, um amor leve e sem cobranças. Que a gente nĂŁo criasse vĂ­nculos de dependĂȘncia, mas que o nosso vĂ­cio fosse nĂłs.

De mim sĂł se sabe que respiro.

Clarice Lispector
A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Ainda Ă© cedo e eu preciso de amor. SĂł um pouquinho de amor... Quero que ele veja o quanto mudei por causa dele, na esperança de que seu riso congelado saia do automĂĄtico e eu ganhe um Ășnico sorriso verdadeiro... Talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor sĂł para nunca deixar de ser amor.

De hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida... e pra começar eu só vou gostar de quem gosta de mim!

Mas o medo da loucura, Jeanne, sĂł o medo da loucura nos levarĂĄ a ultrapassar as fronteiras inviolĂĄveis da nossa solidĂŁo.

AnaĂŻs Nin
NIN, A., A Casa do Incesto, AssĂ­rio e Alvim, 1993

“SĂł confie numa testemunha quando ela fala de questĂ”es em que nĂŁo se acham envolvidos nem o seu interesse prĂłprio, nem as suas paixĂ”es, nem os seus preconceitos, nem o amor pelo maravilhoso. No caso de haver esse envolvimento, requeira evidĂȘncia corroborativa em proporção exata Ă  violação da probabilidade evocada pelo seu testemunho.”