Raniere Gonçalves

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Quando volto
para o seu abraço
o tempo pára:

estou em casa!

Inserida por ranish

Quando fica impossível
reinventar o inesperado,
o amor se amorna
em amizade.

O lado bom passado
continua dentro de você,
do jeito mesmo que aconteceu.

Os dissabores amarelam
com o tempo
e acabam esquecidos.

Sempre que encontramos
um amor do passado,
hoje amizade,

é uma volta pra dentro
do coração,

uma lembrança terna
e sem possibilidades.

Olhos não veem o
'é',

eles enxergam apenas o
'foi'..

Inserida por ranish

Tem um lagarto verde morando
no meio da minha testa.

Penso fazer um buraco
com a furadeira
entre os meus olhos
para puxá-lo pelo rabo.

Taparei com uma rolha, depois.

Me dói muito a minha cabeça
com as andanças do sáurio.

Desparafusa minhas ideias.

Açoita meu sínus

Inserida por ranish

A morte é
um sem remédio.

O jeito é tocar o carro adiante.
Rangendo sorrisos,
respirando a brisa pouca
desses dias ariscos.

Outra fotografia
no caderno da lembrança,
pena.

Inserida por ranish

Meu paraíso passado,
meu impreciso presente,
meu inexorável futuro.

Pr'um preguiçoso
qualquer suspiro
é esforço.

Inserida por ranish

Minha alma velha
me arrepia os meus
ouvidos,
me deixa o meu corpo
bambo de emoções.
Já fui escravo,
sou escravo.
Minha liberdade
são meus olhos:
Capoeira!

Inserida por ranish

Pelas beiradas do curral
a poeira verde levantava,
no arrastar da botina.
Arremate de quatro dias
de estio.

Antevi no revolto do tempo
que ele vaticinava chuva.

Aberta a derradeira cancela,
minha vista alcançou
no longe,
um véu esbranquiçado
de noiva virgem
entremeando os angicos.

Já molhava metade do alto.

Apurei meu passo sentindo
o sorriso que se desenhava
nos meus lábios.

Lá vem ela
colorir a pastaria
com a esperança das vacas.

Já vem ela
molhando de alegrias
os meus olhos pagãos.

E derramou.

Fiquei um tempo dentro da cabina da D20,
apreciando o barulho sonoro na lataria.

Vida de vaca
é felicidade à toa,
simpleza d'água,
ingenuidade de nuvem...

Inserida por ranish

Carnaval
sob os olhos da esposa
é felicidade
quase tão grande
quanto a de um curió
cantando,
aprisionado
em uma gaiola

Inserida por ranish

Hoje foi o Bargadinho,
um bom bezerro de cabeceira.
O encontrei lá,
deitado à beira do malheiro,
inturgescido,
rodeado dos casacas pretas.
Dona cascavel cuidou de lhe dar
o derradeiro beijo.
Jeito que teve foi arrastá-lo para
o canto dos finados.
Um cortejo fúnebre me seguiu,
num farfalhar aéreo,
flap, flap, flap.
Pelo carreadouro,
um passante que vinha
me confirmou o dito
dos antigos:
'só perde quem tem', meu amigo!.
Me lembrei doutra feita,
na mesma vira...

O Bargadinho se foi
e o meu coração
é que ficou embargado.
Coisas da lida,
da morte e dos percalços
lá nas bandas
da Vertentinha.

Inserida por ranish

⁠Pós-pandemia
Depois da hecatombe coroada
Será a hora de abrir o caderno do futuro.
De expandir pulmões castigados, escandecidos,
Para respirar o sonho líquido da esperança.
Depois da hecatombe coroada
Será tempo de arrimar a rocha na planície
E outra vez rolá-la monte acima
Apenas para vê-la descambar
Ainda antes do cume do desejo.
Depois da hecatombe coroada
Será vez de obedecer ao vaticínio dos deuses
De reconstruir e reconstruir sempre,
De morrer e renascer em ciclos,
Na busca inatingível do eterno.

Inserida por ranish

⁠Não culpe o destino
pelos dias inglórios.
Suas escolhas
possuem as rédeas
do futuro.

Inserida por ranish

⁠Nas entrelinhas da
loucura habita uma
lucidez desconcertante.

Gente doida enxerga coisas invisíveis aos nossos
olhos domesticados.

⁠Bom dia Maria!
Como vai afamí'a?

Sua mãe,
sua avó,
seu pai...

E a sua tia
como vai?

Inserida por ranish

⁠Uma linha tênue
separa
a loucura da
genialidade;
o heroísmo do
banditismo.
Essa linha
se chama 'sucesso'.

Inserida por ranish

Para morrer,
basta estar vivo
e para viver
é preciso não
estar morto.

⁠A abstração
é um oceano
sem ilhas.

Inserida por ranish

Elucubrações.
Eu também gosto
de subir
e descer escadas,
abrir
e fechar cancelas.

A adaptação nos
mantém vivos,
mas é a dúvida
que é o motor da consciência.

Inserida por ranish

⁠Quando abrimos muito
a lente
o desfoque é
inevitável.

Inserida por ranish

Seja humilde.
O universo
é o seu umbigo.
Tudo fica intelegível
na bacia
da modéstia.

Inserida por ranish

⁠Você só consegue ver
o seu mundo
estando fora dele.

Olhando de lá tudo fica
mais simples
e definido.

Suas opções, e mesmo
suas aptidões,
ficam mais claras.

Inserida por ranish

⁠Enquanto uma pústula postula minha atenção,
eu me distraio estourando um comedão.

Inserida por ranish

⁠A humildade
é uma terra fértil
onde se cultiva
a consciência.

Apenas uma pessoa necessita conhecer
méritos e deméritos:
você mesmo.

Inserida por ranish

⁠Ler é perigoso.
Poderíamos descobrir
que a nossa liberdade
é ilusória.

Inserida por ranish

⁠Tropecei,
cambaleei,
caí.
Levantei,
Vivi.

Inserida por ranish