Sidney Silveira

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⁠"A história humana é a história da escolha da falsa excelência com feitio de excelência".

Inserida por CarlaGP

⁠"Politizar a liberdade é reduzi-la a uma mínima parcela do que é".

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⁠"⁠"Quando o padrão médio de honestidade de um povo decai, as instituicões se transformam em fomentadoras do caos social".

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⁠"A letra fria da lei não conhece a caridade".

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⁠"Não temer o temível não é coragem, mas audácia imprudente; temer o temível não é covardia, mas prudência; temer o não temível é covardia".

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⁠"A essência da covardia é amar as coisas erradas, na hora errada, de maneira errada, mais que ter medo.

O covarde teme mal porque ama equivocadamente. Ele não hierarquizou os temores por não haver hierarquizado os amores, e portanto não tem coragem de defender as coisas que importam na hora certa e da maneira devida".

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⁠"Não existe gratidão involuntária. Noutras palavras, certas precondições espirituais e psíquicas são necessárias para uma pessoa alcançar o estado habitual de benevolência, sem o qual a gratidão lhe estará formalmente vedada, sempre.

Não basta enxergar os benefícios recebidos, quaisquer que sejam. É preciso querer agradecer e querer retribuir ao benfeitor, na medida do possível e do bom senso.

Não há exceções a esta regra moral, que não conhece acepção de pessoas".

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⁠"Ninguém é virtuoso em teoria".

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⁠"O remorso será supérfluo e inútil se não conduzir ao arrependimento".

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⁠"A vida psíquica do soberbo oscila entre o tédio e o desespero: ele se desgosta na expectativa dos bens desmedidos a que aspira, e se enfurece por não lograr alcançá-los".

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⁠"Desesperar-se é o fim inescapável de quem quer mais do que pode ter ou ser".

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⁠"O soberbo agradece pouco e quando o faz é com histrionismo mal-disfarçado".

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⁠"A misericórdia não é a culminância de um procedimento silogístico".

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⁠"Misericórdia e justiça não se excluem mutuamente".

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⁠"Se a misericórdia fosse só perdão, seria injusta".

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⁠"Mediocridade e covardia são realidades absolutamente inseparáveis".

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⁠"A esperança é uma alegria começada".

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⁠"A perdição não é obra de um dia, mas de toda a vida".

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⁠"A dureza de coração é feita de pequenas certezas equivocadas, de rancores que se vão cristalizando na superfície da consciência, de maneira lenta, no decorrer de um tempo relativamente longo, sem a pessoa dar-se conta de estar perdendo a ternura, essa extraordinária capacidade de ir às coisas e às pessoas com ânimo complacente, benévolo.

Sem ternura não há humanidade, e esta é talvez a maior desgraça que pode suceder a alguém, pois a alma desumanizada não percebe o pragmatismo, a frieza, a indiferença em que caiu. Seus juízos, suas justificativas, suas explicações passam a ser o medonho reflexo de um coração sem viço, vazio, fechado em si mesmo.

O coração endurecido não consegue expandir-se, aquecer; é selvagem em seus menoscabos cotidianos, em seu desamor cujo efeito próximo é o egoísmo, em suas acusações mesquinhas.

A frase "hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás" foi atribuída ao funesto Che Guevara, que provavelmente nunca a pronunciou. Seja como for, está completamente equivocada, pois dureza e ternura são antônimos metafísicos, realidades contraditórias que não podem coexistir ao mesmo tempo numa mesma pessoa.

Quem não perde a ternura jamais endurece o coração.

Não são gratuitos os anátemas da Sagrada Escritura dirigidos aos duros de coração..."

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⁠"O adulador de hoje é o detrator de amanhã. Sua opinião elogiosa é feita da mesma lama tóxica de suas sentenças caluniosas.

Os louvores do adulador são envergonhadas palavras de enaltecimento a si próprio. O pior, porém, vem agora: secretamente, o adulador crê que os seus aplausos são um favor – razão pela qual imagina que a pessoa a quem exalta tem uma dívida de gratidão eterna para com ele.

De maneira repentina, rancores incontidos eclodem no espírito desta criatura ávida por reconhecimento. Basta um nada para tudo o que há de pior na sua alma vir à tona; um peteleco a faz desmoronar; uma bobagem a faz despejar magmas de ódio em forma de impropérios e murmurações.

No final das contas, nada lhe restará senão decair na jactância que – por resquícios de pudor – tentou esconder o quanto pôde. Uma jactância tortamente atirada contra aqueles de quem se julga credor moral. Em tais ocasiões, este pobre-diabo gaba-se atacando desafetos que só existem na sua imaginação doentia".

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⁠""Não perdoar é a síntese do inferno na terra".

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⁠"Um povo sem alma é o defunto merecedor dos vermes que o comem".

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"⁠Só há verdadeiro martírio quando não se sacrifica a própria consciência na defesa inegociável da verdade conhecida, em condições adversas.

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Esta definição exclui do conceito de martírio todo e qualquer sacrifício em defesa de um ideário político. O comunista, o nazista, o socialista, o fascista ou o liberal, quando levam às últimas conseqüências as suas convicções, fazem o extremo oposto do mártir: sacrificam a própria consciência no altar da obediência cega a diretrizes políticas circunstanciais.

São capazes de impugnar ou ocultar a verdade quando isto convém à sua facção".

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⁠"O arrependimento de um obstinado pertence ao âmbito do miraculoso, pois em toda obstinação há o influxo decisivo da malícia, em maior ou menor grau, no que diz respeito à recusa de dados elementares da realidade. Não se trata de teimosia, apenas, mas da calcificação da inteligência no erro. Neste estado, a pessoa torna-se impermeável a quaisquer evidências em contrário àquilo que gostaria de ver concretizar-se no mundo real. Sacudida por emoções veementes e contraditórias entre si, esta arquetípica criatura acabou sendo privada das precondições psíquicas sem as quais o arrependimento é, formalmente, impossível. O máximo a que chega é o remorso, mas este enxerga somente os efeitos dos erros cometidos, jamais as causas. Por remorso, Judas devolveu as trintas moedas com que vendeu Cristo; se se arrependesse, pediria perdão ao Mestre.

Sentir a própria consciência remorder não basta para uma pessoa deixar de ser obstinada; é preciso que, nela, a luz do remorso se transforme em vontade de refazer tudo a partir do pagamento de um débito de justiça, o qual muitas vezes começa por um sincero pedido de perdão, mas este só o arrependido é capaz de realizar de boa-fé, porque ama a verdade. Sim, entre arrependimento e amor o vínculo é essencial, e não acidental.

Ninguém se arrepende sem querer ou sem entender do que realmente deve arrepender-se. Ora, o obstinado não quer arrepender-se, mas afirmar a sua posicão a qualquer custo, e justamente por isso não vê razões por que deva arrepender-se.

Que dizer então de sociedades inteiras em que os obstinados são maioria?"

Inserida por CarlaGP

⁠"A verdade é o limite da diplomacia. Noutras palavras, o convívio social, embora às vezes nos obrigue a certa tolerância com relação a opiniões ou atitudes que julgamos equivocadas noutras pessoas, não pode ser regido por vernizes ou etiquetas que esmaguem o caráter. Às vezes é necessário lascar um osso para manter a integridade, não engolir a seco coisas ou situações que tangenciem a perda dos valores que nos são mais caros. Ou isso ou a mentira acomodatícia, a qual induz as pessoas à demagogia; e, desta, vai-se a precipícios de onde é quase impossível sair.

Conviver com a diferença não é anular-se. É agir com certa sabedoria prática, ter traquejo para boa parte das situações cotidianas, entender que a maior cortesia que podemos fazer a alguém é sermos verazes, muito mais que políticos. Mas é também perceber que, em boa parte das vezes, é possível conviver com o diferente sem sentir-se agredido, constrangido, maculado, aborrecido. Quando a diferença porém representa um abismo o afastamento torna-se a melhor profilaxia moral".

Inserida por CarlaGP