R.M. Cardoso
TROVA - 159
O seu beijo até parece
Fogueira pegando fogo!
Beijando, a gente se aquece
Para dar sequência ao jogo...
SONHO DE AMOR
Sonhar com a minha musa -
É como gota de luz
Que ilumina toda a alma.
É brilho do alvorecer
Trazendo beleza e calma.
Sonhar com a minha musa -
É como flores brotando,
Ornamentando o pomar.
É sublime encantamento
E a alegria de cantar.
Sonhar com a minha musa -
É sonhar com as estrelas
Que, em silêncio, contemplo.
É como prece de alguém
No interior de um templo.
E deste sonho de amor
Que alimenta o viver,
Emana a doce harmonia
A embalar a esperança
Nos braços da poesia!...
POEMA
Que o lirismo
não
acabe,
não
se apague
a luz
do canto!
No tacho
dos sonhos
(eu
acho)
não
cabe
o desencanto!...
VIDAS AMARGAS
Quando Saúde, Trabalho
Segurança e Educação
Deixarem de ser promessa
A cada irmã, cada irmão;
Quando for reconhecido
O valor de quem trabalha,
Quando se tiver certeza
Que a Justiça nunca falha;
Quando o medo e a violência
Se transformarem em paz
E a relação entre os povos
Tornar-se mais eficaz;
Quando o amor vencer ao ódio
E o riso vencer ao pranto,
Quando a Fé e a Esperança
Já não nos faltarem tanto;
Quando já não mais houver
(Sem sonhos e sem escola)
Uma criança na rua
E alguém pedindo esmola;
Quando ninguém mais sentir,
Dos males do mundo, as cargas,
Quantas vidas, certamente,
Deixarão de ser amargas!...
COLISÕES
Há,
nas estradas
de nossas
vidas,
algumas
colisões
entre
o passado
e as lembranças,
que deixam
nossas
almas
levemente
machucadas
ou,
intensamente,
feridas!...
MEU VÍCIO
O jogo
Do amor
É fogo! -
E não
Se ganha
"No grito" -
Pois logo
Se perde
A calma
E a alma
Entra em
Conflito!
Ganhar?
Perder?
Isso é
Do jogo,
Faz parte
Do ofício.
Por isso,
Eu jogo,
É esse
Meu vício.
TEMPOS DE ANGÚSTIA
...E quando noite de inverno,
Chovia, chovia
Batia o frio na pele
Batia o frio nos nervos
Batia o frio na alma!
A angústia insistia
Em conversar com a solidão!
E a lentidão das horas
Varria, varria
O alento e a calma!
SONHANDO
Sonho ver a gente
Isenta de abrolhos,
Para que os meus olhos
Brilhem, plenamente!
Sonho ver o mundo
Sem fome, sem guerra
Para que, na terra,
Haja amor profundo!
No ombro deste sonho
A esperança eu ponho
E sigo o caminho,
A certeza levando
De que, por onde ando,
Não ando sozinho!...
CIRANDA
Noite
morna
de verão.
No sublime
azul,
estrelas
brincam
de poesia
feito
crianças
brincando
de ciranda
no terreiro
de outros
tempos!...
SEGREDOS
Há
tanto
tempo
tento
domar
os teus
medos,
no ardente
e doido
intuito
de romper
os teus
segredos.
BAILARINA
Nos palcos da formosura
Tu bailavas, sutilmente,
E a plateia, intensamente,
Te aplaudia com fervura!
Eu, então - quanta loucura! -
Em meio àquela gente,
Vibrava, incessantemente,
Com tua desenvoltura!
Mas o tempo, alheio a tudo,
Foi passando livre e mudo,
Te roubando a a galhardia.
Hoje, brilha o teu bailado
Entre as luzes do passado,
Sem plateia e euforia!...
NOITE
Da janela
entreaberta
vejo
o galopar
das horas
no estirão
da noite...
Os rangidos
do vento
rasgam
o silêncio
lá fora.
SEM NOME E SEM RIMA
Na precária
quietude
que orbitava
a noite
preparei
um
poema
sem
nome
e sem
rima.
MADRUGADAS
Dos olhos
do poeta
escorrem
madrugadas
encharcadas
de angústia...
ecoa
uma
queixa
nos caminhos
do crepúsculo!...
CENÁRIO DE AMOR
Teus braços - rubro sol a esplandecer -
Quando me envolvem plenamente assim,
Sinto minh'alma toda se aquecer
E a solidão se afugentar de mim.
Instala-se a alegria em meu viver,
É cenário de amor que não tem fim,
É luz tomando conta do meu ser,
É poesia, é festa e brilho, enfim.
Em cada doce beijo que me dás,
Arde uma chama qual uma fogueira
E a ansiedade ferve ainda mais...
O desejo se apossa de nós dois,
Sinto despir-se a tua alma inteira -
E nada mais se deixa p'ra depois!...
R.M. Cardoso
