Ferreira de castro
Ele era jovem e tinha sonhos; de longe ela era tudo o que sonhava; e de perto era mais do que imaginava ele...
Mas havia um porém entre um e outro... eles não haviam sonhado o mesmo sonho.
E como acordar juntos se ambos gostariam de fechar os olhos separados, lugares opostos, tempos diferentes, fases incoerentes.
O bom mesmo era escolher entre idealizar ou viver... Mas quem nos garante que nossos passos são os mais certos a seguir?
Quem garante que nossos corações conhecem de fato o caminho para o Amor?
Eu digo que mais vale do que sonhar realizar... Mais vale garantir do que apostar... Larguem o acaso!
Vá atrás de sonhar o sonho de quem pode por você realizar, siga os passos de quem conhece o caminho, Alguém a muito tempo nos deixou passos tão evidentes que depois de milhares de anos suas pegadas ainda sim são fortes e continuam evidentes.
Eu digo que o Amor é quem se apresentou a nós de uma forma a qual nos sentimos profundamente e inegavelmente amados por Ele.
Filho da natureza
Oh filho da árvore, que da terra veio !
Com tanta simplicidade, quase não sofre anseio
Regozijai cada vez que observa a natureza
E nunca vive pra colecionar riquezas
Oh filho da terra, cujas raízes estão plantadas no chão
Nesse mundo de guerra, suas folhas amarelas estão
Elevando-se sempre na disciplina e na plenitude
Cujo galhos tão grandes mostram tamanha atitude
Oh filho do céu, qual foi seu erro por voar tão alto ?
Prometido é o réu cujo berço é só por dar salto
sem parar com os pés no chão, observa tudo de cima
aponta sempre o dedo, porque com sua mão ele ensina.
Estrada em entrelinhas
No calor da manhã, na beira da estrada
o verdadeiro caminho é o motivo
Uma coisa em cada espaço
se é normal, eu não sei
O mundo está sempre fora do esquadro,
diante dos meus olhos cansados.
São rotas aparentes que o rodeiam
onde as entrelinhas são sublinhadas
na ponta de uma margem.
Aos andares de uma miragem
o que se espera de uma estrada
num calor rasante do tempo.
Impossível de se amar
Deixo o amor com aqueles que tem a sorte de saber levá-lo. Eu já não tenho a mesma sorte, sou impaciente, impulsivo e receoso. Gosto de guardar objetos, gosto de não me importar, gosto da solidão. Amor pra quem vive pode ser a melhor coisa que já existiu, agora pra quem não o vive, é a única coisa que realmente não fazemos importância.
Misantrópico
Eu até entendo os motivos dessa falta de harmonia entre você e eu. Talvez sejam nossos signos ou talvez sejam apenas a vida mesmo, brincando conosco e fazendo esses joguinhos toscos onde quem vence é quem mais perde. Eu nunca me tornei sábio o bastante pra dizer-lhe que sou totalmente seu, e como somos orgulhosos demais pra algo tão desnaturado como viver, eu acabei me tornando uma rocha e você que sempre foi livre por natureza, se tornou a água. Hoje talvez teremos sol a nosso favor e se conseguirmos reverter essa situação, teremos o universo.
O som e o tom
Em cada grau de satisfação
o que acompanha é o imenso dever
Qual a formalidade sobre isso ?
uma tonalidade de um bem querer.
Circunstâncias prováveis no próprio tom
num simples ecoar de um som.
Na claridade certeira de uma prova
onde o domínio não se esconde.
O que dizer de um toque sagaz
numa nota de prazer que não se desfaz
com atalhos reversíveis numa fonte
onde o berço de uma canção se constrói.
Aquele Tempo
Sim,
Contemple essa menina,
Sinta o cheiro das orquídeas,
Ou de uma combinação,
Perfume-se de poesia,
Esbanjando emoção,
Procure-me ali,
Encontre-me aqui,
Olhe bem nos meus olhos,
Não esqueça de sorrir,
Sim,
Pare esse tempo,
Que vai derrepente,
Foge com o vento,
Já nem consigo ver,
Aquele tempo,que foge com o vento,
E chega a se perder.
Vazio
Sinto amargura,
Nessa superstição de vida,
Chega a ser tão dura,
Segue percorrida,
Eu não posso falar,
O que os meus lábios detém,
Mais eu posso chorar,
Isso meu coração tem,
O tempo não passa,
É lento em esperar,
Liberdade de uma vida,
Que se estende ao gritar,
Eu chamo por você,
Venha de algum lugar,
Meu sublime criador,
Venha mim encontrar,
Eu vivo vazia,
E sinto pouca paz,
Choro por tantas coisas,
Que nem entendo mais.
Minhas forças,
Para onde seguiram?
Não mim deram adeus,
Apenas fugiram,
Liberte-me poesia,
Pois a tanto tempo me perdi,
Não sei o que é alegria,
Nem sei para onde ir.
Desconcerto
Eu insisto,
Permita-me mais uma vez,
Nesse meu tom poético,
Longe de um descortês.
Desagregando as palavras,
Desaguando o meu mar,
Desairando o desalento,
Que busca mim desalmar.
É que perdo os sentidos,
Nessa desarrumação,
Soam aos meus ouvidos,
Tanta pertubação,
É a inspiração de um dia,
O mecanismo do meu ser,
Que fluem tão derrepente,
Me rendo a proceder.
Passa o dia,
E tudo chega a passar,
Desde o nascer do sol,
A última onda do mar,
E respiro mais uma vez,
A mesmiçe desse ar,
Perco a noção do tempo,
E tudo chega a passar.
Essa menina,
Cheia de proezas,
Que rir,grita e chora.
Em plena destreza,
Incoviniente,vai embora.
Chinga e volta mais uma vez!
Implora,um dia,semanas,um mês.
Tributando a solidão
Penso em falar de algo
algo estou a falar, mesmo que em nada a pensar
Quando envolvo-me numa melodia
Quando me embriago na nostalgia
Eu vou embora, noutra hora
Eu sei que vou, longe daqui, dentro de mim
Não tão longe, nem tampouco, perto
Num mundo assim, deserto
Quero mas não preciso
Tenho, não aprecio
Perco, logo sinto falta.
Que consciência é esta que em mim, paira?
Precisamos de um tempo a sós
Sob meus lenços, espaireço
Travesseiros, quão útil és tu
Aconchegando sem medo,
Esta cabeça assim: Cheia de calmas e desesperos.
