Maria Almeida
Aprendo com o amor e com a dor. Não reclamo. Ser uma pessoa melhor, para mim e para os outros, valorizar o esforço diário, agradecer e perdoar, superar e continuar a acreditar.
Nem tudo depende de mim, mas todos os dias ergo os braços para a vida e vou pintando a tela da minha história.
Viver em cima do muro não é serventia para mim. O morno apavora-me. Sou profunda e o que não nasce devagar e naturalmente, intensificando-se em cada rebento, não deve entrar no meu mundo. Quero diluir-me em cada ponto intenso da vida e infiltrar-me em cada película infinita do Universo.
Deus, perdoa o que tenho vindo a fazer. Oro a Ti porque só Tu entendes o que sinto. A memória da alma e do coração guardam aquele que me fizeste amar com todo o meu ser e para toda a minha eternidade. Sou feliz e agradeço-Te por isso. Não saberia amar assim. Não teria nos meus lábios o gosto efémero do amor único e verdadeiro. Não possuiria no meu olhar a luz surpreendentemente transcendente da tranquila essência que me faz vibrar. Tenho fé, paciência e o grandioso sentimento que sempre vem de Ti e que sempre adorna e suaviza o meu quotidiano. Perdoa-me por afastar de mim tudo o que me faz lembrar. Afastar, amando. Basta-me a saudade que mordisca subtilmente as minhas noites e se transforma em secreta e divina leveza nos meus dias, tão linda e suprema como a minha vontade de viver e de seguir, rindo e chorando, caindo e levantando, lutando e descansando. Obrigado. Amém.
Se defini os meus valores, os pilares são da minha responsabilidade e a sua edificação apenas a mim cabe.
Entro de corpo inteiro - mente, alma e coração - e não me preocupo mais em buscar para dentro o que está fora. Emerjo para a vida com oração e com entrega, sublimada por um sentimento muito meu.
Ligar-me a tudo o que me rodeia é a forma mais suave e mais arrebatadora que possuo para ser plena e não desperdiçar a vida.
Às vezes penso se mais alguém vê o mundo como eu o vejo, e se, de certa maneira, o copo de água que seguram nas mãos será gota do rio que se insinua em mim, ao encontro de um extenso e aberto mar.
Não culpo a sociedade e o mundo. Não me culpo a mim e a ninguém. Faço da alegria a minha motivação e apenas estabeleço limites. Quero tudo o que me faz sentir bem. Quero tudo o que não magoe ninguém. O meu intento é muito maior, amar a Deus, amar a mim, amar as pessoas que me querem bem e orar pelas pessoas que em si se perdem em ferir.
Longe de mim magoar quem magoa.
Na verdade, não existe uma fórmula mágica capaz de sanar repentinamente uma emoção dolorosa ou uma ferida aberta dentro de nós. Eficaz – e muito melhor – é perdoarmos, libertando-nos do excesso emocional e sem pena de nós próprios, mesmo que a emoção tenha sido vivida intensamente, e esquecer, estabilizando a nossa paz.
Conto nos dedos de uma só mão os anjos mágicos que, sem o perceberem, me alimentam, numa permanência de olhares abertos e sinceros e dentro de uma cumplicidade de gestos simples, com os quais me resgato e identifico.
