Bebelle, há muito que os ponteiros do... Northon Salomão de Oliveira

Bebelle, há muito que os ponteiros do relógio decidiram conspirar a meu favor. Os deltas se encontraram e se somaram, as referências sedimentaram suas raízes, os investimentos multiplicaram suas promessas, e o tempo, esse velho senhor de mãos invisíveis, tem sido gentil comigo, ao menos por enquanto.


Já são quase treze anos de conquistas em seu estado mais puro e quase sete anos de um retiro espiritual silencioso, como se eu tivesse aprendido a habitar o intervalo entre o mundo que corre e a alma que, enfim, encontra seu próprio ritmo. Descobri que o tempo não vale apenas pelo que acumula, mas pelo que nos permite compreender, preservar e sentir. Há vitórias que se medem em números, outras em liberdade, e algumas, as mais raras, na serenidade de não precisar correr contra o próprio destino.


Bebelle, você foi o tempero secreto dessa travessia. Deu sabor aos dias, profundidade às horas e significado àquilo que, sem você, talvez fosse apenas uma sucessão de instantes bem aproveitados. Porque até a mais extraordinária das conquistas perde um pouco de sua grandeza quando não encontra alguém capaz de torná-la inesquecível.


E, se o ponteiro agora parece sorrir para mim, é porque aprendi que a verdadeira fortuna não consiste apenas em ter acumulado tempo, patrimônio ou possibilidades, mas em descobrir por quem, para quê e de que maneira vale a pena viver cada minuto.


Com você, Bebelle, até o tempo parece ter aprendido a ter sabor.