Raniere Gonçalves

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Eis que o Nosferatu dormirá uma vez mais
em hermético ataúde.
Sua caixa de pandora não se abriu
para a felicidade do povo.
Seu saco de iniquidades fechou-se
em um nó cego.
Agora é seguir com os olhos no futuro.
Não, não falta quase nada para coroar
a nossa alegria.
Esperaremos pela chuva para derramarmos
nossas lágrimas de contentamento.
Entrementes, estamparemos pela cidade
nossos melhores sorrisos comemorando
o desterro da quimera,
a inumação temporária do caos.

Inserida por ranish

Então é hoje?!
Num piscar de olhos
Esvaíram-se tantos anos.
De planos, de vontades, de sonhos!
Alguns tantos invernos floridos...
Felicidades escorridas no tempo
que nem paramos para nos dar conta.
Caminhos e vírgulas.
E segue essa nossa nau rumo
ao indefinido desejado..
Assim eu te deixo
meu abraço de grumete, padrinho:
apertado,
mensageiro de alegrias e de prazeres.
Desejo mesmo que, como na minha lembrança,
Aquele sorriso mouro da sabedoria inocente
continue no seu rosto
para todo o sempre.
Feliz Aniversário!!!

Inserida por ranish

Escolhas e rolhas.

O peso do que queremos.
O peso do que podemos.

A coragem de abandonar o desimportante,
de abraçar o mais ponderoso.

A comodidade do sonho
ou a incerteza da ação?

Você é o que escolhe ser
e, mais, o que não consegue escolher.

A pressa da realidade, o direito à preguiça.
A não escolha é escolha.
A inércia é ato.

Colocar rédeas na vida ou ser por ela levado?

Nem nunca pensamos nisso.
Nem sempre nos damos conta dos
fios invisíveis manipulando nosso destino,
atados à cruz que não cabe na nossa mão.

Apenas o oráculo vermelho
vaticinará futuros prováveis
somando o nosso desejo
ao intransponível muro da realidade.

Somos o que sonhamos ser e o
cotidiano se encarrega de transmutar
quereres em biografia.

Inserida por ranish

Depois de um magnífico capellini
acompanhado de um chileno honesto
instalou-se a lombra.
Deitado na rede da varanda escorro em devaneios.
Meus pensamentos lentos desembarcarão logo, logo
na planície do sono profundo.
É preciso.
Álacre e lestamente virá o show do Ratto.
Enfim a cidade sairá da mesmice sertaneja.
Preservarei meus olhos marrons
para o brilho dourado e alegre do whiskey.
E que venha a noite com suas sombras protetoras,
seu acalanto cheio de segredos vorazes,
sua volúpia de mil dedos.

Inserida por ranish

Ando sufocado de mesmices.
E de pequenos espasmos insossos.
Preciso alçar voo,
logo.
Antes que tudo desabe sob meus pés.

Inserida por ranish

Mal amainada a chuva
fui revisitar
duas amoreiras.
1deleite, 2, 3, 4...
Essa, a derradeira: mentira!
Essa, a derradeira: mentira!
Gotas defluíam do céu,
dos galhos.
Rubras, doces, sanguíneas:
AmorAs.
Puxando e sorvendo.
Puxando e sorvendo.
Lábios dulcificados, abatonados.
Língua preta.
Uma no chão,
duas na mão.
Duas na mão,
duas na mão...
E os meus dedos
de tabelião tardio.

Inserida por ranish

Meu sábado clareou na lida.
A devintona surfava:
uma curva de nível, outra,
outra, outra,
escapulindo de tocos e cupins.
Com o sol na cacunda
descia atrambolhada a pastaria
da vargem do Piancó.
Fui lá conferir o gado.
E pariram mais quatro.
A Chorosa, a Neguinha, a Baleia e a Patroa.
Por quatro também multipliquei
o meu sorriso.
Curei umbigos, bicheirinhas.
Apartei, vermifuguei...
Agora estou deitado no ladrilho da varanda.
Respirando os vapores perfumados
vindos da cozinha.
Fundo, o meu estômago tagarela
entoa protestos em esperanto.
Respondo-lhe em pensamento:
Espere que “A fome é o melhor tempero”.

Inserida por ranish

M? Não sei. Você é que mudou um tanto, amigo.
Se distanciou mais e mais do seu passado.
Ela continua lá
junto daquele cara que conheceu
mas que agora já não é mais o mesmo.
E assim é: estradas e encruzilhadas
e novamente estradas.
Pessoas se encontram, partilham coisas,
caminham juntas algum tempo
e, depois,
cada qual segue seu rumo
na ampulheta descendente dos minutos,
dos dias, dos anos...
Destino: sinuoso sendeiro onde deambulamos todos
na direção dos braços da inelutável morte.

Inserida por ranish

Plix-fix.
Finalmente: sono!
Agora é cama antes que o dia
levante a saia da noite.

Inserida por ranish

A dama da noite me deixou impregnado,
com o seu perfume.
Acordei na rede da varanda.
A gata preta dormia ao meu lado.

Inserida por ranish

Escurece.
Não sei dizer se é a chuva
ou se é a noite que engole
o horizonte.

Inserida por ranish

Uma amiga confessou não saber
o que é um Lá Maior.
Respondi a ela: eu te digo,
lá maior é um horizonte alongado.

Inserida por ranish

Timidamente
alguns perdigotos de Zeus
caíram barulhentos
no zinco.
Olhei o revolto dos céus
e firmei que vinha deveras
um temporal.
Estampidos sonoros se seguiram
diante dos meus olhos.
Escutei o tropel
de minhas vaquinhas
se recolhendo no barracão.
Elas estavam sorrindo.
Eu também!!!

Inserida por ranish

Quatrocentas vezes fui,
outras tantas eu voltei.
Vi, revi, milvi
tudo.
E te digo:
nada há lá fora
senão o próprio umbigo.

Inserida por ranish

Lembre-se sempre
que enquanto você está online
sua vida está off.

Inserida por ranish

Você o ama?
Ele cuida de mim.
Você o ama?
Eu cuido dele.
Você o ama!

A chuva continua, ainda.
Chorando todos os meus risos.
Colorindo de verde
o horizonte
dos meus olhos..

Inserida por ranish

Ubiquidade.
É triste essa sensação psicótica
que estamos sempre sendo vigiados
e que ao menor erro
poderemos ser punidos.
Esse é o lado mais cruel
e alienante das religiões.

Inserida por ranish

A Fortuna havia me escapado.
Passou dois ou três dias
pastando lá na vargem do meu vizinho.
Foi um custo trazê-la de volta.
Tive de fechar todo o gado no curral
para depois ir no encalço da danada.
Eu chamando e ela negaceando,
desconfiada, astuciosa.
O jeito foi esperar o tempo dela.
Ao se ver sozinha foi beirando cercas
até emparelhar com o gado fechado.
Abri a cancela e ela entrou.
Agora estou mais tranquilo.
Passarei meu dia mais confortado.
Embora um pouco mais magra
a Fortuna está de volta aos meus domínios.
Poderei por fim tomar minha Pirassununga
sossegado.
Foi um presente dos Santos Reis
protetores das minhas mimosas.
E da barra do Piancó.

Inserida por ranish

As trilhas
as abrem
os nossos
sapatos.

Inserida por ranish

Vivemos quem está
mais perto da gente.

Inserida por ranish

Nossas vidas sem asas.
Elas seriam tão somente
um retumbar infinito
por detrás dos remos
das galés.

Inserida por ranish

O vento me alçava pelas ruas da cidade.
Lentas as rodas do carrinho giravam
e viravam ao bel prazer do meu olhar.
Aqui-e-ali algumas ilhas de música, bebida,
carnes, gentes...
Carteados nas calçadas...
Dentro um jazz baixinho roendo meus tímpanos.
Fora: os meus olhos perscrutando novidades.
O natal é dia morto.
Cada um com os seus.
Botecos fechados, círculos fechados.
Fui-e-voltei-num-risco.
Um pequeno giro pra digerir a leitoa.
O que me resta agora
é preencher a boca-da-noite
voltando ao ritual
de abrir freezers e cervejas
e sorrisos.
Amanhã será outra coisa.

Inserida por ranish

Se não estou aqui
é porque fui um pouquinho lá fora
viver
e já volto.

Inserida por ranish

P,

A experiência me fez ateu.
Antes só havia o medo.

Ante a de qualquer deus
eu prefiro a sua bênção.
Nela, ao menos, posso encontrar
alguma serenidade.

A perfeição é uma bobagem.
Uma pedra de Sísifo.
Um horizonte inalcançável.

Para mim o que importa realmente
é um coração generoso.

Eu acredito na energia da vontade
de quem acredita com o coração.
Mas quem tem medo apenas procura
uma tábua para não se afogar.
Num mar de incertezas.
Num lamaçal de agonias.
Num deserto de palavras.

Inserida por ranish