Nelson Emílio
O homem precisa cultivar, tratar e cuidar das suas culturas. Deve cultivar a mente, porque cultura é tudo aquilo que não nasce sozinho.
A cultura de um país é a soma viva de todas as suas culturas. A cultura é a soma das suas partes: um mais um são dois, mas dois vezes dois são quatro.
A cultura é adição e multiplicação, não uma subtracção que esvazia, nem uma divisão que afasta povos.
Num país, a cultura multiplica-se ao somar-se. A cultura divide quando se impõe, mas multiplica-se quando se soma.
A cultura de Angola é a soma viva de todas as suas partes, expressa na língua, na música, na dança, na arte, na vestimenta, na culinária e na organização social das suas 21 províncias segundo a aprovação e implementação da Nova Divisão Político-Administrativa.
No Leste (Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e Moxico Leste), a cultura Tchokwe sobressai pelos desenhos geométricos Sona, pela dança tchianda, pelas máscaras ritualísticas e pelo consumo de peixe de rio e bombó.
Se um político eleito não presta contas do que faz, o seu direito de governar passa a ser zero, não importa quantos votos tenha recebido.
Quem vota e se afasta da política não escolhe um representante, escolhe um dono para a sua própria vida.
Os partidos que funcionam como seitas não formam deputados com voz própria, apenas criam pessoas para aplaudir.
A velha geração usa o passado da guerra como escudo para silenciar a juventude e foge à prestação de contas.
A forte partidarização do Estado faz com que a crítica interna seja tratada como traição. Os deputados silenciam-se perante os erros para proteger privilégios.
A responsabilidade não é algo que se herda, é algo que se pratica todos os dias. O passado nunca servirá de desculpa para estarmos parados hoje.
Se a nossa voz servir apenas para repetir as promessas dos outros, o futuro continuará a ser propriedade de uma minoria.
O patriotismo vê-se na coragem de criticar quem está no poder, ou será que se vê num povo que serve esse mesmo poder, especialmente quando foi ele que o elegeu?
O sumiço das línguas locais é um facto comum a Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e não um problema único de Angola.
A perda de espaço das línguas locais para a língua colonial ocorre em vários países africanos devido às políticas pós-independência de unidade nacional.
Angola e Moçambique partilham a mesma situação: usaram a língua portuguesa para unir o país e hoje as cidades de ambos sofrem com a diminuição das línguas locais.
Cabo Verde, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial falam português. Não é correcto dizer que somente em Angola se fala português, pois em São Tomé e Príncipe a quase totalidade da população já não fala as línguas locais.
