Branco
Beija-flor branco mirim, que beija as flores do meu jardim, só não beija a minha amada, ela é beijada só por mim, não tira néctar dela, ele é todo para mim.
Combater o racismo sendo branco é uma questão de escolha. Lutar contra ele sendo negro é uma questão de sobrevivência.
Não haverá páginas em branco para quem não sabe perdoar. O novo ciclo começa com o despertar da alma.
Foi entregue uma página em branco no dia do meu nascimento.
A princípio, nos primeiros anos, outras pessoas foram escrevendo por mim. Aprendi o que me ensinaram, segui regras que me mandaram seguir, vesti ideias e ideais que não eram meus.
Fui programada, ensinada a acreditar em verdades alheias, mas estas pessoas não são culpadas, aprenderam assim; e eu também acabei repetindo os mesmos padrões com quem eu gerei em meu ventre.
Hoje, tendo mais maturidade, eu perdoo os erros dos que fizeram de tudo para que eu chegasse até aqui e peço, igualmente, perdão por tantas vezes não ter acertado nesta vida que já é página escrita, onde tudo o que me faz feliz canta e tudo o que ainda em mim dói, grita!
Eu sei que nesta manhã fria, sou eu quem escreve a minha história, por meio desta epifania.
Se eu errar, erros meus!
Se eu acertar, acertos meus!
Reticências, pois a vida continua...
Nildinha Freitas
A pessoa que não vota, que anula o seu voto ou que vota em branco é omissa. Não terá o direito depois de reclamar das ações futuras do vencedor do sufrágio, pois deixou a escolha nas mãos dos outros.
Um anjo montava guarda
vestido de branco
Tinha em suas mãos
o fogo da espada
Guardando os portões
dos túneis da História
e tudo que se passou
de alguma forma
lá ainda está
Os últimos que embarcaram
naquele trem sem volta
Os primeiros a ser encontrados
Milhares de anos depois
E aqueles que desapareceram
pra nunca mais voltar
Os segredos que foram queimados
E os portais que se abriam
pra dois lados
É como se fosse uma fotografia
de um rio que correu em outros dias
Passou e permaneceu
E continua a correr
Em outros casos
Nem nasceu ainda
Aquilo que começa
e tudo aquilo que finda
de alguma forma
hoje, agora; Está tudo lá
Toda vergonha e toda a Glória
Atrás daqueles portões ainda estão
levados pelo rio
revelados na fotografia
escondido há milhares de anos
Aquilo que estava e não estava nos planos
Tudo isso aconteceu
e ainda vai acontecer
Hoje, antes que termine o dia
Cada amor que nasceu
tendo ele acontecido ou não
Tendo que passar obrigatoriamente
Por todos aqueles rincões
e aqui
tente ser menos rígido, nem tudo é branco ou preto na vida, temos que nos adaptar a todos os obstáculos dia após dia.
o vidro é muito rígido, mas quebra com facilidade, o aço é rígido; no entanto, se você tentar dobra-lo, o bambu é muito forte, muito duro; no entanto, ele pode dobrar para isso, não quebra, tenta ser como bambu.
Questão de aparência.
A maior dificuldade
É o segredo que costura
Pedaço de linho branco
Um falso nó
Que nenhum de nós desata
A palavra esperança escrita
A medida do punho
Um traço que mal se apagou
A maldade que cresce oculta
Um rascunho de abraço
Questão de aparência
A lição de vida
Que o tempo arrastou
A indevida atenção dispensada
Como se fosse
O caso de nunca mais
pensar em nada
Importância
O espinho edifica
A leveza da flor machuca
Pois fere a alma
Qual fera louca
A palavra dita
Se multiplica
Uma a uma
Desencaminha
Um laço de fita
Mera ilusão
Era venda aos olhos
Uma ida ao portão
Mais espera
Outra carta, o correio
A alma que lhe era cara
Um dia foi posta à venda
Assim se deu
A cabeça a quebrar mil vezes
Resposta escondida
O Universo se expande
Um dia uma solução
Que finalmente te procura
O lugar onde eu tentei chegar
Era vazio
Imensamente despovoado
Denso e muito frio.
É questão de aparência
Uma venda aos olhos
Se chove, melhor me molhar
Me molho
O resto de vida
Pra ser vivido amanhã
Pra sempre será perdido.
Edson Ricardo Paiva
Um sonho em preto e branco
É sempre um sonho
Pois ninguém que há neste mundo
Nunca sonha por vontade própria
O vagabundo que sonhou ser luz
Iluminou todo o universo
Em sua vasta imensidão
Pra descobrir que só ser luz não basta
E concluiu
Que, por veloz que seja a luz
O seu destino é sempre o escuro
E que o vento que arreia a floresta se vai
Sobrando sempre um ipê que cai
Aquele vento que passou
Não há de voltar jamais
Mas ninguém vê
Não perde tempo a pensar
E nem pensa
Que quem derrubou o ipê não foi o vento
Foi o tempo, que o fez crescer
As árvores que não caíram
Se vergaram por sabedoria
E jamais em reverência
Um sonho em preto e branco
É como um sonho colorido
Pois todo aquele que não tem ouvidos
Desconhece o som de um ruído
E pra ele é boa a vida e o mundo é bom
E cego e surdo como a luz
Veloz me sento à sombra de um ipê
Entrego ao chão o sal de uma última
lástima
Pra que deixasse ficar
No vácuo que há em volta de mim
Um espetáculo de luz e de som
E concluí que a vida foi um sonho muito bom
Pois meu mundo sempre foi desse jeito
Eu aprendi a ser feliz assim.
Edson Ricardo Paiva.
Está está a chegar o nosso inverno, inverno sem neve, mas com nevoeiro que o incolor ar fica branco e tira-nos a visão, o nosso inverno dâ-nos noites brancas sem luar, sem céu com as suas estrelas cintilantes, o nevoeiro é tão nevoeiro que a natureza desaparece no seu branco, os animais do inóspito lugar assustados chocam com as árvores, o chofer põe ao máximo os faróis mas em absoluto apenas o branco de nevoeiro, na minha concupiscência experimentei a minha lanterna de 12 pilhas para mostrar o arco-íris à minha namorada, mas, a velós luz não conseguiu transpor o branco da névoa densa. Ora ora, não é que o som da buzina ás cambalhotas chegou aos nossos ouvidos, rompeu o disruptivo nevoeiro para evitar que o acidente acontecesse e aí começou a conversa das buzinas até o nevoeiro ceder para o orvalho.
Dias de preto e branco em lençol frio tem se apresentado no rol da vida.
Salpicos de misericórdia em tinta fresca retoca o fim de cabeça erguida.
Quando pensamos que sabemos de tudo, ganhamos um lápis, uma borracha e um papel em branco para começar tudo novamente.
Para lembrar de mim no pós-vida, basta pegar uma folha em branco e escrever: — Sua alma era pura poesia.
De tudo que já li o melhor livro se chama vida. É um encadernado em branco cuja cada página é dado a mim o prazer de escrever algo novo.
Somos instantes e poesia lembre-se disso todos os dias, não fique muito tempo em lugares com pessoas que não sabem LER.
