Madasivi
Instantes relâmpagos,
Que riscam na mente,
Como clarões das máquinas de fotografias,
Lembram tantas saudades vivas,
Passeando por estas linhas plácidas que se formam,
Linhas mal escritas,
Mal por vontades destes meu dedos incapazes,
Enquanto o vento faz a curva e passa com tudo,
Tudo passa,
Passa daquele jeito,
Jeito que nem pega,
E entre o vento mais alto e o mar,
Está a gaivota que plaina,
Faz seu voo rasante e fisga,
Faz nascer um peixe voador,
Lá vai ele em seu voo único,
Para depois morrer um peixe nadador,
Não importa,
Ninguém quer o que você quer,
O que ninguém quer é o que importa,
O que não importa você não quer,
Trem sem comiseração,
Só não leva o que está aqui dentro,
De um vagão peito,
Trilho coração,
Trem sou,
Nessas horas,
Nesses dias,
As linhas dos livros,
As músicas através de streaming,
As reflexões noctâmbulas,
Sem obrigação, leia-me,
Sem protocolos releia-me,
Sem compromisso da capa à contracapa,
Folheia-me,
A alegria está na cara,
O riso é leve,
Mas o tempo é atroz e não falha,
Sem tardanças traz a trágica verdade sem piedade,
Pura como a noite estrelada do teu amado sono que te embala,
Enfim, agora é uma mulher pronta para mais trinta,
Repertórios que enganam as sombras,
Que bastam para segredar os encantos,
De uma noite descomunal,
Que não deveria ter fim,
"A leveza de ir",
Faz a beleza chegar,
De mansinho",
E esta bonança chegada,
Traz ventos coloridos,
Ventos falantes,
Esperanças vendavais,
Substantivo mais que abstrato,
É esta troca de olhares,
Esse quase insignificante momento de trato,
Parece que a certeza da felicidade testifica milhares,
Após um tempo,
Vem esta vontade,
Que não passa,
Vontade de não desejar,
De não saber,
De não lutar,
Nem de tentar,
Apenas de rabiscar,
