Sidney Silveira
"A consciência do caos adquire sentido maior quando para além do caos se vislumbra uma ordem superior – eterna, imutável. Em breves termos, as épocas caóticas da história humana só são superadas quando uma pequena parcela de homens contemplativos se mantém firme em sua adesão a princípios inegociáveis, sofrendo o peso das maldades, dos ultrajes, da desonra, da violência imperante, da tirania e nalguns casos da morte infamante.
Os que, estando no caos, enxergam pouco ou nada dos problemas de sua própria época tendem a desesperar-se, cedo ou tarde. É da minoria sofredora por não negociar a verdade que uma sociedade depravada se abre à possibilidade de reerguer-se.
Vivemos num período de imenso caos, e a sua cura – se isto estiver nos desígnios da Providência – não poderá vir da iniciativa de pessoas incapazes de ir às causas profundas das desgraças sociais.
Não são os Neros e Calígulas, mas os Boécios e Agostinhos que têm o condão de trazer luzes para onde só há trevas políticas, morais, espirituais.
O mal não se cura por si mesmo".
"Comunicar-se com multidões de pessoas que se exilaram no reino espectral da ininteligibilidade será o desafio dos pedagogos do futuro".
"Até quando elogia alguém ou algo, o vaidoso não consegue ocultar a auto-lisonja, na referência – velada, porém não de todo – à sua própria pessoa ao reconhecer méritos alheios".
"A proporção áurea da estupidez é acreditar que o Estado resolve algum problema essencialmente humano".
"A saúde histórica de um país se mede por certa uniformidade de opiniões dos seus cidadãos, no decorrer do tempo. O pluralismo, em contrapartida, é o termômetro da perda decisiva de identidade, em qualquer comunidade humana; o triunfo da estupidez sobre o bom senso; a vitória da Revolução sobre a História; o motor da multiplicação das leis e conseqüente agigantamento do Estado.
Que civilização foi erguida sobre o pluralismo de gostos e de idéias? Nenhuma.
Apaixonado pela pluralidade – que imagina ser fruto da liberdade de consciência dos indivíduos –, o homem embriagado pela mentalidade liberal não percebe que a tirania estatal, nalguma de suas infinitas formas, é o fim inexorável das idéias que defende".
"Só quem se propõe objetivos árduos a cumprir conhece a necessidade – e o sentido superior – daquilo a que costumamos chamar "disciplina"; sem esta o homem tende a degradar-se em todos os substratos ontológicos do seu ser".
"A prosperidade é antes para ser temida do que para ser querida, pelos graves riscos que traz à alma".
"A boa formação do caráter pressupõe que a vontade transite do mundo das imagens para o mundo das idéias, transcenda à imaginação e alcance a razão formal de ser das coisas.
Caso contrário, a pessoa é derrotada por emoções que usurpam o lugar da inteligência e lhe desfiguram a personalidade".
"A pequenez de alma impede que uma pessoa se relacione profundamente com quem quer que seja.
Impede inclusive que se relacione bem consigo mesma".
"A pós-modernidade é culturalmente sacrílega, moralmente infame, politicamente caótica e espiritualmente apóstata".
"É próprio dos covardes eximirem-se até das culpas que não têm, tirando de suas costas toda a responsabilidade mesmo antes de entenderem como determinado acontecimento mau sucedeu".
"Na pessoa egocêntrica, afoita em defender-se dos moinhos de vento da sua imaginação, o medo é sempre precipitado".
"O sacrifício tem real valor quando quem o realiza não espera nenhuma recompensa pela dor que por meio dele padece".
