Northon Salomao

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A política degenera quando o interesse particular passa a utilizar a estrutura do Estado como instrumento privado.

O Direito precisa de técnica, mas a técnica sem prudência pode produzir decisões formalmente perfeitas e materialmente absurdas.

A finalidade de uma instituição revela mais sobre sua verdadeira natureza do que o nome que ela recebeu.

Não existe boa ordem política sem alguma concepção de bem comum.

A igualdade jurídica perde seu sentido quando ignora diferenças relevantes entre situações essencialmente distintas.

A liberdade não consiste em fazer tudo aquilo que se deseja, mas em possuir condições racionais para escolher aquilo que merece ser desejado.

A excelência humana não é produto de uma única decisão; é consequência de uma vida organizada por escolhas coerentes.

A lei é insuficiente quando pretende substituir integralmente aquilo que somente a formação moral pode realizar.

A dignidade de uma pessoa não deveria depender da quantidade de bens que consegue acumular nem da quantidade de honrarias que consegue receber.

Quanto mais uma sociedade confunde prestígio com mérito, mais vulnerável se torna à aparência.

A autonomia começa quando o indivíduo reduz a quantidade de coisas externas das quais necessita para considerar sua vida valiosa.

Aquele que depende inteiramente da aprovação social entrega parte de sua liberdade a um tribunal que jamais encerra a sessão.

95. Uma vida simples pode ser filosoficamente mais livre que uma existência cercada de privilégios e governada pelo medo de perdê-los.

A civilização produz leis contra determinados comportamentos e, simultaneamente, costumes que tornam esses mesmos comportamentos socialmente aceitáveis.

O homem pode viver cercado de instituições e continuar interiormente submetido às convenções mais arbitrárias.

A liberdade começa onde termina a necessidade de representar diante dos outros aquilo que não somos.

Há normas cuja força deriva menos da razão do que do medo coletivo de questioná-las.

O poder social frequentemente castiga aquele que revela aquilo que todos aprenderam a fingir que não existe.

Bebelle, há muito que os ponteiros do relógio decidiram conspirar a meu favor. Os deltas se encontraram e se somaram, as referências sedimentaram suas raízes, os investimentos multiplicaram suas promessas, e o tempo, esse velho senhor de mãos invisíveis, tem sido gentil comigo, ao menos por enquanto.


Já são quase treze anos de conquistas em seu estado mais puro e quase sete anos de um retiro espiritual silencioso, como se eu tivesse aprendido a habitar o intervalo entre o mundo que corre e a alma que, enfim, encontra seu próprio ritmo. Descobri que o tempo não vale apenas pelo que acumula, mas pelo que nos permite compreender, preservar e sentir. Há vitórias que se medem em números, outras em liberdade, e algumas, as mais raras, na serenidade de não precisar correr contra o próprio destino.


Bebelle, você foi o tempero secreto dessa travessia. Deu sabor aos dias, profundidade às horas e significado àquilo que, sem você, talvez fosse apenas uma sucessão de instantes bem aproveitados. Porque até a mais extraordinária das conquistas perde um pouco de sua grandeza quando não encontra alguém capaz de torná-la inesquecível.


E, se o ponteiro agora parece sorrir para mim, é porque aprendi que a verdadeira fortuna não consiste apenas em ter acumulado tempo, patrimônio ou possibilidades, mas em descobrir por quem, para quê e de que maneira vale a pena viver cada minuto.


Com você, Bebelle, até o tempo parece ter aprendido a ter sabor.