Nelson Emílio
Quem critica Angola por usar o português esquece que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa partilha o mesmo dilema: a necessidade de usar a língua herdada para a administração e para a unidade nacional.
A perda das línguas nacionais é um fenómeno urbano, concentrado em Luanda. Nas províncias de Angola, línguas como o umbundu, kimbundu, tchokwe e kikongo são as mais faladas no dia a dia pela maioria da população. Agora, tratar Luanda, como a totalidade do país é um erro de análise.
Angola usa o português [...] de modo a unir um país com mais de dez grupos etnolinguísticos diferentes após a independência.
A adopção da língua do antigo colono para evitar conflitos étnicos e gerir a administração foi uma estratégia de sobrevivência do Estado, e não um acto de alienação.
O domínio do humor, fofocas e conteúdos fúteis nas redes sociais é uma característica do algoritmo e do comportamento humano, regulado pelo modelo de negócio de empresas como a Meta e o TikTok.
Diminuir-se diante do abismo é um erro. O tamanho de África só se descobre quando ela pensa a uma só voz.
Divididos, os problemas de África engolem as nações; unidos, as nações superam os problemas de África.
O islamismo não cresceu em Angola por debate de ideias, mas sim através do comércio em zonas pobres.
O caminho mais viável para reduzir a prostituição é aceitar que a falha é de todos nós, em vez de apontar várias falhas aos outros.
A tarefa da zungueira não se reduz à venda de produtos, nem ao grito, nem à circulação, nem à busca do dinheiro e nem ao encontro de clientes.
A zungueira não carrega somente uma bacia com um pano retorcido sobre a cabeça. Ela carrega duas tarefas essenciais: a primeira, a família; a segunda, o país.
À medida que uma zungueira é abusada sexualmente, a sua família, a comunidade e o país são, indirectamente, abusados também.
