Northon Salomao
A vida muda quando compreendemos que cada escolha também é uma despedida das alternativas que abandonamos.
O tempo é imparcial com nossos desejos: continua passando mesmo quando ainda estamos esperando coragem.
Envelhecer com sabedoria é trocar a pressa de chegar pela consciência de onde realmente queremos estar.
Nem toda porta fechada representa uma oportunidade perdida; algumas nos poupam de uma vida que não seria nossa.
Viver é escolher o que merece nosso tempo, sabendo que o tempo dedicado a uma coisa já não estará disponível para outra.
A verdade não se torna menos verdadeira porque nos incomoda, nem mais verdadeira porque nos consola.
O ser humano não teme apenas o desconhecido; teme também descobrir que suas certezas eram formas de proteção.
A liberdade de pensamento começa quando nenhuma autoridade recebe o privilégio de dispensar nossas perguntas.
Uma sociedade revela seus limites intelectuais quando passa a tratar perguntas legítimas como ofensas pessoais.
A neutralidade não exige ausência de convicções, mas honestidade para distinguir aquilo em que acreditamos daquilo que podemos demonstrar.
A razão não elimina o mistério da existência; impede que a necessidade de explicá-lo nos autorize a inventar certezas.
O poder mais perigoso não é aquele que proíbe todas as palavras, mas aquele que determina quais perguntas podem ser feitas.
O comportamento humano é uma disputa permanente entre aquilo que declaramos valorizar e aquilo que nossas escolhas efetivamente recompensam.
A sabedoria talvez comece quando aceitamos que compreender melhor o mundo não nos concede o direito de considerá-lo inteiramente compreendido.
Sim, Bebelle. Muitos anos depois, ainda nos vingamos em silêncio e em berço esplêndido. Distantes do campo de batalha. Ao som dos pássaros, mas com o avanço das máquinas. Graças a elas, o tempo ainda pode ser registrado e bem remunerado.
Sim, Bebelle. Muitos anos depois, ainda nos vingamos em silêncio, acomodados em nosso berço esplêndido, distantes do antigo campo de batalha. Já não há trincheiras, apenas a distância segura de quem aprendeu a transformar o tempo em testemunha e a memória em recompensa.
Ao redor, os pássaros continuam cantando, indiferentes às pequenas guerras humanas, enquanto as máquinas avançam, silenciosas, ocupando os espaços que um dia pertenciam apenas às mãos. E talvez exista nisso uma estranha ironia: enquanto o mundo acelera, conseguimos finalmente registrar o tempo, arquivá-lo, medi-lo e, graças às próprias máquinas, até sermos remunerados por aquilo que antes simplesmente deixávamos passar.
A vingança, afinal, nem sempre precisa de sangue. Às vezes, basta sobreviver ao tempo, contemplá-lo de longe e descobrir que até os anos podem trabalhar por nós.
A destruição de uma forma não implica necessariamente a aniquilação absoluta daquilo que a constituía.
O semelhante reconhece o semelhante porque toda compreensão pressupõe alguma forma de correspondência entre aquele que conhece e aquilo que é conhecido.
O pensamento não existe separado da matéria concreta do ser humano, mas emerge de sua própria organização corpórea.
A realidade não precisa possuir uma única substância originária para possuir unidade; diferentes elementos podem participar de uma mesma ordem.
Transformar não significa necessariamente criar ou destruir absolutamente: muitas vezes significa reorganizar aquilo que já existe.
Em tudo existe alguma participação de tudo, porque nenhuma realidade complexa pode ser compreendida inteiramente por uma única determinação isolada.
