Maria Almeida
Não tenho um dever obsessivo para comigo própria. Não gosto da perfeição. Erro sem parar, mas liberto-me trabalhando para ser uma pessoa cada vez melhor para mim, para os outros e para o mundo. Não gosto do que é morno. Sou tranquila, mas adoro molhar os pés no mar, de sentir a turbulência do vento e de me molhar na chuva viva, quente e fria, aceitando a adversidade e o amor. Não gosto de linhas retas. Não sou melhor nem pior, muito menos infalível, sou silenciosamente humilde, mas intensamente efervescente com a vida e pela vida.
Quero um abraço aconchegado, uma gargalhada solta, mãos dadas, uma flor do campo e ficar olhando o mar.
Normalmente, quem muito julga os outros, não só não possui uma vida própria, como também se esconde de si mesmo.
Entrego-me à vida e dispenso curiosos. Só quero o que me faz bem e o que me faz sorrir de corpo inteiro, de dentro para fora.
O estado de espírito que a simples contemplação do mar provoca, relativiza toda a negatividade e ressuscita o som maravilhoso e ritmado da vida.
O presente é meu e ninguém precisa de ficar comigo o tempo todo, gosto de correr e propus-me fazer e aprender outras habilidades.
As oportunidades para me surpreender estão sempre surgindo e não preciso das redes sociais. Gosto de arriscar o que é diferente e o mundo oferece-se a mim como uma enorme janela sem a cortina da solidão acompanhada.
Amo a minha família e adoro todo o tempo e todos os pedaços de tempo que passo com ela e que com ela desfruto.
Deixei de olhar para o relógio, de acumular pessoas que não acrescentam e de percorrer rotinas que em nada são criativas. O tempo não existe, vivo-o plenamente ao meu ritmo desacelerado, apenas buscando a minha paz.
Não julgue as atitudes de ninguém e não as analise pelo prisma do seu ângulo pessoal, principalmente quando não sabe a sua base e o seu fundamento.
O meu objetivo primordial é o de dar voz à minha voz e não o de depositar expetativas nos ombros dos outros.
Não me sinto obrigada a saber tudo e de tudo ser conhecedora. Não tenho que, sinceramente, formular opiniões sobre todos os fatos que acontecem no mundo e na vida. As certezas absolutas não existem e é extremamente errado ultrapassar-se o limite de liberdade dos que não vêem as coisas como nós as vemos.
